Será Amor?
45 Capítulo 45 - A revelação
Notas iniciais
Pov. Pathy
Uma dor aguda foi oque senti, mas não fiz nada a respeito, apenas olhei para meu punho, o fechei novamente e dei outro soco, o segundo soco quebrou o espelho totalmente, deixando apenas pequenos pedaços pendurados e grudados nos cantinhos.
Ouvi passos apressados até o segundo andar e poucos segundos depois escutei fortes batidas em minha porta. Do nada me vi sendo exprimida pelas paredes do banheiro, elas se fechavam lentamente em minha direção, tive vários arrepios de uma vez só. Pisei nos cacos e senti meus pés levemente cortados, segurei na parede e esperei, esperei ela me esmagar.
–PATHY, ABRA A PORTA FILHA! –Minha mãe começou a gritar desesperada.
Olhei mais uma vez para meu punho, tentei relaxar, respirar fundo, aos poucos as paredes pararam de me esmagar, e eu consegui respirar direito novamente, o que foi aquilo? Um ataque de pânico? Um delírio? Uma doença?
–Me desculpe. –Falei para que ela escutasse do outro lado da porta.
–O QUE ACONTECEU FILHA? –Ela ainda forçava a maçaneta. Suspirei ainda nervosa e lavei minhas mãos.
–Só um minuto. –Quando me certifiquei que não havia mais cacos ou migalhas em minhas mãos, sentei na tampa da privada e certifiquei meus pés, tinha apenas um corte, acho que de uns dois centímetros. Tirei com cuidado o caco e lavei meu pé. –Estou quase saindo.
Peguei todos os cacos de vidro visíveis a olho nu que ainda estavam no chão e os joguei no lixo. Olhei a minha volta. Nada fora do lugar. Se não o espelho claro. Girei lentamente a chave e senti minha mãe forçar a porta contra mim para abri-la o mais rápido. Ela me abraçou e começou a falar coisas sem sentido. Achei aquilo estranho, mas não comentei, eu só tinha surtado por uns segundos!!!
Pov. Trish
–Como assim Dez? –Refiz a careta de choro e senti uma lágrima quente descer por meu rosto. –Está terminando comigo?
–Não. –Ele disse após alguns segundos. –Apenas quero que reconheça meu amor Trish, veja, veja oque eu faço por você. Quando está triste, eu faço piadas, quando está feliz, eu fico bobo com um sorriso do tamanho do mundo, se está sozinha, eu te faço companhia, se está com raiva, eu te dou um motivo de calma, se está orgulhosa, eu digo oque você é para mim. Você nunca fez nada por mim.
E foi como se eu tivesse levado vários socos, porque ele estava falando aquelas coisa? Tudo bem que era verdade, mas me doía, me machucava realmente.
–Está me machucando. –Falei baixo enquanto olhava para os pés dele.
–Você faz isso comigo desde o início de nossa relação. –E foi como outro soco. Fechei meus olhos e os abri, com esperança que aquilo fosse apenas um pesadelo, mas não era.
–Mas eu te amo.
–Deveria demonstrar mais. –Que Dez era aquele? Ele nunca falara assim comigo.
–Eu sinto muito. –Ele se aproximou de mim com lentos passos que me torturaram.
–Prove! –E BAM! Fui jogada na cama com uma enorme surpresa. –Eu ainda te amo Trish.
Ele me falou isso com uma voz chorosa, mais lágrimas brotaram do meu rosto e eu lancei meus braços envolta de seu pescoço, formando assim um abraço, um abraço muito forte.
–Dez... –Parei. Respirei. Limpei o rosto. –Eu te amo.
Pov. Ally
–Oque está acontecendo querida? –Comecei a entender oque Austin falava. –Oque aconteceu?
–Eu não sei. –Ele pareceu suspirar com alívio, mas continuou com a face preocupada.
–Está chorando a mais de meia hora. Estou muito preocupado minha morena. Só quero vê-la feliz. –Ele alisou meu rosto.
Meus olhos estavam secos. Apenas assenti para Austin e continuei agarrada a ele. Não tinha mais lágrimas para derramar. Limpei meu rosto, estava com as bochechas exaustas. Acho que nunca chorei assim, por tanto tempo. O que estava acontecendo comigo? Com o Austin e a Trish? Com o Dez? De verdade, eu precisava saber.
–Acho que estou tão confusa, que meu corpo não aguentou a pressão. –Disse como um sussurro. Minha voz estava exausta, assim como eu.
–Com oque está confusa? –Uns segundos se passaram. –É com o Gabriel?
Neguei com a cabeça e dei um cheiro profundo na camisa dele.
–A primeira coisa, é a duvida. Sabe, passei pelo quarto da Trish mais cedo e escutei você dois. E agora a Trish brigando com o Dez... –Ele me interrompeu.
–Pera aí Ally, está colocando as peças do quebra-cabeça nos locais errados. Pelo seu tom de voz, acho que está insinuando que estou com a Trish... É isso? –Ele perguntou tentando olhar para meus olhos, mas eu não deixei, me agarrei mais ainda a ele. Assenti envergonhada e esperei. –Sabe, era um segredo meu e do Dez, mas se for para o seu bem, eu conto. É que o Dez quer pedir a Trish em casamento...
–Eu sei. –O interrompi. –Ele me falou. Só que ele ficou muito decepcionado quando ouviu oque Trish disse sobre a relação deles.
–O Dez ouviu? –Perguntou ele a mim. Assenti novamente.
–Então, eu não estava na sala ainda, não sei como Trish reagiu, só sei que deve ter o magoado. –Continuei. –Motivos o suficiente para...
–Ei, Ally, sua amiga também estava magoada! Por isso minha conversa, eu fui fazê-la rir, porque ela também é minha amiga. –Me afastei um pouco apenas para ver a boca rosada dele.
–De verdade? –Sorri um pouco.
–Sim, de pura verdade. Eu te amo Alls. –Sorri e me encostei a ele novamente.
–Eu também te amo. –Passamos a um silêncio profundo, mas era bom, para pensar, sentir o momento, ficar feliz. Metade do meu medo foi tirado, mas a outra metade ainda estava lá. Tinha medo de que naquela intriga, um dos meus amigos, ou pior, os dois, saíssem machucados. Aquilo seria torturante.
Droga, agora que percebi! Eu já os havia feito sentir isso várias vezes, com o sequestro, com a gravidez... O Austin fez isso comigo também, com a perda de memória, não me dando notícias no dia de minha entrevista. Por que isso nos acontecia quando menos desejávamos? Que injustiça!
Pov. Paloma
–Paloma, você quer ir treinando? –Rosa me ofereceu com uma forma indiscreta para que eu cuidasse dos filhos da Ally. –Preciso ir ao orfanato!
–Que ótimo! –Falei enquanto ia me aproximando daquelas fofuras. –Mande notícias para Fran, ela cuidou bem de mim, mesmo sendo uma mulher rígida, ela tinha seus lagos doces, tinha sua vida. Ainda gostaria de investir em jornal investigativo para sabor oque aconteceu com aquela mulher!
Rosa e Riker riram com meu argumento. Riker se aproximou lentamente, como um leão preste a caçar, cuidadoso. Alisou a mãozinha de Ada e olhou para mim com aquele sorriso que me faz derreter.
–Ela é linda não é? –Sorri assim que me veio a ideia que ele queria se casar comigo por causa de vários motivos, o amor, a união, a união dos corpos, a frutificação... Senti-me corada e ele sorriu. –Não entendi, por que está assim? Tão vermelhinha?
Ri nervosa e revirei os olhos.
–Deve ser porque eu vou casar com o homem mais gostoso do mundo! –Ele fez um biquinho engraçado e eu acabei caindo na gargalhada, e ele me olhou novamente da mesma forma. Confirmando as intenções dele.
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