Ser Amada
2 1 - Encurralada
Notas iniciais
1 –
Encurralada
– Mãe, mãe! – Sentiu sua cabeça ser sacudida de leve. – Acorde!
Lucy abriu os olhos, para logo fechá-los por culpa da claridade. Sentou, coçou os olhos e encarou a menina. Era loira, olhos chocolate, pele alva e cabelos lisos. Sua mini-versão chibi.
– Bom dia Layla – Sorriu para a filha, um de seus únicos motivos para sorrir verdadeiramente. Um sorriso fraco, porém verdadeiro.
– Bom dia mãe! – A menina pulou em seu colo, fazendo Lucy cair na cama de novo. – Vamos? A senhora prometeu, lembra? Lembra?
Lucy sorriu, Layla definitivamente estava animada.
– Vamos. Vou me trocar. Sting já foi?
– Já – Ouviram-se um suspiro coletivo de alivio de ambas as loiras. Layla definitivamente não gostava de Sting. Ele era grosso com ela e com a mãe, e, apesar de seus seis anos de idade, ela entendia perfeitamente bem que sua mãe sofria nas mãos daquele homem. E, afinal, qual seria o motivo pra ela gostar dele? Sting era tão fria com ela quanto à mãe.
– Bem, eu vou me arrumar. Vai logo tomar banho que já, já eu passo no teu quarto.
E Layla vai alegremente para seu quarto. Lucy resolveu, com muito esforço e briga, que a suíte da casa iria ficar com Layla – Para evitar possíveis incidentes, como, por exemplo, Sting entrar enquanto ela tomava banho. Então ela sempre tomava banho no banheiro da filha, enquanto Sting tomava banho no banheiro geral da casa. Mas, como ele estava em missão, Lucy podia tomar tranquilamente seu banho no banheiro do corredor.
Despiu-se e tomou sua ducha. Parando para pensar, ela estava com saudades da banheira de seu apartamento. Ah, sim, seu antigo apartamento. Ele, agora, deveria estar abrigando outra pessoa – E uma pessoa de sorte, por sinal. A loira amava aquele apartamento – Quentinho, aconchegante e rústico. O melhor lugar para se morar!
Enrolou-se na toalha bege e rumou em direção a seu quarto. Felizmente Sting tinha topado em comprar duas camas de solteiro ao invés de uma de casal, mais infelizmente eles ainda dormiam no mesmo quarto – Separados apenas por um tapete de distancia.
Vestiu sua atual costumeira roupa: Uma regata cinza, saia vermelha – Ela ainda tinha uma certa queda por saias curtas – e um par de bostas pretas. Era o mesmo modelo daquela que ela usava na Fairy Tail, porém de outra cor. Ela ainda nutria uma luz de esperança que um dia voltaria a sua tão querida e amada guilda.
Penteou os cabelos e os deixou soltos. Sua coleção de fitas de cabelos avia sido esquecida em sua antiga casa, e ela só voltaria a usá-las quando saísse da guilda dos tigres. Tanto Lucy quanto Layla odiavam aquela guilda.
Layla, por sua vez, amava quando sua mãe lhe contava histórias de suas missões na Fairy Tail. Gostava tanto que não dormia sem uma! Segundo ela, era fã de carteirinha da guilda numero um de Fiore e, assim que se governasse, iria participar daquela guilda – Lucy quase desmaia de tanto orgulho quando ouviu essa frase saindo da boca da filha. Realmente, elas eram muito parecidas; tanto na aparência quanto na personalidade. A loirinha já sabia o nome de todos os membros.
Deixando a paixão de mãe e filha pela guilda para lá, Lucy caminhou até o quarto da garota, entrando sem nem ao menos bater. Lucy era assim com a garota.
– Mãe, escolhe minha roupa? – Perguntou manhosa, sentada na cama enrolada apenas em uma toalha, quase como se soubesse que Lucy faria o que ela pedira. Layla era uma garotinha mimada.
– Toma – Lucy jogou um vestidinho rosa com branco na cama, um pouco parecido com o que ela usava quando pequena.
Layla se trocou e deu a mão para a mãe, que a segurou e as duas rumaram para a estação de trem. Quando Sting ia a uma missão, as duas iam secretamente à Magnólia fazerem umas... comprinhas, diga-se de passagem. O loiro sempre estranhava a quantidade de roupas que mãe e filha tinham.
– Uma passagem para Magnólia, por favor. – Disse Lucy. Layla ainda era menor de sete anos, portanto ainda não pagava uma passagem completa. – Vamos.
Sentaram-se em um dos bancos enquanto esperavam seu trem chegar. Eram praticamente as únicas ali. Afinal, quem vai sair às cinco da manhã de sua cama para fazer compras em Magnólia? Bem, Lucy e Layla iam.
Quando o trem chegou, Layla deu um gritinho animado, fazendo a mãe dar um sorriso despreocupado. A inocência era, com toda certeza, linda – Fazia com que todos enxergassem o mundo de uma forma pura e boa, ocultando o mal.
Sentaram-se no primeiro vagão que viram e começaram a conversar calmamente. Até que Lucy ouve uma voz que faz seu sangue gelar por um breve minuto e seu coração falhar em uma batida.
– Ahhh, essa viagem não vai acabar nunca?
Sim, aquele era Natsu Dragneel.
– Calma Natsu-san, a próxima cidade já é Magnólia.
Wendy Marvel.
– Ainda faltam cinco cidades, Wendy.
E aquela era Erza Scarlet, logo ouvindo um “Shh” da dragon slayer.
– Deixa esse cabeça de fogo sofrer!
Gray Fullbuster, que levou um soco na cabeça – Provavelmente da titânia.
– Wendy, por que não coloca Tróia no Natxu?
Aquela era a voz inconfundivelmente fofa de Happy.
– Wendy está sem poder mágico, gato. Ela teve que ficar colocando Tróia no Natsu a missão inteira, lembra?
Charl, sempre brigando com Happy.
– Mamãe, o que aconteceu? A senhora parece, não sei... A senhora ficou branca.
E essa foi a voz de Layla, tirando-lhe completamente de seu devaneios. Lucy nunca mentira para a filha, e não seria hoje que isso iria acontecer.
– Layla, está ouvindo essas vozes? – Perguntou, vendo a menina assentir. – Pois é, eles eram meu antigo time na Fairy Tail...
Os olhos da garota brilharam.
– Sério? – Gritou animada. – Ah, mãe, vamos lá falar com eles! Queria conhecer pelo menos um mago de lá e... – Layla não conseguiu terminar a frase, pois uma freada brusca do trem fez com que ela fosse diretamente ao encontro dos seios fartos da mãe. Por incrível que pareça, o trem já avia chego na outra cidade.
– Parou! – Ouviram o grito animado de Natsu, que instantaneamente ficou bom quando o trem parou. Lucy prendeu a respiração. – Ei, espera... – O membro da Fairy Tail farejou o ar. – Sabertooth.
Ele começou a andar, passou reto por Lucy e parou na cabine frente à loira.
– Sting! Eu sabia! – Gritou, apontando o dedo para o loiro que, surpreendentemente, estava no trem. Mãe e filha se encararam, preocupadas. Elas estavam ferradas!
– Ora, Natsu-san, o que me da a honra de sua ilustre presença? – A voz de Sting era irônica, deixando tanto Natsu quanto Lucy e Layla com nojo.
O rosado rosnou.
– Você sumiu com a Luce! – Layla lançou um olhar significativo para Lucy, que apenas fez sinal para a garota fazer silêncio. – Onde ela está?
– Isso não lhe interessa. Lucy me escolheu porque quis.
– Não perguntei isso. Quero saber onde a Luce tá!
– Vá se catar, Dragneel.
O dragon slayer do fogo cerrou os punhos, estava se segurando para não socar a cara daquela “abelha ambulante” ali mesmo.
– Natsu... – Sussurrou Lucy, com um sorriso bobo brincando nos lábios. Por um momento ela esqueceu da boa audição de um dragon slayer. Mas foi apenas por um segundo, já que, no outro, quatro cabeças de quatro dragons slayers se viraram para a mesma, surpresos: Rogue, Sting, Natsu e Wendy.
– Nee... Luce? – Silabou o rosado, a expressão surpresa dando lugar a uma alegre. Ele praticamente pulou no colo da loira. – Luce! O-onde esteve? Por que nos deixou? Eu... Senti sua falta! Vota para a Fairy Tail, por favor! Deixe esses tigres idiotas de lado.
– Eu queria muito Natsu, é o meu maior sonho... de novo. – Sussurrou, apertando o rosado em seus braços. Estava com muita saudade de seu melhor amigo.
– Então por que...?
Natsu não pode completar a frase, pois um soco lhe afastou a maga estelar.
– Tire as mãos da Lucy! – Disse Sting, ríspido. – Ela deixou as fadas por conta própria. E vocês – Olhou fundo nos olhos das loiras. – vão vir comigo e com o Rogue, ouviram?
Lucy assentiu, cabisbaixa, mas Layla não.
– Natsu-san! O SALAMANDRA! – Estava tão animada a ponto de gritar, e foi o que fez. – Natsu-san, a mamãe falou tanto de você! Ela disse que você era o melhor mago da Fairy Tail e que era um dragon slayer do fogo!
Logo Erza, Gray, Wendy e os exceeds se aproximaram da confusão, curiosos. Natsu, porém, tinha uma expressão confusa no rosto.
– Ela é sua filha? – Perguntou apontando para Layla. Lucy apenas assentiu.
– Lucy! – Erza abraçou a maga, sendo seguida por Wendy e Happy. Gray, por sua vez, encarava a maga de uma forma estranha, quase que magoada. E estava. Lucy os deixara para ter uma filha com Sting? Ela nem ao menos sabia o quanto todos sofriam até hoje com sua saída.
– Erza, Wendy, Happy... eu senti tanta falta de vocês! – Lucy estava chorando.
– Chega com essa palhaçada! – Gritou Sting, empurrando rudemente todos de perto da loira. Logo quebrou um dos vidros do trem e jogou Lucy e Layla por ali mesmo, pulando logo em seguida. Rogue entendeu o recado, então apenas repetiu o ato do amigo. E isso foi no exato momento em que o trem voltou a andar.
– Está louco Sting? – Perguntou Lucy, indignada. Layla chorava compulsivamente por ter ralado o braço na queda. – Sei que não se importa comigo, mas tenha ao menos um pingo de compaixão com sua filha!
– Layla não é minha filha, e você sabe disso. Tanto que o nome dela é Layla Heartfilia e não Layla Eucliffe. Essa garota é tão desprezível quanto você. – A frieza no seu tom de voz não assustou Lucy, mas Layla chorou ainda mais alto. Tanto pelas palavras rudes como pelo tom de voz grosso que Sting falava.
– Se sou desprezível, Sting, por que inventou toda aquela história de que me amava? – Lucy perguntou, levantando do chão e encarando o loiro. Layla correu para o colo de Rogue, que a levantou e foi para um lugar um pouco mais afastado com a garota e seu exceed. Lucy e Sting iriam se resolver, e Rogue sabia no que isso ia dar. Lucy o fez prometer que ele nunca deixaria Layla ver que ela apanhava do suposto “namorado”.
– Nunca disse nada sobre você não ser gostosa – Deu um sorriso malicioso. Lucy, agora com seus 24 anos, estava mais bela do que nunca. Os cabelos estavam batendo na cintura, os seios aviam ganhado umas medidinhas a mais e ela também avia ganhado mais algumas medidas nas coxas.
– Ah, então foi só por isso? Se é assim, se você só queria se divertir comigo, por que não me deixa livre? Não é como se eu fosse te denunciar para alguém ou algo assim. Eu só quero voltar para a Fairy Tail! – Berrou a loira.
– Já disse e vou repetir: Vá. Pode ir. Por mim não tem problema algum. Mas você sabe que Layla ficara comigo, não é? Hein, Blonde? – A ultima parte sussurrou bem perto do ouvido da maga, fazendo uma onde de arrepios correr pelo seu corpo. Um arrepio de nojo.
– Você é um monstro! – Sua voz grossa e ríspida assustou até ela mesma.
E então ela só ouviu um estalo e um formigamento no lado direito do rosto. Um tapa. Tão forte que ela perdeu o equilíbrio e caiu no chão.
– Monstro é a vovozinha – Murmurou o loiro, marchando em direção a Rogue.
Lucy suspirou e se levantou calmamente, como se aquilo fosse um fato cotidiano de sua vida. E era, na verdade. Havia virado uma espécie de ritual: ela fazia algo errado, ele batia; Layla fazia algo, ele também batia. Pagava pelos escorregões seus e de sua filha.
E o pior: ela nem ao menos podia sair.
Ele a encurralara. Ela podia sair, na verdade. Mas sua filha não. E mesmo Layla sendo filha de um monstro como aquele, ela faria como sua mãe: nunca desistiria. Ela iria, sim, voltar para a Fairy Tail. Definitivamente ela voltaria para sua família.
Apenas tinha que arranjar uma maneira de se livrar daquela abelha idiota ou não se chamava Lucy Heartfilia.
Sting não iria mais ter poder sobre si. Ele ia aprender que não se prende e nem se encurrala uma Heartfilia.
Ah, mas se ia!
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