Setevidas
20 Oi...Eu sou a Harpia
...(POV Harpia)...
Meu nome é Harpia Harpyja, e nasci na da tribo dos Accipitridae também conhecida como a tribo das águias. A tribo é formada por uma grande parte da população com os genes de águia, mas também há os falcões, gaviões e abutres.
Meus cabelos são castanhos e meus olhos são pretos. Sou um pouquinho alta pra minha idade, dezenove só pra constar. Sou filha única e atualmente moro com a minha mãe. Ainda tenho um pouco de dificuldade nos treinamentos aéreos, mas nos terrestres eu sou uma verdadeira ameaça.
Desde pequena sempre fui mimada pelos meus pais. Papai era general do exército Accipitridae e me contava histórias toda noite sobre as guerras que já havia enfrentado. Minha mãe sempre tentou me ensinar e me direcionar na area curandeira, mas esse nunca foi meu forte. Sempre sonhei em ser um comandante assim como meu pai era um general bastante conhecido e honrado.
Aos doze anos entrei para a escolinha militar que havia para as crianças da região. Eram apenas nove meses, mas mesmo assim foram os nove meses mais lembrados de toda minha vida. Era isso que eu queria. Servir a minha tribo e morrer se for preciso.
No início, minha mãe não concordou muito bem, mas meu pai sempre me apoiou e continuou com meus treinamentos assim que a escolinha militar acabou. Depois de um tempo, por volta dos dezesseis anos, meu pai me recrutou como soldado na equipe especial que ele havia montado. Eu era a única e primeira garota na história que havia entrado para o exército. No início os meninos me subestimavam muito, mas nunca me ameaçaram com zombações por eu ser filha do general. Com o passar do tempo, foram me dando valor pelas minhas atitudes e me tratavam de forma igual.
Eu gostava disto, me sentia acolhida e em casa.
Anos depois, meu pai entrou em uma guerra contra a tribo das serpentes. Milhares de pessoas morreram nessa guerra, meu pai foi um deles, mas não morreu na hora. Ele foi ferido pelo veneno e quando voltou com o seu exército vangloriando-se pela vitória, viu que seu tornozelo sangrava muito devido a uma mordida. Com o passar do tempo, ele ficou muito febril. Minha mãe cuidava dele dia e noite e ele não conseguia sair da cama.
De noite eu podia ouvir as preces de minha mãe pedindo para que não levassem meu pai pro outro lado. Em uma noite de verão qualquer, eu me aproximei do meu pai, sabendo que a morte já estava chegando. Ele teve dificuldade pra me reconhecer, eu era muito parecida com a minha mãe. As únicas palavras que eu consegui decifrar de seus gemidos de agonia naquela noite foram: Eu estou feliz, porque meu povo está feliz. Aquelas palavras foram as últimas que ouvi. No dia seguinte ele estava morto. Minha mãe chorava sem parar, e eu não conseguia derramar uma lágrima de tristeza e sim de alegria. Meu pai morreu feliz, pois estava fazendo o que gostava de fazer. Eu quero morrer que nem ele. Futuramente, claro. Mas morrer feliz, sabendo que minha tribo está feliz.
Depois disso me dediquei em dobro aos treinamentos e atualmente sou comandante do exército. Comandando qualquer unidade, subunidade e fração militar da tribo das águias.
Minha mãe sente orgulho de mim.
No fundo, eu assumo que só terei orgulho de mim mesma quando vencer a primeira guerra contra a tribo das serpentes. A mesma tribo que matou o meu pai.
Meu nome é Harpia Harpyja e eu serei a futura comandante que esmagará com o meu exército a tribo das serpentes.
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