Serdtse Eis

2 Capítulo 2 - водка


Já era de manha, mas o sol ainda não era visível, fiquei um tempo deitado na cama contemplando os flocos de neve que se acumulavam em minha janela.

Mesmo com tantas pessoas vivendo comigo naquela casa, ainda me sentia como um intruso, provavelmente aqueles três já haviam acordado e deviam estar preparando o café da manha, me pergunto qual foi o resultado da soma: Ivan + Natalia +Vodka...

Melhor, não vou pensar nesse assunto, afinal de contas isso não me diz respeito.

Me levantei e Gilbird já estava piando sobe o meu ombro, vesti um casaco e desci, para o meu espanto não havia sinal de ninguém em casa, estava um silencio absurdo, os único sons presentes eram o do vento lá fora e o de uma garrafa batendo em uma mesa.

“Será que aqueles dois ainda estão bebendo?”

Entrei lentamente na cozinha, fui de encontro ao som e me deparei com Ivan, ele estava sozinho olhando para a janela, seu rosto tinha uma expressão de tristeza que eu nunca havia presenciado, era estranho ver o russo naquele estado.

— Gilbert... – Ele sabia que eu estava ali, mesmo assim continuou virando a garrafa em sua boca.

A garrafa estava pela metade, mas não era a única na cozinha, havia mais algumas espalhadas pela mesa e alguns copos também.

– O que você faz acordado tão cedo? – Perguntou.

– Ludwig, costumava me acordar cedo, então se tornou algo meio automático... Onde está Natalia?Vocês estavam bebendo juntos não é? – Quando disse isso ele se virou lentamente para me encarar, ainda era muito difícil olhar em seus olhos, mas me segurei, afinal de contas alguém incrível como eu não podia ficar desviando olhares.

– Ela acabou de sair, tinha que resolver alguns problemas com seus superiores.

– Mas está nevando muito, ela vai ficar bem?– Era meio impossível imaginar uma garota sozinha no meio daquela nevasca, mas como era a Natalia, acho que isso era até um pouco possível.

– Toris, Ravis e Eduard foram acompanhá-la, provavelmente chegarão amanha cedo.

Senti um calafrio, tirando a presença de Gilbird nos éramos as únicas pessoas naquela casa, não sei dizer bem ao certo o que senti quando recebi aquela informação, mas eu não tinha muito tempo para pensar...

Ivan começou a andar em minha direção, Gilbird já havia voado para longe, e o russo continuava a se aproximar, não me mexi, não sabia o que fazer, fiquei tão travado que até minha respiração falhava agora.

– Gil, sabe... Não entendo essa sua preferência por cerveja, ou essa sua preocupação com a Natalia... As vezes parece que tudo o que você faz é simplesmente para fugir de mim...

Ainda segurando a garrafa a apoiou na mesa ao meu lado e me encarou, seu rosto estava bem próximo ao meu agora, só de ficar perto dele pude sentir o alto teor alcoólico de sua respiração, somente o cheio já estava me deixando embriagado.

– Você fala como se fosse alguém normal... EU TE ODEIO IVAN! Você é um hipócrita maldito!– “Isso mesmo, é isso que eu penso de você!”

– Entendi então você me odeia... Obrigado isso me deixa muito feliz...

“Como assim?” Pensei... “Feliz? Ser odiado não é motivo para felicidade...”

– Sabe... É ótimo descobrir que você me odeia... Isso prova que você não tem medo de mim...

Levantou a garrafa e deu mais um gole, me encarou por alguns segundos e ainda com liquido em sua boca começou a se aproximar cada vez mais rápido de mim, comecei a recuar ao mesmo tempo em que ele avançava, mas foi em vão, antes que eu pudesse perceber ele já havia selado meus lábios...

-N-N...hm.

Tentei empurrá-lo, mas Ivan era muito mais forte, lentamente ele foi abrindo minha boca e pude sentir o liquido entrando em contato com minha língua, era um ótimo sabor, o frio que eu estava sentindo agora fora substituído pelo calor do russo, ele me colocou contra a parede fria da cozinha, mas isso já não importava mais, meu corpo inteiro estremeceu , era tudo muito estranho, sentir o corpo dele assim tão próximo ao meu, eu não podia me deixar levar, juntei minhas forças e o empurrei, logo em seguida fechei o meu punho e soquei seu rosto.

Fiquei em choque. O soco foi tão forte que minha mão doía muito agora...

“Eu soquei o Ivan... Dane-se!!! Quem ele pensa que é me tratar daquela maneira...”

Tudo ficou muito estranho, minha respiração ainda era um pouco falha, mas tudo piorou.

O russo ainda olhando para o chão disse:

– Gilbert... –Estremeci, a voz de Ivan havia mudado, estava completamente assustadora, em um movimento rápido agarrou-me pelo pescoço com sua mão livre, bebeu mais um gole de vodka e encostou sua testa na minha, ainda me sufocando começou:

– Gil, Gil, Gil... Eu já te disse como você tem sorte? Sorte por estar em minha casa, por comer na mesma mesa que eu, ter o seu próprio quarto... E mesmo depois de tudo isso, você me golpeia? — Eu estava ficando sem ar o russo me prensava cada vez mais contra a parede, aos poucos ele começou a me levantar fui obrigado a ficar nas pontas dos meus pés. Seus olhos não desviavam em nenhum instante... Minha visão estava começando a ficar falha...

“Eu vou morrer?”

– Fique calmo eu não vou te matar... – Não era o que parecia, não conseguia me mexer, eu simplesmente não podia lutar contra aquilo...

Então ele me largou. Pela falta de ar, meu corpo inteiro ficou fraco e por esse motivo não conseguia ficar em pé. Cai de joelhos.

Não consegui dizer nada, as palavras simplesmente não saiam da minha boca e a dor no pescoço era terrível...

“Eu quase morri...”

Mas o russo ainda não tinha terminado, entrelaçou os dedos em meus cabelos e os puxou fazendo com eu o encarasse.

– Gilbert, acho melhor você voltar para o seu quarto, parece que o dia será muito frio... Você não quer ficar doente... Da?- O sorriso estampado em seu rosto só ficou mais sombrio, não conseguia entende-lo, largou meu cabelo e caminhou para sala, fiquei um bom tempo no chão o suficiente para ouvir a porta da frente abrindo para que Ivan saísse.

Eu não conseguia sair do lugar, nunca me senti mais vazio do que naquele momento...

“O que eu fiz?... O que Ivan fez?... Por que ele me beijou? No que ele estava pensando?”

Só em lembrar da cena fiquei vermelho, lembrar do calor do russo invadindo minha boca era algo completamente bom.

“Mas eu estraguei tudo, eu sei como Ivan é e mesmo assim...”

...

“Espera!!O errado aqui é ele!!”

“Ele me pegou a força, me machucou, me estrangulou!!”

Ainda sentindo muita dor fui até o meu quarto e Gilbird apareceu para me consolar, fiquei olhando o espelho por alguns minutos meu pescoço estava completamente vermelho, resultado do estrangulamento...

– Já não bastava Natalia ontem à noite e agora isso...

Só conseguia pensar em minha vida antes daquele lugar, tudo estava errado, não era para ser assim.

“Não sei mais o que fazer meu irmão, até alguém incrível como eu se vê totalmente perdido nessa situação... O que eu faço?"

– Eu não tenho certeza se irei suportar esse lugar, aqui é como se fosse o meu inferno.

Caminhei até minha janela, não se podia ver nada naquela tempestade, mas forçando um pouco a vista vi alguém não muito longe dali, parecia ser Ivan estava parado olhando a neve, simplesmente parado, puxei minha poltrona e fiquei olhando pela janela, ele ficou ali um bom tempo .

Era aproximadamente meio dia agora, “O que será que ele estava fazendo nesse frio? Dane-se, eu vou dormir mais um pouco”.

Antes de dormir me certifiquei de colocar uma cadeira na porta para que ninguém a abrisse, com todo aquele frio era fácil dormir, mas o silencio da casa não me deixava esquecer o que havia acontecido a pouco tempo atrás, lentamente meus olhos foram se fechando e eu pude finalmente adormecer...

TAH! TAH!TAH!

– MAS QUE DIABOS!!!

Levantei assustado, minha janela havia aberto, a tempestade parecia ter aumentado olhei para o relógio eram cinco horas da tarde a tempestade não havia parado ainda, aquele país realmente me assustava, mas uma cena me assustou ainda mais, olhei para fora da janela e lá estava Ivan, caído no chão com uma certa camada de neve já sob o seu corpo.

– IVAN!!! EIII!!! VOCÊ QUER MORRER? EU POSSO TE AJUDAR DE UMA FORMA MAIS RAPIDA!!!...- Nada o russo não respondia ... –Droga!! Não, Não...

Corri desesperado para fora de casa, não estava bem agasalhado, mas não importava eu tinha que tira-lo dali, ele iria morrer se ficasse tanto tempo no frio...

Mas espera ...

Parei em frente a porta da sala.

Se Ivan morresse ... Eu poderia voltar para Ludwig, voltar a ser o incrível Prussia de antes.

Eu não seria mais um prisioneiro, não sofreria mais cenas como aquelas logo de manha... Eu seria livre... Eu voltaria a ser EU.

Notas finais
Olá a todos ^~^!!!estou colocando agora o cap 2 bem antes do previsto... espero que gostem ...vocês devem ter percebido que a história mudou um pouquinho de nivel... e aguardem, por que o cap 3 esta bem mais hot...(º//////º)... por favor não me matem...e comentem !!! uma alma é salva do inferno td vez que fazem isso