Notas iniciais
Oi, queridos e queridas. Me desculpem mesmo pela demora para postar. Eu ando absurdamente ocupada com provas, trabalhos e o final da faculdade. Estive super concentrada em tudo e acabei de isolando um pouco para conseguir fazer tudo certinho. Aqui está provavelmente o último capítulo desta short-fic. Espero que gostem, para que eu possa escrever mais reddie's para voces, ou até uma fanfic de it, quem sabe? Desculpe se este capítulo ficou corrido, tá bom? Eu vou procurar melhorar :)

Uma mosca passou zumbindo pelo ouvido de Richie enquanto Eddie limpava uma sujeira imaginária de seu shorts.

— Afinal de contas, como funciona esses sete minutos no paraíso, Richie?

Richie deu um tapa no ar e ajeitou os óculos, olhando para Eddie.

— Nós ficamos sete minutos aqui dentro, Eds. Podemos fazer o que quisermos e os outros não vão saber porque não somos obrigados a contar.

Eddie olhou para o chão, para os tênis sujos e cheios de barro. Ele e os Otários estavam no Barrens pela manhã, fazendo uma competição de quem fazia a pedra quicar mais quando jogada no Kenduskeag, mas logo as nuvens formaram-se rapidamente no céu, acabando com a diversão e liberando um baita de um pé d’água, obrigando-os a correr para a casa mais próxima, a de Bill Denbrough. Com toda a correria e poças se formando na areia, Eddie acabou entalando um dos pés em um buraco, sujando-os de lama e água cinza. Na hora, Richie riu e berrou que os sapatos de Eddie estavam cheios de mijo e coco. O barro secou com o passar das horas, mas Eddie ainda conseguia sentir a meia molhada e gosmenta incomodando seus dedos do pé.

— Que tipos de coisas, heim?

— Eu não sei, Eddie. – Richie bateu uma palma no ar e soltou um resmungo – Coisas como eu peidar na sua cara. O que você acha, heim, Eds? É uma boa ideia, não é?

— Eu acho que você é idiota.

Richie deu uma piscadinha e fez a voz do narrador de Cinejornal, dizendo:

— Isso é uma graaaande, notícia, pessoal!

Eddie trocou a bombinha de mão e se ajeitou no chão, sentando em posição de índio. Richie notou uma grande mancha roxa perto da gola da camisa de Eddie e o imaginou babando suco de uva.

— Por que nós não conversamos? Você é meu melhor amigo, Richie. Acho que preciso contar uma coisa pra alguém. Você guarda segredo?

— Boquinha de siri, camarada. O que aconteceu? Você não pegou herpes não, pegou, Eddie?

Eddie balançou a cabeça e os braços com urgência.

— Jesus, não! Não é isso! É que, bom... você ainda lembra daquilo que fizemos com a Beverly? Nos esgotos?

Richie abaixou os olhos e coçou o nariz.

— Agora que você mencionou, sim. Um pouco, eu acho.

— Eu fui o primeiro, Richie. Eu não sei se é porque eu estava com medo, mas eu não gostei. Você acha que eu tenho algum problema? Eu deveria ter gostado, não deveria? Os adultos gostam, Henry Bowers gosta, você gostou, e o Bill também. Por que eu não?

Richie olhou para Eddie e viu os olhos dele cheios de lágrimas. Eddie olhava para Richie com a testa enrugada e as bochechas rosadas e molhadas. Sentia vergonha, medo e, por mais que não quisesse, os olhos de Richie o julgando por a mais pura curiosidade.

Logo, por causa do grande silencio de Richie, o peito de Eddie começou a apertar forte e a sua respiração não tardou em começar a chiar e arfar. No desespero e urgência, Eddie pegou a bombinha, mas Richie segurou sua mão.

— Eddie, tá tudo bem, amigão. Ei, ei, ei, Eds. Calma. Olha pra mim. Isso. Tá tudo bem. Isso não tem problema. Não muda nada. Isso é o que faz você ser você.

Eddie soltou um soluço e Richie sorriu. Seus rostos estavam bem pertinho um do outro. Novamente, Richie conseguia sentir o cheiro do shampoo de pêssego da drogaria do sr. Keene, e Eddie conseguia sentir o cheiro da bala de menta que Richie havia chupado antes de ser desafiado por Stan.

— Voce acha mesmo, Richie? Porque... eu não sei.

— Eu tenho certeza, Eds. E sabe de uma coisa? Eu gosto de meninas, sim. Elas são gatinhas. Mas, bom, eu acho meninos bonitos também. Viu só? É normal, Eddie. Eu sou como você, e isso não me faz ser uma aberração.

A surpresa no rosto de Eddie era evidente e Richie sorriu ao ver que a bombinha já não era mais uma grande necessidade.

— Você está mentindo para me fazer sentir melhor, Richie?

Na-na-ni-na-não.

— Você jura?

— Eu juro, garotão. Euuu juro.

Eddie olhou para os lados e limpou a garganta.

— Então prove, Richie To

(toctoctoctoctoctoctoctoc, vocês podem sair já. Olááááá???)

Eddie pulou de susto e fez sua bombinha pular e sair arrastada pelo chão e, enquanto ela fazia um barulho de um quadro novo sendo riscado, e Bill e Mike batiam códigos na porta, Richie segurou o rosto de Eddie e o beijou. Primeiro um pequeno e tímido selinho, e depois já sentia seus lábios dançarem em conjunto. Richie passava as mãos pelos cabelos de Eddie, e Eddie as mãos pelo pescoço de Richie.

TOCTOCTOCTOCTOCTOCTOCTOC

O beijo foi pausado, e quando Richie olhou para Eddie, viu um grande sorriso. Richie também sorriu e depois disse que

— Se precisar, eu digo que peidei na sua cara.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!