Sete Dias
4 Quarto dia
– Bom dia filha. – O pai de Mary cumprimentou-a quando chegou à cozinha.
– Bom dia. – Respondeu ela com um sorriso e ganhando um beijo na testa.
– Hum… Cheirinho bom. Está fazendo o café?
– Pois é. A mamãe teve que sair mais cedo para resolver umas coisas hoje e pediu para eu fazer o café. – Ela pôs a garrafa térmica em cima da mesa e sentou-se ao lado de seu pai. – Espero que você sobreviva.
Eles riram.
– Se te ligarem dizendo que eu estou no hospital já sabe que foi por causa do seu café. – Brincou ele e Mary deu um tapinha em seu braço, fazendo-o gargalhar ainda mais. – Mas falando sério, seu café é igualzinho ao da sua mãe.
– E isso é bom?
– Se isso é bom? Isso é ótimo!
Mary pegou a garrafa térmica, botando o café em sua xícara, logo depois adoçando.
– Filha, você tem destrancado a porta de noite?
A pergunta fez Mary engasgar-se, mas recompondo-se rapidamente.
– N-não pai. – Ela respondeu. – Por quê?
– Porque é a segunda vez essa semana que eu vejo a porta destrancada quando eu acordo de madrugada. E eu juro que tenho trancado ela todas as noites antes de dormir.
– Hum… — Foi o único som que Mary conseguiu emitir.
Ela não saberia o que dizer caso abrisse a boca. Ela queria que o assunto terminasse.
Mary pôs-se a terminar logo de tomar seu café da manhã, indo para o quarto com a desculpa de ter que terminar de se arrumar para a escola.
– Meninas… — Murmurou seu pai rindo e negando levemente com a cabeça, enquanto tomava seu café tranquilamente.
Já a salvo no quarto, Mary trancou sua porta e caminhou até a cama, de onde Jeff a fitava com ardor. Ela sentou-se na cama ao seu lado, sendo envolvida por seus braços quase que imediatamente e se aconchegando ali.
– Quando eu sair com meu pai você pode ir embora. – Mary disse enquanto acariciava a mão de Jeff. – Eu vou trancar a porta, mas temos uma cópia da chave. Está dentro do jarro de flores artificiais em cima da prateleira perto da janela.
Jeff balançou a cabeça afirmando.
O pai de Mary deu três batidas na porta, fazendo o casal se assustar brevemente.
– Filha, eu estou indo para o carro. Se arrume logo!
– Está bem pai! Estou terminando de me arrumar e já vou.
Eles dois ficaram imóveis enquanto ouviam os passos do pai de Mary se distanciar. Mary saiu do abraço de Jeff, levantando-se e se virando para olhá-lo. Ela suspirou.
– Vai ser um dia longo sem você. – Murmurou ela.
Jeff levantou-se, ficando frente a frente com ela, e segurou seu rosto entre suas mãos.
– Se eu pudesse, mataria o tempo só para poder ter momentos maiores ao seu lado. – Respondeu ele e selou-a.
– Mas infelizmente não podemos fazer isso. – Ela suspirou. – Te vejo de madrugada?
– Sem sombra de dúvida.
Beijaram-se calmamente e se separam alguns segundos depois, deixando suas testas unidas.
– Eu te amo tanto, garota.
– E eu te amo muito mais.
Beijaram-se novamente.
A buzina do Civic soou lá fora, anunciando que seu pai já estava prestes a sair. Ambos suspiraram.
– Tenho que ir.
– Até mais tarde.
– Até.
Mary pegou sua mochila no chão e saiu. Trancou a porta e entrou no carro, seu pai deu a partida logo em seguida.
Jeff ficou ainda um tempo andando pela casa, conhecendo os demais cômodos, uma vez que só conhecia a sala, o corredor e o quarto de Mary Anne. Adentrou na porta seguinte à porta do quarto de Mary, o banheiro. Não era muito grande, mas também não era pequeno. Azulejos, box, vaso sanitário, pia, ducha, tudo visto em uma rápida olhada pelo cômodo antes de ele partir para a próxima porta. Dessa vez havia um escritório à sua frente, um cômodo um pouco mais interessante que o anterior. Entrou.
Foi até a prateleira enorme repleta de livros passando a mão de leve. Depois foi até a mesa de madeira que ficava no centro, onde havia vários papéis.
“Nada de muito interessante” Pensou ele.
Olhou em volta e encontrou o computador, perto da parede à leste. Andou até ele e sentou-se na cadeira, ligando o monitor. Olhou atentamente as pastas e encontrou uma com o nome de Mary Anne, clicou ali. Na pasta havia inúmeros arquivos sobre Jeff, textos no Word, fotos dele, vídeos, entre outras coisas que fizeram Jeff ficar de boca aberta.
Tirou daquela pasta, clicando em outra com o nome de Fotos da família. Ali havia fotos de toda a família, algumas da mãe de Mary, outras do seu pai e outras de Mary somente.
“Ela é tão bonita quanto à mãe.” Pensou ele encantado com tamanha semelhança e beleza que havia entre as duas.
Tirou da pasta, após ver todas as fotos, e desligou o computador, saindo do escritório e partindo para a próxima porta, o quarto dos pais de Mary. Uma enorme cama, um guarda-roupa grande de madeira escura e reluzente, uma televisão de led e uma cômoda mobiliavam o cômodo com paredes cor amarelo claro. Um ambiente muito agradável.
Jeff andou até o guarda-roupa, abrindo a primeira porta e se deparando com roupas e sapatos. Abriu a segunda, só havia objetos pessoais, como brincos, pulseiras, relógios, etc. Na outra havia mais roupas, então ele logo desistiu de ver de tinha algo de interessante. Foi até a cômoda e abriu a primeira gaveta, meias e cuecas. A segunda havia roupas íntimas femininas. Já na terceira encontrou um grosso e antigo álbum de fotos. Pegou-o e foi até a cama, sentando-se e abrindo o álbum. Eram fotos da mãe de Mary grávida dela. Jeff impressionou-se com a semelhança entre as duas, maior ainda quando sua mãe era mais nova. Nas páginas seguintes havia fotos de Mary bebê, após nascer, com seu pai e sua mãe sorrindo para a câmera; Do primeiro aniversário de Mary; Viagens; Mais festas; Dias em família; Dias na praia; entre outras várias e fascinantes fotos.
Jeff estava encantado em ver como a vida normal era bonita para as pessoas. E desejou que ele pudesse ter tido uma vida assim. Mas logo se lembrou que o motivo para ele não ter tido uma vida assim era por causa de seu lado assassino, que, logo cedo, o fez matar sua família e viver sempre sozinho e matando as pessoas, apenas por prazer.
Ele balançou a cabeça de um lado para o outro, na tentativa de tirar esse horrível pensamento da cabeça. Levantou-se, indo guardar o álbum em seu devido lugar e saiu do quarto, indo em direção à sala para ir embora. Porém parou no corredor ao ouvir um barulho de chave sendo enfiada na fechadura da porta. Recuou alguns passos até entrar no quarto de Mary, escondendo-se no guarda-roupa.
“E agora?” indagou-se desesperado e suando frio.
Era bem provável que a mãe de Mary desmaiasse caso o visse, o que não seria boa coisa. Ele teria que esperar ela sair novamente ou entrar em seu quarto para poder sair dali sem ser visto.
Puxou o capuz de seu moletom para sua cabeça, cobrindo seu rosto e ouvindo atentamente os movimentos da Sra. Dayton. Assim que ouviu o barulho de uma porta sendo fechada, saiu de seu esconderijo, andando bem lentamente até a porta do quarto. Saiu de lá sem nenhum barulho e foi até a sala, indo embora logo depois.
Ele certamente teria muito o quê contar para Mary Anne algumas horas mais tarde.
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