Será Amor?
32 Capítulo 32 - Rindo de nervosismo
Notas iniciais
Pov. Austin
E como um fio de esperança, eu a avistei abrir os olhos. Corri desesperado em sua direção, as lagrimas borravam minha visão. Os médicos me tentaram impedir, mas eu consegui passar por eles e ficar ao lado de minha morena.
–Ally, por favor fica, eu te amo. –Segurei sua mão e a beijei desesperadamente.
–Faça o show. –A ouvi sussurrar e amolecer novamente. Fazer o show? Nem um eu te amo? Como poderia fazer um show com ela naquele estado?
Os médicos a levaram para a sala de cirurgia e uma moça me fez ficar na sala de espera. “Faça o show”, minha mente era martelada com suas palavras. Senti meu celular vibrar no bolço e o peguei.
–Alô? –Falei triste e preocupado.
–Austin, onde está você? –Uma voz desesperada falou ao outro lado da linha. –Aconteceu algo? Você não é de se atrasar.
–Sim Trish, Ally está passando por uma cirurgia, e podemos perder os três Trish. –Comecei a chorar novamente. –Ela pediu para fazer o show. Não sei se consigo.
–.-.-
Depois de uma curta e sincera conversa com Trish e depois com o Dez, me convenceram de fazer o show. Se ocorresse o caso de Ally partir, eu teria cumprido seu último pedido. Mas não, aquilo não podia acontecer, não devia. “Oque fiz para merecer isso?”. Com a cabeça entre as mãos, eu pensava e chorava mudo. Trish transmitia preocupação, mas era real, o medo, o desespero, a sensação de falhar, não poderíamos perdê-la, minha morena era essencial para a vida de cada um de nós, eu, Trish, Dez, Pam, Rosa. E além dela, os bebês. Nossas criações, nosso amor transbordado para frutos feitos com muito amor.
Andei tristonho até o palco e me posicionei em frente ao microfone.
–Boa noite pessoal. –Eu estava quase caindo, sem forças. –Bom, devem ter percebido que não estou alegre. Vocês lembram da Ally?
Todos ouviam atenciosamente.
–Ela está passando por um momento delicado, sua vida está em risco. Estou aqui, como pedido dela, ela pediu para que eu fizesse o show mesmo com ela estando mal, e aqui estou eu, irei cantar para vocês.
–.-.-
Me senti aliviado ao sair do palco, senti que poderia voltar o mais rápido possível para perto de Ally, saber como ela estava, a cirurgia já tinha terminado? Eles sobreviveram...?
–Trish, eu não vou dar autógrafos hoje, mas não quero deixa-las na mão, diga que cada uma escreva uma mini carta e coloque nome e endereço que eu irei assinar todas e enviar eu mesmo para cada uma delas.
–Tem certeza Austin? –Assenti e me direcionei ao carro que me levaria ao aeroporto.
–.-.-
Desci do avião agoniado, quase corri para o táxi que Trish havia pedido para me aguardar. Não notei se tinha alguém contando com minha chegada, pedi logo o endereço e fiquei batendo o pé nervoso com a situação.
Na sala de espera um doutor veio ao meu encontro, eu estava quase atropelando ele de nervosismo mas consegui prestar atenção em seu dito.
–Austin Moon? –Eu já estava a sua frente.
–Eu mesmo.
–Tenho notícias de sua noiva. Ela acaba de sair da cirurgia, houve algumas complicações com os bebês. –Minha visão escureceu e me faltou um pouco de ar. O doutor não esperou, continuou a narrar. –Com nossa melhor equipe, conseguimos fazê-los viver, seus pulmões não estão bem desenvolvidos por conta da prematuridade. Eles terão que ficar um bom tempo aqui para receber alta.
–E a Ally? –Estava colocando tanta força no punho que os nós de meus dedos doíam e reclamavam exigindo um relaxamento.
–Ela conseguiu enfrentar a cirurgia bem, está na sala de recuperação, ainda não acordou mas conforme os exames ela passa bem.
–Os bebês... Eles passam por algum risco? –Estava feliz pela Ally, preocupado por Ada e Alec.
–Devo ser sincero, sim, existem risco para os bebês, não podemos assegurar 100% que eles sairão vivos dessa, mas há uma grande possibilidade e faremos de tudo para que saiam saldáveis. –Assenti me sentindo um pouco melhor, mas não menos preocupado, meus filhos ainda corriam perigo e Ally ainda não havia acordado. –Gostaria de conhece-los? Digo, seus filhos.
–Claro. –Meus olhos brilharam.
–Infelizmente não pode segura-los ainda, estão entubados por causa dos pulmões, mas esperamos que daqui a dois meses já estejam independentes. –Assenti apreensivo, sabia que realmente eles eram prematuros.
–Vamos.
Andamos até onde estavam, haviam várias caminhas que na hora me falharam a memória. Avistei os únicos que estavam com aparelho respiratório e meu coração palpitou com mais força, eram meus filhos. Pai, eu era pai, pai de verdade. Nem imaginava por isso.
–São eles? –Perguntei sorrindo de canto.
–Sim, eles são bem pequenos, mas se quiser, pode considerar como se tivessem nascido com nove meses, conforme meus cálculos eles nasceriam no dia 12 de Dezembro. –Assenti e me aproximei.
–Essa é menina, vocês tem que registrá-los ainda. –Coloquei meu dedinho perto de sua mão e ela automaticamente segurou meu dedo de leve. Senti uma lágrima querendo fugir de meu olho.
–Ela é tão pequenininha. –Afirmei sorrindo abobalhado.
–E, por imaginável modo, este é o menino. –Alec era menor, ele parecia tão delicado quanto Ada e parecia ainda mais delicado com aquele tubo que o forçava a lutar pela vida.
E naquele momento, vi como eu tinha esperança, como poderia ser feliz, bastava minha família, meus amores, minhas razões de viver, sobreviverem. Eles iriam mudar minha vida, disso eu tenho certeza.
–.-.-
–Austin? –Ally me chamou, me tirou de meu sono e meus olhos brilharam.
–Você acordou. –Sorri e corri ao seu encontro. –Senti tanta saudade de você.
–Oque aconteceu? –Ela passou a mão na barriga e seus olhos arregalaram. –Cadê meus bebês? Oque aconteceu Austin?
O bip começou a aumentar.
–Calma Ally, está tudo bem. –Eu tentava fazê-la se acalmar, mas achei que a qualquer momento ela teria um ataque. –Ally, tiveram que fazer o parto dos nossos bebês antes, eles nasceram com cinco meses, estão entubados. Resolvi considera-los no tamanho e peso quando eles completarem nove meses que conforme o cálculo do doutor cairá no dia 12 de Dezembro.
–Eles estão bem? –Assenti sorrindo e ela me retribuiu o sorriso. Meu coração palpitou com força e meu estômago se tornou um abrigo para mais de mil borboletas.
–Estava com tanta saudade desse seu sorriso. –Vi suas bochechas corarem. –E fica tão linda assim, choradinha.
Ally sorriu nervosa e eu a beijei, não esperei, apenas queria provar novamente de seus lábios. Sabia com certeza que os bebês iam viver, o pediatra confirmou que eles estavam se saindo tão bem que não demorariam tanto para receber alta.
–Eu te amo. –Disse olhando fundo em seus olhos castanhos e brilhantes.
–Eu te amo. –E a beijei novamente após chamar os médicos para avisar que ela havia acordado.
Fale com o autor