Será?
19 Revendo os amigos
Notas iniciais
— Eu te amo, você sabe que não irei te deixar nunca. – Ouvi um homem que aparentava ter 40 anos falar para uma linda mulher nitidamente mais nova que estava ao seu lado.
Eu estava sentada no bar do restaurante do hotel bebendo suco de laranja e observando discretamente as pessoas que passavam por lá.
A conversa do casal não me chamou atenção, porém estavam tão próximos que seria impossível não ouvir o que falavam.
Bebi mais um gole do meu suco e peguei meu celular tentando bloquear a voz do homem que ainda declarava seu amor pela mulher que não acreditava ser verdade.
— Betina! – Uma voz rouca me chamou me tirando de meus devaneios.
Levantei o olhar e vi Pedro do outro lado balcão.
— Oi Pedro! – Falei sorrindo.
— Está tudo bem? Quer alguma coisa? – Perguntou ele.
— Ah, está tudo bem sim. Vou só terminar o suco e subir. – Respondi.
— Achou a sala de impressão? – Perguntou ele apontando para uma pasta preta que estava em cima do balcão.
Agradeci a mim mesma por ter levado uma pasta escura, assim não dava para ver o conteúdo.
— Achei sim, obrigada pela ajuda! – Falei.
— Meu trabalho é ajudar! – Respondeu ele sorrindo.
E que sorriso... Um homem tão lindo como esse tinha tudo para ser modelo, não sei por que diacho acabou na cozinha de um hotel. Não que eu desmereça a profissão, mas acho que ele poderia ser bem mais que isso... Eu e minha mania de achar que todos devem ser ambiciosos.
— Onde você mora? – Perguntou Pedro me tirando dos pensamentos sobre seu sorriso.
— Em Santos, conhece? – Respondi.
— Sim, já fui alguma vezes na praia lá. Costumo ir mais no Guarujá, mas Santos é legal. – Falou ele.
— É sim, adoro aquele lugar! – Falei um pouco emotiva.
— Se eu soubesse que tem mulheres lindas lá igual a você, teria ido mais vezes. – Falou ele sorrindo.
Apenas sorri tímida e bebi mais um gole de meu suco.
— Não quis te deixar sem graça, me desculpe! – Falou ele sincero.
— Tudo bem, eu que sou um pouco tímida demais. – Falei me embaralhando ao falar.
— Pedro, cadê você? – Gritou alguém de trás da porta da cozinha.
— Preciso ir, até mais! – Falou ele e saiu correndo para a cozinha.
Apenas acenei.
Terminei meu suco e fui para o quarto. Coloquei as imagens da pasta em cima da mesa de escritório aonde estava meu notebook.
— Jasmine, será que consigo te achar? – Pensei alto pegando a foto da menina que foi enganada pelo tal namorado.
Meu celular apitou informando já ser 17:00 horas.
Liguei para casa no telefone fixo, Clarice atendeu no 4 toque.
— Quem é? – Disse ela.
— Gostaria de falar com o Clarice Bricont. – Falei tentando forçar a voz ao máximo para não ser desmascarada.
— É ela. Quem é e o que quer? – Perguntou ela séria.
— A senhora acabou de ganhar uma viagem só de ida para.. hmmm... o Iraque. – Falei caindo na risada e me entregando.
— BETINA! – Gritou ela.
— Eu! – Falei ainda rindo.
— Sua vaca, não tem graça essas palhaçadas! – Falou ela um pouco irritada, mas se segurando para não rir.
— Eu sei que tu gostou e só ficou brava porque consegui te enganar. – Falei.
— Aff, ok. ESQUECE ISSO! – Falou ela. – Como está aí? – Perguntou ela.
— Muito bem. VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR! – Falei mudando o tom quando falei “você não vai acreditar”.
— O que aconteceu? – Perguntou Clarice.
— Tem um cara muito gato trabalhando aqui nesse hotel. Sério amiga, ele é tipo meu número, o seu e da Rai! Queria que estivessem aqui... – Falei.
— Tira foto e manda no grupo, eu e Rai iremos analisar, você sabe que não podemos... – Falou ela.
— Assim que der eu mando, é eu sei... Como estão as coisas aí? – Falei.
— Tudo ótimo, Rai está no banho e eu arrumando umas coisas para a aula. – Respondeu ela.
— Tendi. Vou jantar com o Lucas hoje! – Falei animada.
— Sério? Eu avisei ele que tu iria estar aí. – Falou Clarice.
— Ele contou. – Falei.
— Amiga, precisa desligar. Depois nos falamos. Beijos. – Falou ela.
— Tá bom. Beijos. – Falei e desliguei.
***
A hora passou rápida e logo já eram 19:30.
Enviei uma mensagem para o Lucas informando que já estava quase pronta e dizendo que deixaria meu celular carregar desligado.
Parei em frente ao guarda roupas recém arrumado ainda sem saber o que usar. Mexi em algumas calças e vestido, mas não achei nada que ficasse bom.
Lá fora não estava tão frio, mas também não estava calor e possivelmente até mais tarde esfriaria mais.
Vesti uma saia longa preta, blusa cinza com caveira e jaqueta de couro preto, calcei Vans preto, passei rímel e batom vermelho. Sequei meu cabelo um pouco e me olhei no espelho.
O telefone tocou.
— Oi. – Falei ao atender.
— Senhorita Betina, tem um homem te esperando aqui no saguão. – Falou a recepcionista.
— Avisa que já vou descer. – Falei.
— Ok. – Falou ela e desligou.
Peguei uma bolsa pequena, coloquei meu celular, batom, dinheiro, cartão de crédito e saí.
Cheguei no saguão e saí correndo para abraçar o Lucas.
— CARALHO, QUE SAUDADE! – Falei abraçando ele.
— Nem me diga, que saudade! – Falou ele me abraçando ainda mais.
— Está malhando é?! – Perguntei me afastando para observar ele melhor e apertando seu braço.
Lucas tem a mesma idade que eu e mora na capital desde o começo do ano, estudávamos na mesma escola quando éramos menores e nossa amizade ficou mais forte nos últimos anos. Ele é dois centímetros mais baixo que eu e atualmente está mais musculoso, tem cabelos pretos, usa óculos e é muito inteligente.
— Sim, estou tentando me cuidar. – Falou ele sorrindo. – Você também está malhando né?! Está mais linda do que nunca! – Completou ele.
— Malho algumas vezes. – Falei com sinceridade.
— Tanta coisa para falarmos, mas vamos que vou te levar em um lugar... – Falou ele me puxando.
Fomos para o carro e 10 minutos depois paramos em frente a um bar/restaurante que já conhecemos.
— Não acredito! – Falei.
— Sim, eu sei que tu gosta daqui e tem gente com saudades de você aqui... – Falou ele.
Saímos do carro e de fora já dava para ver que o restaurante tinha mudado um pouco.
— Lucas. Betina! – Gritou Laura quando entramos no restaurante.
Laura é nossa amiga a pouco tempo, conhecemos ela aqui na primeira vez que viemos. No dia Clarice e Raissa estavam juntas, tínhamos ajudado Lucas na mudança e caímos de paraquedas aqui e na época pedimos para falar com a gerente porque tinha adorado tudo no restaurante e gostaríamos de agradecer pessoalmente.
— Laura! – Falei indo abraçá–la! – Que saudades! Percebi que mudou a decoração... – Completei.
— Também estava louca de saudades. – Falou ela. – Ah, depois que umas certas meninas passaram por aqui eu resolvi fazer o que elas falaram. – Completou Laura.
Laura é a dona do restaurante, junto com seu sócio e marido Steve. Após uma semana frequentando o mesmo lugar, eu, ela, Steve, Lucas, Rai e Clari já tínhamos intimidade e o restaurante estava no começo, não tinha muita decoração. Na verdade ainda não tinha personalidade e eu e as meninas demos algumas ideias para melhorias.
— Não acredito que você usou nossas ideias. – Falei.
— Usei, e vocês tinham razão. Ficou ótimo! – Falou ela indo abraçar o Lucas.
— Que bom que trouxe ela. – Disse Laura para ele.
Laura nos levou para nossa mesa e no caminho observei as mudanças.
O lugar agora estava pintado com cores vivas intercaladas, tinha arranjo de flores e música ambiente em todo o lugar. Um lado do salão tinha mesas para quem só quisesse apreciar sua refeição e ir embora, do outro lado tinha um palco com uma placa do lado dizendo “Karaokê de segunda a quinta”, uma pista de dança e algumas mesas.
— Adorei a transformação! – Falei assim que sentei.
— Eu disse para ela que ficou maravilhoso. – Falou Lucas.
— Obrigada gente, vocês ajudaram muito! – Falou Laura.
— Cadê Steve? – Perguntei.
— Vai chegar mais tarde. – Respondeu ela.
— Ah sim. E esse Karaokê, que horas começa a funcionar? – Perguntei.
— Só falta voluntários para começar. – Respondeu Laura.
— Vai lá Bee, mostra o que tu sabe! – Incentivou Lucas.
— Agora não, deixa eu beber umas que consigo. – Falei rindo.
O lugar não estava exatamente cheio, mas para uma terça–feira até que continha bastante gente.
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