Servos de Deuses

14 Capítulo 14 - Me apaixono por um terráqueo!





Rose

Nunca
pensei que encontraria alguém por quem eu pudesse me apaixonar
novamente. Ryan era um cara tão legal. Ele me aceitou do jeito que
eu sou. Uma princesa alienígena, órfã que foi expulsa do próprio
planeta. Se bem que eu poderia muito bem passar por qualquer um
normalmente que ninguém ia perceber minha origem. Eu ainda sentia
falta do meu planeta e de Noah, mas toda essa saudade sumia quando eu
estava com Ryan. Ele me levava para diferentes lugares que eu nunca
podia imaginar que existiam. Ele era teimoso, mandão, e até um
pouco arrogante, mas era um bom homem e muito corajoso por sinal. Às
vezes eu dizia a ele que ele se preocupava demais e ele respondia:

-
Eu me preocupo com as pessoas que eu amo! Só isso!

Ele
também era muito brincalhão, engraçado e um pouco desastrado. Uma
vez, eu estava na floresta, curtindo um pouco a natureza e ele tentou
me assustar. Eu entrei na brincadeira também e corri entre as
árvores para tentar me esconder. Ele conseguiu me alcançar, e
quando foi me pegar, ele escorregou numa folha e acabou caindo dentro
de um lago. Quando eu fui ver se ele estava bem, encontrei-o sentado
na água rindo com um peixe pulando na sua cabeça. Eu caí na
gargalhada e quando tentei levantá-lo, ele me puxou para baixo,
fazendo com que eu caísse também. Ficamos sentados na água, todos
molhados rindo como idiotas. Até ouvirmos um som estranho vindo da
floresta. Ele pediu que eu ficasse onde estava por que ele ia ver o
que era aquele barulho.

-
Você quer que eu fique aqui sentada na água com um bando de peixes
mordendo o meu traseiro? Que bom namorado você é! – eu brinquei

-
Sai da água, né? Ou vai ficar aí para sempre? Fica aqui! Não vem
atrás de mim! – ele disse


bom que eu ia ficar lá, esperando ele voltar. Mas aí me lembrei de
Noah. Ele havia-me mandado ficar naquela sala e eu saí. Por isso ele
morreu. Se eu não tivesse saído ele estaria comigo agora. Decidi
esperar, até que ouvi um grito vindo de onde o Ryan tinha entrado.
Subi em uma árvore e fui pulando de galho em galho como uma macaca,
enquanto transformava os anéis e a pequena bolsa em meu arco e minha
aljava. Quando cheguei onde Ryan estava, vi-o correndo de um bicho
grande, laranja e peludo. O bicho não tinha olhos, mas parecia
enxergar muito bem, pois ele perseguia o Ryan de uma forma
impressionante. Ryan estava tão desesperado para salvar a própria
vida, que não olhou para frente e deu de cara com uma árvore e
apagou. Foi aí que eu entrei em ação. Armei meu arco e mirei no
lombo do bicho. A flecha alcançou o alvo em uma fração de
segundos. Como era de se esperar, o bicho caiu desmaiado e não
morto. Desci da árvore onde eu estava e fui ver se Ryan estava bem.
Ajoelhei-me ao seu lado, pus sua cabeça no meu colo e toquei sua
testa suavemente, curando assim o enorme “galo” que tinha sido
criado na cabeça dele. Não demorou muito e ele acordou e ao me ver
disse:

-
Eu não mandei você ficar lá? Caramba! – ele se assustou – E
onde está o monstro enorme que estava me perseguindo?

-
Está falando daquele monte de pelos inúteis ali? – eu respondi
apontando para o monstro que estava apagado a poucos metros de nós

-
VOCÊ O MATOU?! – ele perguntou desesperado

-
Mas é claro que não! Ele só está desacordado! A flecha estava com
tranquilizante! Você sabe muito bem que eu não sou capaz de matar
nem uma mosca!

-
Desculpa por gritar com você. É que você atirou uma flecha nele!
Achei que ele tinha morrido. O grão-mestre ia me matar! Por quanto
tempo eu fiquei desmaiado?

-
5 minutos. E se quer saber como eu vim parar aqui, eu vim pelas
árvores.

-
Poxa! Você é boa. Não deixe o grão-mestre ver suas habilidades ou
ele vai acabar fazendo você virar uma encanadora. Vem! Eu estou com
fome! Vamos para casa!


Mas
e o monstro? O que a gente faz com ele?

Ah
é! Eu vou ligar para os encanadores para eles poderem resolver o
que vão fazer com ele. O tranquilizante vai durar quanto tempo?



Pelo
menos mais umas duas horas. Tempo mais que suficiente de eles
chegarem aqui! — e mudando de assunto eu disse – E aí? O que
vamos comer?



Ele
riu e sugeriu que comêssemos uma pizza de calabresa em uma pizzaria
que era perto lá da “nossa” casa (a casa era do Ryan, mas como
eu estava morando há quatro anos nela, tecnicamente ela também era
minha).

Depois
da pizza, demos um passeio em um parque de diversões que estava de
passagem pela cidade e que era muito bem falado. Eu me empanturrei de
algodão doce e o Ryan também. Tinha um gosto e uma textura bem
diferente. Derretia na boca como açúcar puro. Era muito bom.

Depois
de eu implorar muito, Ryan cedeu e aceitou a sugestão de irmos dar
uma volta na roda gigante. Compramos os ingressos e entramos. Quando
a roda gigante parou, eu comecei a observar a paisagem. Eu não tinha
percebido antes, mas o parque ficava pertinho de uma lagoa. Já
estava de noite e a luz da lua refletia na água cristalina da lagoa.


Rose...
— Ryan começou.

O
que foi Ryan? Algum problema? — eu perguntei

Não
é que... Sabe Rose... Eu te amo e... Escuta! Você quer casar
comigo? — ele disse tirando uma caixinha preta do bolso e me
mostrando uma linda aliança dourada. — Eu sei que não é o tipo de
coisa que você está acostumada, mas... Foi o que eu consegui
comprar.

Eu
fiquei sem palavras e por impulso o beijei.


Isso
foi um sim? — ele perguntou

Foi
muito mais que isso. Bobo!

Ele
riu e colocou o anel no meu dedo anelar da mão direita.

Passaram-se
os dias e começamos a fazer os preparativos para o casamento. Eu
disse ao Ryan que deixasse comigo toda a parte da decoração e que
ele só deveria se preocupar com quem iríamos convidar. Eu não
tinha parentes ou amigos na Terra, por isso deixei essa tarefa para
ele. Fui a São Francisco e encomendei meu vestido, as flores e
marquei nosso casamento (em uma igreja que ele tinha me indicado)
para dali a dois meses. Ryan comprou duas passagens de São Francisco
para Nova York, pois era aonde íamos passar nossa lua de mel.

Eu
tinha medo de que algo pudesse atrapalhar-nos naquele momento, mas
jurei a mim mesma que se algo atrapalhasse aquele casamento, que eu
mesma daria um jeito na pessoa que havia pensado nisso.

Fiquei
pensando antes de dormir como seria a minha vida dali por diante.
Casada, com uma casa, com uma família e com a pessoa que eu mais
amava, ao meu lado. Pensei também, qual seria a cara dos meus pais
se eu dissesse a eles agora, que iria me casar com um terráqueo.
Acho que eles entenderiam, afinal, eu amava o Ryan e ele me amava.
Pensei ainda, na Kate e como e com quem ela estaria a uma hora
dessas. Ela sempre foi na dela. Eu nunca a ouvi falando de algum
namorado ou de alguma pessoa que ela estava a fim. Não era típico
de uma serva de Apolo ser tão reprimida. Eu sempre tive a impressão
de que ela era assim por que pressentia algo que podia vir a
acontecer. Pensei no meu irmão e o quanto ele tinha feito a coisa
certa ao me mandar para cá. Se não fosse ele, eu nunca teria
conhecido o Ryan e nunca seria tão feliz como sou agora.

Tomei
um banho e fiquei esperando Ryan chegar. Ele não costumava demorar
tanto. Geralmente, a essa hora ele já estava em casa. Já ia ligar
para ele quando ele entrou em casa.


Desculpa
pelo atraso! — ele disse – Achei que você já estaria dormindo a
uma hora dessas.

Eu
já estava preocupada por causa da demora. Foi a qual planeta desta
vez? — eu perguntei

Fui
a Galvan. Havia um alienígena tentando tomar o planeta e nós fomos
ajudar. Demorou um tempão para conseguirmos alcançá-lo, por isso
demorei. Desculpa!

Tudo
bem! Não estou brava. Só estava um pouco preocupada. Nada demais.

Ele
sorriu e me abraçou. Demos boa noite um para o outro e fomos dormir.