Setenta e nove

1 Setenta e nove


Notas iniciais
Só alguns devaneios e nada mais...

As vezes não sei o que fazer. Ficar em silêncio ou correr para um mundo distante, uma outra dimensão.

Entorpecida, incapaz de ouvir as vozes repreensivas que chamam meu nome sem cessar nem por um segundo, me encorajando, me dando forças para cometer um pecado que parece tão distante da minha realidade, tão absolutamente distante.

Tenho vontade de cair setenta e nove vezes. Me machucar setenta e nove vezes. Chorar setenta e nove vezes.

Uma vontade maluca de cair na toca do coelho.

Esquecer todos os rostos, todos os traços. Esquecer todas as palavras, todas as histórias. Todos os momentos felizes, todos os momentos tristes.

Cortar a própria cabeça e inunda-la com uma brisa que leve todos os setenta e nove pequenos demônios que pairam ao seu redor.

Abrir uma fenda dentro dos próprios olhos, engolindo toda a luz igual a um buraco negro.

Fechar os lábios com setenta e nove correntes de cobre e noventa e sete cadeados de prata.

Enrolar os braços num casulo frio, protegendo a própria essência faminta, dos lobos cinzentos que a rodeiam.

Trancar as janelas do coração, parado numa eterna melodia da morte.

Correr e correr, correr até suas pernas se tornarem uma brisa dançante, se transformando num furacão e novamente numa brisa.

Explodir num grandioso azul florescente, mergulhando no esquecimento, na inexistência que sou e sempre fui.

Mergulhar direto no cinza do concreto, beber da caveira venenosa, sentir a corrente elétrica pulsando pelas minhas veias, pelo meu sangue.

Me libertando de todas os pequenos setenta e nove pesos enferrujados amarrados as minhas pernas. Voar pelo laranja do entardecer e imergir no branco das nuvens.

Viver entre as estrelas e beber da luz que delas vem. Viver longe de tudo, isolada. Ó sim, era perfeito. Um devaneio tão pequeno e doce, impossível.

Uma realidade tão distante de um mundo tão diferente, o desejo pela morte pulsava em minhas veias como água no mar vermelho de fogo.

Uma vontade maluca que caia à setenta e nove milhas submarinas, afundando com os setenta e nove pesos enferrujados que não estão firmes em minhas pernas. Aprisionando com as setenta e nove correntes de Bronze a os noventa e sete cadeados de prata todos os setenta e nove pequenos demônios que pairam ao seu redor.

Tão distante e setenta e nove vezes impossível.

Notas finais
Interprete como quiser :v
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!