Notas iniciais
Terminada em: 15.02.2012 Publicada: 27.02.2014 A música do começo é Never Have I ever (Hot Chelle Rae) Cadê vocês meninas? Sumiram todas! haha Bem, aqui vai mais um capítulo, espero que curtam ;) E se liguem na data de publicação e escrita! Me diverti muito com isso! haha Até o próximo, até lá ^^~

"Never have I ever felt like this before
I've never been the one to knock but now I'm at your door
Well listen very closely you can hear the sound
Of a love that makes my heart beat and my head spin round
head spin round, spin round, spin round, spin round, round, round
I spin round, I spin round, I spin round
(Let's all just turn into pure light)"

–Como assim só depois que você fizer dezoito anos?

Renesmee esconde o rosto entre as mãos, abaixando-se.

–Jane, você podia, por favor, falar baixo? — Anunciar na escola seus problemas sexuais não era exatamente o que ela tinha em mente quando contara para a amiga. As duas estavam na arquibancada, pouco antes do sinal tocar. As pessoas se aglomeravam, tanto ao redor, conversando, quanto pela quadra, quanto mais ao lado, estando em um ambiente fechado, na cantina, que ficava ao lado esquerdo de onde estavam.

–Esse homem deve ter um problema! Não é possível ele só fazer sexo depois de você ter dezoito! — Dessa vez a menina cora até a raiz, quando uma menina que estava em um grupo a frente, se vira e lança um olhar para elas.

–Jane, baixo! — Murmura, entre dentes, mas o inconformismo falava mais alto.

–Precisamos fazer algo a respeito disso.

A ruiva começava a fazer com que se arrependesse de ter contado. Se soubesse a comoção que faria, teria se segurado, com toda certeza. Respira fundo, pensando que talvez, quem sabe, pudesse se satisfazer de toda aquela revolta.

–E o que você faria a respeito?

O rosto de Jane se volta para si e ela sorri, perigosamente.

–-/--

Renesmee entrava em casa cansada depois da aula de educação física. A amiga passara o dia inteiro pensando em soluções para a sua história, ao ponto de quase leva-la para a histeria.

–Boa tarde amor! — Bella diz, do sofá, onde lia uma revista.

–Oi mãe — A menina responde, sem ânimo, arrastando-se escadas acima.

–Se você quiser almoçar, coloquei a comida na geladeira! — A moça grita, para que a outra escutasse. A ruiva não se importa, jogando-se em seu quarto, tomando um banho e deitando-se para dormir, logo em seguida. Quando suas ideias começavam a ficar confusas, nada era melhor do que umas boas horas de sono.

Acorda atordoada, um zumbido alto sendo ouvido. O céu já estava escuro, e pela janela aberta entrava uma brisa gelada. Encolhe-se na cama, e mexe a língua devagar, sentindo a garganta e a boca secas. Senta-se na cama, só então notando que o zumbido era o som do celular, que tocava, alto. Estica o braço, puxando a mochila para perto, abrindo o zíper e revirando o conteúdo, alcançando o aparelho bem quando ele parava de tocar.

Resmunga alto e olha, percebendo que perdera três ligações de Jacob. Estranha por um momento, não sabia que estava dormindo tão pesado. Liga de volta, ouvindo o toque apenas duas vezes, antes de alguém atender do outro lado.

–Nessie? — A voz dele a fazia sorrir, inconscientemente.

–Jake — Responde, com a voz calma, mas sem conseguir esconder a animação contida.

–Tentei te ligar a tarde inteira — Ele diz, mas solta um pequeno grunhido no final, que a menina deduziu que fosse um sorriso. Ela se ajeita na cama, espreguiçando-se.

–E o que era tão urgente que você tentou ligar a tarde inteira? — Finalmente encosta-se a cabeceira da cama, achando a melhor posição para ficar. Falava de maneira serelepe.

–Gostaria de dizer que eram boas notícias — A menina franze o cenho, esperando-o continuar. – Sua mãe me ligou... – A menina sentiu o corpo gelar diante da perspectiva — E calma, não foi nada demais. Ela só quer marcar outro jantar. – A moça solta uma risada nervosa.

–Não me assusta desse jeito, idiota! – E dessa vez, ele ri.

–Não é esse o problema, ela mais me chamou para um jantar na casa da loira lá... O problema é que eu não tinha motivos para recusar, então aceitei.

–E qual exatamente é o problema? — Ele solta um som descrente.

–Como você pretende agir? Para que nenhum deles perceba?

Aquilo não tinha passado por sua cabeça, e, agora que ele falava, Alice realmente podia ser um problema, ela geralmente olhava para um casal e já sabia o que estava acontecendo exatamente. Era pior que o esperado, melhor que o imaginado.

–Podemos... Agir naturalmente? Ou tentar...

–Naturalmente Nessie? Nosso natural já não é o mesmo de antes, qualquer coisa que a gente fizer já não vai mais ser natural, vai ter que ser pensada.

–Calma Jake, acho que você está pensando demais. A gente tenta, simplesmente agir como a gente fazia antes, que tal? Parece ser simples o suficiente.

É a vez dele suspirar fundo, tentando se acalmar.

–Você deve estar certa, não temos motivos para surtar dessa forma. Estou pensando demais — E ele tenta repetir isso para si mesmo por alguns segundos, o silêncio que se instalara na linha provinha dos dois tentando imaginar a situação.
Ele percebe e tenta quebrar um pouco o clima.

–E então... Como foi seu dia?

Disso a menina volta a sorrir, seca.

–Jane acha um problema não fazermos sexo – Diz, soando divertida – Aparentemente, um grande problema, que ela está tentando contornar de todas as formas.

É a vez dele de rir.

–É mesmo é? Isso pode ser um perigo.

–Acredite quando eu digo, é um perigo. Ela não falou ou pensou em outra coisa o dia inteiro.

–Opa, e vocês chegaram a uma solução?

A menina ia responder, quando ouve sua mãe chamando, do andar de baixo.

–Um momentinho. – Pede, prestando atenção na outra voz. – O que foi mãe? – Fica alguns instantes a escutar, mas depois desiste, voltando a colocar o aparelho na orelha – Desculpa, minha mãe tá chamando, vou ver o que ela quer, depois te ligo de volta ok?

–Tudo bem. — Os dois desligam e a menina desce, não antes de colocar o celular no bolso de trás do jeans que usava.

–Mãe? Tudo bem? — As luzes estavam todas apagadas e a menina demora um pouco para lo calizar a mãe no quarto dos fundos, na sala de filmes. Abre a porta apenas para se deparar com um sorriso de satisfação no rosto da morena.

–Acabei meus manuscritos! – Exclama – O que acha de assistirmos um filme e pedirmos besteiras para comer?

A menina ri.

–Claro, claro, do que você vai querer?

–Qualquer coisa que você escolher está bom pra mim!

Rapidamente alcançando o celular no bolso, a menina manda uma mensagem para seu, aparentemente namorado, enquanto pedia a comida. As próximas horas foram passada entre muitas comédias românticas, acessos de risada, comida chinesa, sorvete e até mesmo pipoca.

–-/--

A semana transcorre rapidamente, com Nessie indo do colégio para casa, perdendo-se um pouco em um trabalho escolar que lhe causava estresse e a impedia de ir visitar Jake.

Era um trabalho parcialmente comprido, e o maior nervosismo gerado foi pelo grupo sem força de vontade que a menina pegara, fazendo-a voltar para casa quase todos os dias bufando. Passara os dias em cima do tal trabalho, só conseguindo termina-lo as cinco da manhã de sexta-feira, tendo de emendar o dia, correndo para a escola, para entrega-lo, as sete.

Voltou para casa exausta, sem cabeça para pensar em mais nada, a não ser se jogar na cama e dormir, a tarde inteira. Acorda já por volta das sete da noite, no meio do silêncio, grogue e com dor de cabeça, por ter dormido no horário errado.

O quarto já estava totalmente escuro, apenas uma leve luz entrando da rua, por uma frestra da cortina, logo atrá de sua cabeça, atrás de sua cama. A menina tenta umedecer a boca, sentindo-a seca, desconfortável, a garganta dolorida.

Sente-se, coçando os olhos, espreguiçando-se e bocejando. Levanta-se para o lado da escrivaninha, pisando por engano em um caderno que esquecera no chão, bem na espiral, xingando-a pela dor que lhe acorda um pouco.

Por que todo aquele silêncio? Sua mãe não deveria estar acordada? E de férias?

Pé ante pé a menina vai até a porta de madeira, pintada de branco, onde as roupas se acumulavam, penduradas atrás, onde deveria pendurar bolsas. Abre a porta para um corredor escuro. É só então que lembra-se que como ficara ocupada os últimos dias, Bella saíra com Alice.

Suspira, descendo, percebendo no meio da escada o quanto sua trança de raíz estava destruída. Estala os lábios, o chão frio sendo desconfortável.

Entra na cozinha e acende a luz, sentindo-a machucar seus olhos, cobrindo-os com os braços e gemendo alto. O chão de azulejo era ainda mais gelado, então apressa-se em abrir a geladeira branca no extremo oposto a entrada, pegando um copo de água e voltando para a proteção do carpete no corredor.

Sente um arrepio pela diferença, mas agradece quando sente o líquido descer pela garganta, refrescante. Sorri, deixando-o na mesinha de canto que ficava logo ao lado do arco redondo da cozinha. Volta a subir, sentindo o vestido levemente rodado bater em suas pernas no processo. Era um vestido amarelinho, florido, que ela só usava quando estava quente ou quando estava de extremo bom humor.

Entra no quarto e percebe que tinha um pouco de fome. Grunhi, inconformada, acariciando o estômago por cima do vestido. Teria de descer para preparar algo para comer... Ou...

A segunda ideia a agradara imensamente mais que a primeira, por isso calça suas sapatilhas pretas, e, ainda sorrindo, fecha a porta atrás de si. O ar da noite era refrescante, um pouco demais até, deixando-a a indagar por que não trouxera seu agasalho.

Abraçando-se a si mesma, apressa o passo, procurando chegar o mais rápido possível. Sem que olhasse, distraindo-se pelas imperfeições do asfalto, chega rapidamente, passa pelo saguão sem dizer nada e sobe pelo elevador.

Finalmente, a luz acendendo automaticamente quando chega ao andar, bate na porta duas vezes, ainda arrepiada pelo friozinho. Presta atenção e ouve a televisão ligada no interior. Ouve quando alguém chega na porta, o barulho da chave na fechadura.

Jake abriu e durante apenas alguns segundos, pareceu surpreso. Nessie sorriu, inocentemente, mas antes que conseguisse se conter, o comentário saltou de seus lábios.

–Você não tem uma blusa? – É a vez dele sorrir da gracinha da menina, a expressão dele se abrindo, enquanto ele dava alguns passos para dentro, permitindo que ela entrasse.

–Não sabia que precisava de uma quando eu estava sozinho no meu quarto. – Sem se preocupar com o convite, a ruiva entra e fecha a porta atrás de si, sentando-se na cama macia, bagunçada, a luz de cor amarela sendo confortável, enquanto o moreno abria uma gaveta e revirava a procura de uma blusa. Ele se vira para encara-la. – O que aconteceu com o seu cabelo?

Instantaneamente a moça leva as mãos a cabeça, os olhos arregalados, deixando um 'merda' escapar baixinho por seus lábios. Solta o cabelo rapidamente, passando os dedos longos e delicados entre os fios, tentando ajeita-lo. Incrivelmente, no final de alguns segundos, o cabelo estava em ordem, os cachos que se formavam em suas pontas em um formato bonito e convincente.

Distraída, a menina continua a mexer nos fios, mecanicamente. É só então que ela levanta os olhos e percebe que o moreno seguira atenciosamente seus movimentos, quase fascinado. A moça sorri, tentadoramente, sem saber do seu poder sobre o homem a sua frente.

Ele balança a cabeça negativamente e limpa a garganta, finalmente vestindo a camiseta preta, e só então voltando-se para ela, fechando a curta distância entre eles, sentando-se ao lado dela na espaçosa cama.

Trocam um pequeno selinho de cumprimento, para depois se encarem durante alguns segundos. Ele sorri, sem graça.

–Você não me avisou que vinha, fui pego desprevenido! — E estica o sorriso, os olhos brilhando com um ar brincalhão.

Ela abaixa os olhos por um instante, levando um pedaço do cabelo que caía para frente, para trás da orelha, brincando com o vestido, antes de voltar a encara-lo.

–Uma surpresa agradável, eu espero.

E ele faz um sinal negativo, de desaprovação, mas sem perder o humor no olhar.

–Não acredito que você realmente quer que eu declare esse tipo de informação!

Ela ri, baixinho.

–Desculpe não ter aparecido essa semana, estava com um trabalho, e não estava conseguindo respirar direito por causa dele.

Ainda sorrindo ele dá de ombros.

–Você não precisava se justificar. — Ela cruza os braços e levanta uma sobrancelha. Ele a encara de maneira estranha, tentando ver o que fizera errado — Quer dizer então que você não se importa? — E embora ele ainda sentisse aquele tom de brincadeira em sua voz, resolveu tratar de se explicar rapidamente.

–Não é isso, você sabe muito bem. Só queria dizer que sabia que você devia estar fazendo algo importante ok?

Ela faz um ar de 'sei, sei', mas não consegue esconder o sorriso divertido dos lábios.

–Ai, não é por nada, mas o que você acha de pedir uma pizza? Estou morrendo de fome!

É a vez dele erguer uma sobrancelha, e depois cair na gargalhada.

–E eu aqui, achando que você tinha vindo pela minha incrível companhia! Olha só isso, como as coisas são... – Ainda rindo, levanta-se, para pegar o celular na cômoda, discando o número rapidamente. – De que você quer? — Pergunta, tampando o falante, caso alguém atendesse antes de decidirem.

Imitando sua mãe, apenas alguns dias antes, a menina simplesmente faz um sinal de 'tanto faz' com a cabeça. Não se importava de verdade, gostava de todos os sabores de pizza, sem exigências. No momento, queria apenas saciar sua fome.

Deita-se, jogando-se contra a cama, as costas batendo no macio, suavizando o baque. Suspira, passando a mirar suas mãos, a seu lado, misturadas a seus cabelos cor de cobre. Estava cansada. Sente o moreno sentar-se a seu lado na cama, instantes depois.

Subitamente, sente-se um pouco desconfortável, talvez fosse ele, não saberia dizer, que lhe passara o sentimento. Provavelmente não estavam acostumados a situação que se encontravam, e não sabiam direito como agir, pelo menos é o que lhe passa pela cabeça. Ainda mais quando teoricamente tinham de manter a situação sob controle. Podia ser bem mais difícil do que as pessoas podiam imaginar.

Respira fundo, sentando-se, o cabelo sendo jogado para trás no processo. Percebendo que a situação poderia agravar-se, rapidamente acha um tópico para mantê-los falando e menos sem graça.

–E então, o que você anda fazendo sem minha magnífica companhia? – Ele sorri, balançando a cabeça, em seguida passando a mão pelos cabelos bem curtos, bagunçando-os de leve. Ele passa a língua nos lábios para umedecê-los.

–Como ser humilde quando se é brilhante, não é mesmo? – Ela cai na gargalhada, mas ele não se abala, continuando a falar — O que você acha que eu fiz, hein mocinha? Tive de trabalhar né não? Às vezes é bom!

Ela ri ainda mais, os cabelos caindo para frente, os cachos raspando de leve em suas pernas no processo, os ombros mexendo de leve, enquanto tentava se conter. Quando finalmente consegue se recompor, vira-se para encarar Jake, e dessa vez, tem toda a noção de como ele a encarava, os olhos até brilhante, analisando-a, desejando-a.

A menina sente-se extremamente envergonhada subitamente e abaixa o rosto. Até tenta puxar um pouco a saia, pela exposição.

–Senti a sua falta. – Ele fala baixo, grave, e ela consegue sentir sua proximidade, a pele arrepiando-se. Levanta o rosto apenas para ter um beijo roubado, primeiro de leve, depois intensificando-se. Rapidamente, a menina esquece tudo o que sentia antes, entregando-se ao momento.

As respirações eram rápidas, e ela sente um arrepio por sua coluna, quando as mãos fortes passam por sua coxa, segurando-a com vontade, sentindo a textura e o calor. A menina geme devagar, momento aproveitado para o aprofundamento do beijo.

Sente o calor aumentar drasticamente entre suas pernas, sentindo a mão dele apalpar de leve por debaixo de sua saia, mas sem nunca sair de sua coxa, cuidadosamente. O puxa de leve, um pouco mais para cima de si, as mãos presas no pescoço dele, mexendo de leve nos cabelos lisos.

Adorava o contato do corpo dele contra o seu.

Sem pensar muito no que fazia, ela toma a iniciativa, subindo no colo de Jake, encaixando uma perna de cada lado de seu corpo. Ele a puxa pela cintura, aproximando-os, e volta a passar a mão, por suas costas e por suas pernas, quase que em um êxtase frenético.

As línguas entrelaçadas, molhadas, agora pareciam conter eletricidade, excitando-os. A moça apoia os braços nos ombros fortes e se deixa levar em um suave movimento de vai e vem, para cima e para baixo. É a vez dele grunhir, quando ela sente que os movimentos começavam a surtir efeito.

Ele pára de beija-la, puxando seus cabelos um pouco para trás para isso, e não antes de morder os lábios pequenos de leve, passando a dar atenção a seu pescoço, mordendo-o e sugando-o, enquanto a apertava ainda mais firme contra si mesmo. Ela volta a gemer alto, esquecendo tudo em volta. Dessa vez conseguia sentir tudo mais forte, porque tinha um tecido a menos entre eles.

É justamente aí que Jake pára as carícias, afastando-se suavemente, e limpando a garganta. Ela o encara, sem entender muito bem, ainda anestesiada pelo que acontecera.

–Nessie, você está de vestido... – A voz estava mais grave que o normal, mais pesada. A menina não assimila, a razão ainda não voltando por completo.

–E daí? – Tenta entender, ajeitando o cabelo para trás, sentindo calor, dessa vez sem se importar com o que sentia bem embaixo de si, no meio de suas pernas.

Ele sorri, um pouco sem graça, um sorriso enigmático brincando em seus lábios. Ele volta a limpar a garganta, empurrando-a suavemente, obrigando-a a ficar de pé e sair de cima de si, e é só então que lhe ocorre que ele provavelmente também a conseguia sentir muito mais, por ela não estar de calças.

Ela suspira alto, contrariada. Aquilo de sempre terem de parar na melhor hora começava a cansa-la. Ajeita os cabelos e assopra a franja, sentando-se na cadeira, cruzando os braços. Seu humor mudara bem rápido, até para o que ela mesma estava acostumada.

Jake respira fundo algumas vezes, antes de se virar para a menina, que agora encarava o chão e suspirar, revirando os olhos.

–Você acha que eu gosto disso? – Ele pergunta, quebrando o silêncio. Ela demora a responder, prestando atenção às formas estranhas que se formavam no carpete, mesmo quando esse deveria, supostamente, ser liso. Ao fim de um minuto, ele se impacienta — Nessie, olhe pra mim! – Ela o faz, contrariada — Eu não consigo fazer isso ok? Ou melhor, não quero fazer isso. Sua mãe — A mínima menção de Bella fez o corpo da ruiva contrair-se, involuntariamente. Ele finge não perceber e continua — Tem sido minha melhor amiga desde que eu consigo me lembrar, e eu já estou traindo a confiança dela só de estar com você, eu não quero fazer isso antes de falar com ela. Acho que a apunhalada nas costas já é de tamanho suficiente, você não acha?

Ela suspira, choramingando de leve.

–Você está certo – Diz, baixinho, depois de ouvir o que ele falara. Afinal, tais pensamentos também não estavam em sua própria mente? — Eu também me sinto da mesma forma, mas esse negócio de auto controle me deixa louca! Se já estamos juntos, por que não ficamos juntos de uma vez e só dizemos a eles que estamos juntos e ponto!

–Se você estiver disposta a contar para eles agora... – Ele colocara as cartas na mesa e ela sabia disso. Não era maldade, não era algo que ela discordava, mas ainda assim, ela não podia evitar sentir-se indignada sobre estar negociando sobre sua vida sexual e de certa forma, sua própria vontade. Chantagista barato!

A menina joga os braços para cima, de revolta e solta um grunhido de raiva, expressando-o com as mãos. Os dois caem em silêncio durante alguns instantes.

A menina entrava em seus próprios pensamentos, e deduzia que Jacob fazia o mesmo. Ela o encara com o canto dos olhos. Por sorte ou total azar, apaixonara-se por alguém mais velho. Ele era dono de sua própria vida, e quando ela o conhecera, ele ainda achava que amava sua mãe. Para ele, manter um relacionamento escondido, quando ele não precisava fazê-lo, diferentemente dela, vale lembrar, devia realmente ser um pé no saco.

Está bem, sendo justa, ela não precisava manter o relacionamento deles escondido, mas ainda assim, precisava encontrar o momento certo para contar. Não era como se fosse ser algo fácil, para seu pai, com certeza, mas mesmo para sua mãe. Como você se sentiria se seu melhor amigo de infância, do nada estivesse pegando a sua filha?

Ou talvez o problema fosse outro inteiramente. Na verdade, era outro. Ela era muito nova, e ele não. Ele era mais velho, e logo, o responsável ali. E ele tinha consciência disso, ela sabia. Ele não podia simplesmente dormir com ela como se fosse uma coisa leviana, porque não era, principalmente levando em conta quem ela era. Ele gostava dela, ela dele, era teoricamente um relacionamento mais sério, não era? E dormirem juntos, significava ir um passo a frente? Era isso que significava em um relacionamento sério? Ou estaria confundindo tudo no final? Pelo menos a primeira parte, sobre a responsabilidade e sobre quem ela representava estava correto. Ela suspira, apoiando as mãos no joelho e a cabeça nas mãos.

–Desculpe-me... – Diz baixinho. Ele sorri de leve, de um lado só. O sorriso torto que tanto a fascinava.

–Eu também — Ele responde.

Ele não iria ceder e ela percebia isso agora. O jeito seria ir com calma, e não se jogar como fizera até agora, tentar controlar-se. Deixar tudo nas mãos dele era maldade, e ela sabia. Um sorriso passa em seus lábios.

Nisso, o telefone toca. Jake inclina-se na cama para atendê-lo.

–A pizza chegou!

–-/--

A ruiva chega em casa percebendo que nem ao menos discutira com Jake sobre o dia seguinte, o jantar na casa de Rosie, um de seus objetivos, o menor, é claro, quando saíra de casa. Suspira, arrastando-se para o quarto. Estava exausta.

Aquela história seria mais complicada do que imaginara originalmente. Mas também, olha o tipo de situação que ela se metia. Na verdade, todo aquele relacionamento seria mais difícil que o previsto. Só o que sentiam um pelo outro, no momento, estava longe de ser o suficiente.

Quando se vê no topo da escada, sua mãe subitamente abre a porta do quarto, já de camisola. A menina massageava o próprio pescoço, tentando tirar um pouco da tensão da noite.

–Achei que você tinha saído com a Jane para uma festa – Comenta a mãe, reparando que a filha ainda usava as mesmas roupas de quando saíra de manhã para a escola. A menina faz uma cara de estranhamento.

–Achei que tinha deixado claro que não ia mais fazer isso. – A mãe suspira.

–Você não deixou nenhum recado...

–Merda! – E leva a mão livre a boca – Desculpa, eu esqueci! Por que você não me ligou no celular?

–Eu liguei, mas você também esqueceu ele aqui... – E dessa vez a morena lhe lança um olhar de reprovação.

–Desculpa mãe — E dessa vez, sua mente funciona realmente rápido – Eu estava entediada e resolvi sair, assistir um filme, encontrar com a Jane – E estica o sorriso – Mesmo sem ir a nenhuma festa... Desculpa, desculpa, desculpa...

A moça descarrega um pouco a expressão, quando a menina precipita-se e a abraça, os cabelos caindo para frente, cobrindo seus ombros.

–Tudo bem, tudo bem... – E beija de leve o rosto da menina – Mas agora vá dormir porque já é tarde e temos coisas a fazer amanhã.

A menina concorda, antes de se retirar.

–Boa noite mãe.

–Boa noite Nessie!