Setevidas

8 Elemento Ar - O vento que leva auras chorosas


Primeiro as bolas de fogo, depois a árvore viva e agora a piscina. Ele já usou fogo, terra e água. Se minha teoria estiver correta, eu vou morrer sem ar.

— Aiin. — Digo falando comigo mesmo. — Pare de pensar nessas coisas Nash. Você precisa agir logo antes que seu irmão se machuque.

Pego o cálice de dentro da minha mochila e corro no meio da multidão assustada. Minha mãe terá um ataque de nervos quando perceber que eu sumi de sua vista, mas eu preciso capturar esse amuleto antes que ele faça mais estragos.

— Hey? —Grito atrás das grades que separam a área da piscina e a arquibancada. —É isso que você quer? —Berro sabendo que as pessoas não me ouviriam devido a atenção voltada pro redemoinho. O mago sai da piscina e com seus olhos bicolores fita minha mão segurando o cálice. — Vem pegar! — Digo correndo para longe do lugar.

Nem me atrevo a olhar para trás, apenas corro o mais rápido que posso com a taça na mão. Provavelmente ele irá usar o elemento ar contra mim...

E depois? Ele voltará para o fogo? O mago usa os elementos nessa ordem? Aiin, ótimo guia que eu tenho. Por que não fui guiado por outra tribo?! Talvez se fosse outro animal ao invés de gato...

Animal! — Penso. — É isso! Só espero que esse plano funcione.

Depois de mais alguns minutos correndo, olho para trás e vejo que o mago está fora de alcance.

Entro na parte do bosque que fica atrás do ginásio. Ouço lendas de que crianças se perdem por ali todos os dias e às vezes acabam desaparecendo, mas logo são achadas feridas caídas em um dos buracos que há por aqui. Pra falar a verdade são muitos os buracos que há nessa área. Minha mãe me diz que os caçadores que cavam para caçar animais. Eu quando criança acreditava que os buracos eram pegadas de dinossauro. É... Eu era muito lerdo mesmo quando pequeno.

Ao achar um buraco começo a por meu plano em prática. Ajo o mais rápido possível sabendo que a qualquer hora o mago pode chegar e por tudo a perder e tomar de volta para si o cálice.

Não demorou muito para acontecer, mas minha armadinha já está pronta. Dou alguns passos para trás até minhas costas baterem em uma árvore pequena.

— Halo! — Grito invocando minha aura. Uma luz emana sobre meu corpo, entretanto o mago apenas continua fitando minhas mãos que segura fortemente o cálice. — Acho que não sairemos daqui enquanto não terminarmos o que havíamos começado no quintal da minha casa.

O mago apenas concorda com a cabeça.

Será que ele fala?

— Então é isso! — Grito. — Se quiser pegar o cálice, vem!

Em questões de segundo um enorme vendaval começa a se formar retirando todas as folhas do chão, desfazendo toda minha armadilha.

— Droga! — Penso. — Essa carta é mais inteligente do que eu pensava.

Meu plano era simples e fácil:

1 — Tampe o buraco com algumas folhas caída das árvores do bosque.

2 — Atraia o mago para uma batalha e quando ele atacar cairá no buraco.

3 — Sele sua aura.

Entretanto a emboscada foi por água abaixo graças ao vento.

O mago se aproxima e desvia do buraco. Anda até a mim e me ergue pelo pescoço.

Não consigo mais respirar, e como havia previsto, morrerei por falta de ar.

É esse é o meu fim. Adeus mãe, Adeus Denner. Me desculpe por seu tão criança assim Lucas e vê se cuida direito do seu irmãozinho Lupin. Após uma série de pensamentos correrem pela minha cabeça, a falta de oxigênio me fez agir por impulso fazendo com que eu apenas juntasse todas as minhas únicas forças lançando o cálice para longe.

O mago me larga ligeiramente para tentar pegá-lo. O cálice cai no buraco e ao ver o homem pular lá dentro ouço apenas o barulho de vidro se quebrando.

— Aiiin. — O que será que eu fiz? Penso alisando meu pescoço por estar doendo.

Depois de alguns segundos coloco parcialmente meu rosto no buraco para tentar ver o tamanho do estrago que eu fiz. O cálice está quebrado em pedaços e o mago observa o objeto sem desviar se quer o olhar.

É a minha chance. — Penso pegando a auréola e mirando o círculo para o mago.

— A sete chaves eu selo a sua aura. — Grito. O mago rapidamente se vira e fita meus olhos. Ele está chorando?

O homem e o cálice aos poucos se transformam em feixes de luz, entrando completamente na auréola.

— Apresente sua forma submissa! — Digo fazendo sair de dentro da auréola uma pequena carta que mais parecia ser de tarot. Em baixo, há uma fita que dentro dela está escrito “O mago”. Na imagem da carta, o homem com olhos bicolores está com uma lamina erguida e de suas mãos emerge um grande brilho. Na mesa que pode se ver na figura o cálice intacto está cercado de quatro pedras coloridas. Vermelha, Marrom, Azul e Lilás. E da cabeça do mago flutua algo que se parece com a minha auréola, entretanto com a forma do infinito. — Eu consegui selar a minha primeira carta, sozinho. — Digo incrédulo. — E...eu consegui! Eu selei um amuleto de Shat. — Grito eufórico.

Yes!

Missão cumprida.

...

Ao voltar pra casa e escutar o baita de um sermão da minha mãe dentro do carro. Descubro que o campeonato foi adiado para o próximo mês e que os donos do ginásio avisaram que o problema da água foi causado devido aos ralos que estavam abertos na hora da competição. O que mal sabem é que essa história não tem nada haver com ralo e sim, magia!

— Lucas! Lupin! — Grito eufórico entrando no quarto acordando ambos os gatinhos.

— Que foi? — Lucas acorda assustado.

— Vocês não vão acreditar.

— O mago está atacando lá fora novamente? — Lucas pergunta.

— O Denner ganhou a competição de natação? — Lupin pergunta quase ao mesmo instante que seu irmão.

— Sim e não. — Digo retirando do bolso o amuleto e mostrando a carta “O mago” para os garotos. — Consegui selar minha primeira carta.

Os olhos de Lucas brilham.

— YUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUPI! — Ele berra. —Metamorphose! — Ele diz se transformando em garoto. Suas orelhas de gato estão completamente abertas desta vez e seu rabo balança de um lado para o outro.

— Metamorphose. — Lupin diz voltando a sua forma de criança.

— Como você conseguiu? — Ele pergunta.

— É uma longa história, mas antes de começar vocês não acham que está na hora do treinamento... Se eu não tivesse agido por impulso, poderia morrer nas mãos do mago.

— Ele tem razão maninho, acho que está na hora do treinamento.

— Ok. — Lucas suspira. — Vamos começar a treinar esta tarde... Até lá...

Alguém bate na porta do meu quarto.

— Metamorphose! — Os gatinhos sussurram em uníssono retornando a forma de felinos.

Por pouco, Denner não os pega como humanos, vulgo meio-humanos.

— Nash, você não vai acreditar no que eu tenho pra contar.

— O que foi? —Digo olhando pros gatos para me certificar que está tudo “ok”.

— A tia Ruth.

— O que tem ela?

— Ela tá grávida. — Denner diz animado

— O QUE? — Grito em tom mais alto do que deveria.

— Sim, ela disse que noite passada sentiu enjoo e quando chegou ao hospital, o médico deu a notícia.

— Eu pensava que ela não podia ter filhos.

— É... Eu também. Isso não é um milagre?

— Sim. — Sorri, mas um arrepio percorre minhas costas. A sensação é estranha, e eu já tinha sentido isso nessa semana.

— Vou contar pra mamãe.

— Ta. — Digo fechando a porta do meu quarto. — Que estranho. — Verbalizo olhando para Lucas.

— O que foi?

— Nada. É só uma sensação estranha, mas vai passar.

— Hum... — Lucas diz.

Olho atentamente para a carta “O mago” que está em cima da mesinha ao lado da cama.

Só espero que as onze cartas restantes sejam menos persistente do que você, mago. — penso.

Notas finais
Oiiiiiiiie meus fofos da tribo dos felídeos *--------* Como vocês estão? ^-^ Espero que bem. Okay... Agora que Nash selou a carta “O mago” que outras aventuras será que ainda o aguardam pela frente. E será que a gravidez da sua tia Ruth irá atrapalhar na busca pelos amuletos.... Hum... Sinto cheiro de novo personagem na área :D Espero ver vocês no próximo capítulo e não deixem de comentar. Bjus :)