Sereia

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Sabe o clichê da viagem em grupo pra praia? Então...

Nas férias de verão, Xaveco convidou os amigos para ir à sua casa de praia. Ela era pequena e haviam poucos ventiladores, então a turma resolveu dormir toda na sala, espalhada em colchões de ar. Poucos dias debaixo do Sol forte já os havia deixado bronzeados (exceto Xaveco, Carmen e DC, que eram muito pálidos e só ficaram vermelhos mesmo) e haviam algumas picadas de inseto em todos. Logo nos primeiros dias, a maior parte da turma foi à praia e Xaveco sugeriu passar no mercadinho, que era a meia hora de distância da casa a pé. Os outros foram à praia.

—Miga — chamou Denise a ninguém em especial, sentada numa cadeira de praia tomando Sol — alguém avisou o Xaveco que as tomadinhas pra afastar mosquito acabaram?

—Não sei… Acho que não — comentou Cascuda.

—E agora? — perguntou Mônica, que havia flagrado Denise e Xaveco aos amassos na festa e em algumas ocasiões, escondidos, e começava a suspeitar da conversa da amiga — o celular dele não tem sinal aqui.

—Puts, verdade. — Denise suspirou e levantou, com uma atuação que merecia um prêmio — eu vou lá ver se ainda encontro ele no caminho. Não preciso tomar tanto Sol, já tenho essa cor do pecado natural! — se gabou brincando. Aninha jogou uma toalha nela, rindo — Não tenho medo de recalque, querida! — Denise mandou um beijo e saiu andando.

—Traz sorvete! — gritou Magali quando ela já estava meio longe.

Denise correu, mas não precisava. Ele estava de saída ainda, resolveu ir de bicicleta.

—Tem garupa nessa magrela? — ela perguntou de longe. Ele sorriu ao vê-la

—Não sei, acho que não — Xaveco respondeu quando ela chegou mais perto, checando as suas costas. Ela lhe deu um tapa de leve, olhou em volta e lhe deu um beijo provocador. Desde que chegaram à praia ela só o beijava assim, o que lhe deixava louco.

—Você vem? — ela assentiu — Pode levar a mochila? Vou trazer as compras nela, eu volto com ela nas costas e você pedala.

—Não quer mais nada, não? — ela brincou, pondo a mochila nas costas

—É mais fácil perguntar o que eu não quero… — disse olhando pras coxas de Denise enquanto ela se preparava pra sentar na garupa. Seu short era curto, de usar na praia mesmo. Ela se arrepiou, mordeu a orelha dele e se ajeitou — assim não dá pra pedalar, poxa — e saíram.

Foram o mais rápido possível, mas as compras eram muitas e tiveram que usar mais uma sacola retornável que Xaveco havia trazido na mochila. Foi difícil pedalar com tanto peso, mas não precisavam passar pela rodovia então Denise não se importou. Mal se preocuparam em guardar as compras na geladeira quando chegaram. Com toda a turma na praia, se jogaram no sofá pra uma sessão de amassos bem quente. Denise tinha planos pra essa viagem.

Mas suas esperanças foram abaladas quando ouviram vozes do lado de fora da casa. Um dos meninos, mais outro, algumas risadas. Se separaram correndo e Denise correu pra guardar as compras, enquanto Xaveco se concentrava pra diminuir a ereção. Não deu tempo, no entanto, de tirarem o vermelho dos rostos e algumas marcas que ficariam roxas do pescoço. Foi Cebola que juntou dois e dois e exclamou, incrédulo.

—Cara, vocês tavam se pegando?? — a surpresa foi geral.

Denise e Xaveco ficaram vermelhos e então não podiam mais negar. Apesar da vergonha inicial e de algumas zoações dos meninos, logo começaram a se tratar como namorados, como se só estivessem esperando isso para se assumirem. Talvez estivessem. Se deram o direito trocar de lugar com os colegas e dormirem juntos à noite, ao lado dos outros casais pra nenhum solteiro ficar de vela. As ereções de Xaveco ficaram mais frequentes.

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À noite, a turma ia ao centro da cidade, se sentavam nas mesas de um barzinho e curtiam o som dos carros tunados que paravam na calçada. Quase ninguém bebia álcool, mas sempre pegavam um picolé e duas porções tamanho família de alguma coisa. Foi numa dessas que descobriram um bar com mais cara de balada, com entrada grátis e música boa. As meninas sempre se acabavam de dançar, algumas arranjavam ficantes. Cascuda foi uma das primeiras a arranjar um ficante na pista. Ela dançava melhor do que todas as outras amigas e chamava a atenção em festas naturalmente.

—E aí, cala? — chamou Cebola ao ver a cena de Cascuda beijando um cara e Cascão não muito longe.

—Tô de boa. — Cebola lhe ofereceu o que quer que estivesse bebendo — Tô falando sério, mano. Não tenho mágoa pra chorar, não. Já sei que a Cascuda passou a fila. Eu tô no processo também, relaxa.

—Ah, tá bom! Você não ficou com ninguém desde que terminaram! Vai me dizer que ta afim de alguém?

—…. Não, mano!

—Aaahahahahaha! Tá sim! Aí sim, cara, a fila anda! Quem é? Fala pro Cebolinha aqui — riu, batendo de leve no braço dele e lhe abraçando pelos ombros, puxando pra um canto.

—Não é ninguém, cara, sério. — Cebola parou pra olhar nos olhos dele.

Beleza, cara. Não precisa me contar. — Cascão protestou, mas Cebola não deixou ele falar — Se precisar estamos aí. Falou?

—… Suave. Valeu.

Percebeu, entre os outros amigos olhando pra ele, Magali. E sorriu. Não havia porque beber, ele não estava mal. Só iria beber se fosse pra comemorar.

Notas finais
A fila anda! Clichês à parte, o que acharam? Comentem!