Notas iniciais
Hey Tomara que você goste.

The Killer's Face

Draven Point of View

— Muitas pessoas podem falar ou achar que ele era um sem futuro, mas ele apenas não tinha um futuro totalmente definido. No colegial era difícil você não saber quem ele era. O melhor jogador de basquete de toda a escola, sempre rodeado de pessoas e quando tinha uma oportunidade dava uma festa que era comentada por semanas até que ele fizesse outra. Ele era péssimo em matemática, sério, em que lugar do mundo cinco vezes quatro é dezoito? — eu dou uma risada meio sem graça — Mas isso não fazia dele uma pessoa ruim, isso não fazia dele um amigo ruim. A sua amizade foi uma das melhores coisas que eu tive na vida e hoje eu me arrependo de não ter falado isso para ele o suficiente. Quando éramos mais novos fizemos uma promessa. Teríamos que usar uma gravata amarela com vários desenhos do rosto de quem morresse primeiro. Era uma promessa boba, mas não deixava de ser uma promessa — falo deixando sair a chuva de lágrimas do meus olhos que eu estava evitando que caísse a tanto tempo — Seu idiota! Você sabe o quão difícil foi fazer essa gravata!

Eu sinto alguém vir em minha frente e me abraçar com força, por causa das lágrimas que deixavam minha visão turva eu não consegui reconhecer no mesmo momento, mas depois de um tempo eu percebi que era Ashley.

A notícia da morte de Jake foi ontem e hoje já era o funeral. Nessas vinte e quatro horas, eu não havia chorado se quer uma vez. Mas quando cheguei no funeral e de longe vi o seu caixão, eu sabia que tinha perdido mais uma pessoa importante. Eu tinha perdido meu melhor amigo.

Eu não queria ver o seu corpo dentro daquele espaço feito de madeira. Eu queria que a minha última lembrança dele fosse dele rindo.

[...]

Depois do funeral já ter acabado e da maioria das pessoas já terem ido embora, eu fui cumprimentar os pais de Jake. Sua mãe parecia ainda mais triste e eu perguntava se a ficha dela tinha caído completamente. Diferente de como estava ontem, o Sr. Riley agora tinha uma feição triste e ao mesmo tempo confusa. Depois eu descobri que o tom irritado que ele demonstrava na ligação era por causa do fato de que seu filho havia sido morto e ele queria justiça imediatamente.

Mesmo depois de três horas de funeral e quase duas horas que haviam se passado desde o meu discurso, eu ainda não havia chegado ao menos a cinco metros de distância do caixão.

Eu não iria.

Eu não conseguia.

Ao longe eu pude ver uma figura, que era familiar para mim, sentada em um banco debaixo de uma árvore. Após eu olhar para o céu e observar o clima por alguns instantes, fui em direção a essa figurinha e me sentei ao seu lado e ficamos em um silêncio por vários minutos.

— Até o professor de matemática estava. O Jake nem gostava dele. Falando nisso, essa gravata é ridícula. Você não poderia ter colocado uma foto melhor dele como desenhos do rosto?

Eu olhei para a minha própria gravata e comecei a rir. Logo ela começou a rir também. Essa era a primeira vez que eu ria desde ontem e provavelmente era a primeira risada dela também.

— Ele gostava de você. Ele amava você — Eu falo quebrando o silêncio que tinha se instalado depois das nossas risadas.

— É, eu sei — Ashley fala sem desviar o olhar do céu.

— Como assim você sabia?

— Ele não sabia mentir direito. E além disso, na noite anterior, depois de nós termos saído do BiSeven ele foi na minha casa e ficou jogando pedrinhas na minha janela. Eu abri e ele mandou eu descer, quando eu cheguei lá embaixo ele confessou e perguntou se poderíamos tentar algo.

— O que você respondeu?

Lágrimas saem dos olhos dela e apesar de eu ter escutado ela chorar durante a ligação, era a primeira vez que via ela chorar desde que tudo aconteceu.

— Eu dei um tapa na cabeça dele e logo em seguida o beijei. Mas ele era burro e não tinha entendido então eu disse "Mas é claro, seu idiota".

[...]

Mesmo depois de algum tempo já ter se passado, nós dois continuamos sentados naquele banco, relembrando as nossas aventuras.

— Draven, você percebeu como o clima estava ontem e hoje?

— Sim.

— Eu preciso te contar uma coisa.

— O que foi? Aconteceu algo? — Pergunto vendo a sua expressão mudar para uma mais apreensiva e assustada.

— Quando o Jake foi lá em casa e começou a tacar pedrinhas na janela e eu fui olhar, eu vi lá no final da rua uma pessoa e um sentimento de medo me dominou, mas quando eu vi que era o Jake, eu pensei que havia sido só o efeito do susto que eu havia tomado.

— Pode ter sido isso.

— Mas quando eu desci lá pra baixo eu senti uma sensação de alguém nos vigiando e essa sensação só foi embora quando Jake foi para casa — ela continuou.

— Isso é meio sinistro e estranho.

— Você acha que tinha alguém nos olhando.

— Eu não sei.

— Alguém poderia estar seguindo Jake, e foi na mesma noite em que ele foi morto de acordo com as informações que a investigação revelou até agora.

— Eu acho que deve ter só sido um impressão.

— Eu tenho certeza, Draven.

— Já que insiste, você deveria falar com as autoridades.

— Eu não acho que vá resolver.

— E porquê não?

— Eles vão achar que é só por causa do luto e que deve ser coisa da minha cabeça.

— E oque você sugere que façamos?

— Na minha rua há várias casas com câmeras de segurança, poderíamos dar uma olhada nelas e ver se havia mesmo uma pessoa naquela noite. E se o resultado for positivo, nós relatamos para a polícia.

— Ou depois de verificar as câmeras poderíamos ir atrás dessa pessoa.

— Wow wow wow, você está mesmo propondo o que eu estou pensando? — ela pergunta se virando para mim com os olhos arregalados e uma expressão de surpresa no rosto.

— Sim, vamos atrás do assassino e quando encontrarmos eu o julgarei e lhe darei a sentença que merece, ou eu não me chamo Draven De'Ath.

Notas finais
Tomara que você tenha gostado. Até o próximo capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.