Sete Ondas
1 único
A ilha onde ancoravam o Thousand Sunny era tão bonita.
Não só pela areia branquinha, água cristalina e árvores viçosas e belas, mas por causa do clima quente e gostoso. Só de ver aquele lugar, Nami já ficou empolgada e correu para colocar um biquíni para poder tomar banho de sol na praia. Fazia tempo que eles não paravam para descansar e aquele momento parecia perfeito. Principalmente porque as comemorações de virada de ano estavam chegando, e os Mugiwara particularmente a adoravam.
No sorteio de quem ficaria de vigília do navio naquele primeiro dia, quem “perdeu” foi Chopper e a pequena rena então ficaria responsável pelo Sunny enquanto os outros iriam explorar o lugar. Muito embora Zoro tenha insistido para ficar dormindo já que aquele calor o dava sono... Chopper alegou ter que terminar algumas coisas mesmo, então ficou por lá.
O bando seguiu pela cidade sem dividir-se em dois grupos porque todos queriam fazer exatamente a mesma coisa: comer. Não que estivessem com fome, mas estavam curiosos com a culinária do local – principalmente Sanji, que avistou algumas frutas diferentes na praia.
Entraram num restaurante, foram à maior mesa de todas e sentaram-se. Luffy já gritou por comida e não demorou muito para estarem servidos – cada um com sua porção individual, e Luffy com uma que valia pelo bando inteiro. Duas vezes.
Sanji, que já havia reparado na beleza incontestável daquela mulher de pele dourada e cabelos cor de chocolate que os servia, decidiu falar com ela de uma vez. Ou melhor, enquanto ela servia um coquetel diferente para Zoro, o cozinheiro a abordou. – Mademoiselle, você poderia me dizer o nome dessa fruta que usa em vários dos pratos do menu?
– O nome é coco. – Ela explicou com um belo sorriso. – É típica na ilha, usamos para praticamente tudo. Tem uma polpa gorda e saborosa, e uma água muito refrescante! – Disse orgulhosa, e Sanji suspirou diante da visão dos seios vistosos que ela exibia no decote da regata branca. – Essa bebida que eu servi ao seu amigo é feita com ela. Gostaria de um também?
– Por favor. – Pediu Sanji com sua educação extremamente polida e galanteadora. A moça sorriu e afastou-se da mesa, ao passo que o loiro deparou-se com os olhos castanhos de Zoro.
– Idiota.
– Marimo.
– QUER BRIGAR? – Esbravejaram em uníssono.
– QUIETOS, VOCÊS! – Nami fez-se ouvir enquanto bebia um longo gole do mesmo coquetel que a mulher havia servido para o espadachim. – Não fiquem aí falando alto num lugar com pessoas tão simpáticas! E onde tudo é tão barato... – Ela usou um tom de voz satisfeito, como se realmente estivesse num paraíso. E claro que era. Tudo era lindo por lá.
– Sabe, essa ilha é conhecida pelo povo caloroso que a habita. – Robin explicou, fazendo o pessoal do bando olhar para ela, a fim de ouvir mais sobre o lugar. – Pelas plantas e animais exóticos, também. E devo confessar que é muito mais do que eu esperava. Quero procurar algumas roupas e livros... – A morena tocou o queixo delicadamente com os dedos, fazendo uma expressão pensativa; o café que havia sido servido a ela era aromatizado com avelã e era simplesmente fantástico.
Aquele lugar só podia ser o paraíso, mesmo.
– A cola deles é super gostosa – Franky disse do nada, dando uma risada divertida.
– Sei lá – disse o capitão de boca cheia. – Só sei que a comida é ótima!
Depois da fala de Luffy, a conversa continuou um pouco mais a respeito do lugar e logo eles iriam realmente se dividir em grupos para irem procurar coisas de seus próprios interesses. Aquela mulher fantasticamente linda que os serviu foi quem decidiu quem iria com quem no grupo, já que não conseguiam chegar a uma conclusão.
Ficou então: Robin, Nami, Usopp e Franky. Do outro lado, Sanji, Zoro, Luffy e Brook.
A mulher mais velha ia na frente com a ruiva, enquanto os outros dois caminhavam logo atrás.
As casas do local eram relativamente pequenas; um espaço bastante para três pessoas em cada uma, mas sem sobrar. No alto da montanha mais adiante, entretanto, havia casas enormes, porém, parecia um tipo de local restrito. Quando Usopp perguntou a Robin se ela sabia o porquê disso, a morena apenas explicou que quem morava lá não gostava de misturar-se com o restante do pessoal. Foi assim que ela leu num livro.
– Ah, Koukaishi-san, eu gostaria de te contar uma história a respeito desta ilha. – Robin sorriu. Nami a olhou curiosa e apressou um pouco o passo para ficar mais perto dela, uma vez que os outros dois estavam um pouco mais atrás.
– Conte, conte. Tem algo a ver com um tesouro?
– Não exatamente... – A navegadora fez um bico de decepção.
– Certo, não podia ser perfeito... Mas me conte mesmo assim.
Elas pararam diante de uma loja que possuía vários manequins com roupas lindas e certamente ficaram ali na frente para entrar assim que Robin terminasse de contar a tal história da ilha.
– Na realidade, pelo que diz no livro, a ilha possui riquezas maravilhosas. Certamente acharíamos algum tesouro na floresta mais densa.
– Sério?! – Cantarolou a ruiva, feliz. – Vamos fazer os garotos darem uma explorada depois, certamente o Luffy vai se divertir! – Ela juntou as mãos, parecendo empolgada. Robin apenas sorriu porque sabia que isso significava que Nami ia usar a boa vontade do capitão para que encontrassem o tal tesouro. Ele gostava de aventuras, afinal, jamais se negaria.
– Bem... – Robin fez um movimento suave com a mão na altura do colo. – Existe uma história sobre um homem, Nobuyuki, que estava passando por um momento terrível em sua vida. Sua mulher, Manami, perdeu a criança da qual ficou grávida por cerca de sete meses, por causa de um risco gravíssimo à sua saúde. Ela ficou muito deprimida, e doente por causa dos problemas no parto. Aquela mulher era tudo para ele, e, portanto, ele encontrava-se num estado miserável de depressão. – Fez uma pausa diante da testa franzida da navegadora. – Mas com um misto muito intenso de raiva, também. Ele só queria que Manami ficasse bem, assim poderiam continuar a viver e quem sabe ter outro filho.
Nami cruzou os braços e ficou olhando atentamente para Robin.
– Na noite de reveillon, Manami estava muito mal, com febre alta, vertigens... E ele não podia ficar no quarto porque uma das médicas da cidade a estava tratando e exigiu que ele ficasse fora. Então, o homem saiu de sua casa à beira-mar e correu pela areia, indo na direção do oceano.
– Ele não queria se matar, não é?
– Não, na realidade, ele queria buscar forças. Nobuyuki acreditava na força do oceano, e assim, queria rezar por força e pela sua mulher. No mar, ele falou algumas palavras pedindo por compaixão. Havia tantas coisas às quais ele queria pedir relacionadas à Manami que essa avalanche de pensamentos não deixava sua mente um instante sequer. Queria que ela ficasse viva, saudável, feliz, que superasse a morte da criança, mas que nunca a esquecesse, e principalmente... Continuasse a amá-lo com todas as forças de seu ser, como ele a amava. E num acesso de raiva e descontrole com esses pensamentos incansáveis, ele começou a dar saltos no mar.
– Como assim?
– Sabe quando você fica muito irritada e não consegue parar no lugar? – Robin deu um sorriso singelo e a navegadora não pareceu muito contente com a “insinuação” da arqueóloga, embora ela falasse num tom geral, porém, assentiu em concordância. – Pois bem, foi isso o que houve. Ele gritou em sua mente, com todo seu coração, tudo o que desejava e saltou muitas vezes, mas nessas vezes, ele passou por cima de exatamente sete ondas.
– Sete ondas?
– Sim, até cansar. Então ele chorou debaixo dos fogos de artifício que explodiam no céu por causa da virada de ano, e quando não havia mais lágrimas para escorrer, ele voltou para casa, porque queria ver Manami e contar a ela todos os seus desejos... E ela estava curada.
Nami fez uma expressão confusa. – Curada? Simples assim?!
– Bem, a doutora que atendeu a moça dizia que havia encontrado o problema e conseguido um tratamento visto que era algo que podia ser curado com rapidez...
– E o que torna isso uma lenda?
– Por causa de Nobuyuki, as pessoas da ilha acreditam que, pulando sete ondas durante a virada de ano, com seu desejo mais intenso explodindo em seu coração, ele se realizará.
– E você acredita nisso? – A ruiva a olhou com interesse.
– Bem... Você sabe, Koukaishi-san, que eu não sou de duvidar em lendas antigas. Muitas delas, se foram transcritas, significa que aconteceram de fato.
– Não é isso, Robin-neesama. – Nami virou o rosto e encarou seu reflexo translúcido no vidro da vitrine. – Me refiro ao fato de as ondas realizarem desejos.
– Ah. – A mais velha virou o rosto para a vitrine e olhou seu reflexo da mesma forma que a outra, porém, possuía seu sorriso suave nos lábios. – Bem, digamos que eu creio na força de vontade... Quando alguém acredita muito em algo, isso é real. Veja o Senchou-san. – Sorriu. De certa forma, aquilo resumia basicamente tudo o que Robin queria dizer e Nami voltou a olhá-la, sendo correspondida imediatamente.
– Gostei dessa lenda. Ela me arremata a algo familiar. – Sorriu a ruiva brincando com seu próprio nome. Robin deu uma risadinha e, nesse instante, Franky e Usopp apareceram.
– Oe, por que estão aqui paradas há um tempão? Vimos da loja de materiais!
– Estávamos conversando sobre uma história dessa ilha...
(...)
Mais tarde, as duas moças e os dois rapazes estavam ainda passeando pela cidade quando cruzaram com o outro grupo; ou melhor, Sanji as viu.
– Nami-swaaan, Robin-chwaaan – ele cantarolou assim que pôs os olhos nas duas e correu na direção das mulheres do navio.
– Luffy! – Usopp gritou assim que viu o capitão e correu na direção dele, fazendo então o bando encontrar-se no meio do caminho.
– E aí, Usopp! Comprou carne também?! – Luffy jogava um saco enorme de... Carne nas costas. O atirador olhou achando aquilo um pouco estranho, e abanou as mãos de forma negativa.
– Não, nada a ver, vocês precisam ouvir a história que a Robin tem pra contar. Né, Robin? Conta pra eles!
E assim a arqueóloga contou toda a história novamente. Nami foi a única que não prestou atenção de novo, porque Usopp e Franky estavam bem interessados. Assim como Luffy, que parecia bem interessado na história toda. Assim que a morena terminou de falar, o capitão foi o primeiro a manifestar-se.
– Mas eu não preciso de ondas misteriosas! – Constatou. – Eu vou ser o Rei dos Piratas usando a minha força!
– A ideia da história não é essa, Luffy – Sanji revirou os olhos, tragando o cigarro. – É o desejo intenso de alguém conseguindo fazer seus sonhos, aqueles que vêm do fundo do coração, tornarem-se realidade. O fato de pular as ondas é apenas simbólico.
O garoto-borracha olhou com uma expressão curiosa e fez um bico.
– Eu até acreditaria nisso, mas não tenho coração! Yohohohoho! – Riu-se Brook.
Luffy caiu na risada e os outros apenas manifestaram expressões de conformação com as piadinhas de Brook. Claro que essa história de não ter coração era apenas no sentido literal; todos do bando sabiam muito bem da intensidade dos sentimentos daquele homem. E por isso nem pensavam no sentido cético da frase.
– Resumindo, Luffy, é uma forma de estarmos em contato com nossos desejos.
– Hummm... – O capitão cruzou os braços e continuar a soltar esses ruídos esquisitos até que deu uma risada. – Então está decidido! À meia-noite, eu vou pular essas ondas!
Robin sorriu na direção do capitão e cruzou os braços. Ela sempre ficava muito impressionada com a força de vontade de Luffy e, se aquelas ondas ajudavam em alguma coisa, certamente era para relevar o tamanho da crença daquela pessoa.
E como de costume, ele era capaz de arrastá-los para seu caminho, afogá-los em seus desejos até que estivessem completamente cercados. E assim, Luffy não os deixava esquecer-se de seus sonhos.
(...)
– Faltam apenas alguns minutos! – Nami exclamou.
Passaram alguns dias naquela ilha, descansando. Ou quase todos, visto que a navegadora conseguiu fazer Luffy entrar na floresta com Chopper, Franky e Zoro, para procurarem algum tesouro que por ventura encontrassem. Não encontraram, mas caçaram uns animais diferentes e o churrasco que Sanji fez, para o capitão, valia para ele mais do que qualquer outro tesouro, porque era muito bom!
Naquela noite, o bando estava no oceano. Numa altura não muito exagerada visto que havia quatro pessoas com Akuma no Mi ali, e seria inconveniente vê-los sendo arrastados feito pedaços de pau na água. Todos tinham canecas de cerveja na mão, e Sanji mantinha o cigarro pendurado nos lábios. Estavam próximos do Sunny porque assim podiam todos ficar fora do navio, mas sem correr riscos visto que podiam cuidar dele dali mesmo.
Entretanto, havia um entre os mugiwara que não estava dentro do oceano. E esse alguém era Zoro.
O espadachim estava sentado na areia, com sua própria caneca e apenas observando. Havia recusado-se a participar daquilo exatamente pelo que Luffy havia dito; ele não precisava de ondas. Não que não houvesse entendido a ideia da história. Mesmo sabendo disso, ele não queria. Jamais se esquecia de seu sonho ou de seus desejos. Não era isso que mudaria alguma coisa...
– Zoroo! – Luffy cantarolou. – Vem cá! – Acenou vigorosamente para o nakama. Zoro apenas moveu a cabeça em negação e o capitão fez uma movimentação chateada com os ombros.
– Nami-san, quanto tempo falta?
– Alguns minutos, Sanji-kun... Uns três ou quatro.
O cozinheiro assentiu e correu pelo oceano, na direção da praia. – Ei, onde você vai?!
– Buscar aquele marimo de merda! – Acenou sem olhar para trás, enquanto corria para a areia. Assim que seus pés descalços chegaram à areia branquinha, ele reduziu a velocidade e caminhou até Zoro. Os olhos do maior o observavam até que o loiro jogou-se sentado ao lado dele.
– O que está fazendo?
– Vim te convencer a ir lá pular as ondas com todo mundo.
– Eu já disse que não vou. – Deu uma golada na cerveja e Sanji revirou os olhos.
– Sabe, você deve saber que o meu desejo é encontrar o All Blue.
– Achei que fosse conquistar a Nami. – Debochou o outro.
– Isso é outra história – sorriu. – Estou falando do meu desejo de infância, aquele que me fez entrar para o bando...
– Sim, eu sei.
– Pois bem... Essa história das ondas remete ao oceano. – Fez uma pausa e Zoro virou-se para olhá-lo. – E o All Blue faz parte desse oceano, e se tem algo no qual eu acredito, Zoro... É no mar. Por isso eu gosto tanto de estar nele. – O outro manteve uma expressão estranha de quem havia perdido o fio da meada e Sanji suspirou, rindo conformado. – Agora, veja bem... Você pertence ao bando dos Mugiwara, não é mesmo?
– Sim.
– E você acredita em você mesmo, não?
– Sim.
– Então... Por que não acreditar em nós também?
Zoro estreitou os olhos. – Jamais disse que eu não acredito, é que—
– Não. Marimo, recusando-se a estar conosco enquanto reforçamos nossos desejos em nossos corações, significa que você não acredita nos nossos sonhos.
O espadachim relaxou a expressão, parecendo estar convencido do que o loiro falava. E claro que, dizer que não acreditava nos sonhos de seus nakamas era uma mentira sem pé nem cabeça. Zoro confiava em todos. Desejava o melhor para todos. Sem uma única exceção. Mesmo Sanji, com quem ele parecia não se importar.
Com um suspiro, o rapaz pôs-se de pé e bateu a mão na calça, livrando-se da areia. Satisfeito, o cozinheiro imitou o gesto ao tragar o cigarro e colocou as mãos nos bolsos, encarando o outro por uns instantes. – E é bom, também, para nos lembrarmos daquelas pessoas com as quais nos importamos, mas que não mais estão próximas...
Kuina.
Zoro sorriu. – É, cozinheiro de merda. Você tem razão em alguma coisa pela primeira vez na vida.
O loiro sentiu uma veia pipocar na testa, mas controlou seu ímpeto de cuspir um xingamento na cara do espadachim porque estavam muito, mas muito próximos da virada. Sendo assim, apenas pôs-se a caminhar e Zoro o acompanhou, andando ao seu lado. E logo entravam no mar e começavam a correr porque Usopp e Chopper os apressavam.
Estavam lado a lado na mesma altura do mar. E a parte mais animada do bando passou a exclamar em voz alta a contagem para o final daquele ano e a entrada do novo. E quando os fogos começaram a explodir lindamente no céu, eles começaram uma nova contagem: a das sete ondas.
E cada um pensava no seu mais profundo desejo. Não só nisso, mas nas suas alegrias.
Robin por exemplo, mentalizava o fato de ter encontrado um lugar ao qual pertencia. Era definitivamente com os Mugiwara. Luffy havia salvo sua vida, não desistira dela em momento algum e essa era a maior confirmação de que aquela era sua família agora. E seu desejo, ora, os Poneglyphs... A mulher estava atrás deles e iria continuar assim. Agora aquele não era o único motivo para que ela continuasse a viver.
Já Nami pensava no quanto era feliz com o bando, mesmo passando por uns estresses sem tamanho. Porque Luffy havia a libertado de Arlong, a ajudado a salvar aquela família de Cocoyashi à qual ela tanto amava e a considerava tão importante. Tendo-a como sua nakama. E pensou em Nojiko, Genzou... E claro, Bellemere. Sua mãe. Aquela que salvou sua vida e a permitiu estar ali, naquele exato momento.
Usopp pensava nos “Piratas Usopp”, Ninjin, Tamanegi e Piiman. Perguntava-se se eles estariam correndo atrás de seus próprios desejos agora. E em Kaya; ah... Ele tinha saudade dela. Gostaria de encontrá-la novamente para contar as histórias que agora não eram mentira. Fantásticas, mas verdadeiras. E pensou em como ela ficaria feliz por ouvi-las. Sorriu com a ideia e lembrou de que queria tornar-se um guerreiro de verdade. Corajoso. E sentia que estava no caminho certo porque havia sido adotado pelo bando certo.
Já Brook ficava feliz porque Laboon estava viva. Mesmo que tivesse sofrido tanto pelo que Luffy o contou, ela estava bem agora e certamente se encontrariam novamente quando o bando dos Mugiwara chegasse ao final da Grand Line, e Luffy se tornasse o Rei dos Piratas. E agradecia porque havia encontrado pessoas que estavam ao seu lado. As quais ele quer proteger tanto quanto todo seu antigo bando.
Franky derramava muitas lágrimas pensando em Water 7; em Iceburg, em Tom, Kokoro... Na Família Franky e todas aquelas pessoas que fizeram parte de sua vida por tantos anos, até que encontrou alguém que merecia o trabalho duro de alguém que sempre sonhou com uma construção maravilhosa como era o Thousand Sunny. Os olhos se encontraram com o navio e ele só conseguiu chorar mais. Porque tinha a oportunidade de navegar os mares com aquela obra-prima. E, claro, agradecer porque Robin não o deixou fugir...
Chopper perguntava-se se Kureha, ou melhor, Doctorine estava bem. Ela devia estar lendo e bebendo como de costume, e isso fez seus olhos encherem de lágrimas, também. E no Doutor Hiluluk, aquele que o enxergou com olhos diferentes e o ensinou coisas das quais ele jamais esqueceria. Estava naquele bando por causa dele, também. Por causa daquele Jolly Roger e da importância que o doutor dava àquela ideologia. E tão importante quanto, a vontade que a rena tinha de estar com seus nakamas. E de saber que nem Luffy, nem qualquer um dos mugiwara, tinha olhos suspeitos para cima dele.
Sanji quase podia ver o All Blue naquele pedaço de oceano que circundava seu corpo. Estava com uma sensação tão intensa que era como se estivesse sentindo a brisa daquele lugar, mesmo nunca estando lá. E tinha que agradecer, engolindo o tal orgulho, por Zeff ter salvado sua vida. Sabia que devia muito a ele. E que realizar aquele sonho não era somente por si mesmo, mas pelo velho. Para poder provar a ele que sacrificar-se por Sanji havia sido uma decisão inteligente a se fazer. E porque Luffy o havia trazido consigo para os mares e assim, ele poderia ir de encontro ao seu sonho.
Zoro tinha os olhos fixos no horizonte do oceano, que aparecia nitidamente por causa das luzes dos fogos de artifício. Seu coração estava todo abraçado ao seu desejo de se tornar o melhor, o mais forte. Porque ele estava no bando do homem que se tornaria o Rei dos Piratas. E antes disso, ele tinha que se tornar o mais forte por causa da sua promessa. Porque Kuina seria importante para ele para sempre. E não pôde evitar um sorriso ao pensar na cor dos cabelos dela enquanto olhava o céu azul-marinho e sentia a força daquele sonho dentro de si. A força dela. Como tinha que ser.
E por fim... Luffy.
Luffy sabia que queria ser o Rei dos Piratas. E sempre acreditaria nisso, e correria em busca de seu sonho incansavelmente. Mas tinha algo dentro de seu coração: era o desejo de ver todos os seus nakamas felizes por terem alcançado seus objetivos sem nunca desistir. Porque sonhos foram feitos para serem realizados. E de que adiantava ser o Rei dos Piratas se não tivesse aquele bando? Se não tivesse aquela família? Então pensava não só em seus nakamas, mas em Ace, Shanks... Aquelas pessoas com as quais passou boa parte de sua vida, e que devia muita coisa. Ergueu a mão ao alto da cabeça, cuidadosamente no chapéu de palha. Era o maior símbolo de seus sonhos.
Não só o capitão pensava nos desejos dos seus nakamas, mas todos eles, individualmente, pensavam ainda mais na vontade que possuíam de ver um ao outro realizar seus sonhos.
E quando saltaram a sétima onda, ergueram suas canecas como se estivessem sincronizados por uma telepatia e gritaram, cheios de vigor... – KANPAI! – E beberam tudo num gole só.
E então, Luffy esticou os braços e apertou o bando inteiro neles, juntando-os contra si porque mesmo que alguns não gostassem muito disso, ele não se importava. Era Luffy, afinal. E aquele capitão era mais devoto ao seu bando do que todos os outros e os protegeria até o fim, sempre que fosse necessário, em qualquer situação.
Chopper, Usopp, Franky e Brook falavam alto divertindo-se com o abraço do capitão. Robin sorria confortável, enquanto Nami exclamava xingamentos porque estava apertada entre Luffy e Franky. Sanji ria divertido, e Zoro se encontrava numa posição semelhante à de Robin, porque já estava acostumado com o jeito de Luffy.
Aquele Luffy que sempre daria amor a todos os seus nakamas, porque todos eles mereciam. Independente do passado. Ele só queria vê-los felizes em seus respectivos futuros.
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