Servo da Família Sazawori
16 Guerra do Amor - Round 2
Notas iniciais
Acordei tonto e com a cabeça doendo. Ao abrir meus olhos dando sinal de vida, me lembrei do que aconteceram ontem e minha cabeça só doeu mais.
Ao levantar a cabeça do balcão frio de madeira, olhei para os lados, vendo o bar todo. Era grande e tinha muitas mesas, que agora estavam quase todas caídas, sujas e quebradas. O piano tinha teclas sujas de sangue.
O balcão estava uma zona, cheio de copos de vidro quebrados e diversas bebidas molhando-o.
As lembranças martelaram minha mente de novo.
Depois de brigar com Juan, eu saí ignorando completamente Merie e Lowei, vindo para as ruas da cidade, pensando em como me esquecer do que aconteceu. Acabei entrando em um bar qualquer, onde enchi a cara até ficar bêbado o suficiente para começar uma briga com qualquer um dali.
Depois de apanhar muito, acho que desmaiei no chão e alguma alma caridosa me repousou na cadeira para que eu não fosse mais chutado.
Meu rosto era a parte de meu corpo que mais doía, eu tinha levado socos ali, socos bem dados e merecidos.
-Ei rapaz, já está lúcido o suficiente para me ouvir? –uma voz disse em minha frente.
O barman limpava um dos poucos copos que não estavam aos pedaços, me encarando com um cigarro na boca. Pelo que sei ele era o gerente dali, era incrível ver que ele não estava morto de raiva por mim, já que fui eu a causa dessa confusão toda.
-Ah, sim... Ai. –toquei minha bochecha- Acho que perdi algum dente.
-Hum, você está horrível. –ele sorriu.
-Você... Não está com raiva de mim?
-Cara, pra falar a verdade, você estava tão bêbado ontem que não teve culpa de nada. –ele disse e afagou meus cabelos- Eu trabalho aqui há quinze anos, já estou acostumado a brigas.
Mesmo doendo, eu sorri com o toque gentil. Ele tinha um sorriso acolhedor, realmente. E eu me sentia tão em falta de carinho esses tempos... Merda de depressão.
-Obrigado, o senhor é muito gentil. –eu disse.
-Não há de que. Uhn, você não deveria ir para casa agora, garoto? Seus pais devem estar preocupados. –ele disse olhando-me como se eu fosse uma criança perdida.
-Ah, bem... –engoli o que iria dizer e toquei minha cabeça com as mãos- Ai, como dói.
-É a ressaca. –o barman riu e me deu um copo d’água- Descanse, você é jovem demais para beber tanto. E como agiu ontem... Você já tinha bebido antes?
-Uhh... Não. –eu disse escondendo meu rosto no copo que eu bebia.
O homem aparentava seus trinta anos, mas tinha o corpo esbelto e saudável, os cabelos num loiro-sujo e olhos azuis cristalinos.
-Com licença, mas você não é daqui, é? –perguntei.
-Não, não. Sou Alemão, vim para cá pequeno. –ele respondeu lavando o meu copo- Ah, você gostaria que eu o acompanhasse até em casa? Ainda não parece muito bem, e é melhor não arriscar.
-Mas... Não atrapalharia mais ainda você?
-Que nada, hoje nem vou poder abrir. –ele olhou o bar- Está tudo quebrado e bagunçado, demorarei até amanhã para poder abrir.
Me senti tão culpado. Mas quando levantei o rosto ele já sorria do jeito doce de antes.
-Não se sinta culpado, Ok? –ele largou o avental no cabide de madeira do lado da porta e pegou o casaco- Agora vamos.
-Sim!
Saímos e ele fechou a porta. Andamos pelas ruas quase desertas com calma. Era domingo de manhã, por isso quase ninguém saia de casa.
Ele ficava com as mãos nos bolsos e com o cigarro na boca, uma expressão madura olhando para frente. Ele reparou que eu olhava-o e sorriu para mim.
-Eu ainda não sei seu nome. –disse.
-Ah, eu me chamo Dawari, prazer!
-O prazer é todo meu Dawari. Me chamo Victory. –ele disse e me viu discretamente cobrir a boca e riu- Pode rir se quiser, eu também acho um nome feminino.
Acabamos conversando por um tempão, eu até desviei do caminho do castelo para que pudéssemos conversar mais. Ele era realmente uma ótima companhia!
Finalmente acabamos chegando ao castelo. Ele pareceu bem surpreso ao ver que eu apontei e disse ‘é aqui’. Até o cigarrinho caiu de sua boca.
-Você mora n-no castelo? –ele perguntou.
-Bem, não é exatamente no castelo, é ali naquela casinha do lado, né. –ri sem graça- Eu sou o servo de Juan.
-Nossa, que mordomia, hein? Parece ser um lugar incrível!
-Ah, que nada! Eu que tenho que limpar tudo, então já passei a odiar esse lugar enorme!
Não demorou para os outros chegarem do jardim. Larian, Lowei e Merie estavam super preocupados comigo, ficaram perguntando mil e uma coisas. Apresentei Victory a eles, e contei como ele me salvou de ser pisado até a morte.
Enquanto conversávamos senti minha cabeça melhorar muito e até me senti melhor que nunca!
Mas olhei para o lado e vi ali, sentados na mesa do jardim, Juan e Catarina nos olhando com certa ignorância.
Victory tinha ido embora e o pessoal voltou às suas tarefas, com a condição de que o alemão viesse nos visitar mais vezes. Eu estava na sala afofando umas almofadas do sofá, sorrindo sozinho.
-Ele é muito gentil... –eu disse olhando a almofada.
-Seu amiguinho do bar? Aff, poupe-se de ouvir papo furado de alguém que trabalha com vagabundos. –ouvi uma voz vinda da porta dizer.
-Juan! –virei-me espantado- Não diga isso de Victory, ele é um bom homem! E foi muito legal comigo!
-Claro, claro. Ele deve estar dando o maior mole para você. –o ruivo disse- Se toca Dawari.
-Juan, você por acaso não estaria com... Ciúmes do Victory, né?
Juan pareceu meio incomodado com a pergunta e se aproximou mais de mim, com um olhar um tanto sério.
Ele me empurrou um tanto delicadamente para o sofá. Quando caí sentado ele se posicionou devidamente atrás de mim, com sua cabeça em meu ombro. Meus pulsos foram segurados por uma das mãos de Juan e colocados no alto, para não atrapalhá-lo. Minhas pernas um pouquinho abertas, seguradas pelas de Juan.
Eu só podia mover minha cabeça, então fiz questão de abaixá-la e fechar os olhos.
A mão livre de Juan deslizou até minha cintura e entrou debaixo de minha blusa, acariciando meu peito e fazendo-me ficar arrepiado, além de mais vermelho ainda.
-Dawari. –ele chamou aproximando-se mais do meu ouvido- Abra os olhos.
-Não...
-Eu quero ver seu rosto.
Então lentamente eu abri meus olhos dourados e olhei para Juan revelando minha expressão totalmente envergonhada.
Ele tinha o rosto calmo como sempre e pareceu satisfeito ao me ver naquele estado, dando um sorrisinho. Como poderia estar tão calmo, merda? E se alguém nos visse?
Virei meu rosto para o outro lado, tentando não falar nada, pois sairiam gemidos junto. Isso não funcionou muito, pois Juan tirou a mão do meu peito e segurou meu queixo, puxando-o com cuidado para que eu olhasse o rei nos olhos.
-J-Juan... –eu disse cerrando os olhos e deixando uma lágrima intrusa percorrer meu rosto.
-Dawari –Juan começou, olhando-me com certo espanto-, estás chorando?
-Não... –eu disse com uma voz de criança emburrada.
Antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa fui preso em um doce e calmo beijo. Retribui deixando mais lágrimas caírem.
Quando o beijo cessou Juan largou meu queixo e abaixou a mão. Abaixou, até voltar à minha cintura, só que dessa vez sua mão adentrou minha calça. Ele passava a mão e acariciava o meu baixo-ventre, se divertindo em olhar para mim enquanto isso.
Eu mordia meu lábio inferior com força, reprimindo todo e qualquer gemido.
-Por favor Dawari, nunca mais duvide do meu amor por você. –ele disse abaixando mais ainda a mão- Me desculpe por tudo aquilo que eu disse e como eu tenho agido com você esses últimos dias. Quero que tudo volte ao normal, então peço suas desculpas, você aceita?
Ele me acariciava provocantemente. Eu não conseguia responder nas minhas condições, e Juan sabia disso.
-...Aceita? –repetiu.
-S-Sim... –mas como esperado, por abrir a minha boca meus gemidos não cessaram.
Ele sorriu cínico e me fez gemer mais. Então parou e tirou a mão dali, repousando-a em meu rosto e dando um beijinho na minha bochecha.
-Você fica tão fofo assim gemendo vermelho. –ele disse antes de morder o lóbulo da minha orelha, rindo baixinho.
-V-Você... –comecei, olhando para baixo.
-Hum?
-Você começou, agora tem que acabar.
-Ah, você é bem mimadinho sabia? –Juan abaixou a mão devagar, deslizando-a pelo meu tronco.
-Foi você que me mimou. –eu disse, possibilitando-me de sorrir, já esquecido das lágrimas e da mágoa.
Tudo o que eu mais queria naquele momento era poder ficar ali, daquele jeito com Juan pelo resto da minha vida.
Hoje de manhã acordei sozinho no sofá. Eu tinha dormido ali? Mas jurava que Juan tinha dormido comigo... Será que... Ele estava me fazendo mesmo de brinquedinho? Lowei estaria certo sobre tudo isso?
-Bom dia belo adormecido.
Aquela voz doce e melodiosa me fez olhar para o dono. Juan estava de pé na minha frente com uma bandeja de ovos fritos e suco.
Então minha mente desconfiada se dispersou. Não, ele se importava comigo. Ele me amava. Ele se desculpou de tudo e eu ingenuamente aceitei, agora é só esperar pela verdade.
-Bom dia. –murmurei.
-Alguém dormiu de mau jeito ontem? Mas dormiu feito pedra, já são duas da tarde, seu preguiçoso!
-Duas da tarde? Ah, foda-se, vou voltar a dormir. –disse tentando esconder o rosto.
A bandeja foi colocada na mesinha de centro e Juan se ajoelhou na minha frente, afagando meus cabelos.
-Incrível Catarina não ter me acordado com um jarro de água fria hoje. Ela tá dormindo? –perguntei.
-Não se preocupe, ela não irá nos incomodar mais.
-O quê? Cadê ela?
-Bem, depois de te ver dormir feito um anjinho, fiquei pensando sobre muitas coisas. E que Catarina não pode mandar em mim, então eu posso expulsá-la quando quiser.
-E quanto ao negócio de desconfiança e coisa e tal? –eu me sentei curioso- Podem querer saber o que aconteceu e...
-Shh, calma, eu sei que posso cuidar de tudo. –ele tocou meus lábios- Enquanto você dormia eu conversei com Catarina, e foi só eu saber levantar a voz que ela já saiu com o rabo entre as pernas.
-Você ameaçou ela? –perguntei espantado.
-Ser gentil o tempo todo estressa, ok? –ele disse coçando a nuca.
-Você é um idiota, Juan. –rimos juntos.
“Mas é o meu idiota”.
Notas finais
Huum, eu acordei com a cena do Juan e do Dawari na cabeça, aí fui escrever rs x3
(é, eu penso muita merda quando acordo)
1, 2, 3, e Catarina está foraa! >8D
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