Será Amor?

12 Capítulo 12 - Ouro puro


Notas iniciais
Bom, primeiramente quero agradecer a Paloma Coutinho que não me deixou desanimar comentando meus capítulos. Esse eu dedico a você ;3 Aviso logo que não tem romance, porém, só foi por sua causa que o escrevi hoje, então, vale apena ;3 Espero que gostem... Boa leitura

Pov. Ally

Abri os olhos e me perdi automaticamente. Estava em um quarto totalmente branco. Ouvia um bip fraco e frequente. Olhei para o lado e Trish dormia no sofá, pela primeira vez eu a vi não roncar. Olhei para um controle embutido na cama, “ACORDOU? CLIQUE AQUI”, achei meio irônico, porém cliquei. Não demorou muito e um homem abriu a porta sorrindo.

–Senhorita Ally Dawson, que bom vê-la acordada. –Ele sorriu doce. Era moreno de olhos verdes.

–Desculpe, mas onde estou? –Perguntei, mas estava óbvio que era no hospital.

–Está no hospital. A senhorita e o senhor Moon desmaiaram após um sequestro. –Foi pá e pol, só ele dizer sobre o sequestro que tudo veio em minha mente.

–Ele está bem? –Estava preocupada. Ele hesitou um pouco.

–Bom, ele não acordou ainda. Só faremos alguns exames básicos e você poderá visita-lo. Pode sentar-se por favor? –Me sentei e esperei a próxima ordem.

Ele fez todos aqueles exames básicos e me acompanhou, preferi deixar Trish dormindo enquanto ia ver Austin. O doutor me deixou em frente a porta e me deu privacidade. Abri lentamente com medo do que iria encontrar do outro lado daquela branca e fina porta, e tive sorte, porque assim não tomei um susto com a cena. Pathy estava sentada em uma poltrona ao lado de Austin, ela alisava seu cabelo e segurava sua mão.

–O que faz aqui? –Perguntei fria, porém não raivosa.

–Só vim fazer uma visita para meu grande amigo que não acordou depois de quase morrer tentando salvar uma vida insignificante para o mundo. –Ela disse indiferente e sorriu ironizando as palavras.

–Se me der licença, quero que saia, tem presenças de pessoas que Austin não sentiria diferença. –Retruquei, com olhar furioso, Pathy se levantou sussurrou algo e saiu fechando a porta com uma leve batida.

O doutor tinha me entregado roupas, disse que Trish tinha trago para o caso que eu acordasse, eu estava com uma calça jeans azul escura, uma camisa vermelha da Mônica e uma sandália rasteirinha cor bege. Sentei ao lado de Austin, mesmo com tanto tempo dormindo (Quanto tempo fiquei de coma? Ou tinha apenas dormido? Austin estava de coma? Ou apenas cansado demais?) estava exausta, alisei seu cabelo loiro e olhei para seu corpo coberto, percebi que seu pé estava enfaixado, o por quê, que era uma dúvida. Poucos minutos depois entra Trish no quarto chorando e sorrindo, me abraçou e quase me tirou o ar.

–Não sabe o quanto me preocupei Ally. Me prometa nunca mais fazer isso comigo! –Ela limpava as bochechas.

–Não exagere Trish, aliás, quanto tempo fiquei apagada? –Perguntei com desdém.

–Quase dois dias. –Ela respirava fundo para se acalmar. –Não sabe como eu estou acabada com isso. Dez vem aqui todos os dias ver vocês, mas ele ficou como porta voz entre a escola e os médicos.

–Calma. –A abracei. –O que tem o pé do Austin?

–Ele pisou em cacos te vidro, o que lhe causou alguns danos, identificaram que ele é alérgico a alguma toxina que tinha no caco. –Lembrei ligeiramente que ele havia quebrado uma garrafa para tentar nos proteger. –Ele teve tal reação e acabou pior que você.

–...

–Acho que ele não perdeu o pé por sorte.

–Quê? –Disse assustada.

–Seu loiro foi um guerreiro Ally. –Uma lagrima desceu por meu rosto e eu abracei Trish, dessa vez tentando reconfortar a mim mesma.

–E... E o outro? –Perguntei com medo da resposta.

–Incrivelmente ficou vivo, ele está no andar de cima. –Estremeci com medo. –Está algemado na cama, assim que melhorar, vai voltar para a prisão. Os policias prometeram que ele nunca mais sairia daquele canto, que iria receber um tratamento mais... Doloroso.

Trish sussurrou a última palavra, o que me fez arrepiar, ela me puxou para o pequeno sofá de dois lugares e lá sentamos, sem nada dizer. Só dava para ouvir o continuo bip da máquina e o som de nossa respiração. Depois de um tempo, Trish insistiu que eu comece algo. E, de tanto dizer não, ela saiu da sala. Achei literalmente que ela fosse para o setor comida, porém ela foi chamar o doutor. Revirei os olhos e aceitei, ficando com um pequeno arranhão no peito, mentira, um grande corte, por ter que deixar meu loiro sozinho.

Após comer, e conversar com a Trish sobre a Pathy, voltamos para o quarto de Austin, e olha que surpresa, o doutor que tinha me atendido estava lá, ele cortava delicadamente os gases que estavam em todo seu pé até a canela. Acho que Austin tinha acordado, não tinha certeza. Ele estava com os braços imóveis, porém, mantinha os olhos fechados enquanto fazia leves caretas e o doutor puxava aqueles gases velhos e passava algo no grande corte, muito bem visível aos meus olhos, que fez Austin fazer mais uma leve careta. Então, ele abriu os olhos...

Pov. Pathy

Aquela menina sem graça iria provar só. Sei muito bem ser amigo de quem quer, mas quem não quer, juro que viro uma cobra, uma cobra que gosta de morder e injetar seu veneno, ver a pessoa sofre com aquilo. Entrei em um táxi e o mandei ir para o shopping. Saberia o que poderia alegrar Austin quando ele acordasse.

Fui direto para o andar 3. Andei lentamente, um sorriso malvado brotava a todo minuto em meu rosto. Onde eu passava, o mínimo detalhe podia me fazer odiar a loja ao a pessoa, que não tinha nada a ver com o caso, porém me fazia lembrar de Ally. Entrei na loja artesanal, sim, artesanal. Na semana anterior, avistei uma guitarra feita de madeira, ela devia ter uns 20cm, era especialmente linda, azul marinho e com uma película de símbolos musicais de cor branca. Perguntei ao vendedor se ela ainda estava lá, porém ele disse que já tinha sido vendida.

–... Mas você não quer olhar outra? Digo, de outra cor? –Pensei um pouco, melhor que nada.

–Bom, se tiver minha exigência, eu poderia aceitar.

–Continue! –Ele se interessou.

–Bom, eu queria algo caro. Estou falando sério, tipo, banhado a ouro e detalhes iguais, mas de quê? –Tentei dar a ele uma ideia.

–Bom, temos um que nunca foi vendida, ninguém quer porque é muito cara... Deseja vê-la? –Ele perguntou hesitante.

–Adoraria!

Ele me trouxe uma guitarra branca, o que eu achei ridículo, eu havia dito banhado a ouro.

–Não jugue ainda. Esta é uma mini guitarra banhada a ouro branco, com detalhes de ouro puro. –Ele colocou no balcão. –Se for pega-la, tenha cuidado, é bem pesada.

Não pensei duas vezes e a peguei, dei uma olhada no geral e sorri. A levei para casa embrulhada, levaria amanhã para ele, afinal, o que o dinheiro não compra?