Sertão Wars: Os Últimos Cabras da Peste
1 Capítulo 1
Notas iniciais
No tempo do ronca, lá no calcanhar do Juda...
Da primeira vez que Bento viu sua pitanguinha, ele ficou de queixo caído. A mulé era daquelas de parar um jegue em velocidade da luz. Bronzeada de ir buscar água no açude, cara de travessa e, ah!, o jeito que ela o chamava de cabra da peste.
"Sim, eu sou um cabra da peste" ele tinha respondido naquele dia de chuva.
Mas agora Mariazinha estava de joelhos à sua frente e ele tinha de lhe passar a peixeira se quisesse continuar nas terras do Coroné Supremo. Ser o capataz daquele véio de boresta tinha vantagens, mas não ia machucar sua Mariazinha. Era ele ou a pitanguinha.
— Deixe de leseira, cabra! — o Coroné reclamou — Eu te peguei pra criar quando era só um maloqueiro metido a cavalo do cão, pois agora tu me respeite e passe a peixeira nessa biscateira peguenta.
— Pois chegue, Coroné! — Bento botou quente para o velho, se achegando de onde ele estava sentado. Quando o Coroné Supremo achegou, Bento passou sua peixeira de luz no abestado, que caiu barreado no chão de terra. — Até que enfim se acabou esse cabra.
— Oxe, Bento! — Mariazinha se esgoelou — Ocê é arrochado pra peste!
— Pega essa peixeira que eu lhe mostro que também sou ajegado...
Mariazinha deu um pinote quando o macho jogou a peixeira para ela, e ela sentiu aquele bitelão do cabra em suas mãos.
Bento então juntou coragem e se ajoelhou em frente a gasguita com quem queria dar uma pimbada:
— Veja bem, Mariazinha. Ocê é uma ninguém, cria de um chumbado com uma catraia, mas é um pitéu e eu tô doido pra te dar um chêro. Agora essas terra vai ser tudo minha e eu quero uma moça pra chamegar. Casa comigo?
Mariazinha tinha sentido o tamanho da manjuba e estava doida para fisgar o pato, mas teria de esperar para deixar de ser moça.
— Casar? Mas Bento, meu rei tá lá fora com tua mainha na mira dos jagunços!
— Teu rei? Vassuncê fala daquele magote de ingembrado, marreteiro e cabrunquento?
— Num fale assim de Francisco e de Capitão Pedro!
— Esquece esse povo, Mariazinha! Esquece dos jagunço e do cangaço. Faz favô. — Bento estendeu a mão para sua pitanguinha.
— Então num caso com ocê. — Mariazinha disse e correu para pegar na tora a espingarda de Bento. Mas Bento era mais forte e puxou a arma com toda força, caiu para trás e bateu o quengo.
E assim Maria do Juazeiro largou do seu cabra e foi ligeiro salvar seus pariceiros do cangaço Francisco, Capitão Pedro e a mainha Léa em seu pau de arara com sua peixeira de luz.
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