Será?

14 Só amor e nada mais


Notas iniciais
Pessoas, aqui estou! Capítulo fresquinho. Espero que gostem. Vejo vocês lá embaixo.

Vicky estava sentada na praça. Estava cansada de ser rejeitada por Pedro. Ela só queria ter com alguém o que ele tinha com Karina. João se aproximou sem que ela percebesse.

–E aí, tá pensando no que vai fazer pra separar Perina enquanto a Bianca não tá aqui pra te atrapalhar? –provocou o garoto.

–Pior que não, seu amiguinho só tem olhos pra aquela Maria-macho.

–Ei, não fala assim da K, ela é como se fosse minha irmã.

–Engraçado que a Bianca você não vê assim... Se você me ajudar com o Pedro, eu posso te ajudar com ela...

–O que eu achava que sentia pela Bianca era uma coisa boba, eu nem quero mais nada com ela. Agora, ela é a minha irmã também. Eu estava ficando era com a Guta...

–Mas ela te trocou pelo Zé, tô sabendo... –completou.

–Olha, Vicky, o que a Karina te fez pra você perseguir tanto ela?

–Acho que ela tem tudo que eu queria ter... Meus pais sempre me deram tudo, mas meu pai sempre tá trabalhando e minha mãe só quer saber da alta sociedade. Minha irmã nunca ligou muito pra mim. Os caras nunca querem nada sério comigo. Enquanto isso, a Karina tem um namorado que é louco por ela, o pai dela tá sempre do lado dela e a tua mãe também, e a Bianca faz tudo por ela...

–Em relação a tua família, eu sinto muito, eu sei como é. Mas, quem sabe se você sentar e conversar com eles, as coisas mudem... Ou não... –coçou a cabeça. –Mas, em relação aos caras... Pra alguém gostar de você tu tem que parar de ficar correndo atrás de cara comprometido; é obvio que ninguém vai te levar a sério se você não fizer isso primeiro.

–Nossa, pra um nerd, até que você fala bem.

–Pode confiar no Johnny aqui. –ele apontou para si.

–--*---

Nos dias que se seguiram, Dandael e Perina estavam cada vez mais fortes. Marcelo decidiu dar espaço pra a família. João e Vicky estavam mais próximos. Em Brasília, o treinamento era duro. Enquanto Jade e Bia focavam no treino físico e de luta, os lutadores tinha aulas de atuação. Sim, um espião tem saber fingir e esconder o que sente, afinal, teriam todos que interpretar papéis em suas missões.

Os dias passaram rápido e logo chegou o dia da formatura. Estavam todos impecáveis em uniformes de gala negros. Sara foi até cada um deles e colocou em seu uniforme a insigne da Hidra.

–A partir de hoje, vocês são oficial da Força Especial Hidra e é missão de vocês defender a segurança nacional, a constituição, a democracia e nossa bandeira. –ela ergue a sua espata e todos juram a bandeira.

Depois disso, eles foram para o avião da Hidra. Eles pousariam na base do Galão, onde seriam apresentados as oficial do Rio de Janeiro e depois ir para suas casas.

Quando entraram no avião, sentaram em poltronas desconfortáveis e adormeceram. Depois de algum tempo, Duca acordou e ficou observando a namorada na meia luz do ambiente. Ela era tão linda. Bianca acordou e sorriu ao ver o jeito bobo com o qual ele olhava pra ela.

–Sabia que é estranho ficar olhando as pessoas dormirem?

–Sabia que você é linda dormindo? Ainda mais nesse uniforme.

–Você também fica lindo nessa farda. –Duca tampou seus lábios e o beijo foi esquentando. Duca passou a mão pela coxa da namorada, que acariciava sua barriga definida.

–Duca, melhor a gente parar, se a tia Sara vê isso, ela faz a gente pagar umas 10 mil flexões.

–Mas tá tão gostoso...

–Para, Du, eu vou lavar o rosto... –ela saiu, mas, quando abriu a porta, se deparou com Duca, com cara a cara de safado que tanto a tirava de prumo, e pior, naquela farda negra que o deixava incrivelmente mais gostoso. Antes que ela pudesse reagir, ele a empurrou para dentro, fechou a porta e a pressionou na parede, calando os seus corpos e fazendo-a sentir a sua excitação. Atacou seu pescoço com beijos.

–Você é muito safado.

–E você adora. –afirmou apertando mais ainda o quadril contra o dela.

–Assim é covardia.

–Diz que você não me quer, que eu paro.

–Agora que você provocou, vai ter ir até o fim. –disse ela puxando-o pela gravata e o beijando com fervor. Era a primeira vez em muito tempo que podiam se entregar ao desejo e ao amor que sentiam um pelo outro, sem medos ou dores a serem curadas. Eram só dois jovem apaixonados e viciados nos corpos um do outro. Logo as fardas estavam jogadas no chão do cubículo e o casal estava curtindo o momento de aventura proibida, como na época que se atracavam no vestiário da academia.

–--*---

–Tenentes, acordem, vamos entrar numa zona de turbulência. Mantenham os cintos afivelados e fiquem alertas. –avisou Sara pelo sistema de som. Todos despertaram rapidamente.

–Cadê a sem sal e o lutador dela? –indagou Jade com um sorriso malicioso.

–--*---

–Du, você ouviu isso? -perguntou Bianca enquanto terminava de se vestir.

–Eu ouvi, sim. Mas, calma, me ajuda a dar nó nessa gravata. –Eles saíram da cabine olhando para os lados. Ambos com a boca inchada, os uniformes tortos e Bianca toda descabelada. Eles voltaram os seus luares e tentaram ignorar as risadas.

–Nossa, mano, tô orgulhoso.

–Cala a boca, Alan, eu só estava esperando a Bi usar o banheiro...

–Ah, tá, é por isso vocês estão assim... –disse Cobra.

–Assim como, ô minhoca? –Bianca fez-se de desentendida.

Sem sal, vocês tão todos amarrotados, e já viu o estado do seu cabelo?!

–Eu... Eu...

–Mas são muito tontos mesmo, achavam que não íamos perceber. –riu a bailarina.

–Parem. Vocês parecem que são tudo virgens...

–Cunhadinho, virgem ninguém aqui é, mas só vocês transaram no banheiro de um avião militar. –riu Nat.

–Boa, lutadora. –falou Jade. A essa altura, o casal Duanca estava mais parecendo um par de pimentões de tão vermelhos. As brincadeiras só pararam quando a turbulência começou. A tensão se instalou no avião balançando, mas, logo, tudo voltou ao normal.

–Oficiais, aviso de tempestade, não temos como desviar a tempo, mas vamos parar numa fazenda da Hidra. Por isso, estejam impecáveis. Sugiro que as Tenentes coloquem as calças e botas. Vocês tem 5 minutos de voo tranquilo para se trocarem, então sugiro que o façam na cabine. O Capitão vai sair. As três esperaram Bruno sair para entrar. Bianca já temia pela bronca que iria levar.

–Tenente Duarte, que estado é esse o seu? Não precisa nem falar! –completou quando Bianca abriu a boca para se explicar. –Esse é um veículo militar, não um motel voador; se recomponha! –Nat e Jade se seguram para não rir da atriz.

–Tenente Gardel, Tenente Gomes, podem ir. Duarte, você vai ser minha co-pilota no restante do voo. –elas bateram continência e saíram.

–Lembra quando você e a sua irmã eram pequenas e eu levava vocês pra viajar no avião daquele meu amigo rico. Você amava ficar na cabine comigo.

–Eu lembro, sim. Coronel, ou melhor, tia, eu quero que você saiba que eu entendo os seus motivos de ter feito o que fez.

–Muito obrigada por isso, Bi.

Elas pararam a conversam quando entram na zona de tempestade. O pouso foi difícil, chovia muito, e a pista estava molhada. Com sua experiência, Sara conseguiu levar o avião tranquilamente o caminho todo e até realizar a manobra com sucesso. Todos desceram do avião e as moças agradeceram por estarem de botas: o caminho até a sede da fazenda estava cheio de lama. Eles entraram e encontram uma estrutura bem parecida com a da base em Brasília. Cumprimentaram todos e foram jantar.

–--*---

Gael estava se aproximando de João, o garoto estava cada vez pior desde que o pai foi embora, mas o mestre sentia que estava conseguindo ajudar. Naquela noite, ele chegou com Dandara e encontrou o enteado jogando no celular.

–João, eu já disse pra não ficar grudado nesses jogos!

–Mãe, não enche!

–Não fala assim comigo!

–Desculpa.

–Dandara, deixa que eu falo com ele. Cadê a Karina?

–Tá trancada no quarto.

–Bom, eu vou lá então amor. –Gael sabia o motivo da filha estar triste, sabia que ela não iria se abrir com ele, então concordou.

–Olha, João, eu já te falei que você pode conversar comigo.

–Eu tô gostando de uma garota, a Vicky, só que ela só quer ser minha amiga...

–Ela te disse isso?

–Não, mas uma garota linda como ela nunca ia quer nada com um nerd esquisito como eu...

–João, não tem nada haver isso. Você é um garoto inteligente, engraçado, e tua mãe disse que você tem talento pro teatro... Você só tem achar uma pessoa que goste de você do jeito que você é...

–Você fala assim, mas aposto que era garanhão na minha idade...

–Olha, quando eu era mais novo, eu era meio nerd também, por isso meu pai me levou pro Muay Thai, pra eu me defender dos garotos que me batiam. Depois disso, eu achei uma coisa que eu gostava, pra qual eu tinha talento, e isso me ajudou muito. Dá tempo ao tempo, que as coisas de ajeitam. E, se a tua mãe, que é tão doce, consegue gostar de mim desse jeito bruto, por que essa garota não pode gostar de você?

–Valeu mesmo, Gael, o René nunca me deu um conselho assim.

–Se ele decidiu ir embora, a perda é dele, mas você sempre vai poder contar comigo, mesmo que um dia eu e sua mãe... A gente der errado... Eu vou te ajudar sempre que você precisar. –disse ele dando um abraço de urso no enteado.

–--*---

Karina estava deitada com seus fones de ouvido. Estava triste, como sempre ficava nos dias que antecediam o seu aniversário, aniversário de morte da mãe. A culpa pela morte de Ana a atormentava desde o dia que se tornara capaz de entender as circunstâncias de sua morte. Mas, dessa vez era pior, pois, desde que conseguia se lembrar, nesses dias Bianca estava sempre sentada em sua cama lhe fazendo cafuné, mesmo que ela não tirasse os fones e nem se quer olhasse para a mais velha. Mas, a irmã só chegaria na noite de segunda-feira, naquele dia que ela tanto odiava. Ela estava perdida em seus pensamentos, quando Dandara entrou no quarto.

–Minha linda, tá tudo bem?

–Você sabe que não tá. Em dois dias fazem 17 anos que eu matei a minha mãe.

–Meu amor, não fala uma coisa dessas...

–Mas é verdade. Ele escolheu a mim, e, por isso, ela morreu...

–K, isso é o que as mães fazem, escolhem sempre os filhos. Você era só um bebê, não teve culpa de nada.

–Todo mundo me fala isso, mas eu sinto essa culpa toda vez que eu vejo meu pai triste olhando pras fotos dela. E a Bianca se faz de forte, de que não precisa de ninguém, mas eu sei que a mamãe faz muita falta pra ela também...

–Minha linda, nada disso é sua culpa. Às vezes, as coisas acontecem e não têm muito como explicar o porquê elas aconteceram, mas, pelo o que o seu pai me contou, a sua mãe já estava doente quando descobriu que estava grávida de você, e, naquela época, eles não conseguiram tratar ela da melhor forma. Você não tem culpa disso. Se a sua mãe não tivesse tomado a decisão que ela tomou, isso não garante também que ela iria se curar.

–Isso é verdade. Eu nunca tinha pensado por esse lado.

–Então, K, essa culpa te faz mal, não é justo com você carregar isso. Eu sei que eu não ajudo muito, mas logo a Bi vai chegar e vai te cobrir de mimos como só ela sabe fazer, e tenho certeza que isso vai fazer você se sentir bem melhor. Enquanto isso, vem comigo pra sala, que seu pai tem uma coisa pra te mostrar que eu aposto que vai te deixar super feliz. – a menina seguiu a madrasta até a sala e viu seu pai e João abraçados. Assim que as duas se aproximaram, os dois se afastaram e Gael sorriu pra filha. Ele entregou um papel para ela. Karina não podia acreditar.

–É a inscrição do Campeonato da Liga! Obrigada, pai! –disse abraçando Gael. –Eu prometo que vou ganhar e te fazer ter orgulho de mim...

–Ei, você não precisa de uma medalha pra me fazer ter orgulho de você, filha.

–--*---

Na fazenda, depois de comeram, eles descobriram que iram dormir numa taberna com os demais oficiais, com separação pra homens e mulheres, é claro. Não tinha o e mesmo conforto de um quarto, mas não iriam reclamar. Antes de dormir, Bianca foi até a sala de convívio ligar para irmã, e lógico que Nat e Jade a acompanharam.

–Oi, meu amor.

–Oi, Bi. Quando você volta pra casa?

–Eu não sei, pequena, tô presa aqui. O avião teve que pousar por causa da chuva, mas eu vou estar aí logo, logo. Tô morrendo de saudades.

–Eu também.

–Mas, tá tudo bem? Você tá se alimentando? Tá indo no horário pra escola? E sabe que não pode ficar sem dormir direito...

–Bi, eu tenho quase 17 anos, não 7.

–Ai, K, eu sei, é que eu nunca fique tanto tempo longe de você, e eu me preocupo...

–Bi, eu sei me cuidar, e eu tenho a Dandara e o papai, então, relaxa.

–Tá, eu vou tentar, eu juro. Agora eu tenho que ir, meu amor.

–Boa noite, Bi.

–Boa noite, te amo muito, bebê...

–Eu só acho que tô meio grandinha pra isso, mas eu também te amo. –disse a mais nova desligando. As duas outas tenentes riam de se acabar.

–Nossa, sem sal, sempre rio com essas suas ligações pra machinho. Muita comédia...

–Bia, “bebê” já é demais. Além da K ter 17 anos, você nem fez vinte...

–E daí, ela é meu bebê, sim. –respondeu Bianca irritada, fazendo as outras rirem mais ainda.

–Para, sem sal, na boa, assim eu não aguento...

–Vai, Jade, para que ela tá brava mesmo. Não faz essa cara de emburrada, a gente zoa, mas eu acho linda a sua relação com a sua irmã. Você baba demais por ela.

–Mas a machinho também. Adoro essas insuportáveis, impressionante. Eu também acho lindo isso, mas é hilário também. –todas riram, ou quase todas.

Mais tarde, elas foram pra taberna e todos dormiram rapidamente.

–Sem sono, né, Bi? Vem, se veste, e vamos dar uma volta. –Bianca vestiu uma roupa informal: calça preta, camisa camuflada escura e as botas. Sara pegou uma lanterna. Ambas se armaram e saíram. Depois de andar alguns minutos, chegaram a um pequeno lago.

–Eu sei que é difícil, não precisa esconder de mim, eu também sinto a falta dela...

–Eu sempre faço o máximo pra só pensar no lado bom dessa data, mas quando eu lembro, e agora que lembro de verdade...

–Eu sinto muito que a injeção tem causado esse efeito, aliás, eu sinto muito que você esteja aqui correndo perigo...

–Eu que entrei nessa porque eu quiss, eu não sou mais criança tia...

–Não é mesmo você se tornou uma mulher incrivél a Ana estaria tão orgulhosa de você...

–E muito bom ouvir isso da senhora. Me conta alguma coisa, qulquer coisa sobre ela...

–Quando eu fui pra base de Parnamirim, a sua mãe ficou muito triste porque nós íamos ficar longe uma da outra. Por isso, antes de eu viajar, eu passava o tempo quase todo com ela, até shopping eu topava. A Ana adorava mais ainda me arrastar pra peças de teatro, e quando nós chegávamos em casais, eu sempre fazia aquele bolo branco que eu te ensinei a fazer. Antes de ir, eu passei a receita pra ela. E tem mais uma coisa que eu dei pra ela, que eu quero dar pra você, pra que você possa dar pra sua irmã. –ela tirou do bolso uma corrente de tecido marrom com uma pedra sem lapidação. –É uma obsidiana preta. Eu a achei durante um exercício de treinamento em uma caverna; é um símbolo de proteção. Quando eu dei pra sua mãe, foi pra mostrar que eu sempre iria protegê-la e, mesmo que eu não estivesse lá pra aconselhá-la, era só ela pensar em mim, que ela saberia o que eu iria dizer. –a essa altura, as duas já estavam em lágrimas. –Sabe, Bi, eu dei essa pedra pra sua mãe porque eu ia pilotar uma caça por aí, e queria que, se alguma coisa acontecesse comigo, ela pudesse ter algo de mim. Eu nunca pensei que seria o contrário. –disse a Coronel secando as lágrimas, enquanto a sobrinha fazia o mesmo.

–--*---

Nalan e Duca com a Dona Dalva

O casal Nalan e Duca chegaram de surpresa em casa, de madrugada. Assim que entraram em casa, dona Dalva acordou.

–Desculpa acordar a senhora...

–Parem de besteira e venham me dar um abraço. –disse a senhora abraçando os três. –Eu senti muito a falta de vocês três. Cadê a outra maluca?

–A Bi foi pra casa. É aniversário da K e ela vai passar o dia paparicando a irmã.

–Sabe, Duca, uma certeza que você pode ter: a Bianca, mesmo sendo meio maluquinha, vai ser uma ótima mãe. É só ver o jeito que ela cuida da Karina.

–Eu sei. E, assim que eu tiver a minha academia, e a Bi estiver com a carreira dela estável, nós vamos te dar um bisnetinho. –disse abraçando a avó, antes de sair. Nat e Alan fizeram o mesmo e foram para o quarto.

–Sabe, Nat, eu sei que nós nunca falamos sobre isso, mas eu ia gostar de ter um molequinho ou uma molequinha aprontando por aí...

–Alan, eu tenho minha carreira... Eu não tô falando que eu não quero ter um filho nunca, porque eu quero, mas não agora, sabe...

–Amor, eu não tô te cobrando nada. Eu sei que você quer ser uma campeã, e você vai ser. –de repente, Nat se sentiu enjoada e foi correndo para o banheiro. Alan foi atrás e encontrou a noiva ajoelhada no chão do banheiro.

–Amor, o que foi?

–Me deu um enjoo de repente; deve ter sido a viagem.

–Você tem certeza? Não acha melhor ir ao médico de manhã?

–Não deve ser nada... Se eu não melhorar, eu juro que vou. –ela escovou os dentes e Alan a conduziu até o quarto, com uma expressão preocupada.

–--*---

Cobra e Jade chegaram no flat e se jogaram na cama.

–Nossa, que saudades de uma cama confortável. –declarou Jade.

–Que saudades de poder dormir com a minha dama. –disse Cobra abraçando a namorada.

–Pra quem não gostava de se prender, até que você é romântico.

–Só você pra fazer isso comigo.

–Cobra, quero tentar fazer as pazes com a minha mãe, sabe. Vendo a falta que a Ana faz pra Bia; a Nat, que a mãe mal se lembra de sua existência, eu vejo que, mesmo com todos os problemas, a minha tá aqui...

–Eu te entendo, sim, Jade. Quem sabe agora ela não aceita a gente...

–Eu quero pelo menos tentar fazer a minha parte.

–Eu vou te apoiar em tudo sempre. –disse o lutador enquanto passava a mão pelos cabelos da dançarina.

–--*---

Bianca chegou em casa e encontrou-a em silêncio. Ela foi até a cozinha e começou a preparar o bolo e as coisas que a irmã mais gostava para comer no café da manhã. Iria deixar tudo praticamente pronto antes de dormir. Ela preparou a massa e pôs o bolo no forno.

Enquanto isso, no quarto, Karina já havia desistido de dormir, quando sentiu um cheiro muito característico, só podia significar uma coisa: Bianca tinha chegado. Ela se levantou e foi correndo para a sala e encontrou a irmã em pé perto do sofá. Ela, imediatamente, correu e, literalmente, pulou em cima da morena com um abraço, derrubando ambas no sofá.

–Eu estava com tanta saudades de você, Bi.

–Eu percebi. –riu. –Eu também senti muitas saudades de ti, minha pequena, não estava mais aguentando ficar longe de você. –disse a mais velha enchendo a irmã de beijos. Logo, a atriz percebeu que Karina parecia cansada e seus olhos estavam vermelhos e inchados. –Eu sei que você fica triste nesses dias, eu sinto muito por não ter estado aqui antes.

–Não precisa se desculpar, Bi, você cuida muito bem de mim, mas também tem a sua vida.

–K, olha pra mim, a mamãe tinha câncer, não foi culpa sua ela não ter aguentado. No fundo, eu acho que ela sabia que não ia conseguir e decidiu deixar um presente pra mim e pro nosso pai. O presente mais perfeito desse mundo. –disse ela, enquanto a mais nova se aninhava em seu colo. Elas ficaram ali abraçadas matando aquela saudade, até Bianca ter que levantar pra desligar o forno. Depois de ajeitarem as coisas na cozinha, elas foram para o quarto.

–K, tem uma coisa que eu quero muito dar de presente pra você... –disse enquanto as duas se sentavam na cama da mais velha.

–Bi, você já me encheu de presentes, lembra?

–Eu sei, mas esse é diferente. A tia Sara deu isso pra mamãe quando ela foi servir em Natal, e, antes dela falecer, me deu, e pediu pra eu fazer o mesmo com você. –ela pegou o colar.

–Essa pedra é um símbolo. Basicamente, significa que não importa o quão longe eu esteja, eu sempre vou estar de protegendo de alguma forma. E que, mesmo que eu não possa te aconselhar, nem te dar bronca pessoalmente, você possa olhar pra ela e saber o que eu faria. –disse colocando o colar no pescoço da irmã.

–Bi, você me assusta falando assim.

–Meu amor, não se preocupa, isso é só um símbolo do amor que eu tenho por você.

–Então, me promete que nunca vai me deixar? –Bianca respirou fundo.

–K, você pediu pra eu não mentir pra você e eu vou ser sincera. Eu não posso prometer que nada de ruim vá acontecer comigo, mas eu posso te jurar que eu nunca te deixaria de propósito, e que eu vou fazer tudo que eu puder pra estar sempre com você. –disse abraçando a mais nova.

–Posso dormir com você hoje?

–Claro que pode, meu amor. Você acha que eu vou desgrudar de você tão cedo?

–Espero que não.

–Feliz aniversário. Eu te amo mais que tudo.

–Eu também te amo demais, Bi.

–--*---

Jade acorda com o celular tocando.

–Pai, o que foi...? –uma pausa. –Eu já tô no Rio, sim, acabei de chegar... –Jade arregala os olhos. –Como assim? –seus olhos encheram de lágrimas. –Meu Deus, eu tô indo pra aí... Diz pra minha mãe que eu a amo muito...

Notas finais
E aí? O que acharam? Essa frase "Só amor e nada mais" é SantoVitti, mas se aplica muito bem à situação, não acham? Hahah Beijooos, até a próxima! PS: Aqui é a Alexis me sigam no TT https://twitter.com/Alexis960720