Será Amor?
42 Capítulo 42 - Assédio
Notas iniciais
Austin
Continuei andando, sabia perfeitamente que se me virasse, aconteceria das duas uma, ou eu bateria nele, ou ele me daria uma certeira. E eu como um famoso cantor, não poderia aparecer em um show com o nariz quebrado ou a boca cortada, ou até um olho roxo.
Ele me cutucou novamente.
–Não vou me virar Gabriel, não sou idiota. –Ally se virou para mim e eu continuei de costas. –Seja exemplo para a Sofia.
–Austin, desculpe. –Ele disse. Gargalhei alto e decidi finalmente me virar. –Como a Ally disse, eu realmente passei dos limites. Fui má influencia para a pequena Sofi, e eu gostaria de ter uma segunda chance.
Parei para pensar. Se eu dissesse sim, ele poderia machucar mais uma vez a Ally, mas se eu dissesse não, ela poderia ficar decepcionada comigo. Dei um paço para trás e fiquei ao lado da Ally. Passei meu braço por ela e abaixei a cabeça perto de seu olvido.
–Oque acha? –Sussurrei. Ela olhou para mim com aqueles olhos castanhos e brilhantes.
–Pela primeira vez Austin... Eu não sei. –Dei um sorriso de lado.
–Bom Gabriel, parece que de alguma forma, terá que se esforçar para ter sua segunda chance. Agora nos deixe ir para casa, é natal! – Ele assentiu e seu um cheiro nos cabelos de Sofia.
–Obrigado. –Revirei os olhos.
–O Austin não disse que tinha a oportunidade. –Ally retrucou.
–Mas disse que eu poderia fazer algo para ter a segunda chance. Isso é importante para mim Ally. Você é importante para mim...
–Vamos parando por aqui. –Eu disse já sério.
–Desculpe.
* * *
–Não acredito! –Rosa exclamou. –Como assim você brigou com os bebês por perto?
–Calma Rosa, só foi uma briga “verbal”. –Disse fazendo as aspas com os dedos. –Nós não fomos para a porrada.
–BONITO AUSTIN MOON. QUER DIZER QUE MAIS UM POUCO VOCÊ PODERIA GANHAR UM EMATOMA? –Thish gritou enquanto descia a escadaria. Olhei em direção e a vi com um olhar tão profundo que senti adentrando minha alma.
–Calma Trishezinha, calma. –Sorri nervoso e escutei um Riker rindo na sala.
–Calma? Você me pede calma? Sabe quantas programações você tem? E ainda mais que é meu amigo, vê-lo machucado seria horrível!
–Trish, falando nos shows, eu estava pensando em coloca-los em minha apresentação na virada de ano. Sabe, normalmente o pessoal de família e amigos se juntam e eu não quero estar separados de vocês. –Ela pareceu relaxar um pouco.
–Que ótima ideia Austin. Nem parece que foi você que a teve. –Revirei os olhos.
–São apenas meus sentimentos.
Dez
Cinco dias. Cinco dias. Eu vou morrer! Está passando muito rápido! Cinco dias! Porque o ano novo tem que ser tão perto do natal? Entrei no ônibus que passava pela rua perto da casa de Trish. Sim, eu não tinha carro. O pobretão aqui prefere andar de ônibus do que colocar mais um carro poluidor nas ruas.
Quando ergui a cabeça para olhar os bancos vazios tive quase um surto, mais ou menos assim “NÃÃÃO, NÃO PODE SER... AS CADEIRAS ALTAS DO ÔNIBUS NÃO PODEM ESTAREM OCUPADAS. AI MINHA CABEÇA. ISSO NÃO ESTÁ ACONTECENDO”. Algo desse gênero! Olhei melhor e só tinha um local vazio, lá no fundão, onde tinha duas meninas em bancos um ao lado do outro e na janela tinha um homem. Então tinha que sentar entre um homem e uma das meninas.
Liguei meu fone de ouvido no celular e coloquei músicas altas, estava muito ansioso para a virada de ano. Estava perto demais, aquilo estava me fazendo uma tortura incontrolável. Estava todo momento suando frio, com um embrulhado na barriga, um tique nervoso nas mãos, não conseguia me concentrar em uma coisa só.
Senti uma quentura em minha perna. Fiquei assustado no mesmo momento, olhei lentamente e fiquei com os olhos meios arregalados. Isso não podia estar acontecendo, não comigo! Não comigo!
O cara que estava sentado ao meu lado estava passando a mãe em minha perna. “Eu tinha que pegar mesmo um ônibus com o gay dentro? Tipo, nada contra, mas me assediar era exagero.”
Minha vontade? Era de me levantar e dá uns bons socos no cara, mas existia um bocado de leis que não me permitiam fazer isso. Oque eu iria fazer? Olhei sério para cara dele e dei um tapa firme em sua mão e mexi bruscamente meu joelho. Ele retirou a mão e virou-se para a janela. Parecia ter sido o suficiente para que ele parasse. Coloquei novamente o meu fone e aos poucos fui esquecendo do ocorrido. A música foi apagando tudo.
Riker (Enquanto isso)
–Sabe Pam. Estou começando a pensar em algo aqui. –Só estávamos eu e Pam na sala, o resto da família estava na cozinha.
–Oque foi Riker? –Ela ainda parecia magoada. Me culpei por dentro, ela não estaria assim se não fosse minhas palavras.
–Estava pensando, em levar nosso namoro a outro ponto. –Disse lentamente, olhando profundamente nos olhos dela.
–Como assim? –Ela se concentrou melhor.
–Bom, morarmos sozinhos por exemplo. Casarmo-nos. –Ela sorriu e mordeu o lábio inferior.
–Isso é um pedido? –Assenti lentamente. De primeiro porte ela não fez nada, mas foi só passar o tempo de absorver o pedido que isso mudou. AAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH.
Ela deu um grito muito alto mesmo e me fez rir, Austin, Trish e Rosa correram para a sala e Ally chegou mais atrás com as crianças em um carrinho.
–Oque aconteceu aqui? –Rosa disse sem entender nada.
–Nada. –Respondi. –A Pam só está surpresa.
–Pelo q... –Pam voou em mim e me deu um abraço muito apertado mesmo.
–Obrigada, obrigada, obrigada, obrigada. Riker! –Olhei atencioso para seu rosto e o vi com lágrimas derramadas, isso me emocionou e fez meus olhos arderem. O pessoal da sala se olhavam sem entender nada. Sorri emocionado e feliz. –Sim, sim, sim, sim, sim, sim, sim...
Alguém pigarreou e nos fez olhar para os quatro da sala que não entendiam nada mesmo.
Dez
E eu, leso, achando que aquela ação iria resolver alguma coisa. Não fez foi nada. Nem terminou aquela música que eu comecei a sentir aquela quentura novamente. Já sabendo oque era eu olhei para o lado pronto para responder.
–Você não tem medo de morrer não? –Fui ameaçador, sei que sempre era energético e feliz, mas aquilo estava passando dos limites.
–Não pode fazer nada contra mim mesmo! –Ele riu debochado. Fiz uma cara de medo e assombro, mesmo não estando me sentido daquela forma. Levantei-me bruscamente.
–ESTRUPADOR! –Comecei a gritar. O homem fez cara de assustado enquanto todos olharam e um homem que parecia armário se levantou enquanto eu continuava gritando. –ESSE CARA TA TENTANDO ME ACEDIAR, ESTRUPADOR, ESTRUPADOR!
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