Ser Bi

7 Capítulo 7 - Um Atrás E Um Á Frente


Notas iniciais
"Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver".
| Dalai Lama.

– Véi, Thaís acabou nem falando de quem ela gostava. Sobre o que você me disse hoje, eu tenho alguns amigos gays que até me pediram pra ficar, mas não curto isso — Anunciando sua sexualidade.

O resto da conversa foi mais "kkkkkkkkk" — os k's que eu digitava pra descontrair o clima de pé na bunda que eu acabava de levar, por que na realidade eu tava é com cara de cu olhando pra aquele face.

Ao acordar meu travesseiro permanecia seco e o meu rosto do mesmo jeito que havia ido dormir. Afinal de contas, já havia chorado por muitas pessoas pra ter que gastar o tempo do meu sono e me desgastar psicologicamente chorando pelo pegador do CCA.

Na sala ele me tratava melhor que antes, e ficava mexendo comigo.

Quando uma pessoa leva um fora, tende a se afastar para não se envolver ainda mais. Ele sabia disso. Então ele não queria que eu me afastasse dele, afinal de contas ele gostava mesmo de mim, mas não do mesmo jeito que eu. Ele queria continuar sendo meu amigo. E talvez até mesmo, querendo que eu gostasse dele do mesmo jeito que sempre foi. Ego.

Tinha eu que esquecer aquele garoto. Mas ele não colaborava! Uma dia desses até, ele cantou pra mim uma música que eu considerava nossa:

Todos os dias quando acordo,

Não tenho mais o tempo que passou,

Mas tenho muito tempo,

Temos todo tempo do mundo.

Todos os dias antes de dormir,

Lembro e esqueço como foi o dia

Sempre em frente,

Não temos tempo a perder,

Nosso suor sagrado...

"Nosso suor sagrado..." — Apontava ele pra mim pra continuar a canção.

Em silêncio não respondia, mas em pensamento continuava a cantar Legião Urbana.

Lembrei do primeiro dia em que nos conhecemos pessoalmente e ele xeretava as músicas que eu ouvia em meu celular. A música "Seu Olhar" que ele escultou em casa e já no dia seguinte disse que iria me hipnotizar. Fofo.

Mas tinha que esquecê-lo. Conseguiria. Mas era necessário tempo.

Nos capítulos anteriores você viu a história de Alice e Thaís, parece mais "Alice no país dos anéis de Thaís". Fui lá nesse Café Mix conhecer a Alice dos Anéis ou Alice dos Anéis de Thaís, Alice ex-Daniela ou melhor: A Daniela Mal Falada.

Entrei. Ela não estava lá, a tarde ela estudava e já era umas 14h. Mas a Marcela Dos Olhos Negros / Marcela do Encara-encara, estava lá e... o garoto de boné. Um gato que Deus me acuda!!! Comentei com Thaís. Ela me incentivou a perguntar o nome do rapaz. A cega já ia avisando sem nem se olhar no espelho:

– Ele é de maior viu!

– De maior o quê!? Ele tem uns... sei lá! 17 anos.

Mas fui lá perguntar o nome. Sem nem saber o que eu comprava eu pegava a primeira bebida que via na minha frente e já ia pro balcão fazer a compra. Entreguei o dinheiro. Quando ele voltou com o troco eu tomei coragem e perguntei na lata:

– Seu nome é?... — Direcionava a pergunta ao cat.

E ele respondeu: — Wil... Quer dizer, Jonas! — Falava se atrapalhando com o próprio nome e aparentemente assustado. Que fofinho, ele é todo tímido e encabulado.

– Combina mais com você do que Sidney — Já soava Thaís.

– Você acha? — Perguntava e concordava em pensamento.

Restava ainda perguntar o face dele e a idade claro. Mas mesmo sem conhecê-lo direito, ele já ocupava um certo espaço que o Sidney ocupava. E eu queria que ocupasse ainda mais. Não só no meu coração mas também na minha vida. O que será que aconteceria nos próximos dias?.

Sandro.

Notas finais
"Nunca penso no futuro, ele chega rápido demais".
| Albert Einstein