Sete

6 Laços Cortados


Notas iniciais
Galerinha! Desculpem mesmo a demora pra postar. O bloqueio criativo me bateu (na verdade, me deu uma surra.) e realmente demorei pra conseguir puxar o gatilho criativo novamente. Bem, ai está. Espero que gostem.

Capítulo 6 – Laços Cortados.

– Acorde — Gabriel estapeava levemente seu rosto. — Acorde de uma vez.

Rafaela acordou amarrada em uma árvore com a barbela que usavam para prender os cavalos.

O chão estava repleto de corpos abertos e cobertos de sangue; mal se conseguia ver o chão. O céu escuro da noite mostrava que Gabriel não tardou para prendê-la e acordá-la. Ele estava com o peitoral completamente ensanguentado (com sangue que não era seu) assim como sua calça. A única coisa que estava completamente limpa era sua espada.

Sua espada tinha o cabo preto com detalhes em prateados de, aparentemente, ouro branco; A lâmina prateada era o que mais reluzia em toda aquela espata romana semicurva; Chegando bem perto, era possível notar símbolos que Rafaela não reconhecia. Símbolos tão estranhos que chegavam a ser macabros.

— Me solta! – Rafaela gritava — Agora!

Gabriel soltou um leve riso de deboche.

— Acha que pode dar ordens nessa situação? É uma pena mesmo... – Ele ajeitou uma mecha que caia sobre sua testa – Não esperava que minha pretendente fosse um dos Sete. — Ele falava em tom calmo, como se toda aquela situação fosse algo comum.

— Vossa mercê vai ter que morrer aqui, Arrogância... – Ele apontou a espada em direção à testa de Rafaela.

— Me solta! — Ela falava histericamente – Eu não tenho a mínima ideia disso que fala! Acredite! – Ela gritava enquanto seus olhos lacrimejavam.

Gabriel se agachou, aproximando-se dela.

— Se você gritar mais uma vez, eu juro que farei a sua morte ser lenta e dolorosa — Ele falou agressiva e autoritariamente, mas logo se conteve. — Então, se comporte e morra educadamente.

— Paulo! — Rafaela gritava pelo empregado – Me ajuda! Paulo!

Gabriel, com um tapa, fez com que ela se calasse.

— Mandei calar a boca, sua vadia mimada. — Ele disse autoritariamente enquanto ainda repousava a mão sobre o rosto de Rafaela.

Antes que Gabriel pudesse se levantar para fazer algo a ela, ele foi empurrado, caindo no chão bruscamente.

— Não fala assim com a minha irmã, seu imbecil. — Rafael disse ofegante.

— Rafael... – Rafaela disse com lágrimas nos olhos

— Seu moleque... — Gabriel disse enquanto se levantava.

Gabriel ergueu sua espada acima da cabeça e foi andando lentamente em direção a Rafael. Assim que pode chegar perto o suficiente para poder aproximar a lâmina perto da pele do jovem, começou a rir...

Aquele riso apavorava os dois gêmeos, assim como apavoraria qualquer um que o ouvisse.

— Isso é incrível! — Gabriel disse com um sorriso insano no rosto — Os dois dividem a mesma marca!

— E-eu não sei do que você está falando... — Rafael gaguejava enquanto dava leves passos para trás, recuando.

— Corre, Rafael! — Rafaela gritou em desespero. – Corre!

Rafael tentou recuar; mas tropeçou em um corpo, caindo no chão. Gabriel estava pronto para matá-lo, ele estava com um sorriso largo, assustador, assim que soltou uma gargalhada, o coração de Rafael gelou de medo.

— Morra! Arrogância! — Gabriel disse histericamente, erguendo sua espada para cortar Rafael.

— Não! — Rafaela gritava ainda no mesmo tom.

Antes que a espada de Gabriel chegasse até Rafael, um vulto apareceu á frente dele, fazendo a espada de Gabriel parar.

— Pode ir tirando esse sorriso ridículo da cara, Gabriel. — Paulo disse enquanto empunhava uma faca enferrujada, parando o golpe da espada de Gabriel.

Gabriel rosnou em raiva, dando um pulo alto ficando distante de Paulo.

Com um movimento rápido, Paulo atirou a faca no feixe da barbela que prendia Rafaela, soltando-a.

— Fujam daqui. — Paulo disse sem desviar o olhar do mais pálido — Corram o mais rápido que puderem.

— Não vão fugir! – Gabriel berrou, esticando sua mão esquerda em direção aos dois.

Assim que ele o fez, sombras começaram a se amontoar, criando uma massa fixa e densa à frente deles; Aquela sensação deixou os dois gêmeos com mais medo do que já estavam.

— Isso é bruxaria? – Paulo perguntou com desgosto – Se rebaixou a esse nível, Gabriel?

O outro deu um leve riso de canto, em ironia.

Assim que viu seu sorriso debochado, Paulo correu em sua direção; coisa que o fez gargalhar.

— Vai me atacar desarmado, mestiço de merda? – Gabriel provocava em alto e bom tom.

Gabriel ergueu a espada para defender-se do ataque de Paulo, mas Paulo, ao invés de golpeá-lo, pulou enquanto avançava, pegando impulso para dar um chute com pressão suficiente para fazer com que Gabriel colidisse em uma árvore, deixando sua silhueta na madeira.

— Essa foi por hoje mais cedo na festa — Paulo respondeu às provocações

Rafaela abraçou Rafael; ambos estavam apavorados, mesmo com Paulo lutando para protegê-los, era apavorante.

— O que está acontecendo? — Rafael perguntou assustado, mal conseguindo gesticular – Quem são esses dois?

— Eu não sei... — Rafaela respondeu no mesmo tom.

Paulo e Gabriel continuavam a lutar; Gabriel retomou posto de autoritarismo e avançou em Paulo; ele era rápido, tanto que demorou para que Paulo percebesse os cortes que foram feitos no seu braço e na sua coxa.

— Miserável... — Paulo repousou a mão sobre o corte inferior.

Paulo, mesmo atacando ferozmente, tinha todos os seus golpes defendidos com facilidade; Gabriel, enquanto Paulo baixou um pouco a guarda, enfiou a espada no ombro do ferido, fazendo-o cair de joelhos no chão.

— Nunca baixe à guarda, Pecado. — Gabriel disse em tom de deboche

Ele rodou a espada presa no ombro de Paulo, fazendo-o urrar de dor; o sangue já encharcava toda sua roupa, mas ele permanecia lúcido.

— Grita! Grita, verme! — Gabriel berrava de forma insana e histérica, arregalando mais ainda seus olhos negros e envoltos de olheiras roxas e inchadas.

Ele olhou para os gêmeos, que estavam abraçados e apavorados olhando aquela cena.

— Mas esses dois gêmeos são inéditos!... — Gabriel disse animado — O mesmo pecado, em duas pessoas!... – Ele falava pausadamente entre risos — Isso nunca aconteceu!

Assim que Rafael viu que Gabriel estava olhando para eles, Rafael ficou na frente de sua irmã e esticou os braços, com medo que Gabriel fizesse algo com ela.

— Que lindo! — Gabriel afundou deixou a espada no ombro de Paulo de forma com que a lâmina encontrasse o chão, prendendo-o. Ele movimentou de leve a cabeça, em relaxamento, e começou a andar em direção aos gêmeos — Amor fraternal... – Seu tom histérico se acalmara.

— Sai de perto da minha irmã, seu doente — Rafael disse com olhar de ódio, trêmulo.

Gabriel riu, ajeitou as poucas mechas de cabelo que estavam batendo em seu rosto e esticou sua mão na direção deles enquanto caminhava sutilmente entre os corpos estirados no chão.

— É uma pena eu ter que matar vocês... — Gabriel disse em tom sério.

Aquelas mesmas sombras que estavam amontoadas em volta do local começaram a se mover, indo em direção a Gabriel. Sutilmente, começaram a formar uma esfera densa; energia negra formou-se na palma de sua mão.

— Morram! – Junto ao grito de Gabriel, a esfera foi atirada na direção dos dois.

Rafael fechou os olhos, por medo da morte iminente, mas logo os abriu devido ao silêncio que ficara no local. Ele não morreu, e o que viu o fez arregalar mais ainda os seus olhos, expressando ainda mais desentendimento da situação.

Uma luz branca, quase transparente, estava erguida à frente dos dois, formando uma parede...

Que fez a esfera de Gabriel dissolver-se nela.

Rafaela estava com o braço esquerdo erguido e mão esticada por cima do ombro de Rafael, completamente parada, demonstrando-se tão surpresa quanto seu irmão.

— Rafaela? — Rafael perguntou olhando para ela. – Você quem fez isso?

— E-eu... Não sei... — Rafaela gaguejava em resposta.

O riso de Gabriel tomou conta do silêncio do local.

— Incrível! — Gabriel pestanejava — Ela bloqueou meu ataque com apenas uma mão! Uma mão! – Ele pôs ênfase em “Uma mão”.

— Rafael! — Paulo gritava com dificuldade. – Faça o mesmo que sua irmã! Agora!

— Eu não sei fazer isso! – Ele gritou tão alto quanto Paulo, assustado, nervoso.

— Faça! Agora! – Paulo continuava

— Eu não sei... Eu não sei... – Rafael repetia para si mesmo, apavorado, em forma de mantra.

Rafael começara a entrar em desespero, com as mãos em sua cabeça, puxando seus cabelos como se algo fosse vir à tona. Gabriel se aproximava; o que fazia com que o rapaz balançasse a cabeça em agonia.

— Agora! — Paulo gritou, seguido de um gemido de dor.

Ele não sabia o que estava acontecendo, e nem o por que dele estar fazendo tudo aquilo, tudo pra ele estava tão escuro...

Ele sentia-se num breu, e aquilo o matava.

Mas, ele não poderia querer morrer por causa daquilo. A única coisa que ele queria num momento era proteger sua irmã.

Gabriel riu histérica e insanamente, o que faz o jovem balbuciar para que ele parasse.

— Para... Para... – Ele balançava sua cabeça em agonia – Para! – Ele gritou.

Respondendo ao berro, a energia branca que os rodeava escureceu; Condensando-se em uma linha rápida e precisa que antigira Gabriel em cheio.

Não foi possível ver o estrago de primeira; o lugar todo fora tomado pelo breu por alguns instantes. Logo, foi possível ver o rombo no peito de Gabriel, um buraco que permitia ver toda sua anatomia interna e até mesmo o que estava atrás dele.

— Incrível! — Ele gritou empolgado dentre os refluxos de sangue — A Espada e o Escudo de Miguel!

— Bellator custos principis defendere mecum et custodierit me in gladio… — Os gêmeos diziam uníssono. — Ne damnum ad me...

O ferimento de Gabriel começou a pulsar, expondo todas as veias e artérias do mesmo, que logo, começaram a ficar negras.

— O que?... – Gabriel perguntou espantado, cortando seu tom de ironia e histeria – O que vocês estão fazendo?! – Ele elevou o tom de voz em desespero.

Antes que ele pudesse continuar, sua espada atravessou por completo seu crânio, fazendo-o ficar imóvel.

— Não reconhece a oração do Arcanjo Guerreiro, Gabriel? – Paulo disse ironicamente enquanto encravava a espada no ferido.

Assim que completou a frase, Gabriel começara a se dissipar no ar, tornando-se cinzas e sendo levado pelo vento. Paulo, aliviado, ajoelhou no chão por cansaço.

— Vocês estão bem? – Ele perguntou ofegante com um sorriso de canto.

— Sim! — Rafaela respondeu — Meu irmão vai te ajudar, espere um instante.

Rafael olhou para ela arqueando sua sobrancelha esquerda, como quem diz "O que você disse?".

— Quem é esse daí? — Rafael perguntou desconfiado.

— Meu namorado — Ela disse sarcasticamente enquanto revirava os olhos – Vá logo ajudá-lo, não estou conseguindo me mover muito bem, e estou meio tonta...

Rafael não retrucou e foi até Paulo o mais rápido que pode, ainda mancando.

— Vocês não se livraram de mim ainda... – A voz de Gabriel ecoou por todo o espaço.

Rafaela arregalou os olhos assustada, tentou olhar para Gabriel, mas ele não estava ali; porém sua voz ressoava em alto e bom som.

— Eu vou, Paulo. Eu vou. — Gabriel dizia calmamente. – Mas levarei um comigo...

Ela olhava ao redor assustada; de repente, ela viu Gabriel próximo as árvores atrás dos dois caminhando em direção á Paulo. Tentando andar, Rafaela caiu, mas continuou seguindo arrastando-se pelo chão. Ela não conseguia falar graças ao nervosismo.

Ela estava indefesa.

— Dessa vez não seu desgraç-... — Antes que ela pudesse completar, ela sentiu alguém atrás dela, perfurando seu peito e envolvendo-a com os braços.

— Eu avisei... — Gabriel sussurrou no ouvido de Rafaela. – Um vai comigo.

Rafaela entrou em choque, que foi seguido do desespero. Ela se agitou para fazer com que Gabriel a soltasse, pondo as mãos por cima de seu peito.

Ela estava intacta.

Logo, Gabriel sumiu, desfazendo-se em sombras e desaparecendo no ar.

— Rafaela, você está bem? – Rafael virou-se para sua irmã – Acho que não-... – Antes que ele pudesse completar a frase, caiu no chão em convulsão.

Seu peito estava aberto e ensanguentado; não muito diferente dos outros corpos no chão.

Paulo, assim que viu o ferimento, correu para socorrê-lo. A espada havia atravessado-o por completo, o que fez com que Paulo não soubesse o que fazer. Rafaela, assim que chegou a seu irmão, começou a soluçar em choro em vê-lo naquele estado.

— Fica calmo, tá? – Ela disse enquanto Paulo fazia com que ele repousasse a cabeça em seu colo, fazendo com que ele parasse de convulsionar. – Você vai ficar bem. Fica calmo, tá legal?

— Você quem precisa se acalmar — Ele falou em tom baixo com muita dificuldade. – Parece até que quem está sangrando feito um porco não sou eu. – Ele sorriu enquanto sangue escorria de sua boca.

— Desculpa!... – As lágrimas começaram a escorrer do rosto de Rafaela — Eu não queria! Não foi de propósito! Desculpa!... — Ela repetia desesperadamente – Eu jurava que seria eu!...

— Mas não foi – Ele respondeu ainda com um sorriso. – E fico feliz por isso.

— Você vai ficar bem... — Rafael sorriu – Por ora, seu namorado vai cuidar de você. – Ele pôs ênfase em “namorado”

Rafaela chorava muito; a ponto de suas lágrimas escorrerem pelo rosto e caírem no chão.

— Eu te amo... — Rafael sussurrou cada palavra, forçando a boa gesticulação.

Logo, os olhos de Rafael ficaram sem brilho, e as palavras pararam de sair de sua boca.

— Não!... — Rafaela abaixou-se e encostou sua testa na dele. — Volta!... Volta agora seu imbecil!...

— Eu sinto muito... — Paulo pôs a mão no ombro esquerdo de Rafaela, que se ergueu para abraça-lo em consolo.

***

Paulo, com dificuldade, carregou Rafaela dentre o matagal até o jardim. Ela estava acabada, suas roupas brancas e limpas agora estavam sujas, rasgadas e ensanguentadas com um sangue que não era seu.

— Rafaela, se eu puder fazer alguma coisa pra ajudar... — Paulo disse.

Rafaela respirou fundo.

— Você já fez mais que o suficiente... — Ela disse cabisbaixa, escondendo seu rosto na nuca do homem. – Obrigada por nos proteger...

Ele parou e a pôs no chão, deixando com que a jovem pudesse se recompor.

— Eu só posso te levar até aqui. — Paulo a olhou nos olhos em preocupação — Vá para casa e acorde todos. Fale que Gabriel sequestrou vocês e matou seu irmão.

— Sim, tudo bem... — Ela disse enquanto enxugava as lágrimas na manga de sua roupa.

Paulo olhou para ela, e num ato involuntário, a abraçou.

— Tudo vai ficar bem... — Ele tentou reconfortá-la. – Eu tenho uma coisa para a Senhorita! — Ele exclamou.

Ele puxou do bolso um cordão prateado, um com um pingente circular de lua minguante.

— Tome, é seu. — Ele pegou o pulso da jovem e pôs o cordão em sua mão. — Ele tem duas funções. Servirá para te proteger caso algo venha te atacar novamente.

Paulo pegou o cordão de Sol e pôs em seu pescoço, também pegou o cordão de Lua e pôs no pescoço de Rafaela.

— E a outra função? — Ela perguntou

Ele se aproximou de Rafaela e puxou um cordão com um pingente parecido; Um circular de Sol, com detalhes dourados. Ele se aproximou e pôs seu cordão perto ao dela, e logo, os dois grudaram um no outro.

— Também servirá pra você lembrar-se de mim — Ele olhou nos olhos dela — E eu de você.

Rafaela olhou no fundo dos olhos de Paulo; mesmo com tudo o que havia acontecido, seu coração apertado ainda foi capaz de pulsar forte novamente.

E não demorou muito para que Rafaela o beijasse, beijasse como forma de desabafo, conforto, uma necessidade de paz.

— Agora vá – Paulo disse, encerrando o contato labial.

E, sem hesitar, Rafaela deu uma última olhada nos olhos de Paulo e correu em direção à mansão.

Notas finais
Gostaram? Não? Comentem o que vocês acharam e o que gostariam que fosse mudado! Prometo responder à todos os comentários!