Servo da Família Sazawori
2 Doce Recepção
Quando a cerimônia finalmente acabou e todos já estavam indo embora, pude pegar minhas coisas que estavam na entrada do castelo. Uma bela moça se aproximou de mim.
Ela tinha olhos bem azuis e cabelos pretos que chegavam a seus ombros. Vestia um longo vestido azul típico de uma criada. Parecia ter uns vinte anos. Com um leve sorriso, me guiou para dentro do castelo.
-Meu nome é Merie, sou uma criada daqui também. –ela disse, com sua voz suave- Vamos, te levarei ao seu novo quarto.
-Uhn... Obrigado. –eu disse, seguindo-a.
Que bom pelo menos agora sei que não vou ser o único aqui. Bem, ela me levou até um quarto numa casinha ao lado do castelo. Que droga, não vou morar no castelo!
Pelo menos não vou ter que ver a cara daquele reizinho toda manhã. Ou vou?
Era um quarto pequeno, mas bastante agradável. Tinha uma cama de solteiro perto de uma grande janela, uma mesinha de cabeceira com um lampião aceso e com duas gavetas e um armário baixo de madeira.
-Sinta-se a vontade. –Merie disse, saindo do quarto- Amanhã tuas tarefas começarão.
Agradeci e me sentei na cama. Olhei pro lado e percebi que tinha uma pilhazinha de dois conjuntos iguais de roupas que deviam ser as que eu teria de usar.
Passei um tempo arrumando meus poucos pertences no quarto. Depois de tudo arrumado voltei a olhar a pilhazinha de roupas e decidi que seria melhor experimentar para ver se cabia em mim. Eles já deviam ter me medido, então já devia ser do meu tamanho. Mas de qualquer jeito fiquei com vontade de experimentá-las.
Desabotoei minha blusa branca lentamente, estava com sono depois daquela tarde tediosa. Quando já estava tirando a blusa, ouvi sonolentamente alguém abrir a porta, o que me fez ‘acordar’.
Olhei rapidamente para a porta e vi o rei entrar, um pouco surpreso por me encontrar daquele jeito, mas nem pensou em sair – maldição, o que ele estava fazendo ali nessa hora? Ele se aproximou de mim.
-Me dá licença? –pedi, ainda com a blusa desabotoada e com minha cara mais ignorante.
-Tenho que falar com você.
-Não pode esperar eu me trocar?
-Não. –ele abriu um sorrisinho- Mas não me importo de você se trocar na minha frente.
-Cale a boca. –eu disse, fechando minha blusa.
-Oh, mas como você é teimoso. –ele disse, se aproximando mais.
Antes que eu pudesse fechar minha blusa, ele segurou meu pulso e quase grudou o rosto no meu.
-O que você quer? –perguntei, tentando me afastar dele.
Infelizmente o quarto era pequeno demais e acabei tombando de costas na parede e com Juan me prendendo ali. Ele deu aquele sorriso pervertido e disse baixo:
-Você é meu, Dawari. Não pode negar. –ele deu uma risadinha- Posso fazer o que quiser com você.
Ele tocou meu rosto delicadamente. Eu forçava minha cabeça para trás tentando me afastar, mas estava preso. Ele era mais forte do que eu imaginava...
Então, como um milagre, alguém bateu na porta. Ouvi a voz de Merie chamando por Juan.
-Rei Juan, perdão. Chamam-te no castelo. –ela disse, abrindo devagar a porta.
Abençoada seja, Merie.
Juan me soltou e foi até a porta antes mesmo da criada me ver preso. Ele agradeceu a gentileza dela por bater na porta e se virou para mim. Dando-me boa noite, saiu em direção ao castelo.
Eu ainda estava encostado na parede, olhando o rei sair. Merie se aproximou de mim e tocou meu ombro, perguntando se estava tudo bem.
-Está, está sim. –eu disse, colocando a mão na cabeça.
Mentira. Não estava tudo bem.
O que acabara de acontecer? O que Juan tinha na cabeça quando agiu daquele jeito? Será que seria assim comigo sempre que ninguém estivesse olhando? Ou era assim com todo mundo?
Estou confuso, muito confuso. A única coisa que quero fazer agora é dormir, e desejar para que um meteoro caia sobre Juan enquanto ele durma.
Sei lá, vai ver acontece, né?
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