Será?
29 Balançada
Notas iniciais
***
Eu estava no meio de uma estrada de terra e havia mato para todos os lados, exceto em um caminho para a esquerda, direita e o que eu estava vindo.
— Betina! – Gritou Pedro acenando.
Olhei para a esquerda e lá estava ele, vestindo a roupa da noite anterior, com o cabelo bem bagunçado e descalço.
Quando decidi ir até ele ouvi outra voz.
— Betina! – A voz de Daniel era serena.
Olhei para a direita e lá estava ele, de terno e gravata, cabelo bem penteado e um olhar hipnotizante.
Dei alguns passos em sua direção.
— Mas e eu? – Perguntou Pedro.
Olhei para Pedro, vi preocupação e medo em seus olhos.
— É comigo que você sonha! – Disse Daniel.
Parei no meio dos dois, mesma distância de um para o outro e olhava de um lado para o outro sem saber que caminho seguir. Ousei olhar para trás, mas o caminho atrás de mim estava escuro.
As vozes de Pedro e Daniel se misturavam em minha cabeça, o desespero começou a invadir meu corpo, eu não tinha para onde correr.
Olhei para o seu e pedi que não fosse real, pedi para não ter que escolher um caminho, pedi para voltar a minha paz normal.
***
Abri os olhos ao mesmo tempo em que gritei de desespero.
Soltei o travesseiro que apertava contra meu corpo, aos poucos fui recuperando a consciência e a respiração.
— O que está acontecendo com você? – Perguntei à mim mesma.
Virei de barriga para cima e encarei o teto branco.
Outro dia parei para pensar em por que Daniel me parecia tão familiar e percebi que sonho com ele desde sempre. O mais vivo dos sonhos foi o de semanas atrás quando sonhei que casaria com Mike e que meu primo ainda era meu amigo.
Lembro que Daniel me trouxe uma paz tão boa naquele sonho, foi algo muito bom e algo que já senti em outros sonhos, mesmo sem poder identificar o rosto de quem estava lá eu sabia que era ele, sabia que queria meu bem...
No entanto no sonho de hoje eu tinha mais uma pessoa que queria meu bem e no momento uma pessoa que já faz parte da minha vida real e quem eu já “conheço”.
Tudo estava muito embaralhado em minha mente, não entendia por que ter que escolher entre um e olhou e muito menos por que escolheria um dos dois.
Fechei os olhos com força para bloquear qualquer pensamento.
Meu celular tocou e abri os olhos devagar.
— Alô! – Atendi o número desconhecido.
— Boa tarde! Betina?! – Perguntou a voz conhecida, porém ainda não conseguia ligar a uma imagem.
— Quem é? – Perguntei.
— Daniel. – Falou ele tranquilamente.
Parei de pensar por um instante.
Oi? Daniel? Como ele teria meu número sendo que eu nem passei para ele?
— Você não ligou, dei meu jeito. – Continuou ele quando percebeu que eu não diria nada.
— Como conseguiu meu número? – Perguntei um pouco ríspida demais.
— Como você não me ligou eu fui até o restaurante que nos vimos pela primeira vez, percebi que você é amiga dos donos e perguntei para eles se poderiam me passar seu número. – Falou Daniel.
Não acredito que Laura e Steve fizeram isso, eles não passariam meu número para ninguém sem me consultar.
— Laura te ligou algumas vezes ontem a noite quando fui lá, ela queria saber se você iria autorizar, mas você não atendeu e ela resolveu passar o número. – Continuou ele.
Tirei o telefone do ouvido e verifiquei as ligações perdidas, realmente tinha 10 ligações perdidas de Laura e mais algumas mensagens avisando que tinha dado meu número para um gato que me viu no restaurante e gostou de mim.
— Entendi. E o que você quer? – Perguntei.
— Te conhecer melhor. – Daniel foi direto.
— Como? – Perguntei.
— Vamos sair? Posso te pegar em meia hora. – Respondeu ele.
— Não sei... – Falei.
O relógio marcava 14:53 e eu ainda não tinha nem almoçado.
— Vamos, por favor! Prometo que não irá se arrepender. – Falou Daniel.
— Ok, 1 hora. Preciso almoçar antes. – Falou.
— Eu te levo para almoçar. – Falou ele.
— Ok. – Falei.
Passei o endereço do hotel, marquei para ele passar lá em 40 minutos, desliguei e fui tomar banho.
— O que você está fazendo Betina? – Pensei alto debaixo do chuveiro.
Não demorei muito para terminar o banho, sai do banheiro de roupão e fui em direção a janela.
Abri a cortina e deixei a luz do dia entrar no quarto, o sou estava quente para uma tarde de outono. Saí na varanda e contemplei o céu azul com poucas nuvens.
Entrei no quarto novamente e fui até o guarda roupas. Peguei um vestido longo florido e uma sandália baixa, arrumei o cabelo em um coque bagunçado, passei um pouco de base, rímel e um batom cor de boca.
Meu celular apitou e fui ver de quem era a mensagem.
“Chego em 10 minutos, se poder me esperar no saguão será melhor.” Dizia Daniel na mensagem.
Enviei um “Ok”.
Peguei minha bolsa, me olhei no espelho mais uma vez e sai.
***
— Hey moça! – Gritou Gustavo que estava perto da entrada do restaurante do hotel.
Sorri e acenei saindo de perto dos elevadores.
Gustavo veio até mim sorridente.
— Vai sair? – Perguntou ele.
— Vou sim, estou esperando um amigo. – Falei.
Gustavo me olhou de cima abaixo e fez uma cara de questionamento.
— Amigo é? – Perguntou ele.
— Sim, amigo! – Falei. – E você, o que vai fazer? – Perguntei.
— Vou aproveitar o solzinho para ir à piscina do hotel com Diego. Vamos paquerar um pouco. – Falou Gus sorrindo. – Acha que é só você que pode aproveitar a cidade?! – Disse ele.
— Vocês dois não prestam! – Falei rindo. – Ah, e pare de insinuar coisas sobre mim. – Completei.
— Não insinuei nada, só acho que não está tão gata assim para ver apenas um amigo. – Falou Gustavo.
— Não mesmo, eu estou assim por mim. – Falei.
— Sei, está até me respondendo. – Falou ele me puxando pelo braço e me abraçando.
— Que grude! – Falei.
— Não quer ser pega nos braços de outro? – Perguntou Gus.
— Para de graça! – Falei.
— Só porque eu sou muito bonzinho! – Falou ele me soltando.
— Obrigada! – Falei arrumando meu vestido.
— Se cuida viu, a maioria dos homens daqui não prestam igual os da baixada. – Falou Gustavo.
— No qual você se enquadra? – Perguntei.
— É claro que eu presto né?! – Respondeu ele.
— Vou fingir que acredito, mas ok. Ah, cuidado você também. – Falei.
— Cuidado por quê? – Perguntou ele.
— Porque se a Roberta ver você paquerando vai dizer que você não está levando a sério a investigação. – Falei rindo.
— Ela não precisa saber. – Disse Gustavo.
— Concordo! – Falei esticando a mão.
Gustavo apertou e sorriu.
— Ah, quero saber dos micos de vocês quando eu chegar. – Falei.
— Só se você também contar o que aprontou. – Falou Gustavo.
— Vou pensar, agora deixa eu ir que acho que minha carona chegou. – Falei avistando Daniel na porta do hotel.
— Tá beijos. – Disse Gustavo indo para os elevadores.
Me despedi e fui até Daniel.
— Oi. – Falei quando me aproximei.
— Oi! – Falou ele animado e me dando um beijo no rosto. – Uau, você é mais linda do que eu lembrava. – Disse ele.
— Obrigada! – Falei.
— Vamos? – Perguntou ele.
— Sim! – Respondi.
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