Notas iniciais
Um capítulo seguido do outro. Uhul o/ PS: Se tiver algum errinho, desconsiderem. Não revisei o texto, sem paciência. ):

— Por que acha que eles têm medo de mim? Deve existir algum motivo concreto para essa repulsa a meu respeito! — a Rainha de Copas adquiriu outra estatura. Não estava mais descabelada ou com as vestes amassadas de anteriormente, ela exibia no Calabouço suas vestes para a Cerimônia. — Alice, você não passa de uma lenda criada por pagãos. Felizmente, terá um fim. — ela sorriu e exalou profundamente tentando decifrar qualquer odor estranho no ambiente. — Você me dá ânsia de vômito, inútil. — ela cuspiu as palavras. — Você será exterminada! — ela gritou e chutou a minha cela. Sem rodeios, ela deu de costas e seguiu para a saída acenando para alguns guardas de copas.

Novamente sozinha. Novamente aprisionada. E eu não me tornei astuta ao ponto de saber que Fredeirch não era flor para cheirar-se. ‘Louca’, ‘estúpida’, ‘inútil’, as palavras ressoavam pelo meu subconsciente em xingamentos. Elas falavam coisas horríveis e aos poucos me encolhi no canto da cela, só esperando a hora de perder a cabeça. ‘Por quê? O que havia feito para merecer?’, inquiri enquanto punha a mãos nas madeixas. ‘Você é louca!’, eu puxei meus cabelos de uma vez.

— Socorro! Alguém! — gritei mexendo as mãos com um punhado de cabelo. — Alguém! — quedei a gritar pedindo ajuda.

Milésimos nunca passaram tão vagarosamente desde a era do manicômio. Tamborilava os dedos contra o chão úmido do Calabouço. Eu era tão subordinada, iria persistir mesmo com essa ideia de alguém vir me resgatar? Poderia ser tarde demais. Em quem poderia confiar, ou iria perder de vez essa esperança de encontrar alguém que me entendesse? As lágrimas desciam silenciosamente pela minha face avermelhada. A minha lamúria era soturna também. Eu me belisquei diversas vezes certificando-me que era forte e capaz de suportar a aflição. Algum motivo deveria viver ali para eu ser a Marcada.

Burrice era a definição caso tivessem escolhido uma Alice incapaz. Eu iria dar aquele prêmio de fracasso para os demais em Wonderland? Faria a Rainha de Copas sentir o sabor da vitória? Neguei com a cabeça até que os soluços cessassem.

Assustei-me quando comecei a escutar sinos na minha cabeça. Olhei ao meu redor, não havia além de da escuridão. Eu era louca, mas existia sim, uma esperança. Apesar da parte azeda de minha história não iria arruinar tudo aquilo! Toquei em meu pescoço, o pingente que ali decaía havia sido arrancado pela Rainha. Um ímpeto carregado de fúria fizera-me raspar agressivamente com as unhas as paredes pegajosas da cela. Existia uma maneira para livrar-me daquele local. Com o dedo mindinho fiquei mexendo no cadeado enferrujado. Minha unha acabara sendo mastigada pelas engrenagens velhas e cortantes do cadeado. Meu dedo ardia bastante, um líquido viscoso pintava o cadeado de vermelho. Era sangue; meu sangue.

Uma onda de sofreguidão me subjugou. Eu estava ali atroz tentando abrir o cadeado com minha própria carne. A dor era aguda e irritante, mas a liberdade era um sentimento maior. Foram muitos minutos de dor até a fechadura trabalhar-se a meu favor.

Quis gritar ali mesmo, feliz por ter adquirido um terço da minha liberdade. Eu limitei-me observando dois guardas de copas cochilarem em suas cadeiras de balanço. Ambos carregavam com si um porrete enorme. Sorrateiramente puxei um dos porretes e acertei um guarda adormecido na cabeça, ele rebelou-se e soltou um grito antes de desmaiar. Suficiente para seu parceiro despertar da soneca e olhar-me com imprecisão.

— Vamos, vai em frente! — eu o desafiei com a voz mais cortante que uma navalha. — Não gaste meu tempo, apenas vá em cima! — minhas provocações, felizmente, foram satisfatórias para ir ao limite da paciência do determinado guarda. Ele voara em cima de mim, e pretendia transferir um golpe em mim, até eu levantar o porrete e acertar em seu punho fechado. Ele soltou um berro que logo o limitei. Com o mesmo porrete lhe acertei a boca, deixando uma coleção de dentes podres no chão do Calabouço. O guarda desmaiara.

Não deveria adiar meus pensamentos. Deveria ser mais rápida que uma ave rapina, pois pisava em terras inimigas. Tratei de livrar-me das vestes, não poderia sair da Fortaleza de Copas vestida como Alice, atenção eu esperava não chamar. Despi um dos guardar com nojo eminente na minha expressão e vesti-me com suas vestes desproporcionais em meu corpo. A calça era longa demais para mim e a camiseta era folgada demais — deveria se ressaltar pela minha falta de corpo, eu era puro osso, sem nenhuma feminidade no corpo. A capa negra serviu direitinho e a partir dali cobri meu rosto com o capuz da capa.

Rasguei meu vestido por completo deixando tiras do vestido em locais estratégicos. Na hipótese de virem atrás de mim iria seguir um rastro distinto do verdadeiro.

[...]

Após dar uma última olhada no Calabouço, virei subindo pelos degraus de uma extensa escada. ‘Bem pensado’, elogiei a esperteza da Rainha de Copas. Ela deveria manter o Calabouço tão afastado dos cômodos da Fortaleza por um propósito, ninguém poderia ouvir. Admirava a parede branquíssima a minha frente e aos poucos um sorriso tornou a adornar minha face. Meu dedo mindinho ainda respingava um pouco de sangue. Como uma pseudopintora desenhei um coração — em sinal a Copas — na parede branquíssima.

— Que a Rainha oriente-se, pois a lenda pagã tomou vida. — eu ri enquanto enrolava meu dedo numa tira da capa negra.

Iniciei uma perigosa busca a saída da Fortaleza. Não poderia hesitar em momento algum, daqui a um curto período de tempo a cerimônia deveria está ocorrendo. Iriam sentir minha falta no calabouço, eu tinha que agir com rapidez. Retornei a minha busca com mais acidez e fome por liberdade.

Um alvoroço trouxe uma grande aglomeração de guardas de Copas no Salão Principal. Encolhi-me no propósito de escutar alguma coisa em meio da multidão de guardas. Todos curvaram-se imediatamente quando a Rainha de Copas adentrou no Salão. Fiz o mesmo no intuito de não levantar suspeita alguma, porém pelo canto do olho pude observar sua expressão mais que colérica.

— Imbecis! Todos vocês são imbecis! Como deixaram uma garota qualquer escapar? — a Rainha de Copas vociferava muito zangada. — Tragam-nos! — ela ordenou. Meus olhos brilharam quando vi os dois guardas que vigiavam o Calabouço serem trazidos para perto da Rainha. — Caso algum, sequer não capturar Alice... — ela engoliu em seco. — Terão o mesmo fim desses imprestáveis. — e então, dona de um bom finale, a Rainha de Copas puxou de Cetro de Copas e bateu com ele no chão três vezes. A ponta de um machado aflorou ali e em um simples gesto. Cortou-lhes as cabeças.

A aglomeração agitou-se e muitos ali deixaram o recinto. Eles iriam atrás de mim. Tampei a boca atrás de abafar qualquer som que pudesse sair dela. Seria mais difícil do que havia pensado. A Rainha de Copas poderia saber jogar, mas eu ainda tinha algumas cartas na manga.

— Vamos procurem a Marcada! — ela gritou e puxou de seus bolsos um pergaminho com uma foto. Uma foto minha ainda da infância. Minha primeira visita a Wonderland.

O extenso corredor mal iluminado tentou assustar-me, porém eu colocava o sentimento de vingança acima de tudo. Eu havia sido traída e aprisionada pela segunda vez por causa das escolhas idiotas das pessoas. ‘Estou farta’, pigarreei sozinha. Tratei de arrumar alguma arma naquele ambiente, pela decoração ter um ar medieval pesado, muitas armaduras estavam montadas adornando a extensão do corredor. Olhei de esguelha para os lados, parecia não vir ninguém. Puxei com agressividade uma espada que a armadura tinha em mãos.

A lâmina era afiadíssima, disso pude afirmar ao passar meu dedo pela lâmina cortando-o.

Eu era uma daqueles que era puxado profundamente para o submundo, sem nunca saber quando iriam ver a luz do dia. Eu tinha alguém morrendo sob a minha pele, pele de um salvador.

[...]

— Onde é a saída? — murmurei a pergunta assumindo uma voz medonha.

O guarda de copas a minha frente tentou olhar além de meus olhos, mas não o deixei fazê-lo. Deveria ter notado um pouco de indiferença vinda de mim, mas não contestou. Com a ponta do dedo indicador mostrou um grande portão feito de metal. ‘Como diabos iriam conseguir sair?’, indaguei para mim mesma.

— É lá. Deve pedir a Oicarus para liberar-te. — ele disse rapidamente, onde tive que parar para raciocinar.

Apenas assenti com a cabeça para o guarda ao passo que arqueava uma sobrancelha. Apenas tinha que dar um trato nesse Oicarus para conseguir fugir daquele inferno. Caminhava seguramente pelo corredor já com uma mão na espada, seria fácil manuseá-la, não tinha o mesmo peso da Espada de Copas, esta era mais pesada enquanto a que levava na mão era quase um graveto de tão leve.

[...]

Eu havia chegado no imenso portão de metal. A sombra de um guarda de copas dançava no chão, ele estava fazendo a segurança do portão. Puxei a espada em defensiva, caso algo de ruim viesse acontecer já sabia como agir. Aproximei-me mais do portão e no instante que pretendia mexer nas fechaduras do portão fui repreendida pelo possível Oicarus.

— O que está fazendo aqui? — indagou um pouco desafiador.

— Tenho permissão de caçar Alice no lado de fora da Fortaleza de Copas. — falei convincente ou nem tanto.

— Peculiar sua forma de argumentar. Não podemos chamar a Marcada de Alice. Deves ser bastante audacioso para proferir o nome dessa abominação. — Oicarus explicou aproximando-se. Eu temi que quisesse ver meu rosto.

— Fará isto? — perguntei cortando-o e ele logo parou de aproximar-se.

— Sirvo a Rainha de Copas desde muito tempo e ainda não tive chance de conhecer-te, guarda. — ele não sentiu-se intimidado pela minha ordem. Tornou a aproximar-se.

— Sinto muito pelo fato, mas gostaria de não ter minha cabeça cortada. Fará isto para mim? — perguntei apressada. — Hein? — enfatizei com um pouco de incerteza na voz.

— Sim, guarda. Sua persistência e ambição de encontrar a Marcada chamou-me atenção. Vá em frente! — ele findou movendo somente uma fechadura e a partir dali a estrutura monstruosa do portão pendeu para cima, liberando minha saída. Eu sorri agradecida, havia sido mais fácil do que pensava.

— Obrigada. — sussurrei andando para trás, mas não ousei a olhar para trás receando a exposição de meu rosto.

[...]

Eu corria sentindo minhas pernas doerem demais. Não tinha escolhas, somente podia correr. Se alguém viesse suspeitar eu poderia perder a cabeça num piscar de olhos. Joguei as botas que calçava para longe, meus calcanhares estavam em carne viva. Eu gritei sentindo a dor se alastrar a cada passo que dava. Eu iria suportar, não haveria dor alguma que suprisse o sentimento de traição e fúria que sentia em mim mesma. Eu era a Marcada, eu era capaz de ir de vez fundo naquela batalha.

Um rastro escarlate era deixado por onde andava. Estava perdendo muito sangue ao ponto das alucinações começarem ao pôr do sol. O horizonte assumiu cores fortes e tropicais. Tentei me segurar em alguma árvore, nada achava ali. Corine e Lily estavam em minha frente rindo sem parar, apontavam para mim com desgosto.

— Louca! Alice é louca. — Corine riu enquanto me rodeava em círculos.

— É tão doente que foi aprisionada em um manicômio. Oh, pobrezinha! Tão sozinha! — Lily disse cínica.

— Saiam daqui! Agora! Não sou louca! — gritei curvando-me no chão e caindo de joelhos ali mesmo. — Socorro! Alguém! — gritei sentindo chutes de Lily e Corine em minha coluna. — Parem. — chorei sentindo a dor se ponderar de meu corpo.

Vultos começaram uma dança macabra em torno de meu corpo. Lily e Corine sofreram algum tipo de metamorfose tornando-se parecidas com as dríades que tinha batalhado anteriormente. Todos ali estavam com trajes escuros e seus rostos eram borrados como um espelho embaçado. Tentei agarrar-me na lembrança mais feliz que tivera, porém sem sucesso. Tentei recordar-me do País das Maravilhas e não de Wonderland. Gritei a fim de espanta-los, quando por fim juntei forças para levantar-me senti alguém levantar-me pelos ombros.

— Deixe-me em paz! — gritei exigindo que soltasse-me. O dito cujo ali soltou-me e eu caí esborrachando-me no amontoado de folhas secas.

— Tudo bem, mas deve-me explicações. — murmurou a voz. Virei-me na finalidade de identificar o transgressor.

Era Oicarus. O guarda de copas.

Perdi a cor, semelhando a uma anêmica. Ele iria capturar-me, não conseguia fugir com meus calcanhares latejando.

— Eu posso explicar, por favor. Não leve-me para a Fortaleza irão me punir. — ajoelhei-me pedindo com piedade.

— Sabe que a Rainha de Copas não admite guardas mulheres. Isso é muito arriscado, não irei lhe entregar. — ele disse olhando-me atrás do capuz que cobria meu rosto. — Como chama-se? — e quando ele perguntou, senti minhas perguntas se embaralharem. Não havia reconhecido-me? Não, ele não poderia. Os guardas de copas estavam atrás da Alice criança.

— Não posso voltar para a Fortaleza de Copas. Ela irá cortar minha cabeça. — eu disse, ainda que não quisesse falar a mentira nem a verdade. — Sou Lindell. — disse com firmeza, aquele era meu sobrenome, não estava falando a mentira. — E você é Oicarus. — findei mostrando conhecimento, eu estavam conseguindo convencê-lo que não era Alice.

— Como sabe meu nome? — ele perguntou.

— Eu sei sobre tudo. — eu o provoquei demonstrando mistério.

— Para onde estava indo? — ele perguntou ajudando-me a levantar.

— Havia dito anteriormente, caçar a Marcada. — eu menti e à medida que levanta-me grunhia pela dor que sentia.

— Mesmo? Não parecia. Mais parecia que estava fugindo. — ele disse ainda ajudando-me. — Opa, cuidado. Vamos, te ajudo. — ele passou meu braço por cima de seu ombro ajudando-me a ficar em pé.

— De certa forma sim. Eu estava fugindo a Rainha iria cortar minha cabeça caso soubesse minha existência. — mesclei a verdade com a mentira. — E você? Com que intuito veio me seguir? — perguntei já apoiada em Oicarus.

— Eu.. ahn. — ele gaguejou. — Você chamou minha atenção, és diferente. E duvidei que fosse um guarda novato. Na sua capa está gravado o número cinco. É a capa de algum guarda antigo pelo número. Os guardas novos estão acima do número trezentos. — ele respirou fundo. — E além disto, seu cabelo estava aparecendo, presumi que fosse uma mulher. E a Rainha não admite guardas mulheres. — murmurou ele.

— Então está aqui afim de capturar-me para levar a Rainha? — indaguei olhando-o com firmeza.

— Não. — ele disse. Minha expressão logo mudara para satisfação, ele notara. — Mas não irei deixá-la aqui. Ninguém nunca agradeceu-me, você foi a única. Você mostrou um pouco de humildade, creio eu que devo fazer alguma coisa para agradecer. — ele disse.

— Então deixe-me aqui. Irei encontrar o caminho para casa. — a verdade era que não sabia como iria achar Wonderhood. E também não queria um guarda de copas na minha cola.

— Creio que esteja indo pelo lugar errado para o Vilarejo de Copas...

— Não, eu não moro lá. — eu o cortei antes dele finalizar sua sentença.

— Mora aonde? — ele estreitou o olhar.

— Em Wonderhood. — disse temerosa.

— Está brincando! Não diga-me que és uma Rebelde de Wonderhood que estava rebelou-se contra a Duquesa de Cheshire. — eu o olhei meio confusa, não estava compreendendo, porém apenas assenti com a cabeça. — Minha mãe foi uma, mas após sua morte meu pai tornou-se um aliado a Rainha de Copas. — ele disse.

— Quem são seus pais? — perguntei.

— Pessoas que pretendo deixar no passado. — disse simplesmente ainda olhando-me com firmeza. — Agora vamos atrás de Wonderhood.

— Não! A Rainha de Copas deve está sentindo sua falta na Fortaleza! Vá para lá. — tentei persuadi-lo para deixar-me em paz.

— Não irei retornar a Fortaleza, não acho muito correto cortar a cabeça de uma criança, eu digo da garota Marcada. Quando eu era mais novo, minha mãe sempre contava-me história que a Marcada não era uma vilã e sempre prezava a segurança do povo de Wonderland. Até a Rainha de Copas alienar todos e ordenar os guardas a caçá-la. — Os pelos em meus braços arrepiaram-se quando escutei seus dizeres. — Ela contava que Alice não era do mal. E a Rainha de Copas também assassinou minha mãe. — ele terminou sua última frase com angústia impregnada na voz. — Esperava apenas um estopim para fugir dali.

— Por que está contando-me isto? Não deve confiar em estranhos. — eu disse.

— Correto. Mas você é diferente, como havia dito. Acho que posso confiar em você. — ele disse aquelas palavras e elas me perfuraram com muita maestria.

— Não, você não deve confiar em uma pessoa que acabou de conhecer. As pessoas não são confiáveis...

— Você é confiável? — ele provocou com a voz cheia de ironia.

— CLARO! — gritei um pouco ofendida.

— Então caso encerrado. Agora vamos partir para Wonderhood. — ele disse me apoiando ainda mais em si.

Notas finais
E aí? o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.