Sete anjos- Relíquia nas trevas eternas
1 Cp1- Tragédia
“Triiimmm!” Eram 18h da tarde quando ecoa o toque do telefone na sala de uma jovem garota de 16 anos de idade chamada Luma. “Triiimmm!” ao som do segundo ecoar, escuta-se um grito vindo da cozinha:
— Luma! Vai atender essa droga de telefone!
“Triiimmm!” com o terceiro ecoar, ouvem-se passos apressados descendo a escadaria próxima ao telefone, uma jovem garota de cabelos negros e enrolados, com um vestido vermelho que cobria seus joelhos, o coloca na orelha antes do quarto toque. Seus pés descalços se contorciam no chão como se tivesse com uma coceira incomoda na parte de baixo, após um gemido rápido ela pergunta:
— Alô, residência dos Albuquerque, quem fala?
Uma voz grossa e sonolenta responde:
— Sou eu, Nicolas, já está na hora da despedida do Rik, ele está aqui em casa.
Rapidamente Luma bate o telefone e sobe correndo as escadarias novamente, chegando ao seu quarto, ela calça uma sapatilha baixa de cor preta que estava sob sua cama de pano florido, seguidamente ela faz o percurso de volta para próximo da porta de saída.
— Mãe! Estou saindo, tchau!_ gritou ela girando o trinco da porta e a batendo com força.
18h: 25 minutos, horário que Luma chega à casa de seu melhor amigo chamado Nicolas, seguidamente ela dá três batidas na porta e grita:
— NICOLAS! ABRE ESSA PORTA!
Após alguns segundos, esperando, um garoto de cabelo curto e preto, com um porte físico um pouco malhado, de camisa azul e calça cinza cujo qual tinha 18 anos de idade abre a porta dizendo:
— Olá Luma, o Rik já se...
Antes que ele terminasse de falar, Luma o interrompe_ sai da frente_ a disse empurrando Nicolas contra a parede.
— Rik! Rik! Rik! Por favor, não se... Cadê você?_ Ela gira seu rosto observando toda sala vazia, e não via nada além de dois sofás roxos médios e uma televisão dos anos 2000.
— NICOLAS! ONDE ESTÁ O RIK! ?
— Era justamente isso que eu iria falar contigo_ o disse passando por a porta da sala_ ele já foi para a estação de trem, que parte às 19h30min, eu estava lhe esperando para irmos juntos_ prosseguiu.
— Então vamos logo!_ a disse agarrando na camisa de Nicolas e o puxando para fora da casa.
Enquanto Nicolas fechava a porta de sua casa, Luma ficava inquieta balançando seu pé_ vamos logo!_ a disse enquanto sentia seu celular vibrar em seu bolso de trás, rapidamente ela o tira de lá e vê quem havia ligado naquele momento.
— Droga, minha mãe está ligando, não irei atender de jeito nenhum, que velha chata do caralho!_ a disse irritada enquanto desligava o celular.
— Cale sua maldita boca! Como ousa falar assim de sua mãe!_ disse Nicolas com um olhar de ódio estampado em seu rosto, como se quisesse dar uns tapas em Luma por ter dito aquilo_ você não sabe a dor que é não ter mãe nem pai vivos!_ prosseguiu.
— Calma Nicolas, não queria ofende-lo_ um ônibus passa de seu lado_ olha, o ônibus já chegou, temos que correr até o ponto, se não a gente se atrasa para a despedida do Rik_ prosseguiu.
— Tem razão_ disse ele enquanto colocava suas chaves na carteira.
Luma começa a correr rumo ao ponto de ônibus localizado há alguns metros dali_ anda logo Nicolas!_ gritou levantando o braço e acenando com a mão.
Ao dissipar das ondas sonoras de Luma, Nicolas começa a correr em direção da mesma, o som de seus passos acelerados se perdia em sua mente ao sentir uma sensação estranhamente familiar, olhando para o lado ele vê um gato negro sentado sobre uma lata de lixo, que o observava como uma leoa faminta observa sua caça, os olhos do mesmo então brilham, e ao som de seu miar, Nicolas para de correr e então se assusta:
— o que você quer aqui! ?_Gritou ele olhando para o gato.
Após alguns segundos ali parado sem se quer piscar, Luma segura na manga de sua camisa e o puxa rumo ao ônibus cujo qual ultimo passageiro subia_ Espere ai!_ Gritou ela fazendo um sinal de “pare” com as mãos. Enquanto ambos entram no ônibus o gato negro que dessa vez se encontrava sobre uma casa vermelha da um riso sinistro semelhante à de um psicopata.
Ao sentar-se no banco, começara uma guerra na mente de Nicolas, logo lembranças de seu passado vem a sua mente e como uma marreta, destrói os sentimentos de vidros alegres que ainda lhe restava_ Esse gato...
Luma olha para Nicolas desconfiado_ o que houve Nicolas, porque você ficou parado daquele jeito?
— Não foi nada.
Seu olhar então se perde e reencontra suas péssimas memórias “quando eu era pequeno sempre via aquele gato, inclusive, eu o vi naquele dia...”.
Nicolas logo se recorda de quando tinha oito anos de idade. Ele estava dormindo em sua cama de madeira e colchão com pano bagunçado, quando acorda com o chorar de seu irmão de cinco anos chamado Roberto.
Lentamente o mesmo caminha até o quarto de seu irmão caçula ainda bocejando “o que será que houve com o Roberto pra ele estar chorando?”.
Chegando lá ele encontra seu irmão sob seus lençóis tremendo e gemendo_ Roberto, o que houve?_ perguntou Nicolas tocando os lençóis, seu irmão da um suspiro aliviado e diz:
— Tem um monstro em meu armário_ o disse com voz trêmula.
—Calma irmão, não tem nada olha_ ele então caminha alguns metros até o armário, e lentamente abre a porta, seus olhos se estufam ao ver quem estava lá, era seu irmão.
— Nicolas, tem um monstro em minha cama.
Ao olhar para trás ele vê um gato completamente negro com os olhos dourados que brilhavam, que então solta um riso largo repleto de dentes brancos, e de repente emana um miado ensurdecedor.
Nicolas então levanta-se assustado e com o rosto suado_ não me mata!_ o disse enquanto escondia seu rosto em seus braços.
—Calma meu filho_ disse sua mãe, uma mulher de nome Elisa que aparentava ter 30 anos de idade_ foi só um pesadelo_ a disse acariciando sua testa suada.
“nossa que pesadelo horrível, parecia tão real”_ pensou_ mãe que horas são?_ perguntou ele meio que atordoado devido sua soneca.
— São 18horas da noite, daqui a vinte minutos chegaremos à nossa nova cidade_ respondeu ela enquanto abraçava-o_ lá nós seremos muito felizes_ afirmou.
Após alguns segundos, o silêncio é quebrado com o som da buzina estrondosa do carro onde eles se encontravam.
— Essa não!_ gritou o pai de Nicolas, um homem chamado Augusto de 29 anos de idade, cujo qual dirigia o carro.
Antes que Nicolas olhasse para a estrada, o carro bate em algo extremamente duro e capota. Pneus voam para todo lado, e ao som das peças do carro a se espalhar, exala consigo o odor de borracha queimada.
Em meio aos escombros, encontrava-se Nicolas, que gemia tentando sair dali, o mesmo então se arrasta por entre os bancos rasgados e atravessa a janela quebrada, atordoado ele tenta entender o que aconteceu e onde ele se encontrava, olhando para a direita ele percebe que o carro havia capotado e descido por o penhasco de 20 metros.
— Onde está meu pai?_ questionou limpando o sangue de seu rosto. O mesmo então tenta se erguer, entretanto, suas pernas não se moviam, havia uma barra de ferro fincada em suas panturrilhas, ele então grita:
—HAAAAAAAAA! MÃE, MÃE CADÊ VOCÊ? SOCORRO!
Enquanto Nicolas suspirava, uma voz trêmula e fraca diz algo:
—calma meu filho, tudo vai ficar bem, tudo vai ficar bem com você, logo, logo alguém chegará para nos acudir.
Tais palavras o confortam o suficiente para que pare de chorar, então ele se arrasta lentamente rumo à voz que não parava de repetir “tudo vai ficar bem, tudo vai ficar bem com você”. Indo para próximo do resto da traseira do carro a voz dizia “não chore, você vai ficar bem” ele então percebe que a pessoa que dizia tais palavras era na verdade sua mãe que o tentava confortar da dor.
— Mamãe, estou indo até você, onde está o papai?_ perguntou ele preocupado, contudo a única resposta que recebia era “não chore, tudo vai ficar bem”.
Ao chegar na traseira do carro, suas mãos repletas de sangue começam a pois se depara com algo que o deixa aterrorizado, a voz então como num ultimo suspiro dizia “não chore, tudo vai ficar... Tudo vai... Bem... Meu filho... Não...”.
Era sua mãe que agonizava com uma enorme estaca fincada em suas costas que atravessava sua barriga a mantendo suspensa no ar, ao terminar tais palavras o sangue jorra de sua boca e cai sobre a face de Nicolas que começa a chorar novamente.
— Saia... Saia... Saia daqui meu filho..._ disse Augusto que se arrastava pelo chão.
Nicolas olha atentamente para seu pai que estava a sua direita, e percebe que os membros inferiores haviam sido decepados.
— Saia logo daqui, estou mandando!_ gritou Augusto enquanto saia lágrimas de seus olhos.
Nicolas olha para a esquerda e vê o corpo de seu irmão preso nos vidros da parte traseira do automóvel, ele então se deita de barriga para cima, põe as mãos em seu rosto e começa a chorar e a gritar bem alto.
— Saia daqui Nicolas!_ gritou seu pai desesperado.
Nicolas então olha para ele que se aproximava lentamente dizendo:
—vamos, vou te ajudar a sair daqui, me dê sua mão_ ele estende o braço.
Nicolas ao ver estende seu braço também.
“BROOOAAACK!!!!!!!” esse foi o som que ecoou antes que Nicolas tocasse os dedos ensanguentados de seu pai, era uma enorme rocha que caiu da parede -do penhasco e esmagou seu pai por inteiro.
— NÃO! POR QUÊ?! PORQUE TODOS MORRERAM! POR QUÊ?_ gritou Nicolas desesperado e revoltado com o acontecido.
Olhando para as mãos de seu pai que ainda se tremiam, ele escuta um miado estranho, ao olhar para cima, ele vê um gato preto e de olhos dourados sobre a rocha que esmagava seu pai...
—ACORDA NICOLAS!_ gritou Luma puxando a camisa de Nicolas_ temos que descer desse ônibus, já são 19h30min, o trem está prestes a partir_ prosseguiu.
—tem razão, vamos correr_ disse Nicolas correndo apressado rumo a estação.
Após alguns minutos de corrida eles chegam ao vagão 32 que era justamente o escolhido por Rik para partir em sua viagem.
— Aviso vindo da Central, o trem de vagão numero “32” está atrasado, e partirá apenas as 20 horas do dia de hoje, pedimos desculpas por o ocorrido_ disse uma voz que saia das caixas de som localizadas nos pontaletes da estação.
Ao som dos múltiplos lamentos dos 100 passageiros que embarcariam, Luma escuta a voz de Rik, um garoto de 19 anos com porte físico meio musculoso, de cabelos louros e de olhos azuis. Olhando de um lado para o outro ela encontra com o olhar de seu amado, que então corre rapidamente e o abraça.
— Que bom que poderei me despedir de você_ disse ela enquanto o apertava.
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