Notas iniciais
Ta aí, espero que gostem...

Acordo, e sinto minha coluna doer muito. Olho para o lado, mesmo doendo, e vejo as meninas vestidas de preto olhando para mim, com cara de espanto.

– Pronto — diz Queenie — voltou.

– Voltei? — digo, a voz rouca. — de onde?

– Da morte. — diz ela.

– Eu morri? — digo, não é todo dia que alguém diz que você morreu.

– Sim

– Então isso é o inferno? Por que minha coluna está doendo muito

– digo, e todo mundo ri.

– Claro que não — diz Queenie. — você morreu, e eu te trouxe de volta.

– Ai! — digo, minha coluna está com uma dor insuportável. — Minha coluna.

– Meninas — diz Queenie — me ajudem a levanta-la.

As meninas levantam as mãos devagar, e eu sinto meu corpo sair do chão, enquanto flutuo.

– O que é isso? — digo, minha coluna ainda está doendo mais do que tudo.

– Telecinese — diz Queenie, andando pelo salão, ao lado das meninas que me flutuam.

De repente, vejo, com a cabeça virada, a Suprema, Cordelia Foxx, se aproximando das meninas, com uma cara de raiva.

– Cordelia, eu posso explicar. — diz Queenie.

– Pois explique — disse Cordelia, irritada.

– Eu quem quis dar uma aula diferente. Instruí as meninas a lutarem até a morte. — disse Queenie, como se fosse uma coisa proibida. Espera, é proibida?

– O que?! — grita Cordelia, ecoando por todo casarão. — Você está doida, Queenie? Mandar as meninas lutarem até a morte?

– Desculpe, Cordelia. — disse Queenie. — Mas eu apliquei o Vitalum Vitalis. ela vai ficar bem. Só que precisamos de uma bruxa com o poder de cura.

– Tá, tá. Eu faço isso — disse Cordelia, impaciente. — Levem ela para o salão.

As meninas me levaram flutuando até o salão onde havíamos tomado café a pouco, e me colocam estendida numa das grandes mesas. Sinto mais uma dor insuportável na coluna, e agora dou um grito imenso.

– Calma — disse Cordelia, se aproximando da mesa para me olhar melhor. — Novata?

– Sim — digo, quase sem conseguir falar.

– Ok, qual seu nome? — pergunta Cordelia.

– S-serena — digo, me esforçando para não gritar, e as lágrimas escorrendo pelo meu rosto.

– Certo, Serena — diz Cordelia, e ela pega minha mão, queimando a sua própria. — Ai! — diz ela — Queima coisas com o toque?

Faço que sim com a cabeça.

– Um dom muito útil — diz Cordelia, massageando a mão. — Virem ela com a barriga para baixo, por favor meninas.

Sinto meu corpo se erguer da mesa, e girar como um frango numa vitrine, jogando-me de volta a mesa com a barriga para baixo.

– Certo — diz Cordelia. — Zoe! — grita ela.

Zoe aparece do nada ao lado de Cordelia.

– Sim? — diz Zoe

– Serena morreu, e quebrou a coluna. Pode me ajudar a curar? — diz Cordelia — Você é a melhor nisso desde a Misty Day.

– Certo — diz Zoe, se voltando para mim. — Esquentadinha, você já morreu? É horrível, não é? Sei muito bem como é isso.

– Você também? — pergunto.

– Sim, faz mais ou menos um ano. — diz ela.

– Deixa de conversa — diz Cordelia. — Vamos começar.

Elas passam a mão pelas minhas costas, ao longo que elas passam, a dor vai sumindo, e sinto no local onde a dor estava mais crítica, como se meus ossos estivessem se juntando de novo. Até que me sinto nova.

– Pronto — diz Zoe — está melhor?

– Bem melhor — digo, me levantando e sentando na mesa. — Obrigada.

– Não foi nada, estamos aqui pra isso. — diz Zoe.

– Queenie, vamos conversar lá em cima. — diz Cordelia, desaparecendo. E, depois de alguns segundos, Queenie vai também.

– Tudo bem por aqui, Zoe? — diz uma voz masculina, vindo da entrada do salão.

– Olha o Kyle! — diz Abby, suspirando. E as outras meninas também.

Não é pra menos, o menino é perfeito. Cabelos loiros, e corpo atlético. Alto e com braços e pernas perfeitos. O cara perfeito.

– Tudo — diz Zoe, indo em direção a ele. — A Serena morreu e agora a gente curou a coluna quebrada dela.

Zoe beija Kyle.

– Ah, você está bem? — diz ele, e eu digo que sim com a cabeça. — Eu sei como é isso, já morri do pior jeito possível também.

Por um momento, imagino se todas as pessoas dessa mansão já morreram.

– Vamos, pessoal — diz Zoe — hora da minha aula.

As meninas saem de forma organizada do salão, e vão para a sala principal, com um sofá, duas poltronas, uma lareira e uma mesa de centro.

– Qual a aula de agora? — pergunto para Kathy.

– Telecinese — diz Kathy

– Então — diz Zoe. — A aula de hoje vai ser simples: eu vou ligar a lareira e vocês tem que apagar. A princípio, só isso. Concentrem todas as forças que puderem no fogo, e pensem nele se apagar. Não pensem em qualquer outra coisa, só esvaziem suas mentes e se foquem no fogo.

A fila se faz, e as meninas vão apagando o fogo, ao longo dela. Zoe acende, e elas o apagam. Chega minha vez.

– Certo, esquentadinha — diz Zoe — dessa vez é pra apagar, hein?

O fogo se acende, e eu me concentro ao máximo nele, fazendo-o apagar. Mas isso não é a única coisa que eu faço. O carvão se parte no meio, e o fogo se acende de novo, sem eu querer fazer nada.

– Opa... Calma aí — diz Zoe — Controle, você tem que aprender a controlar para não exagerar. E usar na medida certa para cada situação.

– Certo — digo.

As outras meninas ficam olhando para mim. Acho que não causei uma boa primeira impressão.

Notas finais
Próximo capítulo amanhã! Aguardem...