Setevidas
41 Todos estão loucos - Parte 2
...(POV Nathanael)...
O menino nos observa com um ar sombrio e carregado. Seus olhos são vermelhos e em suas bochechas há manchas de sangue. Os cabelos são totalmente pretos e escuros. E ele se encontra preso acorrentado em uma camisa de força. Na sua testa, há um símbolo, a mesma marca que havia na testa do moço no posto de gasolina. Acho que não é mera coincidência. Ele não se movimenta. Está parado como se fosse uma estátua, mas sua respiração é tão intensa, como uma criança que acorda a noite por falta de ar. Lucas está nervoso...Posso sentir isso. Eu também estou, mas para não demonstrar isso, aperto sua mão como se indicasse coragem e confiança. May está em posição de ataque, mas ainda não entendo se é esse garoto nosso verdadeiro inimigo.
— Finalmente nos encontramos Anark! — May diz com um tom de satisfação. — Esperava por esse momento há anos.
— Não podemos simplesmente ataca-lo, May. — Digo — Precisamos de um plano!
— A melhor estratégia... — Ela diz correndo na direção do garoto — ...É O ATAQUE! — Completa gritando e levantando o báculo ela dispara raios na direção do menino que é atingido em cheio, mas não acontece nada.
Ele não sentiu dor? — penso.
May libera sua forma humana e se transforma em aura pura e com seu corpo emanando energia cor de rosa, ela corre em direção e dispara bolhas elétricas, que se desfazem ao chegar perto do garoto. A raiva começa a invadir o corpo da garota, fazendo com que ela cravasse o báculo no asfalto da rua. Em instantes, o chão começa a tremer.
Lucas e eu caímos no chão e uma cratera começa a se abrir em torno de May e rasgando a estrada indo em direção ao menino de olhos vermelhos. A cratera para de se abrir antes de chegar nele. May continua fazendo força para continuar o terremoto. As casas em ruínas começam a ir à baixo, os prédios que sobraram começam a cair e os carros são engolidos pela terra tão rápidos que mal consigo vê-los.
— MAY! — Grito tentando chamar a atenção da garota. — Você tem que parar ou todos da cidade irão morrer!
— Há sacrifícios que precisam ser feito pelo bem do universo. — Ela responde de uma forma estranha. Parece que ela está em transe e o poder consumiu todo o seu cérebro.
Retiro uma carta do bolso do meu casaco e mostro para Lucas que assente no mesmo instante. — Precisamos tirá-la da jogada. — Ele diz. Concordo com a cabeça e lanço a carta para cima. — Espectro de luz que oscila entre o vermelho e violeta, atue na mais pura faixa de sete cores da minha aura e envolva o peregrino Nathanael de acordo com suas emoções. — Digo invocando as cores da minha aura que emergem do chão e circulam meu corpo. Em instantes as cores se fundem e nos tornamos um só. As asas do desejo nascem da luz que brilha em minhas costas e quando a claridade diminui, consigo me por de pé em meio à todo o tremor que há no chão. — Halo! — Grito. A auréola aparece na minha cabeça e no mesmo momento a agarro e miro na direção da carta que flutua no ar. — Com as cores da aura pura que brilha sobre meu corpo, ordeno que se liberte da sua humilde forma e venha servir ao seu mestre que lhe invoca através das habilidades de anteposto. — Verbalizo. — Enamorados, use seus poderes!
Da carta, um menino loiro de cabelos encaracolados sai e voa com suas pequenas asas em direção à May. Ele circula em cima da cabeça dela e lança seu pó dourado que faz a garota largar o báculo cravado no chão e cair desacordada na hora. No entanto, ao invés de voltar para a carta o menino avança voando ligeiramente na direção do suposto Anark no qual dispara um pouco de seu pó e uma coisa estranha acontece. Ao entrar em contato com o corpo do menino dos olhos de sangue, o pó de dourado passa a ser vermelho e com isso o loiro retorna a carta frustrado.
— Você viu aquilo? — Pergunto a Lucas que se levanta do chão rapidamente.
— Sim. — O felídeo responde. — Ele conseguiu anular os poderes da carta.
— E o que faremos agora?! — Pergunto. — Acho que uma conjuração...
— Não daria certo! — O menino me interrompe — Precisamos de pelo menos três pessoas para fazer uma.
— Não podemos ficar parados. — Digo. Por mais que esse garoto me dê arrepios, preciso fazer algo para salvar a cidade. — Todos estão loucos por causa dele.
Assim que termino de falar essas palavras, o menino se teletransporta pra poucos centímetros da minha distância ficando cara a cara comigo. — Louco? — Ele diz — Insano. — Completa e me dá um chute tão forte que cambaleio batendo de cabeça no poste.
— Aiiiiiiiiiiiiiiiii. — Reclamo colocando minha mão na cabeça. — Mas que merda! — Digo irritado.
Lucas ataca o garoto com um soco, mas ele desvia no mesmo instante se esquivando no último segundo. — Ele só pode estar achando que isso daqui é matrix.
Lucas e esse tal Anark estão em uma batalha na qual ambos usam suas habilidades para conseguir atingir o outro. Entretanto, Lucas com seus reflexos de gato consegue desviar de todos e Anark com seu teletransporte consegue fazer o mesmo. Ambos estão no mesmo patamar.
— Preciso fazer algo. — Penso. Minha cabeça ainda dói e por isso não insisto em ficar muito tempo pensando.
Pego do bolso todas as cartas que juntei até agora e as posiciono em minha frente, ainda sentado no chão encostado no poste. As cartas no chão me deixam ainda mais confuso. Qual eu devo usar? Quais dessas seis me darão a vitória sobre o mal? Eu não sei ao certo o que fazer... Da última vez que tentei combinar duas cartas acabei desmaiando e quando usei apenas o mago esgotando minhas energias nessa carta, eu quase morri.
Lucas ainda luta com o garoto de forma ágil. Eles usam os segundos na esperança de uma falha nos movimentos do outro. Ajunto as seis cartas nas mãos e corro na direção da batalha. Seja lá o que acontecer, é a primeira vez que irei tentar isso.
— Terra! — Grito lançando a carta “O mago” no chão. O que faz o asfalto se tornar uma enorme mão feita de rocha agarrar os pés de Anark. Então, ligeiramente lanço outra carta que se funde a mão que prende o menino. — Força! — Berro. — A mão de asfalto prende ainda mais o garoto que solta um gemido de dor, ao sentir-se esmagado pelo próprio chão. Ouço o barulho das correntes que o prendiam serem quebradas devido ao esmagamento.
O garoto se teletransporta para fora das garras da terra e no mesmo instante, lanço uma carta na minha frente no exato momento em que ele corre para minha direção. — Torre! — Grito fazendo uma enorme muralha de energia que separa a mim e ao menino.
Ele sorri e se teletransporta pra trás de mim.
Engulo em seco ao me virar e sentir suas mãos cravarem na minha barriga. Um raio cai do céu me atingindo em cheio, descarregando a energia totalmente no meu corpo. Seguro suas mãos na tentativa de afastá-lo, mas é em vão.
Sinto o choque se tornar cada vez maior. Lucas tenta se aproximar, mas a barreira que criei com a carta Torre o impede, deixando-o do outro lado. Não consigo desfazer a magia devido a dor e a única coisa que consigo fitar, são os olhos atordoados do menino.
Olhos repletos de sangue, poder e... medo!
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