Será?
7 Viagem necessária
Notas iniciais
— Vou sentir saudades de você vadia! – Falou Rai me abraçando.
Estávamos no estacionamento do prédio guardando minhas coisas no carro.
— Eu também vou sentir saudades de vocês, mas logo estou de volta e eu chamei vocês para ir. – Falei.
— É, chamou, mas não vai dar mesmo. – Diz Clari.
— Qualquer coisa me liguem, não aprontem e bom final de semana. – Falei abraçando as duas ao mesmo tempo.
— Você também, e se cuida. – Diz Rai.
— Vocês também, beijos. – Falei entrando no carro, acenei e sai.
Desde quando decidimos ir morar juntas, essa é a primeira fez que ficaremos longe por mais de 24 horas.
A cidade em que meus pais moram fica a 2 horas e 30 minutos de carro, já são 23:45 e ainda vou passar no posto de gasolina para encher o tanque.
Passei no posto perto de casa, coloquei gasolina, comprei água, batatas chips e segui em direção a saída da cidade. Ao chegar na rodovia tirei da rádio e coloquei uma playlist que criei justamente para essa viagem.
“Rien qu'une fois toi et moi, rien qu'une nuit je t'en prie
Rien qu'une fois toi et moi, peut–être pour la vie
Rien qu'une fois toi et moi, rien qu'une nuit je t'en ppro
Rien qu'une fois toi et moi, peut–être pour la vie”
Tentei forçar um francês que nem tenho no refrão da primeira música da playlist bem eclética que montei.
Chegando na cidade vizinha a cidade de meus pais, saí da rodovia e entrei num posto de beira de estrada. Desci do carro e fui para a loja de conveniência 24 horas.
— Boa noite, aonde eu acho um caixa eletrônico 24 horas. – Perguntei para a atendente da loja de conveniência.
Ela me olhou de cima a baixo como se eu fosse uma esquisita. Imaginei que fosse pela a roupa, o cabelo espalhado e a hora que era. Eu usava uma calça skiny preta, blusa regata branca, kimono florido e All Star preto, meu cabelo estava solto e cheio como sempre.
— Ali atrás tem um. – Ela responde apontando para o lado de fora da loja.
— Obrigada! – Falei e saí da loja.
Saquei uma quantia considerável para passar o final de semana. Já no carro, liguei para minha mãe que atendeu no terceiro toque.
— Já estou chegando mãe, mais meia hora de viagem. – Falei.
— Ok, estamos te esperando. Venha sem pressa, não se preocupe. – Diz ela.
— Pode deixar. – Falei e me despedi.
Voltei para a rodovia e segui viagem, por volta das 02:30 da madrugada passei pelo portal de entrada da cidade.
As ruas estavam vazias e escuras, apenas com a luz dos postes iluminando. Passei em frente ao antigo poli esportivo aonde eu ia ver jogos do time da cidade com minha família, o lugar está um pouco mais sofisticado, possivelmente foi reformado a pouco tempo.
Passei também por um barzinho lotado, o lugar não é chamativo nem bonito, mas estava lotado. Deduzir ser o único lugar badalado da cidade.
A cidade é cercada por morros, o centro é a parte baixa. A casa dos meus pais fica em um morro perto do centro, um dos melhores lugares da cidade. Lá de cima é possível ter uma vista incrível de todos os cantos da cidade.
Estacionei na frente da casa de meus pais e desci do carro, as luzes se acenderam.
Dei uma olhada na rua em que eu brincava quando era pequena. Ela estava bem diferente, a árvore em frente a casa da vizinha de frente já não estava mais lá, as casas não eram da mesma cor...
Olhei para trás e vi crianças correndo e gritando de alegria, crianças inocentes brincando de pega–pega, crianças sorrindo, crianças pulando, brincando de roda, cantando, sentando na sombra da árvore do grande chapéu de sol para descansar...
— Filha! – Disse meu pai me abraçando e me tirando do momento nostálgico.
— Bênção pai! – Falei retribuindo o abraço.
Não é novidade para ninguém que meu relacionamento com meus pais não é um mar de rosas. Por ser a mais velha me achavam a responsável por tudo, culpada por tudo e a que recebia menos atenção, talvez por parecer tão forte e inabalável.
Porém vivi momentos felizes em meio a tanta guerra.
Eu não culpava eles por não me verem sofrer ou me fazer sofrer, mas teve uma hora que não deu para suportar então sai de casa e hoje sou muito feliz morando com dois anjos que Deus colocou em minha vida. Não que a gente não brigue, até porque brigamos muito quando os hormônios estão a flor da pele, mas mesmo nas brigas somos felizes.
Não me arrependo de ter saído de casa e me afastado mais da minha família, até porque meus pais entenderam e essa distância de alguma forma acabou nos aproximando.
Esse final de semana será longo e eu terei que aturar, não só minha família, mas todas as outras pessoas que fazem parte do meu passado.
A casa de meus pais não é pequena, até porque a família é grande. São três casais de filhos, eu a mais velha prestes a completar 20 anos, um de 17, uma 15, um de 11, uma de 9 e um de 5.
São 4 quartos e claro como sou a mais velha tenho um só para mim, e eu adoro isso. Posso dizer que é uma das poucas vantagens de ser a filha mais velha.
Meu quarto ainda está sem decoração e quase não tem nada meu, vou usar o final de semana para decorar.
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