Seraph Wings
8 Capítulo 8
~Elfman~
Mal pude terminar de tomar café antes que a Ever aparecesse, me puxando para um canto, depois de ouvir a programação do dia. Conhecer a cidade com o grupo é coisa de HOMEM, mas não é coisa de homem adiar outras programações, e eu já tinha combinado com ela ontem de ir a outro lugar. Mas, antes que eu sequer falasse em deixar isso pra amanhã...
– Nós vamos com o resto do pessoal – ela começou a dizer os novos planos do dia. -, e você vai ficar longe de mim.
– Mas é claro – respondi, apesar de que o modo como ela fala as coisas não é coisa de homem. Mesmo que eu tenha ficado um pouco ofendido, ainda concordava com a ideia. — A Nee-chan e a Lisanna não podem suspeitar de nada.
– Nada o que? – Ever falou – Nós não temos nada.
– Sabe, vocês vão ter o dia inteiro juntos, precisa ser logo desde o café da manhã? – Bixlow provocou. Seguir os outros não é coisa de homem! E a Lisanna veio com ele... oh droga. Ela vai querer saber o que eu estava fazendo aqui, e o que eu vou dizer? Também não posso ficar inventando mentiras para ela. – Eu já estava até indo, mas os dois pombinhos estavam ficando pra trás, e não podíamos deixar isso acontecer.
– Cala a boca, Bixlow! – Ever respondeu, irritada. — Não temos nada disso.
– Então tenho certeza que não vai se importar de dizer o que vocês dois estavam fazendo aqui no canto, enquanto quase todo mundo já foi? – Lisanna perguntou, maldosa. Ela estava provocando, assim como o Bixlow. Isso não é coisa de homem. Um de cada vez já é bem difícil, se os dois começarem a provocar ao mesmo tempo... – Certo, Elf-niichan?
– Ah... Com c-certeza, nós estávamos... só estávamos... – inventar coisas improvisadamente não é coisa de homem.
– Estávamos simplesmente conversando. – Sorte que a Ever não é um homem. Ela respondeu, pegando seu leque. –Elfman tinha perdido o que seria a programação do dia, e me perguntou.
– Ah claro. – Lisanna disse, mas estava segurando o riso. – No canto, com certeza.
– Vamos logo! – resolvi que era melhor mudar o foco do assunto. – Ou vamos ficar pra trás.
– Você não ia achar tão ruim de ficar pra trás com a Ever, hein, Elfman? – Meu esforço foi em vão, e Bixlow deu um jeito de provocar. Parece que vai ser um longo dia.
Nos juntamos aos outros no ônibus que nos levaria para conhecer a cidade, e alguns, como Natsu, reclamaram da demora, já que éramos os últimos. Como havíamos combinado antes, e o restante do pessoal já estava sentado, pensei em ir ao lado da minha irmãzinha, e deixar a Ever com o Bixlow, mas minha irmã não tinha os mesmos planos, e recusou, dizendo que já ia com o Bixlow. Esses dois... que é que eles vão aprontar? Esse cara não é uma boa influênciapara a Lisanna. Ser má influência não é coisa de HOMEM, e como um homem, não posso deixar que esse tipo de pessoa fique se aproximando da minha família. Mas minha insistência não foi o bastante, e, no fim, fui junto com a Ever mesmo.
– Aqueles dois – Ever cochichou, quando o ônibus começou a se movimentar. –, eu já sei qual é a deles. Vão tentar provocar o dia todo. Seja lá o que eles disserem, você ignora, entendeu?
Chegamos ao primeiro local em pouco tempo. Era um pequeno parque, cheio de árvores, e com uma fonte no centro. A guia começou a contar a história da fonte, dizendo que ela fora construída há muito tempo, e que acreditavam que quem bebesse da água dali, teria um desejo, qualquer que fosse, realizado. Mas aquela água não parecia saudável, então não era coisa de homem. Fora a Erza, ninguém se arriscou – ou se interessou na história, como o Natsu.
– Ei, Elfman – Bixlow me chamou, e eu esperei pela continuação, mesmo que quisesse mandar ele calar a boca de uma vez, já que homens tem que ser bem educados. -, você não vai lá desejar que você e a Ever fiquem juntos para sempre?
– Eu... não preciso disso. – Comecei a dizer, antes que percebesse o que estava fazendo. Pelo menos dessa vez dava pra corrigir. – Nós não estamos juntos.
Resolvi me afastar dele, e ver a fonte de perto, já que estávamos ali para isso, e era uma desculpa para não ficar nos arredores do Bixlow. Não demorou muito até que fossemos para o ônibus, continuando nosso tour.
Visitamos um prédio famoso, uma rua famosa e um restaurante famoso, antes de finalmente chegarmos na tal praça sobre a qual tinham falado antes, que tinha estátuas feitas em homenagem a batalhas que aconteceram ali. Em todos os pontos turísticos, Erza parara para tirar várias fotos, e em todos os pontos turísticos, Bixlow ou Lisanna (ou os dois) inventavam alguma nova provocação.
–As minhas são melhores... muito mais realistas.- Falou Ever com desprezo.
–Será por que?- Perguntou Happy segurando o riso.
–As pessoas daqui gostam de cavalos, não?- Disse Gray um pouco assustado. Parei para observar o lugar, tinha estátuas de cavalos por todos os lugares... cavalos são coisa de HOMEM. Guerreiros montados em cavalos segurando espadas, guaxinins montados em cavalos segurando espadas, cavalos montados em cavalos segurando espadas e apenas cavalos segurando espadas. Muitos cavalos. Também fiquei um pouco assustado... não era para ser cheio de estátuas de batalha? Será que aqui, quem luta são os cavalos? Será que os cavalos mandam na cidade? Deixar os cavalos fazerem tudo não é coisa de homem!
– Ooooooooohh! – Natsu exclamou, no seu tom empolgado. – Olha, Happy! Um cavalo segurando uma espada! Onde será que a gente consegue um desses?
– Não existem cavalos que usam espadas, Natsu. – Happy respondeu, de modo meio decepcionante.
– Disse o gato azul que voa. – Lucy acrescentou, e os dois se viraram para ela.
– E o que isso tem a ver? – Natsu perguntou, confuso.
– A Lucy é estranha. – debochou Happy, segurando o riso.
– Se você é um homem, você consegue um cavalo que tenha uma espada! – me juntei à conversa, animadamente.
– Só em uma estátua um cavalos pode usar uma espada, idiota. – Ever respondeu, impaciente. – E ser uma coisa interessante, porque é um bicho feio.
– Deixa seu namorado sonhar, Ever, — Bixlow disse, se intrometendo e fazendo comentários indevidos. Isso não é coisa de homem. Mas ela ficou vermelha quando ele disse ‘namorado’, e eu gostei disso, por algum motivo. — ele quer um cavalo que tenha uma espada.
– Além do que, — Lisanna veio logo em seguida, como tinha sido o dia todo – isso não é bom? Você gosta de estátuas, ele gostou dessas estátuas aí, podem ter estátuas no jardim da casa de vocês, quando casarem.
– Que...? Lisanna! Pare com isso. – repreendi. Como um homem, tenho que dizer que é errado fazer esse tipo de brincadeira.
– Só não deixem os filhos traumatizados demais pelas estátuas... – Bixlow começou, mais uma vez. — ... Se bem que vão ser filhos de vocês dois, e isso já deve ser trauma o bastante.
–JÁ CHEGA! – Ever gritou, perdendo completamente a paciência. Ela, que tinha dito para ignorar o que eles diziam, e não tinha agido como se algo a preocupasse. Ever estava realmente nervosa, e nesses momentos, é melhor deixar pra lá. – Chega! Parem com isso! Que é que vocês querem, hein? Me atormentar não ajuda vocês, nem é útil, para nada. Então calem a boca!! E façam isso antes que eu decida que vocês dariam boas estátuas.
– Parece que minha cunhada é meio agressiva. – Lisanna continuou a provocar, enquanto voltávamos para o ônibus.
– Parece? – Bixlow perguntou, ironicamente. – Meio? Você está sendo gentil demais. Se bem que ela só fica agressiva assim quando se trata do Elfman.
– Calem a boca! – Ever gritou novamente, antes de entrarmos no ônibus de volta. Parece que iriamos voltar para o hotel agora, mais cedo, porque participaríamos de uma festa no hotel, mais tarde. Festa é coisa de homem!
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