08

"...Sua mente não é sua

Seu coração sua, seu corpo treme

Outro beijo é o que é preciso

Você não pode dormir, você não pode comer

Não há dúvida, você está fechado

Sua garganta está apertada, você não pode respirar

Outro beijo é tudo que você precisa

Você gosta de pensar que você está imune às coisas, oh yeah

Está perto da verdade, de dizer que você não pode ter o suficiente

Você vai ter que enfrenta-lo

Você é viciado em amor

Você vê os sinais, mas você não pode ler

Você está correndo a uma velocidade diferente

Seu coração bate em tempo duplo..."

Nessie acorda sentindo-se incrivelmente bem na manhã de sábado, e, com exceção de seu tornozelo que parecia querer tira-la do sério pelo tanto que doía e estava inchado, estava melhor do que já estivera em um bom tempo.

Sentia-se leve e disposta. A conversa com Jake dera uma nova perspectiva a sua situação. Talvez realmente não fosse tão ruim assim, e pudessem tentar permanecer como amigos.

Sai da cama, espreguiçando-se demoradamente. Enquanto se trocava, pensava no que decidira fazer a seguir, e embora se sentisse um pouco envergonhada por ter de fazê-lo, não voltaria atrás.

Desce, encontrando os pais conversando baixo, na cozinha. Ela entra sorrindo, mas pára, antes de sentar-se, deixando-os a encara-la.

-Preciso dizer uma coisa a vocês – Diz, balançando de leve os cabelos alaranjados.

-Pois vá em frente, diga – Edward achava estranho o comportamento da menina. Ela apenas respira fundo, tentando se acalmar, encontrando as palavras certas.

-Queria... – E os encara, pensativa – Queria pedir desculpas pelo modo como vim agindo, estava sendo mimada e irresponsável e vocês tiveram de agüentar tudo, por isso quero que me desculpem e que saibam que a minha fase de festas finalmente acabou. – E sorri de leve, aliviada por ter conseguido colocar tudo para fora.

Os pais se encaram, boquiabertos, demorando alguns instantes para se recuperar do impacto. Assim que isso acontece, Bella se levanta, dando um abraço na menina, suspirando.

Pelo visto, ela esperara por aquilo durante um longo tempo.

Nessie começara a amadurecer.

-/-

Já no carro, a caminho da casa de Rosalie para o almoço, sorri quase imperceptivelmente para si mesma, lembrando-se do dia anterior.

Só a presença de Jake era o suficiente para estampar seu rosto com um sorriso durante horas, seu coração parecendo aquecer um pouco, se sentia até um pouco boba. Suspira, já desistira de tentar entender o que acontecia consigo. Era algo que estava fora de seu controle.

Ainda assim, não existia nada melhor do que saber que ele a perdoara. Era como se tivesse autorização para se sentir leve novamente.

Desce do carro, subindo ao apartamento ainda sentindo-se assim, aparvalhada.

-E aí gente? – Emmett os cumprimenta com um sorriso – Pequena? – E bagunça seu cabelo, fazendo-a grunhir baixo, mas rir em seguida para o moreno, que devolve a simpatia. – Ué, hoje não trouxeram o agregado? – E ri de sua própria piada, fechando a porta.

Sentam-se, Alice e Jasper já presentes, conversando animados. Os que chegaram lhes cumprimentam, entrando na conversa.

-Sobre o que falavam? – Bella pergunta, sorrindo, simpática.

-Nomes de bebês – A loira responde, sorrindo, plácida, sua beleza ressaltando-se desse jeito, tal qual uma estátua de mármore, quase bonita demais para ser real. Bella e Edward trocam um olhar preocupado, fazendo-a sorrir. – Não se preocupem, estou melhor. Estava discutindo exatamente isso, os nomes que pretendo colocar uma vez que eu consiga adotar.

E Emmett senta-se a seu lado, depositando a mão em seu joelho.

-Nada como Renesmee para nossa filha – O homem diz, sorrindo, maroto. A ruiva lhe mostra a língua, mas ri, o pai da mesma rolando os olhos.

O grupo conversa alguma coisa, entretido, e, tão boa a companhia, nem veem o tempo passar, acabando por almoçar tarde. Depois do almoço, acabam voltando para o lugar onde anteriormente estavam, agora ainda mais empolgados, mas organizando-se em mini-grupos, cada um com uma taça de vinho nas mãos.

Jasper conversava com Bella, os dois falavam de algum livro que haviam lido recentemente, e, aparentemente era muito interessante, enquanto Rosalie e Alice discutiam alguma coisa de moda e mídia.

Nessie aproxima-se de Emmett e Edward, também segurando uma taça na mão, a idéia de que ela pudesse não beber nas festas que freqüentava passando bem longe da cabeça dos presentes.

-E aí baixinha? – O moreno repete, fazendo-a sorrir de leve. – Ouvi dizer que você largou as festas, é verdade? – E toma um ar sério, que não combinava com ele.

-É sim, não vejo mais o que poderia fazer por lá agora...

-Como não? E como você pretende se divertir agora?

A menção daquele comentário a faz voltar a rir, entretida. Como pudera achar que Emmett pensava minimamente diferente?

Nisso, Jasper e Bella se aproximam.

-Mas sério, o que aconteceu ao agregado? Tinha certeza que ele viria hoje, até colocamos um prato a mais na mesa pra ele. – E o moreno troca olhares com Jasper, voltando sua atenção para os pais da menina, que os encarava, sentindo que daquele comentário, nada de bom podia vir.

-Ele achou um hotel – Bella responde simplesmente, dando de ombros.

-Sério? Mas a gente estava esperando tão ansiosamente que ele viesse – O loiro toma, sorrindo. – A gente queria atazanar o Edward um pouco. – E confessa, sem culpa. Emmett cai na gargalhada.

-Ah gente, nem teria como vocês fazerem isso – Bella tenta defender-se – Jake é meu amigo, melhor amigo, mas ele nunca foi competição para o Edward. – E embanana-se nas palavras.

Os outros dois homens caem na risada. Nessie começa a sentir-se desconfortável com o rumo da conversa, cruzando os braços.

-Como não? Chegava a ser engraçado como você falava dele, sempre estávamos esperando você voltar para os seus sensos e largar o Edward por ele! – E Jasper tenta controlar o riso diante do comentário, mas falha, rindo mais.

-E quando ele apareceu aqui, achamos que você finalmente tinha decidido largar o chato do meu irmão e voltar para alguém mais decente... Que desilusão... – O ruivo fechara a cara a tal ponto, que qualquer outra pessoa, senão os presentes, provavelmente teria medo. Bella tentava remendar, mas os dois não pareciam ligar muito para isso.

Surpreendentemente, quem se via mais incomodada com a situação era Nessie. A menina mordia o lábio inferior e abaixara o rosto, tentando conter a raiva que lhe tomava.

Por que eles não faziam favor de calar a boca de uma vez?

-Vou tomar água! – Anuncia subitamente, saindo, praticamente pisando duro. A atitude faz os homens estranharem apenas por um instante, antes de voltarem ao assunto anterior. Bella troca um olhar desconfiado com Edward, que não parece gostar do que via. Era um desagrado atrás do outro.

Já na cozinha, a menina respira fundo, tentando se acalmar, realmente largando o vinho e tomando um copo de água, percebendo que aquilo de nada servia para acalmar seus nervos.

Quem eles pensavam que eram para fazerem insinuações daquele tipo de Jacob? E ainda por cima, com sua mãe! Não podia ficar pior.

Nunca antes sentira uma vontade tão forte de bater e xingar alguém, como sentia agora.

Algo lhe vem à mente, pulando, uma epifania que se negara a perceber, mesmo que estivesse bem diante de seus olhos todo o tempo. Estava com ciúme de Jake e sua mãe? Engole em seco, encostando-se a bancada atrás de si. Por que estava com ciúmes? Quer dizer, não podia estar com ciúmes!

Sente o ar faltar um pouco, rindo ironicamente de si mesma, da imagem de si no momento.

Ciúme de sua própria mãe? Subitamente, sente a garganta fechar de leve e fica com vontade de chorar, obrigando-se a engolir as lágrimas, perturbada. O que estava fazendo consigo mesma? Era autodestrutiva de novo? Tinha acabado de por fim àquele capítulo a sua vida, não tinha?

-Nessie? Tudo bem? – A voz musicada, ressonante de Alice é ouvida, e a moça pequena, de cabelos espetados, com trejeitos de bailarina pára a sua frente, o rosto levemente enrugado, parecendo analisa-la, preocupada.

-Eu estou... – E não consegue mentir, sentindo-se fraca e instável. Tinha vergonha de si mesma. Acreditara-se mais forte do que isso. A morena menor que si a pega pela mão, obrigando-a a sentar-se.

-Pronto, pronto – E lhe entrega outro copo de água, sentando-se a seu lado, e pegando a mão entre as suas, o rosto de fada, delicado, de maçãs salientes tinha toda a atenção em si. – Pode me contar, estou aqui para ouvir.

A ruiva pensou sobre o assunto, as reações da moça lhe passando pela mente. Seria uma vantagem ou desvantagem conversar com Alice? A teria como aliada, ou apenas outra perturbação?

Tentando deixar mais pensamentos confusos de lado, a menina respira fundo, procurando as palavras, por onde começar.

-E se... Por hipótese, é claro, você achasse que está gostando de alguém... – Pausa, mas a morena parecia tão atenta, que a incentiva a continuar – Mas essa pessoa estivesse fora do seu alcance por algum motivo, e você não soubesse se ela corresponde seus sentimentos. E na verdade, não tem nem certeza para começo de conversa, se o que você está sentindo é amor. O que você faria?

A moça ri, o riso parecendo um sino delicado batendo, sendo extremamente agradável de se ouvir. Seus olhos brilhavam com um ar malicioso. Nessie engoliu em seco. Tinha esquecido o quanto perspicaz Alice podia ser.

-Acho que quando você gostar de alguém, vai saber disso Nessie – E estica o sorriso, malandra – E quanto a ser correspondida, toda mulher acha um jeito de descobrir isso – E morde o lábio inferior, insinuante.

-/-

As palavras de Alice lhe acompanharam de volta para casa, pesadas em sua mente. Deita-se ainda ponderando sobre elas. Não queria admitir, mas era possível que estivesse sentindo algo mais forte que atração por Jacob Black, não era?

Engole em seco. Seria melhor pensar nisso depois, provavelmente, e apenas se concentrar em dormir.

Acabara por nem tocar o piano, mas, de certa forma, sentia-se feliz com isso. Queria que Jacob estivesse consigo quando tocasse, queria que ele a visse tocar.

Com esses últimos pensamentos, entrega-se ao sono, perturbado, indeciso.

Acorda com um sentimento angustiante no peito, e percebe-se com uma vontade tremenda de ver Jake. Nunca sentira isso antes, nem com seus pais, não era saudade. Era algo diferente, forte. Engole em seco, tentando afastar o peso, mas falhando.

Come alheia ao que acontecia ao seu redor, e, apenas para não quebrar o costume dos últimos dias, chega à escola semota, sentando-se, um pouco perdida.

Jane se aproxima, balançando uma mão no ar, com expressão de tédio.

-Já vi que vou preferir a antiga você. A nova você nunca presta atenção em nada do que eu digo. – Foca sua visão na menina, mas ainda assim, não conseguia deixar de pensar em Jacob, o que começava a incomoda-la.

-Acho que vou ver o Jacob depois da aula – Diz, simplesmente para não ficar quieta e não irritar mais a amiga, que levanta uma sobrancelha diante do comentário.

-Então esse é o nome dele? – E sorri, travessa, extravagante – Jacob? O homem que arrebatou seu coração?

Nessie não sabia onde esconder a cara. A vergonha queimava-lhe a pele e tinha certeza que estava corada. Ter aquilo dito em voz alta simplesmente parecia fazer tudo mais real.

-Então, nada de passeio hoje? Você vai visitar o seu homem? – E se era possível, diante disso, a menina corou ainda mais, encolhendo-se no lugar, contendo a vontade de mandar a outra simplesmente calar a boca. A loira, percebendo seu constrangimento, simplesmente ri com gosto.

-/-

Entra no hotel ainda um pouco incerta do que fazia, conferindo o endereço no pedaço de papel. Estaria no lugar certo? Era um hotel discreto, um apartamento simples de aparência limpa. A moça aproxima-se do lobby.

-Com licença, estou aqui para ver Jacob Black – E nem hesita, mesmo sabendo que poderia estar no lugar errado, a vontade de vê-lo maior do que o problema com a mentira, que lhe saíra natural.

O homem a encara por um instante, e sorri em seguida.

-Um instante – E parece consultar os dados, apenas para voltar-se para ela. – e você é?

-Nessie, me anuncie como Nessie – E sorri de leve, esperando enquanto ele ligava.

Infelizmente, aparentemente não sendo seu dia de sorte, Jake tinha saído para resolver algum problema. A ruiva suspira, pensando no que faria a seguir. Automática, tira uma mecha de cabelo que lhe caía sobre o rosto. Não queria desistir. Determinada, senta-se em um sofá confortável, que ficava em uma pequena sala, onde provavelmente as pessoas hospedadas poderiam socializar, deixando a mochila escorregar para o chão.

Fica assim por alguns instantes, até decidir estudar. Não é como se tivesse algo para fazer. Encolhida, com os pés para cima do banco, abre o zíper da mochila, desistindo de última hora. Sentia-se cansada pela péssima noite de sono, talvez pudesse dormir um pouco até Jacob chegar.

Com esse pensamento, ajeita-se o melhor que pode, fechando os olhos, caindo no sono rapidamente, antes mesmo que pudesse perceber.

Acorda com um chacoalhar de leve em seus ombros. A escuridão é interrompida de maneira tão abrupta que chega a se perguntar se realmente adormecera, por isso, abre os olhos com dificuldade, piscando algumas vezes, percebendo-se desligada. Por quanto tempo havia de ato dormido?

-Nessie? – Todas as suas dúvidas são apagadas, ao ver o dono da voz de que tanto gostava.

-Jake – E lhe dá um leve sorriso, vendo que ele parecia preocupado – Pensei em passar para te dizer oi. E lembra-se do que pensava antes – Que horas são?

Ele relanceia o relógio.

-Quase sete horas da noite. Desde que horas você está aqui? – A menina assusta-se, dando um pulo no lugar.

-Sete? Não pode ser, eu dormi tudo isso? Preciso ligar pra minha mãe, antes que ela me mate! – E procurando o celular nos bolsos, sem sucesso, tem uma surpresa agradável, quando a mão do moreno lhe oferece o dele. Sorrindo, a ruiva liga para casa, tranqüilizando sua mãe em poucos segundos, desligando o aparelho.

-Obrigada – Diz, devolvendo, sorrindo, levantando-se.

-Posso saber o que era tão importante que você esperou a tarde inteira para dizer?

Ela não havia pensado nisso, tudo o que queria era saciar seu desejo de vê-lo. E aqui estava, desejo realizado. Vê-se um pouco sem jeito, precisava de uma desculpa.

-Eu vim... – E encarou seus sapatos, seu cérebro correndo – Eu vim para me desculpar – E o encarou, séria. Ele devolveu o olhar, não entendendo – Eu venho agindo como uma menina mimada e inconseqüente, e por isso, só te trouxe problemas. Gostaria que você me desculpasse, se pudesse – Ao final disso, voltou a sorrir – Não pretendo fazer mais.

Ele também sorriu, um sorriso inteiro, que pareceu aquecer o local, derretendo-a por dentro.

-Já não tinha te dito que não havia problema? – E ela se sentiu um pouco boba – Mantenho minha palavra.

Era incrível como ele a fazia sentir-se bem.

-Então... Já que hoje está meio tarde... Posso voltar amanhã? – E decide arriscar, não tendo nada a perder.

-Auch, agora você está forçando a amizade – E os dois começaram a rir, entretidos.

-/-

No dia seguinte, sem que se desse conta, faz exatamente o mesmo percurso do dia anterior, só realmente tomando consciência de seus atos já parada no lobby, reconhecendo o lugar.

-Jake está aqui? – A moça se dirige ao homem, que volta a analisa-la, com cuidadoso desinteresse.

-Um minuto – E pega o telefone. A menina analisa o cenário ao redor, as paredes com vidro, o corredor com uma escada para baixo, que dava na rua. – Ele disse que já vem. – A moça se assusta, mas confirma com a cabeça, agradecendo.

Afasta-se um pouco do balcão de atendimento, analisando sua própria imagem no espelho. Para variar, usava uma jeans escura, skinny, mas dessa vez, usava uma blusa bonita, frente única, que ficava presa em seu pescoço, sem incomoda-la, de cor escura, próximo a um roxo. Os cabelos estavam soltos, mas pareciam ordenados o bastante, brilhosos. Estava sem maquiagem e agora se arrependia, como podia vir até aqui sem maquiagem?

-O que está olhando? – Não esperava aquela voz, muito menos tão próxima, fazendo-a assustar-se, virando com violência, levando a mão ao peito. Jacob ri da cena. – Quer dizer que você veio mesmo, achei que estava brincando...

Ela o encara por um instante, ainda se recuperando, respirando fundo, fazendo uma cara zangada.

-É claro que vim, o que você esperava?

-Vamos ter uma aula de moto então?

Diante disso, o rosto da menina resplandece e ela concorda, ele já se encaminhando para a saída, com um sorriso impresso no rosto, iluminando-lhe a expressão. A moça apressa-se, passando a acompanha-lo.

Então ela se vira e acerta um soco em seu braço, com o máximo de força que podia.

-Auch! – E ele olha espantado para ela, exigindo uma explicação.

-Você sabe o porquê disso.

-/-

Os dois voltaram ao mesmo campo aberto da última vez, e a menina já começava a se sentir empolgada. Encara as costas do rapaz alto, distraindo-se enquanto prestava atenção na perfeição de seus músculos.

A jaqueta de couro estava jogada a seu lado, e por um momento, teve a tentação de pegá-la para sentir o cheiro, mas conteve-se.

Depois, ele a ajudou a montar na moto, mas ela notou o quanto ele fazia o máximo para encostar nela o mínimo possível. Aquilo a incomodava.

-Tente não se machucar – Ele diz, com uma voz rouca, enquanto dava um passo para trás. Um arrepio passa pelo corpo da moça.

Treina um pouco e surpreende-se como melhorara. Pelo menos agora conseguia ficar na moto durante mais de trinta segundos. Era um progresso, não? Na verdade, fazendo o percurso, caíra duas vezes apenas, e por uma coisa besta. Nada comparado à primeira aula.

-Nossa, eu quase achei que você era capaz! – Ele diz, rindo, enquanto ela descia. Ela revira os olhos, mas ri, mostrando-se esportiva.

Os dois voltam a se sentar no chão, o dia agora indo embora, o sol despedindo-se, manchando o céu com o resto de sua tinta, vermelho e amarelo em borrões. Os dois encaram a paisagem sem conversarem durante algum tempo.

Algo estranho e desconfortável pairava entre eles, sentados sem se encostarem, no gramado, mesmo que quisessem negar.

Ela odiava como as coisas tinham ficado estranhas depois daquele beijo.

-Jake? – chama, não sabendo exatamente o que iria dizer a seguir, só querendo chamar a atenção do moreno.

-Sim? – E ele lhe olha com o canto dos olhos, mas sem mexer o rosto.

-Você já gostou de alguém? – Embora soubesse que aquele provavelmente era o pior tópico a se abordar, não conseguiu resistir à provocação, sua curiosidade pela resposta falando mais alto, dentro de si.

Ele parece um pouco agitado, desconfortável, remexendo-se no lugar, limpando a garganta.

-Por que quer saber isso? – E dessa vez os olhos negros e intensos viram-se para si, parecendo ver através de suas desculpas, fazendo seu corpo quente e ela nervosa.

-Curiosidade – Diz, sem graça, mordendo o lábio inferior, desviando os olhos, encarando a grama abaixo de si. Ele permanece a assistir seus passos, imóvel. Ela conseguia sentir seu olhar queimar e é sua vez de remexer-se.

O feitiço se voltara contra o feiticeiro.

-Eu achei que sim, uma vez – A voz era mais grave que o normal, e faz os pelinhos de sua nuca arrepiarem, não esperando de verdade por uma resposta, não agora. Ele volta a limpar a garganta – Mas agora já não sei mais. Por que a pergunta? – Repete, os olhos fundos perscrutando-a, parecendo arrancar a resposta ao encara-la dessa forma, concentrados.

-Alice me disse que quando se gosta de alguém, se sabe. – Diz por fim, arrancando um tufo de grama no chão, achando-o incrivelmente interessante, as raízes marrons. – Ainda estou pensando sobre isso.

Ele sorri, e ela volta a arrepiar-se.

-Acho que não é assim tão simples – E ele volta a encarar o céu, fazendo-a suspirar, sentindo seu coração acalmar, aos poucos. Dessa vez, ela teria de concordar.

-/-

Como se fosse um costume antigo, uma espécie de ritual que tinha de ser seguido, a menina dirigiu-se para o hotel, seus pés parecendo saber o caminho. Chegava a ser engraçado o quanto era automaticamente atraída na direção de Jake, como se ele fosse um ímã e ela fosse o outro. Era um magnetismo estranho, e ela ainda não se acostumara.

Sobe os poucos degraus de dois em dois, atravessando o corredor como o de costume, dirigindo-se ao homem da recepção.

-O Jake está? – Repete, e o homem a olha, entediado. Ela quase conseguia ler em seus olhos 'ah, você?' e sorri baixinho com isso. Não viera tanto assim aqui, era só a terceira vez. Imaginou o que aconteceria se continuasse com o costume.

A idéia lhe soava certa e agradável. Provavelmente era isso que faria. O homem uniformizado a sua frente parece arranca-la de seus devaneios.

-Não, ele não está. Mas deixou avisado que se você passasse, podia subir. Você quer subir?

Ela pensou um pouco, sentindo uma emoção tomar conta de si. Sozinha, no quarto de Jake? Seria sábio faze-lo? Ignorando toda a razão que lhe dizia para não fazê-lo, concorda com a cabeça, pegando a chave do quarto e entrando no elevador. Afinal, o que de pior podia acontecer?

A menina entra no quarto cento e três, percebendo-o extremamente comum e limpo. A sua frente, ao lado oposto à porta, uma janela pequena, que agora tinha os vidros fechados, a iluminação entrando. Na mesma parede, uma cômoda para roupas.

Logo a seu lado, à direita, uma cama de casal, e mais distante um pouco, na parede paralela a si, mas ainda do lado direito, uma porta para o banheiro. Isso formava o quarto.

Entra, fechando a porta atrás de si, suspirando. O que faria até ele chegar?

Senta-se na cama, pulando de leve, as molas subindo e descendo, entretendo-a por alguns instantes, até ela suspirar, jogando-se de costas, sentindo a superfície macia toma-la. Pelo menos eles tinham uma boa cama.

Sente seu rosto corar com seu pensamento, outro mais invadindo sua mente.

O mais rápido que podia, põe-se de pé, tentando ocupar sua mente com alguma coisa. Sempre poderia dormir, mas achava-se um pouco agitada para fazê-lo.

Resolve fuçar nas gavetas, e é exatamente isso que faz, decepcionando-se. As sacolas que estavam logo ao lado do móvel carregavam só compras para automóveis, nada interessante. A primeira gaveta tinha algumas camisetas simples. A segunda, alguns pares de jeans, a terceira, as roupas íntimas, e daí em diante, nada.

Pelo visto, teria uma longa tarde pela frente.

É aí que nota, parada, imóvel e inofensiva, a carteira deixada em cima do móvel, apenas esperando para ser vista. A menina a pega na mão. O que isso estaria fazendo aqui? Ele não deveria tê-la levado provavelmente a esquecera. Será que levara só o dinheiro? Isso significava que ele ia voltar logo?

Ainda pesando suas opções, a ruiva abre a carteira, passando os olhos pelo que tinha dentro. Sua identidade, carteira de motorista, dinheiro, cartão de crédito... E uma foto? A menina a tira do lugar, encarando a foto, pensativa.

Era uma foto, provavelmente tirada no mesmo dia da que tinha em casa. Nela, um jovem Jake e uma jovem Bella sorriam para a câmera, segurando mãos. Sente um sentimento estranho e azedo ir tomando conta de si por dentro.

Puxa a outra foto, e sente falta de ar.

Sua mãe, com vinte poucos anos sorria, sozinha, no centro da foto. Sente sua cabeça girar, colocando as fotos onde as tinha achado, largando a carteira. O que significava aquilo?

O que podia significar?

Pega sua mochila, saindo do quarto, batendo a porta, descendo, o percurso para casa tão conturbado que nem o nota, só se dando por si já em seu quarto, trancada.

Não era possível. Jacob era apaixonado por sua mãe? Sente vontade de chorar e se contêm. Era óbvio que sim, que outras provas precisava para alegar o óbvio? Mas então, o que era ela? O que isso fazia dela?

Como pudera ser tão estúpida?

Encolhe-se na cama, permitindo seu vazio adventício e perplexo tomar conta, lágrimas grossas escorregando pelo seu rosto. Detestava chorar. Sente tudo voltando à tona, o vazio de antes, a falta de sentido em tudo, e deita-se, em posição fetal, chorando, entregando-se.

Eram simplesmente as consequências de ser uma garotinha inconsequente, agindo por impulso. Aparentemente era mais uma das lições que tinha de aprender...

Acorda quando já anoitecera, a janela aberta forçando um vento frio para dentro, fazendo-a encolher-se.

Senta-se, olhando em volta, seus olhos ainda desacostumados, não conseguindo ver muito a sua frente. Sua mente estava limpa como nunca antes estivera. Não sabia como fizera aquilo, mas as coisas pareciam ter se encaixado e tudo fazia sentido. E embora ainda sentisse uma pontada de dor ao pensar em Jacob gostando de sua mãe, fizera uma resolução e não voltaria a trás.

Aparentemente, tudo o que precisava era deixar tudo sair, colocar tudo para fora. Deveria dormir mais vezes.

Tentar ser mais sincera consigo mesma, talvez. Ignora o pensamento, voltando-se ao anterior.

Estava apaixonada por Jake e só agora tinha vontade e coragem de admitir. Precisara ver o quão pouco espaço possuía para chegar a uma resolução. No fim, não passava de uma jovem em aprendizado.

Respira fundo. Lutaria por ele com unhas e dentes, e não se permitiria perder. O conquistaria nem que fosse a última coisa que fizesse em sua vida.

Ele é que esperasse para ver. Nessie Swan Cullen estava vindo.

Notas finais
Terminada em: 09.12.2011

Publicado: 16.09.2013

Aqui estou eu com meu capítulo mensal. E aí pessoas? Como tem passado? :) Espero que bem.
A música que utilizo no começo é um trecho de Addicted to Love do Florence and the Machine. Adoro Florence hihi

PS - Faremos assim então... Se eu postar um capítulo e duas semanas depois já tiver alcançado entre cinco ou seis reviews, eu posto outro. Assim ficam dois por mês, o que acham? ^^ Porque geralmente deixo o tempo de um mês para todo mundo ter o tempo de ler e comentar, se quiser. Se tiverem interesse, ficamos assim :)

XoXo
Ja ne.