Servos de Deuses

3 Capítulo 3 - Robert mata um leão


A gravidez de Sophia, aparentemente foi bem tranqüila. Ela fazia tudo normalmente. Nada mudou em sua rotina. Ela acordava de manhã cedo, tomava café, se banhava e ia ao templo de sua deusa para fazer suas orações. A tarde almoçava, e ficava o resto do tempo com Pedro ou com as ninfas que eram suas amigas.

Pedro evitava viajar só para poder ficar com sua mulher e seu filho (que ainda não havia nascido, mas já era muito paparicado).

Um belo dia, um amigo de Pedro, ofereceu–lhe ingressos para uma batalha de gladiadores que ocorreria no sábado seguinte. Quando chegou a casa, mostrou os ingressos para Sophia e ela animada perguntou:

— Nós podemos ir?

— Você querendo ir a uma luta de gladiadores?- disse ele levantando uma sobrancelha – Essa é nova para mim!

— Não sei o que deu em mim! – disse ela rindo – Mas, fiquei com muita vontade de ir à luta. Podemos ir? Diz que sim, diz que sim, diz que sim!

— Tá! – disse ele rindo – Nós iremos sua chata!Mas, agora, falando sério, tem certeza que tem condições de ir?O bebê está para nascer!Não suportaria que algo de ruim acontecesse a você ou ao bebê!

— Ai, deixa de ser super protetor!Nós dois ficaremos bem não é Robbie? – disse ela olhando e acariciando sua barriga — E aí iremos ou não para a luta?

— Iremos!Será próximo sábado!Não se esqueça!

No sábado seguinte, às 6 horas, Pedro e Sophia foram à luta. Porém, no meio da luta, Sophia sentiu algo molhado em baixo de si, imediatamente começou a sentir fortes contrações.

— PEDRO!MINHA BOLSA ESTOUROU!ESTOU EM TRABALHO DE PARTO!O BEBÊ VAI NASCER! – disse Sophia gritando, tentando ser ouvida em meio aos gritos da multidão.

Felizmente, Pedro ouviu o que Sophia havia dito e com um grito, parou a luta, e gritou para a multidão:

— DESCULPE ATRAPALHAR A LUTA, MEU POVO!MAS, MINHA RAINHA ESTÁ EM TRABALHO DE PARTO!PRECISAMOS DE ALGUÉM QUE POSSA AJUDAR EM UM PARTO!

Do meio da multidão, levanta uma jovem, de aproximadamente uns 20 anos. Calmamente ela diz:

— Vossa Majestade!Eu sou uma serva de Ilítia, deusa dos nascimentos, talvez eu possa ajudar!

— Sim é claro que você pode ajudar!Vá para a enfermaria da arena! – disse ele a jovem e dirigindo-se novamente ao povo disse – Preciso de ajuda para levar minha rainha até lá em baixo. Algum de vocês me ajudaria?

Alguns homens bem fortes se levantaram e ajudaram Pedro a levar Sophia para a enfermaria.

...

Pedro estava nervoso, suava frio e não conseguia parar de andar de um lado para o outro. Ele ficou mais nervoso ainda quando começou a ouvir os gritos de Sophia.

Sophia gritava desesperadamente de dor. Ela suava como uma cachoeira. Quando quase não tinha mais forças, Sophia ouviu o bebê chorar. O cordão umbilical foi cortado e a jovem deu um banho no bebê antes de botá-lo nos braços de Sophia.

Sophia e Pedro ficaram encantados com seu filho quando o viram pela primeira vez. Robert tinha cabelos negros como os do pai e cabelos castanhos tão claros que pareciam até que eram vermelhos. Ele era muito parecido com Pedro.

Desde bem pequeno, Robert gostava de irritar sátiros e ninfas com suas brincadeiras idiotas e sem graça. Vivia arrumando brigas sem motivo com todo mundo. Seus pais não conseguiam controlar o seu mau gênio e brigavam com ele toda vez que ele fazia alguma besteira. Ele adorava ir à arena com seu pai para ver as batalhas dos gladiadores. A parte das batalhas que Robert mais gostava, era quando soltavam os leões. Ele ficava super animado e gritava histericamente.

Certa vez, na véspera de seu aniversário de cinco anos, Robert se perdeu de Pedro no meio da multidão. Aproveitando dessa situação, ele aproveitou para aprontar. Ele correu para dentro da arena no exato momento em que soltavam os leões. Felizmente, antes de entrar na arena, ele havia pegado uma espada de algum gladiador que havia caído no chão. Quando Pedro o viu na arena, quase teve um treco. O que o seu querido filho fazia ali naquela arena com os leões? Como ele iria tirá-lo dali? Pedro estava desesperado, suava frio e roia as unhas, nervoso. Robert ao ver o leão vindo em sua direção, não se assustou. Ele pegou a espada, deu um belo grito de guerra e avançou para cima do leão faminto.

A luta de Robert contra o leão gerou grandes gritos na multidão. Pedro teria entrado na arena e salvado o filho, se isso não fosse piorar a situação. Robert defendeu os golpes do leão com sua espada e lhe fez um pequeno corte na pata esquerda. O leão furioso deu-lhe uma patada, fazendo um grande corte em seu braço direito (o que segurava a espada). Robert gritou de dor. Ficou tão furioso quando viu o sangue escorrendo em seu braço, que quando o leão pulou em cima dele, ele imediatamente levantou sua espada acertando bem no coração do leão, que morreu imediatamente. Pedro correu desesperadamente para perto do filho, preocupado com o grande corte que o leão havia feito no braço de seu filho. Robert lutava para conseguir continuar em pé. Seu braço ardia muito, ele lacrimejava de tanta dor que sentia. Pedro o pegou no colo e o levou para a enfermaria, onde o braço dele foi enfaixado e cuidado. Quando os dois chegaram ao palácio e Sophia viu o braço de seu filho, ela perguntou preocupada:

— O-o que foi isso?Robbie... Seu braço... O que houve?

— Nada mãe!Eu só lutei com um leão na arena! – disse ele calmamente

— O-o quê?Pedro. O.Que.Houve?

Pedro lhe contou tudo o que havia acontecido e Sophia conseguiu ficar mais preocupada do que ele com Robert.

No dia seguinte, era o aniversário de cinco anos de Robert. O dia em que algum deus iria escolhê-lo para ser o seu servo. E também o dia em que ele faria sua primeira oração a um deus em especial.

O deus que o escolheu foi Ares, o sanguinário deus da guerra, que o escolheu porque era forte, decidido e ótimo lutador.

Um pouco antes de Robert ir ao templo de Ares para sua primeira oração, Sophia passou mal. Desmaiou no meio do banquete de parabéns e foi levada para seu quarto por Pedro. Um sátiro a examinou e constatou: Sophia estava grávida novamente!