Set The Game On
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Notas iniciais
A rejeição acertou Sam como um tapa na cara. Ela se afastou dele, querendo enfiar a cara em algum buraco e nunca mais sair. Ela virou de costas para impedir Freddie de ver o seu rosto. Ela não ia deixar ele perceber como aquilo doera e como ela estava envergonhada e magoada.
"Sam, olha.." Freddie disse, pondo a mão nos ombros dela, mas ela se afastou. "Eu não vou te beijar aqui, não desse jeito."
"Tudo bem, Freddie. Eu já entendi." Ela respondeu.
Você deixou bastante claro que não me quer, não precisa ficar repetindo, ela pensou.
"Você não entendeu. O que eu quero dizer... não assim, droga!
Ele não conseguia continuar, como se não achasse palavras para explicar sabe lá o que ele queria dizer, então ele se calou.
Sam tambem ficou calada. Não precisava das desculpas dele.
Eles continuaram quietos e calados. O silêncio pairava sobre eles sobre eles como uma nuvem negra. Passados vários minutos, Sam ouviu um barulho, e mal pôde acreditar quando viu a porta do elevador se abrindo. Detrás da porta estava um dos garotos que estavam na festa que Sam não conhecia.
"Vocês são amigos da dona da casa?Carla, o nome dela, certo?" O garoto disse.
"Carly," Sam corrigiu
"Bem, essa mesma. Acho que ela desmaiou.Vocês deviam verificar o pulso dela ou algo assim." O garoto disse, depois saiu correndo, batendo a porta ao sair.
Sam e Freddie saíram do elevador ás pressas, procurando Carly. Ela estava deitada no sofá, um dos pés descalços. Sam correu até ela, sacudindo os seus ombros. "Carly? Você está bem?" Sam perguntou. Carly abriu os olhos devagar, balbuciando coisas que Sam não entendeu. Ela fechou os olhos de novo e continuou a dizer coisas sem sentido.
"Ela está bem? " Freddie perguntou.
"Acho que sim. É só o resto do efeito do álcool." Ela respondeu.
Sam olhou ao redor. Todos já tinhaim ido embora, e o apartamento estava completamente bagunçado, garrafas vazias no chão e bebidas derramadas por toda parte. "Eu vou levar ela para o quarto, antes que o Spencer chegue. E ainda tenho que limpar essa bagunça." Ela disse.
"Eu cuido disso." Freddie respondeu, e começou a pegar as garrafas que estavam no chão.
Sam acordou Carly outra vez, ajudou-a a levantar, pôs o braço da amiga ao redor do seu ombro e subiu as escadas com ela. Sam ajudou ela a se sentar na cama, enquanto Carly tirava a única bota que ela vestia. "Minha cabeça dói", Carly murmurou, deitando na cama.
"Isso não é nada. Vai doer mais amanhã." Sam respondeu, pegando um cobertor e cobrindo a amiga. "Apenas dorme, ok? E se o Spencer aparecer, não diga nada à ele." Sam disse. "Ok", Carly murmurou, já de olhos fechados. Sam saiu do quarto e fechou a porta.
Quando desceu as escadas e chegou a sala, seu queixo caiu. Quase não havia vestígios da festa, Freddie já havia limpado e jogado praticamente tudo fora.
"Ela dormiu?" Freddie perguntou quando a viu.
"Sim. Hmm... você fez um bom trabalho aqui"
"Acabei de por todas as garrafas no lixo. Mas ainda tem um cheiro de bebida no ar."
"Isso não é problema." Sam achou um daqueles sprays com perfume no armário, e espalhou pela casa toda. Ela tinha acabado de guardar o spray de volta quando a porta abriu e Spencer entrou.
"E aí, crianças? Como foi a reunião?"
"Hmm.. foi.. hmm.. diferente." Freddie respondeu.
"Diferente é bom. Diferente é sempre bom! Mas espera aí... " ele disse, olhando ao redor. "Cadê a Carly?"
"Ela já foi deitar" Sam respondeu.
"Ooh. E vocês dois estão aqui sozinhos? Oooooh. Eu entendi. Desculpa interromper vocês dois. Eu já estou indo para o meu quarto."
"Não é nada diss-" Sam começou, mas Spencer já havia ido para o seu quarto. "Apenas finjam que eu não estou aqui." Ele disse, fechando a sua porta.
Se isso era possível, Sam ficou ainda mais envergonhada. Sentindo o rosto corar, ela disse: "Bem, meu trabalho aqui está feito, então eu já vou indo." Ela pegou sua bolsa e foi em direção á porta, mas Freddie estava parado lá, bloqueando sua saída.
"Não é meio perigoso você ir embora agora? Uma hora dessas e sozinha?" Ele perguntou.
"Eu vou chamar um taxi. Além do mais, eu sei me cuidar."
Apenas me deixe sair daqui, ela pensou. Antes que eu te dê um soco na sua cara. Ou antes que eu comece a chorar.
Ele continou parado em frente a porta, impedindo-a de ir embora.
"Você tem certeza? Quero dizer, você devia ficar e cuidar da Carly. Ela vai estar com uma ressaca brava pela manhã, e o Spencer não pode perceber."
"E por que você se importa com isso? E aquele papo de 'arcar com as consequencias'? Sam respondeu.
"Mas é claro que eu me importo, Sam! Carly é minha amiga, e eu não iria deixar-"
"Olha, eu não quero saber. " Sam o interrompeu. "Você muda de pensamento num piscar de olhos, eu não entendo você, e estou cansada de tentar. Só me deixa ir embora, ok?"
Freddie a encarou, ainda bloqueando a porta. Mais uma vez, era como se ele não conseguisse achar palavras para explicar o que ele queria.
"Será que você não pode ficar mais um pouco? Pra gente conversar? " Ele finalmente disse.
"Conversar? O que você quer conversar, Freddie? Nós ficamos horas presos naquele elevador e você mal abriu a boca, e agora você quer conversar?"
"Mas nós estávamos presos em um maldito elevador! Eu estava com medo, ok?"
"Medo? Medo de quê? De mim?"
"Você consegue ser bem malvada quando quer. Mas não no sentido ruim."
"Não estou entendo nada, Freddie. Seja mais claro , por favor."
"Quando você me pressionou na parede, sussurrando aquelas coisas... eu juro por Deus , Sam, eu quase perdi o meu juízo. Achei que fosse explodir. Você tem razão. Você me deixa sim, completamente louco."
Por um momento Sam achou que estava alucinando. Por que ele esta dizendo isso agora? Depois de tanto tempo me ignorando completamente e todo aquele esforço que ele fez para não me beijar? Qual o sentido disso tudo? Quanto mais ele falava, menos Sam conseguia compreender.
"Por que.. eu não.. você.. POR QUE VOCÊ NÃO ME BEIJOU?" Sam disse, por fim. Estava cansada de toda esse papo bipolar do Freddie. Ela só queria entender.
"Por que... Sam, era um jogo estúpido."
"Lá vem você com esse papo outra v-." Freddie a interrompeu.
"Deixa eu terminar, por favor. Sim, era um jogo esúpido e eu não queria te beijar por causa disso. Eu não queria que o motivo do nosso beijo fosse apenas por causa de uma maldita garrafa que, por sorte, apontou para nós. E eu não queria te beijar só por que um bando de bêbados estavam mandando. Ou porque o Gibby disse que era 'sagrado'. E não queria te beijar só porque nós estávamos presos em um elevador, e eu não quis te beijar e gravar isso para a Carly e todas aquelas pessoas assistirem. E então você veio até a mim, Sam, colando seu corpo no meu, dizendo aquelas coisas para mim, me atentando de um jeito que só você sabe fazer, e eu quis te beijar. Droga, eu quis muito te beijar naquela hora, e eu quase fiz, mas eu percebi que você só estava fazendo aquilo exatamente para me provocar, porque você queria sair dali. E eu não queria que você me beijasse por causa disso. Eu não sei se você entende isso Sam, mas nós temos uma história. Só nós dois sabemos tudo o que nós passamos e o quanto a gente se esforçou para que as coisas dessem certo entre nós. Nós terminamos dentro daquele elevador. Você foi minha lá dentro. Você disse que me amava ali. Então não, Sam, eu não queria te beijar, não assim, não por causa de um jogo. Um beijo entre eu e você é importante demais para ser feito desse jeito."
As lágrimas vieram aos olhos de Sam rápido demais, caindo sobre seu rosto antes que ela pudesse fazer alguma coisa. Ela limpou o rosto rapidamente, tentando disfarçar, mas Freddie já tinha visto.
"Então você não queria que fosse desse jeito." Foi tudo que ela conseguiu dizer.
"Não desse jeito." Ele repetiu.
Freddie aproximou-se dela, colocando seus braços fortes ao redor da sua cintura. Por um milésimo de segundo Sam pensou em empurrá-lo, e dizer que ele não podia fazer mais isso, não podia brincar com os sentimentos dela daquela forma. Mas como lutar contra isso? Como lutar quando todos os sentimentos dela, amor, amizade, admiração, desejo, ciúmes, até mesmo ódio — eram todos direcionados a ele? Freddie estava presente em todos os seus sentimentos. E ela podia ser forte, podia vencer Freddie em uma queda de braço, mas quando se tratava de sentimentos, Freddie sempre a dominava.
Ele continuou a segurá-la fortemente, mas sem machucá-la. Sam nada fez, esperou ele continuar. Mostre-me, Freddie. Mostre-me o jeito que você quer.
Freddie tirou uma das mãos de sua cintura, levando-a até o rosto dela. A mão dele era grande o suficiente para cobrir toda a lateral do seu rosto, e ela fechou os olhos ao sentir o toque dos seus dedos sobre a sua bochecha. A mão dele trouxe o rosto dela para mais perto do dele, e Sam ficou na ponta dos pés para poder deixar seus olhos na altura dos dele. O olhar dele a fez sentir que ele era dela, completamente e só dela. O riso dele, seu sabor, tudo pertencia a ela.
Ele se moveu, inclinando a cabeça, sussurando o nome dela antes de suas bocas se encontrarem. Seus lábios contra os dela eram perfeitos. Ela abriu seus lábios lentamente, deixando ele entrar. Suas línguas tinham sua própria linguagem, e elas rapidamente entraram no ritmo que eles já estavam acostumados, um beijo lento e rápido, profundo, que consumiu o seu folêgo. A mordida que ele deu em seu lábio inferior doeu — de um jeito bom, o melhor possível. As mãos dele estavam agora em suas costas, em seu ombro, em seu quadril, ele estava em toda a parte. Cada célula de seu corpo havia um pedaço de Freddie. Ele separou seus lábios dos dela, ofegante. Ela só teve tempo de ver como os lábios dele estavam vermelhos e inchados, quando ele a beijou outra vez — bem suave agora, apenas comprimindo seus lábios nos dela. Aquele beijo foi diferente, e reacendeu alguma coisa dentro dela que ela jurava estar morta há muito tempo.
Eles se seprararam de novo, olhando um nos olhos do outro. Sam podia ver o brilho do seus próprios olhos dentro dos olhos de Freddie, e ela sorriu, um sorriso tão grande que ela achou que ia rasgar sua boca, mas ela não conseguia parar. E ele sorriu de volta para ela, e o mundo dela estava todo ali, naquele sorriso.
"Eu quis dizer desse jeito." Ele disse para ela, beijando-a novamente.
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