Sereia

5 Capítulo 5


Notas iniciais
O final! E o motivo do título da fic! Muito obrigada a todos que leram até aqui. Por favor, não se esqueçam de deixar um alô ao final, nos comentários. Qualquer crítica, sugestão ou comentário é muito importante pra ajudar o autor a escrever cada vez melhor!

Magali passava a maior parte do tempo em que estavam na praia dentro do mar. Ela sabia nadar e percorria toda a extensão do quarteirão da casa de Xaveco a nado, pelo fundo e pelo raso. Adorava pegar jacaré. Às vezes, Cascão a via quando estava em cima da prancha de surfe e, com os cabelos ondulando na água salgada, a chamava de sereia em pensamento. Nessas horas ela geralmente subia da água e se apoiava na prancha, pra trocarem algumas palavras.

—Sabe que quando eu era criança, tinha aquelas pranchas pequenininhas? Meu pai me comprou pra que eu aprendesse a nadar e saísse da areia. Ele sofria com os sorveteiros — ela comentava, rindo.

—Quer aprender a surfar? — ele perguntou uma vez, hipnotizado pela beleza dela emoldurada pelo mar sem fim e o céu multicolorido pela tarde que caía

—Eu quero!

Ela mergulhou na água pra fugir do impacto de uma onde forte e surgiu logo depois, subindo na prancha. O biquíni era verde-água e se misturava com a cor do mar. “Sereia”, ele pensava. “Sereia com certeza.”

—Mas aí vou precisar usar maiô, né?

—Hm… é bom — ele concordou, tentando não pensar em biquínis arrastados pela correnteza do oceano.

—Beleza! Eu trouxe um! — ela disse, pulando na água de novo e espirrando um pouco. -Ele riu com a animação dela. Veio uma onda forte que os empurrou pra praia e resolveram voltar logo. Já estava anoitecendo.

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As aulas de surfe foram ótimas no primeiro dia. Magali usou um short por cima do maiô, o que deixou Cascão feliz, pois o tanto que havia tido oportunidade de encarar seu corpo deitada na prancha não era brincadeira. A roupa de neoprene apertava, mas poderia ter sido muito pior.

Denise, sempre observadora, havia trazido um binóculo na mala especialmente pra esse tipo de ocasião.

—Caraca! Ele tá encarando a bunda dela na caruda!

—Denise! — reclamou Mônica — é da bunda da Magali que você tá falando! Mais respeito! — a turma não pôde evitar rir.

—Mas é sério… Miga, ainda bem que você tinha esse shortinho, viu? Tem coisa que não dá pra esconder no neoprene, não! — Todos a olharam como se fosse uma criatura bizarra por falar esse tipo de coisa em voz alta. Ela já havia realizado seu objetivo e estava muito bem resolvida sexualmente, obrigada, mas zoar os amigos era parte da sua essência. — Ih, ela caiu em cima dele.

—Cascão?! Você tá bem? — Magali dizia procurando na água, com medo de ter afogado o amigo com seu tombo da prancha. Logo ele subiu, tossindo um pouco.

—Cof, cof...

—Cascão! Você tá bem? Engoliu muita água? — perguntou, nadando pra perto dele.

—Não… tô de boa, Sereia. — ela se assustou com o apelido, corando. — Ah… o que eu disse? — ele perguntou, caindo em si depois de ficar tonto por causa da água.

—N-nada, não! Tem certeza que tá tudo bem? — ela continuava corada. Percebeu como estavam próximos.

—Desculpa, não foi minha intenção te chamar assim… — ele disse, corado, imaginando que, se não a chamou pelo nome, deve ter chamado pelo apelido mental que havia dado a ela desde que o passeio começou.

—Não, eu… eu gostei até — ela disse, olhando diretamente pra ele e corando mais. — gostei bastante, na verdade.

—Que bom… Sereia. — sorriram.

—Hm… o papo tá bom. Não sei se eles estão vermelhos de Sol ou de vergonha.

—É vergonha, o Cascão não se queima nunca. — comentou Cascuda, folheando uma revista ao fundo enquanto a maioria das pessoas na terra prestava atenção nos dois amigos ao longe. Um silêncio sepulcral caiu sobre todos ao perceberem o que estavam fazendo, e se olharam envergonhados. — Relaxem. Eu fiquei com vários caras nesses últimos dias, o Cascão pode fazer o que quiser. Nós terminamos.

Depois de algum tempo de silêncio, Marina comentou:

—Alguém precisa chamar os dois. A maré vai aumentar quando começar a anoitecer.

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Já era a quarta noite deles no centro da cidade. As meninas estavam cheias de bijuterias artesanais e todos já conheciam o caminho da casa de shows de cor, inclusive haviam feito facilmente amizade com o dono é alguns barmen. Lá dentro, Denise resolveu cutucar Magali na roda de amigas.

—Ai meninas, sabem como é, essa vida de ter namorado é maravilhosa… Mas eu quero saber de vocês! Quem anda passando o rodo nos caiçaras? — Marina só pôde rir, comprometidíssima.

—Não tem caiçara não, miga, aqui só tem gente da cidade mesmo! Só turista! — disse Cascuda.

—Ah, mas é claro que a dona Maria Cascuda tem propriedade pra falar disso, né… Já pegou o número de quantos?

—De ninguém! Quem quiser que pegue o meu! — riram, e Denise exigiu um brinde entre as duas.

—E você, miga? — disse olhando pra Magali — faz tempo que você só anda dispensando bofe. Tá na quaresma?

—Não! — Magali respondeu, rindo da piada de Denise e achando estranho ao mesmo tempo — Só não ando achando nenhum cara bonito ultimamente.

—Ah, tá bom! Ou você tá mentindo, ou tá humilhando o bofe chamando ele de feio!

—Ahn? — ela corou um pouco, mas se fez de desentendida

—Quem não te conhece que te compre, Magali. — foi o comentário final de Denise.

Depois dessa cena, Cascuda se viu no dever de puxar Magali num canto.

—Miga, fala pra mim. Com quantos caras eu já fiquei nessa viagem?

—Sei lá… eu lá vou contar seus peguetes, Cascuda?

—Pois é! Não dá pra contar! E o Cascão?

—O que tem ele?! — ela perguntou, assustada e corando de novo

—Com quantas ele já ficou?

—Com nenhuma… eu acho…

—Pois é! Nenhuma! Olha, Mags, deixa eu te falar. O que quer que você tenha com o Cascão eu não ligo, ok?

—Ma-ma-ma-mas eu não tenho nada com ele!

—E se tiver eu não vou ligar. Estamos entendidas? — Magali respondeu com um aceno de cabeça. — Tá. Então pronto. Agora vem dançar que daqui a pouco a pista enche!

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No dia seguinte, as aulas de surf tomaram um rumo diferente. Magali estava quase aprendendo e resolveu comprar uma prancha no centro da cidade. Ambos tinhas suas pranchas agora, e ele intercalava entre mostrar suas técnicas pra ela e observar seu desempenho. Surfaram muito,e quando Magali cansou resolveram botar as pranchas na areia e nadar.

—Sabe pegar jacaré? — ela provocou

—Tá brincando? Eu nasci pegando jacaré! — respondeu, arrancando risadas dela.

—Pra quem não gostava de água…

—Ah, mas essa água é diferente. É divertida.

—Seu traíra! — riram.

Pegaram jacaré, nadaram, foram ao fundo e ao raso. Boiaram entre as marolas e relaxaram.

—Sereia — ela olhou pra ele — não tem um apelido melhor pra você. É igualzinha a uma.

—Ah, eu canto bem e engano os homens? — riu

—Não, claro que não. Quer dizer, canta bem. Verdade, não tinha pensado nisso. Uma sereia completa.

—Por quê?

—Porque você nada bem, canta bem, é bonita, ama ficar no mar… — ela corou com os elogios — verdade! E ainda puxou um cara pro mar! — chegou mais perto

—E o que mais que sereia faz? — ela disse, encarando fundo os olhos dele, também chegando perto.

—Hipnotiza. Seduz. Faz a gente se apaixonar…

Ele sussurrou essa última parte, no ouvido dela com cheiro de sal. Ela inclinou o rosto e lhe deu um beijo na bochecha antes de alcançar seus lábios, abraçando seus ombros e sendo enlaçada pela cintura. Não haviam ondas, eles nadavam. Ninguém por perto. Ela tinha gosto de doce e de sal de mar. Tinha cheiro dos dois também. Tinha corpo de sereia, cheia de curvas sinuosas como as ondas do mar. E o cabelo, que mesmo frágil ao toque no oceano, se ondulava como as águas à sua volta como o de uma sereia. A roupa de neoprene dele era macia, mas se tornava áspera aos toques delicados dela. Ela sentia cada curva dos músculos dele por debaixo do tecido colado ao corpo. Suspirava ao toque dos lábios dele no seu pescoço, das mãos na sua pele, fosse por cima do maiô ou não.

Foi bom demais, tanto que perderam a noção do tempo. Resolveram não contar aos amigos quando chegassem à praia, mas todos já haviam entrado na casa quando saíram do mar. Nenhum dos dois sabia dos binóculos de Denise, mas quase toda a turma fez uso deles nesse dia.

Na casa de praia, todos fizeram o maior esforço possível pra não tocar no assunto. Foi relativamente fácil, os dois se evitaram todo o tempo. A atuação de ambos estava impecável, Denise comentou segredando com as meninas enquanto Magali tomava banho.

Todos iriam embora de ônibus no dia seguinte de manhã, então foram uma última vez ao centro da cidade. Magali e Cascão foram muito fortes, não chegando perto um do outro sob as luzes piscantes da pista de dança, mas os olhares que trocavam entregava tudo.

No ônibus, no dia seguinte, a turma deu um jeito de deixar os dois juntos e, apesar de só conversarem depois de todos à volta terem dormido, acabaram cochilando com ela apoiada no ombro dele, e ele acariciando sua mão sobre o descanso de braço.

Podemos dizer, com certeza, que não demorou muito para que todos revelassem o que já sabiam. Magali e Cascão também não puderam se esconder por mais muito tempo.

Notas finais
É, eu sei, Cascão gostando de água é fugir do personagem. Mas acreditei que, juntando água e esporte, talvez ele se interessasse beem mais. A gente não convence criança a tomar banho colocando brinquedos no chuveiro? Mesma lógica. Gostaram da fic? Acharam que o título fez sentido? Gostaram do final? Comentem, por favor! Muito obrigada mais uma vez por lerem e até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!