Serena
2 Colegas de quarto
Notas iniciais
Três pessoas correm em minha direção com máscaras perturbadoras de pássaros, com roupões pretos e facões nas mãos. Pegam-me e me arrastam para dentro do quarto. Grito por socorro.
– Zoe! – grito, mas ninguém escuta – Alguém! Pelo amor de Deus!
Eles me jogam em cima da cama, me olhando e uma contornando a faca pelo meu corpo, e as outras duas esfaqueando lugares da cama perto das minhas axilas. Me debato, mas elas me seguram e ficam passando a faca perto do meu pescoço, dos meus ombros e das minhas orelhas. Por fim, as duas param. E a pessoa que estava contornando a faca pelo meu corpo levanta-a e, com as duas mãos, leva a faca em direção ao meu peito, enquanto eu grito. Até que, a poucos centímetros do meu peito, a faca para. E a pessoa que ia me esfaquear para. E joga a faca no chão, tira a máscara, e faz as outras duas meninas tirarem as máscaras também.
– Ritual encerrado – diz a menina loira do meio, e sai de perto, indo para sua cama. E sentando.
– Dessa vez deu certo – diz a menina boazuda de cabelos tingidos totalmente de rosa que ficou á esquerda – Mas no meu ritual de iniciação, quase que você me esfaqueava.
– Eu vou esfaquear, Abby – diz a loira para a menina de cabelos rosa – Só que uma de vocês duas tem que parar a faca.
– Eu não parei – diz a menina gordinha de cabelos pretos na altura do ombro, que estava á direita.
– Nem eu – disse Abby, a menina de cabelos rosa claro.
Todas elas olham para mim, como se eu fosse um alienígena.
– O que foi? – pergunto, realmente, a única coisa que eu entendi é que elas realizaram em mim um ritual de iniciação.
– Você parou a faca – diz a menina magricela loira. – Você acabou de entrar aqui e parou a faca! – Ela ri.
– Parei? – pergunto
– Eu que não fui – diz a menina gordinha.
– Claro que não foi você, Katheryn, você é péssima nessas coisas – diz a menina loira.
– Ei! – grita Abby, a menina de cabelos rosa. – Pare de falar assim com a ela, Angelina!
– Estou mentindo? – diz Angelina
– Não, pior que não está – diz Katheryn.
– Não fique assim, Katheryn, você vai aprender a controlar isso. – diz Abby.
– Alguém pode me dizer que merda está acontecendo?! – pergunto, gritando.
Elas me olham, com cara de espanto. Não deve ser comum uma novata gritar palavrões no primeiro dia.
– Ora, mas vejam só – diz Angelina, se levantando da cama. – quem está assanhadinha logo no primeiro dia.
– Ela não está errada. – diz Katheryn – Ela merece uma explicação.
– Certo. Quer uma explicação? Terá. – diz Angelina. – Abby, explique para ela como funciona aqui.
– Certo. – a menina de cabelo rosa e longo se levanta, tira o roupão preto mostra o top preto com uma saia colada também preta. – Eu sou Abigail, mas pode me chamar de Abby. Aquela é Katheryn, mas pode chamar de Kathy. E essa é Angelina, mas pode chamar de Angie. Dividimos esse quarto e fomos informadas que viria uma menina para cá, por isso preparamos o ritual de iniciação, que consiste em passarmos a faca pelo seu corpo e depois quando formos metê-la no seu peito, uma de nós parar a faca com nosso poder. No caso ia ser eu, mas eu não parei. Nem a Kathy, que tem dificuldade nesse poder – Katheryn cruza os braços e abaixa a cabeça. – Então, você parou a faca, coisa que não acontece sempre com uma iniciante.
– Eu não parei! – digo – Juro. Eu não senti.
– A principio é assim – continua Abby. – Não sentimos, e fazemos sem querer. Mas apesar disso, nenhuma iniciante jamais fez algo desse tipo. Então, a partir de agora, você vai ficar com a gente! – olho para os lados. Realmente não esperava ser assim. – Qual seu nome?
– Serena – digo.
– Ok, Serena – diz Angie, se levantando e tirando o roupão, mostrando um vestido de renda preto. – Qual seu poder especial?
– Eu queimo coisas – digo.
– Uau – diz Kathy. – Isso explica as luvas numa cidade tão quente quanto New Orleans.
– Pois é – digo
– Mostre-nos – diz Angie, abrindo um sorriso meio que maléfico.
Tiro as luvas, abro minhas mãos e vou em direção ao beliche em que Angie está sentada, e toco na madeira. Ela começa a produzir fumaça, e se desgastar, queimando-se.
– Nossa – diz Abby – muito legal.
– Não tanto pra mim – digo, tirando a mão da madeira. – Não consigo controlar isso, por isso tenho que estar sempre de luvas. – vou em direção á cama em que deixei as luvas e visto-as.
– Não tem problema – diz Abby – Daqui a pouco você consegue, relaxa.
– Assim espero – digo
– Seu cabelo é lindo – diz Kathy, tirando o roupão e mostrando uma camiseta preta dos Ramones e uma calça jeans preta.
– Obrigada – digo, pegando meus cabelos ruivos quase que totalmente vermelhos.
– Você pintou onde? – pergunta Angie
– São naturais – digo
– Mentira – diz ela. – Só acredito depois que você me mostrar sua pepeca.
– O que? Não! – Me assusto. Não é todo dia que alguém me pede para ver meus “Países Baixos”
– Você é de onde? – pergunta Abby
– Seattle – digo – e vocês?
– New York – diz Abby
– Houston – diz Kathy
– Toronto – diz Angie
– Canadá? – pergunto.
– Não, imagina – diz Angie. – É no Brasil!
– Sim, é do Canadá – diz Abby.
– Ah, tá. – digo. Peguei certo abuso de Angie. Mas pode ser que ela seja legal, além do seu sarcasmo.
A porta do quarto se abre, e Zoe aparece de lá.
– Almoço está pronto, vamos meninas. – diz ela, e fecha a porta.
– Vamos – diz Angie, se levantando. – Ah, e, Serena, aqui tem hierarquia de quartos. Nós sempre sentamos juntas, e os outros quartos também. Quase não nos falamos. Mas se quiser falar com eles, pode. Mas tenha noção que ninguém aqui na escola não vai nem olhar para sua cara, nem na de sua amiguinha do outro quarto.
– Nisso eu tenho que concordar – diz Abby – Aqui é cada quarto por si. Seremos suas melhores amigas por aqui, Serena.
– Pois é – diz Kathy – Vamos.
Elas saem do quarto e eu fico parada lá dentro. Como pode uma escola de bruxaria tão renomada ser assim, hierárquica? Acho melhor eu ficar na minha, se não eu vou me dar mal.
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