Observou o belo convite sobre a mesa, e o agarrou com os dedos finos ao ver o olhar cheio de dúvidas de seu pai. O baile de heróis acontecia todo o ano, e como um herói reconhecido, seu pai sempre aparecia.

Era a acompanhante dele desde que era capaz de se lembrar, o que não era surpresa, considerando que eram apenas os dois. Quando era pequena ele lhe comprava um vestido bonito, ajeitava seus cabelos e dizia que não havia uma única heroína mais bonita em todo o baile, o que a fazia sorrir como se não houvesse amanhã.

Mas então voltou ao presente, pensando em todos aqueles rostos que vira ano após ano, e lembrando-se de quantos deles a encararam ferida, jogada no chão sangrando e sem forças sequer para vomitar. Tinha medo de vê-los, das perguntas e dos olhares estranhos. Não queria descobrir que não era capaz de sobreviver sequer uma noite.

Seus olhos se apertaram, e quando os abriu novamente, decidiu que iria. Havia prometido para si mesma que seria forte, que aguentaria, que nada nunca mais seria capaz de derrubá-la da mesma forma.

Azazel estava bem, e iria mesmo que se sentisse coberta por uma mortalha.

Notas finais
Mortalha: pano ou vestimenta com que se cobre um morto.