Notas iniciais
Quatro indicações? Sério?! *u*
Gente, amo vocês!
Me desculpando(como sempre) pela demora(problemas pessoais), e agradeço a quem ainda acompanha a fic, mesmo com essa minha demora extrema!
Mandando um feliz halloween atrasado pra vocês meus pitchucos e feliz aniversário(também atrasado, é) pra minha grande amiga Zara!!
Boa leitura~

Às vezes eu não consigo transmitir para você, querido leitor, o que aconteceu exatamente em alguma hora de minha vida. Muitas vezes passamos por coisas tão incrivelmente rápidas ou assustadoramente difíceis de se acreditar que ficamos sem palavras para descrever o que sentimos, o que vimos, pois muitas vezes eu mesmo não entendo ou não acredito no que eu vi ou senti.

Foi assim na primeira vez que eu senti meu coração bater forte quando olhava para Juan, quando entendi o que era estar apaixonado. Aconteceu também quando eu fui abusado sexualmente por pessoas que eu odeio, nas duas vezes em que isso aconteceu – só eu vi certo tom de ironia nisso?

Mas passando introduções desnecessárias, creio que você mesmo, leitor, já passou por algum momento assim. Um momento... Único, rápido, impactante. Algo que aconteceu tão depressa que você nem teve tempo de pedir ajuda à razão, pois o coração falou mais rápido.

E, chegando direto ao ponto, foi isso o que aconteceu nessa manhã. Tentarei explicar-lhes o ocorrido, me desculpem caso haja falhas na minha terrível escolha de palavras.

Como toda chata manhã de segunda, eu tinha que limpar até os quatro cantos do mundo o enorme Salão de Festas. Durante os feriados, fins de semana, e datas especiais, a corte adorava banhar-se em festas devassas até altas horas, esquecendo do resto do mundo, somente vidradas em gastar seu farto dinheiro em bebidas importadas, apostas de pôquer e putas nojentas.

E assim a corte fugia de seus afazeres por algumas horas para chamar nobres ricos e desocupados para jogarem e se divertirem. Mas isso ninguém quer saber. Nunca pude entrar nessas festas de nobres, nem mesmo como garçom. Juan de vez em quando é arrastado para o meio do núcleo rico e acaba dormindo em algum canto qualquer, bêbado, desarrumado e rindo feito um retardado. Pelo menos quando ele dorme bêbado, ele fica fofo.

Mas isso também não vem ao caso.

E o que realmente importa é que depois da festa, quem sempre tem que limpar tudo sou eu. Muito provavelmente você leitor quer mesmo é saber o que acontece nessas festas boladas que viram a noite fazendo barulho. Mas que pena, porque quem conta essa história sou eu. Eu, a minha vassoura, o senhor esfregão e o balde d’água somos o núcleo pobre dessa história, e não venha reclamar comigo por eu ter nascido pobre.

E finalmente, lá estava eu resmungando coisas mal-humoradas enquanto espalhava água pelo chão sujo de algo parecido com vômito e limpava. Tudo parecia normal, até que a porta se abre lentamente e de lá entra um ser conhecido.

Andava pelo meio da sujeira com passos firmes, o som dos saltos altos ecoavam pela sala espaçosa. Ouvi sua leve risada convencida, seu ar de grandeza me afogando.

Os cabelos de Hanberg pareciam brilhar mais essa manhã. Assim como seu sorriso diabólico. Ignorei sua presença o máximo que pude, ficando em silêncio enquanto esfregava o chão.

Ele se aproximou mais, fingindo que não era nada de mais, me abraçando por trás e encostando a cabeça no meu ombro. Passou as mãos delicadas pelo meu tronco de uma maneira sedutora, intimidadora. Tive vontade de chutá-lo para longe, desferir-lhe um soco. Mas lembrava-me das palavras solenes que aprendi, as que diziam que um servo jamais devia demonstrar agressividade à um membro de maior estatura social. Tocar em um Duque como Hanberg era pedir para ser morto.

Ele mordeu minha orelha direita e deslizou suas mãos pelos meus braços, sentindo minha pele se arrepiar involuntariamente. Enlaçou suas mãos nas minhas, rindo baixinho, sentindo-me tremer de medo sob ele.

-O que foi, Dawari? –perguntou arrastado em meu ouvido- Já está com medo de mim? Não vai ter graça te forçar a fazer sexo comigo se você não lutar nem um pouquinho.

Deslizou a mão esquerda para a minha barriga e entrou com a mão por debaixo da minha blusa, mexendo o quadril atrás de mim.

-Vamos, faça esse trabalho todo que eu tenho de esconder isso do pequeno reizinho valer a pena. –sussurrou beijando meu pescoço.

Eu não me movia, não sabia o que fazer ou o que responder. Sentia-me uma criança sob as mãos cruéis de um homem. Xingava-me internamente, odiando minha falta de coragem. Eu tinha medo. Medo dele me tocar, me forçar, de novo. Não queria isso, mas dizer “não” somente o atiçaria mais.

-E hoje iremos até o final. –disse risonho.

Deixei que ele abrisse a minha calça, com medo, como uma criança medrosa. Interpretávamos bem nossos papeis, eu era o gatinho assustado e ele, o cachorro grande e assustador.

Novamente ouvi a porta ser aberta, mas agora não era nem um pouco delicada. Na verdade, foi mais como se a madeira fosse chutada, ou espancada e abrisse com um estrondo. Olhamos os dois na mesma hora para a porta, levados pelo susto. Haviam lágrimas em meus olhos, eu sabia disso.

-Eu já vi o bastante. –a voz da nova presença na sala rosnou furiosa.

Juan.

E lá estava ele, tão irritado quanto eu nunca vira antes. Sua face se contorcia num puro e profundo ódio. Seus punhos estavam fechados, ele estava irado, como se pudesse pular em Hanberg a qualquer momento e estraçalhá-lo com as próprias mãos.

Hanberg segurou a respiração por alguns instantes. Largou-me e eu cambaleei para frente, quase caindo. Contemplei a figura grandiosa e forte de Juan andando a passos lentos e pesados até a nossa frente. Vi Lowei entrar pela porta correndo até mim e me abraçar com força, murmurando que estava tudo bem agora. Comecei a chorar.

-Duque Hanberg –a voz de Juan pareceu ecoar forte e poderosa-, estás preso, acusado por abuso de poder, agressão sexual e homossexualismo. Levem-no para a Dama de Ferro.

Alguns guardas grandes e intimidadores entraram na sala sérios, cruéis. O duque olhos assustado para os lados, perguntando-se o que havia acontecido. Quando se viu cercado e sendo arrastado para o porão – onde são guardados antigos instrumentos de tortura-, gritava palavras e perdões, que Juan ignorava. O Salão agora estava barulhento e confuso.

Senti então os braços de Juan me enlaçarem num abraço doce. Ele se desculpava, eu chorava. Encostei a cabeça no peito dele e de novo senti-me muito pequeno ali, nos braços carinhosos que Juan me concedia.

E assim, caro leitor, espero que tenha entendido o que quis dizer mais cedo, pois eu mesmo ainda não entendi a rapidez dos fatos. Uma hora eu estava sendo novamente abusado pelo porco Hanberg, mas no instante seguinte já via guardas fardados, Hanberg gritando e Juan de queixo levantado, com tamanha classe que me assustou.

Meus sentidos estavam ainda atordoados. Sentia medo. Ao meu lado, Juan tocou minha mão, como que querendo me acalmar. Respirei fundo e voltei a olhar para frente. Já haviam se passado dois dias.

Disseram que primeiro Juan ordenou que prendessem o duque dentro da Dama de Ferro, para que apodrecesse perfurado pelos espinhos enferrujados do abraço mortal da Dama. Mas depois de três horas, houve uma quebra de opinião e Juan, alegando que aquilo não seria o suficiente, deixou que os carrascos mais antigos e sádicos cuidassem para que Hanberg sofresse nas garras dos antigos aparelhos de tortura do castelo.

Eu já fui uma vez no porão de aparelhos de tortura. Saí correndo de lá depois de cinco minutos, morrendo de medo. Me chamem do que quiserem, mas aquele lugar era o legítimo inferno na terra. Corpos dilacerados, sangue e tripas espalhados por aí, alguns aparelhos enfeitados sinistramente com partes de corpo como braços e pernas mutiladas de algum infeliz.

E agora, ali estava eu, de pé do lado da cadeira onde Juan sentava-se e almoçava tranquilo. À nossa frente, o pequeno cepo velho era posto na grama do jardim. O carrasco chegava na sua tradicional roupa negra, girava em mãos um machado brilhante. Juan parecia calmo demais, cutucando sua salada.

A corte estava presente, sentada dos lados do rei, a maioria almoçando com tranqüilidade, coisa que eu não tinha no momento. Estavam todos ali para assistir à execução do Duque Hanberg.

Não demorou muito até que um servente tocasse a corneta de apresentação e todos olhassem para um guarda que vinha arrastando consigo o jovem nobre, que agora não era mais o mesmo. Os cabelos haviam perdido seu brilho, estavam bagunçados, assim como todas as roupas rasgadas de Hanberg. Estava extremamente ferido, era incrível ainda vê-lo de pé.

Suas pernas estavam praticamente derretidas de tão queimadas, em carne viva. O peito e costas eram moradia de cortes e chibatadas profundas e extensas. Detinha certos furos da Dama de Ferro, inclusive alguns que haviam quebrado seu braço direito, por isso este tinha que ser segurado pelo duque, como se fosse cair de seu ombro a qualquer instante.

Era arrastado pelo guarda pelo jardim, deixando um rastro de sangue por onde passava. Gemia baixinho e fungava sem energia nem forças para nada.

O guarda chutou suas pernas feridas para que ele caísse ajoelhado e empurrou seu pescoço com força até que o queixo batesse no cepo. Choramingava de dor, fungava e tremia. Olhou para Juan como se pedisse piedade, mas o olhar que o ruivo mantinha era um sério e sem hesitações. O carrasco se posicionou com o machado e riu baixo, sádico.

O servente tocou a corneta para anunciar a execução. A lâmina desceu como um raio. Em um instante o sangue espirrava para tudo ao seu redor e a cabeça decapitada do antigo duque rolou no chão até bater nos meus pés, fazendo-me sentir a conhecida ânsia de vômito.

O vento soprava frio, a noite era iluminada pela doce luz da Lua. Todos estavam dentro do castelo, prontos para dormir, as luzes estavam sendo apagadas aos poucos.

Meus afazeres já haviam terminado, eu me encontrava de pé, parado no jardim, olhando para a grama suja do sangue de Hanberg. A execução havia sido pela manhã, mas eu ainda podia ouvir seus pedidos desesperados de perdão, sua risada diabólica e o olhar frio de Juan.

Juan... Nunca imaginei que ele pudesse ficar tão sério. Evitei chegar perto dele o dia todo, pois agora eu sustentava certo medo dele. Sentia-me um idiota, porque afinal, ele havia me salvado e ali estava eu, evitando ele. Mas sinceramente, o jeito e a frieza que ele usou para condenar um amigo à tortura e morte me despertou medo.

Um amigo... Na corte inglesa, o duque é a pessoa que mais tem intimidade com o rei, aquele em quem o rei pode mais confiar. A família de Juan já foi traída pela corte antes, e agora o próprio duque lhe traiu a confiança.

-Dawari? –uma voz sonolenta me chamou.

Virei e me deparei com Juan parado perto de mim. Estava já vestido para dormir, com uma blusa branca larga que quase batia em seus joelhos e uma calça igualmente branca, suja nas pontas de terra, estava descalço. Coçava o olho direito como se fosse uma criança, olhava-me curioso.

-Por que está aqui fora? Está frio, já devia estar dormindo... Ah merda, você sujou a calça de terra! –resmunguei tocando seu ombro.

Ele soltou uma baixa risadinha, sorrindo docemente.

-Eu é que lhe pergunto, você está aí parado faz um tempão. –parou de rir e afagou meus cabelos- E eu percebi que você andou me evitando o dia todo, há algo que queira me dizer?

Ele tinha percebido? Droga, droga, droga!

-Não é nada... –falei.

Ele esticou o pescoço e olhou o sangue de Hanberg por cima do meu ombro. Voltou a olhar-me com certa tristeza.

-Aquilo te assustou? –ele murmurou e me abraçou com carinho, acariciando meu cabelo- Me desculpe, mas eu tive que fazê-lo. Você sabe que eu odeio ter que condenar os outros à morte, mas...

-Só... Não acho que ele merecia tanto...

-Ele te tocou, Dawari, isso eu nunca vou admitir. De agora em diante vou cumprir a minha promessa, e qualquer um que ousar tocar em você de novo irá sofrer muito mais do que a morte. Ele mereceu isso.

Aquelas palavras pareciam cruéis, mas me despertaram uma pequena esperança. A de poder viver com Juan, em paz.

Onde nós vivemos, a homossexualidade é um crime e um pecado. Nós vivemos um pecado, todos à nossa volta nos lembram disso. Mas sempre que eu olho para Juan, que ouço sua voz, tenho vontade é de mandar o resto do mundo e sua maldita religião para o inferno.

-Eu te amo, Dawari. –abraçou-me com mais força, beijando meus lábios com paixão.

-Eu também te amo Juan. –sorri e segurei sua mão quando ele soltou nosso abraço.

Foda-se o pecado.

-Vamos dormir juntos hoje. –ele sorriu travesso e me puxou pelo gramado. Rimos juntos e corremos pelo jardim como duas crianças alegres.

Porque se amar é pecado, eu sou um demônio.

Notas finais
oi de novo, ireorjoiesroi
espero que tenham gostado do capítulo, a escrita ficou mais formal, né? lol às vezes eu esqueço de me conter e dou uma de shakespeare(??) o_O
enfim, até o próximo capítulo ♥