Procurei pelo meu pai e não o encontrei. Será que ele se esqueceu de mim?

–Mel? – reconheci o dono da voz. Virei-me e vi meu pai.

-Pai. – gritei e abracei sua cintura. – Senti sua falta. –sussurrei em sua camisa.

Seus braços me envolveram e várias imagens correram pela minha mente.

– Também senti sua falta. – sussurrou em meu cabelo. – Como você cresceu minha princesa. – disse ao se afastar de mim. Revirei o olho.

Todo pai diz isso, ele não seria diferente.

- Você não mudou nada. — retruquei. – Espera isso ai é um fio branco? – brinquei apontando para seu cabelo.

Seu olho arregalou e depois voltou ao normal, quando notou que eu estava brincando.

- Rá muito engraçado! – bufou. Ri. Ele sorria contente e me olhava maravilhado. Eu sabia que para ele me ver rindo era algo inédito, mas não disse nada. Ele estava feliz por me ter de volta.

"Ah veja como ela sorri." pensou Lucy. "Ela parece tão feliz." ela sorriu com esse pensamento.

Ao lado do meu pai estava a sua mulher, Lucy. Ela veio até mim e me deu um abraço caloroso o qual eu retribuí.

- Seja bem vinda querida. – disse amável antes de se afastar.

- Obrigada. – sorri.

Meu olhar parou na Julie que estava um pouco mais afastada. Nossos olhos se encontraram, sorri tímida. Ela não se moveu. Seus pensamentos eram grosseiros.

- Olá. – cumprimentei educadamente.

- Oi. – disse secamente.

- Então vamos? – Walter perguntou e lançou um olhar para Julie. – Você deve estar cansada da viajem. — disse a mim.

E estava mesmo!

- Vamos. – respondi. Estava louca para chegar em casa e tomar um banho e cai na cama.

Chegamos ao lar doce lar. Sai do carro e parei pra observar a fachada da casa. Estava da mesma forma que antes. Meu pai ajudou a tirar as malas do carro. Que Por sinal eram muitas. Depois mais de dez minutos as minhas malas estavam todas no meu quarto.

- Nossa tenho certeza que você quadriplicou de malas. – disse meu pai fatigado. Estávamos no meu quarto – Você comprou Paris inteira? – brincou.

Sorri e dei de ombros.

A quantidade de mala em meu quarto é obra do Erick que sempre todo fim de semana me obrigava ir ao shopping coisa que raramente fazia aqui.

- Bom vou chamar a Anne para te ajudar com as malas para que você possa descansar depois. – disse Walter antes de sair do meu quarto.

Olhei em volta. O meu quarto estava da mesma forma que o deixei com exceção de várias malas espalhadas por todo o lugar. Ele foi decorado pela minha querida madrasta que tem bom gosto.

Aproveitei que estava sozinha e tomei um banho. Quando sai do banheiro vi Anne, a nossa governanta, que já estava desarrumando minhas malas. Ela estava de costas para mim.

- ANNE. – gritei fazendo com que ela desse um pulo.

"Minha Virgem Santissima." pensou no momento do susto.

Corri até ela e abracei Anne.

- Vejo que esses anos na Europa te fizeram bem, pequena. – disse ao se afastar e se recuperar do susto.

- Você não sabe o quanto. – respondi.

- Você realmente está diferente. Parece mais feliz. – observou.

E eu realmente estava. É bom saber que você não está sozinha no mundo. Era assim que eu me sentia antes de conhecer meu amigo Erick.

- É porque eu estou. – respondi sorrindo, ela retribuiu.

- Você fez falta aqui, menina. – suspirou Anne.

Anne me ajudou a desarrumar as malas assim que me vesti. Ficamos conversando enquanto trabalhávamos. Anne era uma das poucas pessoas a qual eu posso dizer que não me via como aberração, mesmo ela não sabendo da verdade sobre mim, mas sei que se ela soubesse ela não me veria como uma. Pode se disser que ela era de confiança. E eu tinha certeza disso.

Contei tudo a ela sobre Paris e meus amigos. Omiti algumas coisas é claro. Como por exemplo, que o meu amigo Erick pode atravessar paredes quando bem entendia.

Finalmente terminamos de desarrumar as malas. E eu estava exausta.

- Terminamos. Bom, vou deixar você descansar querida. – disse Anne e beijou-me antes de sair pela porta.

Peguei um livro que havia começado a ler na última semana que estava em Paris. Sentei na cama e abri o livro. Minutos depois meus olhos estavam cedendo ao sono.

Ouvi uma batida na minha porta.

- Posso entrar querida? – perguntou meu pai colocando a cabeça para dentro.

- Entra. — respondi.

Entrou e sentou na beirada da cama. Descansei o livro sobre o criado mudo.

-Você já esta crescidinha para o seu velho pai te dar boa noite? – meu pai perguntou encarando-me com seus olhos azuis pidão. Sorri.

-Sim. Mas posso fazer uma exceção. – pisquei para ele.

Ele sorriu e eu me deitei na cama. Ele aconchegou-me embaixo da coberta. E beijou minha testa, como fazia quando eu era criança. Seus pensamentos diziam o quanto sentia falta desse momento.

- Boa noite minha filha. – ele tocou na ponta do meu nariz. – Sonhe com os anjos.

- Boa noite pai. –respondi.

Ele apagou a luz e fechou a porta. Eu estava tão cansada, de modo que rapidamente apaguei.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.