Sete minutos no paraíso, estrelando Richie Tozier
1 Stan Uris propõe um desafio
Notas iniciais
Sete minutos no paraíso (ou no céu, você escolhe) é um jogo muito jogado por adolescente aonde são selecionadas duas pessoas para ficar num lugar isolado por, como dito o próprio nome, sete minutos e, neste tempo, essas duas pessoas podem desde conversar sobre coisas pessoais, bater um papo, revelar segredos, até darem uns amassos.
Espero que vocês gostem e obrigada por lerem ❤
O vidro da janela da sala da casa dos Denbrough estava sendo chicoteado com os respingos de chuva que a ventania e vendaval de Portland havia arrastado para pequena cidade de Derry. O locutor local havia mentido quando disse que a noite seria sossegada e quente.
Bill Denbrough girou novamente a garrafa de refrigerante que Ben Hanscom havia ingerido mais cedo (e que iria mijar mais tarde). A garrafa de plástico girou e girou, fazendo com que Eddie Kaspabrak apertasse a bombinha com força com a mão direita. Lentamente ela foi parando até que apontou com a sua tampa vermelha para Stan Uris.
Stan olhou para Bill, tentando disfarçar um arroto.
— Ve-verdade ou d-d-desafio, St-Stan?
— Verdade, Big bill. Eu escolho nada além da verdade.
Bill sorriu e começou a pensar. Eles olharam para Bill com a curiosidade a flor da pele. Ben abriu a boca para dizer alguma coisa e Beverly apertou sua mão cuidadosamente. Seu coração quase explodiu no peito, e quando ele olhou para ela, percebeu que Bevvie estava lhe chamando para oferecer o balde de pipoca.
— É ve-verdade que v-v-voce já fez a-a-aquilo pe-pen-pensado na Ju-Julie Go-Goleman? – Bill perguntou, com o rosto contorcido pelo esforço que ele estava fazendo para falar. Saliva voou, mas ninguém disse nada.
Stan Uris ficou vermelho e Richie Tozier deu um grito.
— Stan Uris é o maior recordista batedor de punheta que o Maine já viu! – Richie comunicou, fazendo a Voz do Narrador de Cinejornal. Ele passou um dos braços pelo ombro de Stan – Quantas são, Uris? Sete por dia? Eu nunca mais deito na sua cama.
— Bip Bip, Richie – disse Beverly, torcendo o nariz.
Stan empurrou Richie para o lado e Bill deu dois tapas no braço dele. Então foi a vez de Stan girar a garrafa de refrigerante, e um sorriso de orelha a orelha surgiu no seu rosto quando a tampa vermelha apontou para as pernas cruzadas e magrelas de Richard Tozier.
— Desafio! – Richie gritou com urgência – Você não vai pensar em nada fantástico mesmo, Staaanley.
Dois raios atravessaram a janela da casa dos Denbrough como facas afiadas numa fatia de pão. Bill levantou e foi para a cozinha pegar mais um saco de salgadinhos, e, quando voltou para sala, viu Beverly sussurrando na orelha de Stan, fazendo conchinhas com a mão como se isso fosse ajudar a esconder um grande segredo. Em todo o momento, Stan olhava para Richie, que fazia a voz do Garoto Negro – Esse minino não sabí di nada. Não mi maltrate minino, por favô. Ocê não é bom, não é bom, não é bom.
— Eu te desafio a se trancar com o Eddie por sete minutos no armário de casacos do Big Bill, Boca de lixo. Isso se chama sete minutos no paraíso.
Todos olharam pasmos para Stan, inclusive Beverly, que apenas havia sugerido para ele que desafiasse Richie a lamber o próprio pé. Usando a Voz do Policial Irlandês, Richie começou a alegar que aquilo não era um desafio e sim um absurdo. Enquanto isso, Eddie sentia o peito aperta tanto quanto ele apertava sua bombinha.
— O que mais pode acontecer, Tozier? – Stan retrucou – Eddie é limpo. Odeia doenças. Não encostaria uma gota de saliva dele nesses seus germes nojentos.
Todos ficaram em silencio. Richie levantou.
— Vamô lá, sinhô – disse novamente com a Voz do garoto Negro – Sete minutos é rapinho. Superrapidinho.
Eddie olhou para Richie, depois, para Stan.
— Não pode ser três minutos não, heim?
Stan cruzou os braços.
— Desculpe parceiro, mas desafio é desafio.
Eddie apertou a bombinha mais uma vez, desta vez de nervoso.
— E quem disse que eu queria ser o desafio?!
Bill jogou uma almofada em Eddie. Beverly riu. Mike estralou os dedos, e Ben abriu o saco de salgadinhos.
— A-An-Anda logo, E-Ed-Eddie! – Bill alertou mais uma vez e Eddie levantou com um manhoso "Calma lá, Big bill. Calma lá"
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