Será?
13 Aceito!
Notas iniciais
A pergunta de Edu me fez esconder ainda mais meu rosto em seu peito.
Demorei alguns segundos para organizar a mente e selecionar as palavras.
— Sim, vou aceitar! – Falei com um misto de alegria, tristeza e medo.
— É assim que se fala! – Disse Edu me abraçando mais forte. – Agora você me espera que irei tomar banho e depois vou te levar de volta ao trabalho. – Completou ele.
— Ok! – Falei.
Edu levantou da cama e só aí percebi que ele usava apenas cueca box.
— O que está olhando? – Perguntou ele quando percebeu que eu o encarava.
Ele estava na frente do guarda roupas procurando algo para vestir.
— Não estou olhando nada, estou apenas encarando o vazio... – Falei omitindo.
— Tá bom... Já volto. – Falou Edu entrando no banheiro.
Aproveitando que ele iria demorar, tirei meu sapato e deitei em sua cama. Seu travesseiro tinha o cheiro de seu perfume suave e gostoso. Fechei os olhos enquanto esperava por ele.
***
— Existe certas coisas que devem acontecer para que melhores oportunidades surjam! – Ouvi alguém dizer.
— Oi, quem está aí? – Perguntei.
— Arrisque! – Disse a voz.
— Quem é você? Aparece!
Eu estava no meio do nada na escuridão e a voz surgiu de repente.
De início me deixou um pouco apavorada, mas ela conseguiu me acalmar.
— Apenas arrisque! – Disse a voz novamente.
***
— Bom dia dorminhoca! – Disse Eduardo.
Ele estava sentando nos pés da cama mexendo em seu celular.
— QUÊ?? – Falei.
— Não se pode deixar você nem 5 minutos sozinha perto de uma cama que tu já dorme! – Zombou ele.
— Porque me deixou dormir? – Perguntei um pouco furiosa.
— Você fica linda dormindo, até parece um anjinho. – Falou sem responder minha pergunta.
— Eduardo, não tem graça! – Falei. – Que horas são? – Perguntei procurando meu celular pela cama.
— São 12:10. Está procurando isso? – Perguntou ele mostrando meu celular.
— Sim, me devolve! – Falei.
Eduardo jogou o celular para mim e confirmei o horário, já era 12:10.
Me lembro de estar esperando Eduardo tomar banho e acabei dormindo, mas isso era 09:45 da manhã.
— Tu estava sonhando? Porque ficou falando umas coisas que não consegui entender. – Disse Eduardo.
— Eu não falo dormindo! – Falei em minha defesa.
— Vou fingir que acredito! Vamos almoçar, minha mãe está terminando o almoço. – Falou ele.
— Não, eu preciso ir embora. – Falei.
— Não, você não vai embora! Vamos almoçar, depois te levo na editora e você vai dizer que aceitou a proposta. – Falou ele seguro do roteiro que deveríamos seguir.
— Ok. – Falei sem opção.
Fui até o banheiro lavar o rosto e arrumar o cabelo. Descemos para a cozinha e dona Helena estava quase terminando o almoço.
— Então você vai para São Paulo, Betina? – Perguntou ela.
Olhei para Eduardo e joguei um olhar querendo dizer “fofoqueiro”, me virei para dona Helena e respondi.
— Sim, eu estava na dúvida, mas Edu me fez enxergar que será bom ir. – Falei sorrindo.
— Ah sim, meu filho sabe aconselhar! – Se gabou ela.
Colocamos as coisas na mesa e fomos almoçar. O pai de Edu não estava, pois passaria o dia no escritório.
***
Eduardo parou meu carro em frente a entrada da editora do jornal.
— Quer que eu suba com você? – Perguntou ele.
— Não. Pode me esperar aqui, não irei demorar. – Respondi.
Saí do carro com minha bolsa e segui pelo saguão de entrada do edifício. No elevador apertei o 5 andar e aguardei ansiosamente o elevador passar por cada andar demoradamente até chegar ao meu ponto de parada.
— Oi Mari, o Kelvin está? – Perguntei para Mariana.
— Está sim, vou avisar à ele que você está aqui. – Disse ela.
— Ok. – Falei.
Esperei Kelvin terminar de conversar com um membro de sua equipe e entrei na sala.
— Pensei que não voltaria mais hoje. – Falou ele quando me sentei na cadeira a sua frente.
— Já me decidi, então não tem o porque esperar. – Falei.
— Isso é muito bom. Qual é a sua decisão? – Perguntou ele um pouco preocupado.
— Eu aceito! Vou para São Paulo, farei de tudo para termos a melhor matéria investigativa dessa editora e de quebra ainda iremos ajudar a polícia prender essa quadrilha. – Falei determinada.
— Não esperava outra coisa de você Betina! Sabia que você era minha escolha certa. – Falou ele aliviado.
— Quando eu vou? – Perguntei.
— Amanhã! Hoje você ainda tem o dia de folga para resolver tudo que precisa antes da viagem, enquanto isso eu vou resolver as reservas do hotel e do carro. Quem vai querer em sua equipe? – Respondeu ele e me fez outra pergunta.
Equipe? Não pensei nisso ainda!
— Pode escolher, confio em você. – Respondi.
— Tá bom! Então até amanhã? – Perguntou ele.
— Até amanhã! – Respondi.
— Se tiver alguma dúvida me liga, irei mandar algumas informações por e-mail para você. – Falou ele.
— Tá bom! – Falei e sai da sala.
Voltei para o carro. Eduardo estava encostado em meu carro do lado do passageiro de braços cruzados e sorriu quando me viu.
— E então? – Perguntou.
— Temos um dia! – Respondi.
— Será o melhor! – Falou ele me abraçando.
Entramos no carro, eu no banco do passageiro e Edu no do motorista.
— Quer ir à onde? – Perguntou.
— Não sei. Falta fazer a pior parte. – Falei.
— Que seria qual? – Perguntou ele.
— Contar para Raissa e Clarice, mas elas devem estar no trabalho agora. – Respondi.
— Vamos na sua casa para você trocar de roupa e depois vamos surfar para relaxar. – Falou ele. – Assim você se despede do mar e espera elas chegarem. – Completou.
— Ok. – Falei.
20 minutos depois entramos na garagem do meu prédio.
Subimos ao meu apartamento que estava vazio, confirmando o que já sabia.
— Já volto. – Falei.
— Tá bom, não vou dormir. Pode ficar tranquila. – Disse ele.
— Engraçadinho. – Falei indo para meu quarto.
Coloquei uma shorts de táctil e top, amarrei o cabelo e tirei a maquiagem.
— Edu! – Chamei.
— Oi. – Disse ele quando chegou na porta do meu quarto.
— Pega as pranchas na área de serviço. – Falei.
— Ok, vai ser stand up né?! – Perguntou.
— Sim, já vou te ajudar. – Falei.
Eduardo foi pegar as pranchas e eu coloquei meu celular para carregar.
— Pega os remos. – Falou ele quando cheguei perto dele.
— Ok! – Falei.
Descemos pelo elevador de serviço até a garagem e saímos por lá.
Atravessamos a rua e tudo o que tínhamos era uma imensidão de água salgada a nossa frente.
Seria difícil acordar e não sentir a brisa do mar, mas é para meu melhor. Darei tudo para conseguir fazer o que fui submetida, mas por enquanto hoje irei aproveitar meu mar!
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