Será Eu?

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Texto de alguns anos atrás.
Boa leitura!

Ano 2115

—... 3...2...1...0! – A nave em direção a Marte, Progress foi lançada! Dentro dele, os astronautas David Maclen, George Mansom e Jim Taylor. Os mais importantes astronautas da NASA, escolhidos a dedo pelo presidente da ONU, para um programa de habitação no planeta vermelho.
David teve problemas quando foi escolhido para essa missão. Sua família foi contra a ideia dele ir para um lugar tão distante, mesmo ele não estando sozinho. Jim e David eram grandes amigos desde garotos. Conheceram-se quando estavam na “Capacitação” — o período escolar em que o governo verifica quais estão capacitados para ter alguma utilidade na sociedade, se o verificado é reprovado nos testes, ele é mandado para a Academia Sistemática Internacional, um tipo de campo de provas intensivo em que você é testado de todas as maneiras, até ser qualificado para sua função. Você não escolhe diretamente sua função, o governo a escolhe baseando-se em seus testes, porém se o indivíduo for bem nos testes que o direcionam para a função que deseja, assim será feito – e são melhores amigos desde então. George apareceu na vida dos dois depois, quando ingressaram na NASA, e nunca foi muito amigável com ninguém.
A nave subia rapidamente pelo céu da Terra, as pessoas viam aquele objeto imenso subindo aos céus apontando seus dedos e com os rostos maravilhados. A pressão dentro da nave era grande, todos lá dentro sentiam o peso de seus corpos aumentando. A nave atravessara a atmosfera e logo estava no vazio do espaço. Os propulsores extras foram erguidos e toda pressão sumiu.
— Missão Habitacional do Planeta Vermelho, iniciada! – disse Jim no monitor ao holograma do diretor da NASA.
— Entendido, comunicação encerrada até o mesmo horário de amanhã para relatório! – o homem no holograma ficou extremamente sério e depois sorriu. – Boa sorte, homens! Tragam o progresso que o mundo precisa!!!
—CERTO!! – os três astronautas gritaram em uníssimo. Todos tinham em mente a missão e o progresso.
O progresso era extremamente importante nos dias de hoje. A humanidade havia cometido erros demais no passado e todos seriam concertados. O problema de superpopulação começou no início do século XXI, quando o mundo atingiu os sete bilhões de habitantes com uma boa parte com vidas miseráveis. Esse problema foi se agravando aos poucos, com tentativas e erros de concertar isso. Alianças pelo mundo inteiro para a maior produção de comida, produção de água em laboratórios e até restrições nas vidas dos cidadãos, como o limite de uma criança por mulher e até antecipação da morte de pessoas velhas ou hospitalizadas. Nos anos de 2090-2096, o governo adotou uma campanha que dizia que pessoas com mais de 60 anos já viveram o bastante e que estão sugando a vida dos jovens que conduzirão o mundo. Depois de guerras e protestos, o grupo contra essa política venceu, porém ainda existem muitos que consideram aquele tempo o melhor.

Dia 15
Os dias são monótonos dentro da espaçonave Progress, mas hoje é diferente! A nave finalmente se aproxima de seu destino, Marte. Os astronautas dentro dela tornam-se homens ansiosos e de sono leve. Na noite do dia quinze, os três comem juntos seus jantares e discutem o que podem encontrar lá, baseando-se nos recentes estudos dos telescópios governamentais.
— Só estou dizendo que deve ter sim, vida em Marte. – disse George.
— Baseado em quê? – interroga Jim.
— Ora, em Darwin. Seguindo o conceito da evolução das espécies, os seres vivos são adaptáveis à maioria dos terrenos.
— Esses terrenos não incluem lugares sem oxigênio, muito menos com tempestades diárias! E então, como rebate essa? – explica David.
— Subterrâneo! — exclama George.
— O quê?
— Subterrâneo! A vida de Marte pode ser tanto ou até mais avançada que a nossa! Uma rede de cidades ou colônias pode ter sido criada nos subterrâneos do planeta para se proteger das tempestades.
— E o problema do ar?
— Ora, na Terra mesmo há plantas que não necessitam de luz para sobreviver no fundo dos oceanos, porque não poderia ter acontecido o mesmo aqui?
— Hum, eu ainda não me convenço. – diz David.
Na noite seguinte, enquanto todos os tripulantes dormiam, uma sirene começou a soar. Todos despertaram, sentindo o sangue virar chumbo em suas veias. Era o sinal de movimento no exterior da nave, e como ninguém (só sondas), um dia foi mandado a Marte, eles não sabiam o que esperar.
Os três astronautas vestiram seus trajes e foram para o casco da espaçonave, fazendo toda a força para afirmar a si próprios de que era só uma rocha que havia colidido com o exterior.
Chegado ao ponto em que foi detectado o movimento, ficaram alíviados. Era de fato uma rocha. Ela entrou em choque com o casco da nave, com tamanha força, que o amassou, fazendo uma pequena cratera na qual ficou.
David conhecido por sua coragem agarrou a pedra e tentou livrar-se dela, jogando-a no vazio do espaço, mas a rocha grudou em suas mãos. Tentou novamente, mas nada conseguiu. David notou, apesar do traje, que a rocha era viscosa, grudenta. Olhou em pânico para seus companheiros, que o encararam de volta da mesma maneira.
“Só a viscosidade não pode prender a rocha às minhas mãos.” George e Jim exclamaram um grito de terror, a “rocha” estava se desenrolando, revelando que não era uma rocha e sim um pequeno alienígena negro, de olhos vermelhos, pele escamosa, dentes afiados e uma forma humanoide corcundas.
David mal conseguiu reagir. O alien pulou no capacete dele e arrancou o tubo que lhe fornecia oxigênio. Enquanto o homem agonizava, o alien quebrou se capacete com a testa, e rasgou seu rosto com as garras! Em seguida pulou em direção aos outros tripulantes. Os dois correram, num ritmo lento devido à falta de gravidade. O alienígena ia ao mesmo modo, mas em vez de correr ele saltava. Grandes saltos. O pequeno monstrinho agarrou Jim pela perna esquerda, rasgando o traje e sua panturrilha, fazendo com que o homem desabasse lentamente, enquanto o alien lhe dilacerava. Em poucos segundos o homem estava morto, com sangue flutuando pela imensidão do espaço.
Isso deu a George alguma vantagem. Quando o alienígena voltou-lhe a atenção, o homem estava a poucos metros da escotilha. O alienígena saltava, com um olhar assassino. George corria apavorado. O homem alcançou a escotilha e começou a gira-la enquanto o alien se aproximava cada vez mais. A escotilha se abriu e George pulou dentro dela, agarrando-a logo em seguida e fechando a imensidão do vazio e aquele ser medonho do lado de fora. O alien esmurrou a passagem repetidas vezes. O homem ouviu aterrorizado o som agudo e ensurdecedor das garras daquele animal. De repente parou. As batidas, as garras. Tudo. O espaço caiu de novo em um silêncio inquietante. O alarme havia parado também. George só ouvia sua respiração e seu batimento cardíaco. Ficou um bom tempo caído no chão da nave, em estado de choque. “Ele desistiu. Ele desistiu.” Pensou George, com lágrimas nos olhos por seus companheiros.
Retirou o capacete e o traje espacial e os largou no chão da nave. Ofegava. O caos tomava conta de sua mente. “Mortos. Mortos. Mortos.”
Bam, clanc, tum. George ouviu barulhos vindos de cima. Batidas, retorcidos e silvos vinham de cima de sua cabeça. O astronauta levantou rígida e lentamente a cabeça. O teto do compartimento amassava por fora. Apressou-se pegando o capacete novamente, colocando-o, e tornando a violência abafada.
Raaanc... Um grito estridente de metal retorcido soou. Quatro dedos com garras de oito centímetros apareciam entre os rasgos no casco. O ar ia embora e George viu a vida indo junto com ele. “Não. Você vem junto.” Agarrou uma lasca de metal do tamanho de seu antebraço que havia flutuado até perto dele quando o alien abrira caminho e pulou em direção ao teto com o braço estendido. Os olhos daquela fera se tornaram ainda mais terríveis aos olhos da vitima. Não hesitou. Enfiou sua arma no invasor.
Enquanto o líquido vermelho jorrava e flutuava pela nave, por fim escapando pela abertura no casco, o único sobrevivente daquela chacina sentia os ferimentos pelo corpo. Nas mãos jaziam cortes, dados as ações. A barriga havia sido aberta pela arma do adversário. Apesar de tudo sentia-se feliz. Salvara sua raça e a si próprio de algo terrível.
“Acabei de seguir os meus piores instintos... eu matei hoje! Acabei de matar . Não! Eles eram ! Eles eram ruins, eles são a raça que mata a si própria! Eles não sentem pena, amor ou compaixão, apenas prazer, ganancia e um desejo incomparável por poder! Eles queriam nosso planeta, já que não conseguem mais morar no deles!” O alien saltou para fora da nave e seguiu aos pulos até o bico. Ele olhou calmamente para seu planeta. “ Nós te observamos, krans. Faz centenas de anos que observamos vocês e aprendemos que são uma raça gananciosa demais para viver com qualquer outra. Eu... Kron, impedi que vocês corrompessem meu povo. Levarei a vitória para meu condescendentes.”
O alien pulou em direção ao vazio do espaço, afundando lentamente em direção ao Planeta Vermelho. “Eu sou um herói!” Aquele corpo desceu rapidamente pela atmosfera até começar a se aproximar do solo, quando abriu asas de uma envergadura de três metros. O herói voou até uma cratera e lá desceu, percorrendo diversos túneis, até chegar numa enorme porta de metal. Ele entrou na antessala que a porta guardava e tirou seu traje. Sua pelo era cascuda e escamosa, como se ele tivesse a pele de um dinossauro. Seu corpo era humanoide, porém seus olhos eram felinos e ele não tinha cabelo. Seu nariz era um retângulo no meio do rosto, com três buracos embaixo.
Gás encheu a sala, esterilizando o corpo de Kron. Ele saiu pela porta à sua frente e encontrou uma multidão de outros muito parecidos com ele.
— Nosso povo continua puro! – declarou o alien.
— Hooooooooowwwwww – um estardalhaço ensurdecedor se manifestou, ecoando por toda instalação, um lugar exclusivamente metalizado. O povo de Kron fechou seus punhos e começaram a bater em seus peitos. – KRON, O HOMEM QUE SALVOU SEU POVO DA GANÂNCIA!!! – Kron via maravilhado seu povo. A raça kran voltou mais tarde, com mais soldados, mas os marcianos tinham seu herói para protegê-los!

Notas finais
Obrigado por ler, espero que tenha gostado! Comente e recomende aos amigos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!