Será?
17 Um novo começo
Notas iniciais
— O carro vai te levar até o hotel, amanhã você poderá ir na concessionária retirar o carro que alugamos. Aqui está o endereço. – Falou Kelvin me dando as últimas instruções antes que eu entrasse no carro para começar a viagem.
Estávamos na frente do prédio da editora.
— Hoje você terá um tempo para arrumar suas coisas, amanhã a equipe que preparei irá chegar para se juntar a você. – Ele continuava falando.
Tentei guardar tudo o que ele falava em minha cabeça conturbada. Após muito chororô eu percebi que a despedida era o menor dos meus problemas.
— Qualquer coisa você pode me ligar, estarei 24 horas disponível. Só lembrando que se alguém perguntar o que faz em São Paulo você terá que dizer que está em uma conferência. Alguma dúvida? – Falou ele por fim.
— Pode deixar, já entendi tudo. – Falei.
— Ótimo, boa viagem. – Falou Kelvin vindo me abraçar.
— Obrigada! – Falei retribuindo o abraço.
Entrei no carro e o motorista guardou minhas malas.
Olhei pela janela e acenei para Kelvin que retribuiu o aceno.
Já eram 11:30 da manhã e após muita conversa sobre como tudo teria que acontecer, uma dor de cabeça horrível resolveu aparecer. Não estávamos nem duas quadras distantes da editora e já estava batendo o arrependimento.
— José, pode parar naquele posto na saída da cidade para que eu possa comprar uma água? – Perguntei.
— Claro senhorita. Está tudo bem? – Perguntou José após aceitar meu pedido.
José é o motorista contratado a alguns anos pela editora, ele sempre nos leva para os eventos, viagens ou qualquer coisa relacionada ao jornal.
— Está sim, só preciso de água para tomar um remédio. – Respondi.
— Ok. – Falou ele olhando pelo espelho retrovisor.
***
Quando chegamos na subida da serra eu peguei meu celular, meu fone e coloquei uma playlist para relaxar, o som do carro estava ligado na rádio que informa o trânsito e preferi deixar assim.
Encostei a cabeça no vidro, fechei os olhos e ouvi a voz suave de Rachael Taylor da "He Is We" cantando "Breathe".
Um pouco depressão essa música, mas é uma de minhas preferidas então nada mais justo do que ouvir em um momento tão importante de minha vida em que eu não sei ao certo o que sinto, mas transmito que estou bem.
Um pouco mais de 30 minutos depois de começar a subir a serra abri os olhos e vi a paisagem de morro e árvores darem espaço à casas, ruas e pessoas.
Mais 40 minutos e chegamos na frente do hotel que fica na Rua José Maria Lisboa no bairro Jardins, a 5 quadras da Avenida Paulista e 6 da Rua Augusta. Ponto estratégico para a investigação.
Desci do carro e vi um enorme prédio com vidros azuis reluzentes, uma placa anunciava o nome "SKY BLUE HOTEL". O nome não é desconhecido, a alguns meses atrás eu havia ido em uma conferência em Recife e fiquei na filial deles.
Gostei muito do que encontrei naquela viagem e espero que esse hotel não me decepcione.
Fui fazer o check-in enquanto José ajudava o mensageiro (cara que carrega as malas, porém eu não tenho certeza que nome é dado a profissão ao certo).
— Boa tarde, no que posso ajudar? – Perguntou a recepcionista.
— Boa tarde, eu tenho uma reserva no nome de Betina Linhares. – Respondi.
— Ok, vou precisar de um documento com foto e um cartão de crédito. – Falou a recepcionista.
Dei minha carteira de motorista e meu cartão de crédito, se passou alguns minutos enquanto ela digitava freneticamente e eu reparava na decoração do hotel.
— Tudo certo senhorita Betina. Aqui está sua chave e um folheto para conhecer um pouco mais o nosso hotel. – Falou a recepcionista me devolvendo meus pertences e adicionando a chave e o folheto com as praticidades do hotel.
— Obrigada. – Falei pegando as coisas.
— Obrigada a senhorita pela a preferência. Ricardo irá acompanhá-la até o quarto. – Falou a moça e apontou para um cara com minhas malas.
— Por aqui! – Apontou Ricardo para os elevadores.
Segui ele, entramos no elevador e Ricardo apertou o 15º andar. Ele me levou para o quarto, me mostrou tudo e disse que qualquer coisa poderia chamar.
***
Já fazia mais de uma hora que eu havia chegado e a única coisa que tinha feito era tomar banho e me jogar naquela cama enorme. Eu estava deitada de olhos fechados quando meu celular começou a tocar.
“ I don't care
I love it
I don't care
You're on a different road, I'm in the Milky Way
You want me down on Earth, but I am up in space...”
— Alô. – Atendi sem olhar quem estava na linha.
— Oi meu amor, chegou bem? – Perguntou Eduardo.
— Oi gato, cheguei sim. E aí tá tudo bem? – Falei.
— Está sim. Já aproveitou alguma coisa desse lugar? – Perguntou ele.
— Eu acabei de chegar Eduardo. – Falei rindo. – O máximo que aproveitei foi o chuveiro. – Completei.
— Verdade! – Falou ele.
— Gato, vou arrumar minhas coisas aqui e ver o que tenho para fazer hoje, depois nos falamos. – Falei.
— Está me dispensando? – Perguntou ele.
— Não né idiota, é que eu preciso arrumar as coisas para começar a trabalhar. – Respondi.
— Ok. Beh tu nem me contou o que foi fazer aí, tipo você só disse que seria trabalho e investigação, mas não disse do quê. – Falou Edu.
— Então, é meio complicado. – Falei dando uma risada tímida. – Quando der te explico, ok?! – Completei.
— Tudo bem, mas vou cobrar hein! – Falou ele.
— Tá bom, agora beijos e se cuida! – Falei.
— Você também, beijos! – Falou ele e desligou.
Desliguei arrumei minhas roupas no guarda roupas do hotel.
O quarto é enorme, tem uma varanda com espreguiçadeiras e uma vista de cidade grande onde se vê prédios altos e carros lá embaixo. A decoração é branca e preta, as paredes são brancas e os móveis preto. Na porta de entrada tem uma sala com dois sofás pretos, uma mesa de centro redonda, frigobar e uma entrada para a varanda, adentrando mais fica o quarto em si, tem uma cama enorme, mesas de cabeceira, um painel na parede em frente a cama com uma TV de 46 polegadas, uma mesa de escritório na parede perto da porta de outra entrada para a varanda e um guarda roupas na parede perto do banheiro. O banheiro assim como o resto do quarto também é enorme, tem pia dupla e uma bancada de mármore, um pufe redondo e grande, uma banheira de hidromassagem e um vazo sanitário com descarga à vácuo, decoração branca e preta assim como o resto do quarto.
Coloquei meu notebook na mesa e o liguei. Meu celular tocou novamente.
— Bênção madrinha! – Falei ao atender.
— Deus te abençoe minha filha! – Falou ela. – Sua mãe disse que foi viajar a trabalho. – Completou ela.
— Sim, a editora me mandou para uma conferência na capital. – Falei com dor no coração por não poder contar a verdade.
— Ah sim, mas já sabe quando volta? – Perguntou ela.
— Ainda não, mas volto logo. – Respondi.
— Então tá bom, está tudo bem aí? Já chegou? – Perguntou minha madrinha.
— Sim, sim. Cheguei a algumas horas, o hotel é lindo. – Respondi. – E a senhora, está bem? – Perguntei.
— Estou sim, muito bem. Agora vou deixar você trabalhar, porque vou sair. – Falou ela.
— Ainda não estou trabalhando, mas tá bom. – Falei rindo.
— Beijos minha gorda! – Falou ela.
— Beijos madrinha! – Falei e desliguei.
Abri o Skype no notebook e vi que Raissa estava online.
“Online vadia?! Não deveria estar trabalhando??” Enviei no chat.
“Acha que só você ganha folga no começo da semana? Paulo me deu o dia livre!” Respondeu ela.
Começamos uma conversa em vídeo.
— Vacaaa, já estou com saudades! – Falou Raissa assim que me viu. – Uau que quarto enorme! Saí da frente pra eu ver melhor. – Completou ela.
— Saudades também! – Falei saindo da frente da câmera.
— Já saiu aí? – Perguntou ela.
— Não, nem para fora do quarto fui ainda. Falando nisso preciso comer alguma coisa. – Falei rindo.
— Pede no quarto boba, hotel é tipo ser rainha e todos te servem! – Falou Raí rindo.
— Verdade, se você e a Clari estivessem aqui... seria tão bom! – Falei fazendo coração com a mão.
— Pois é, mas temos uma vida aqui. Infelizmente nossos trabalhos não pagam viagens igual o seu! – Falou ela.
— Se fosse só viagem sem trabalho... – Falei.
— Nem tudo é perfeito gata. – Falou ela mostrando a língua.
— Nem me lembre, nem sei por onde começar aqui. – Falei.
— Começa me contando melhor o que foi fazer aí. – Falou Rai.
— Uma investigação para uma matéria. – Falei por alto. – Nossa, vou almoçar. Será que ainda dá para almoçar no restaurante daqui? –Perguntei tentando mudar de assunto.
— Mudando de assunto né bonitinha. Não sei, vai lá almoçar. Beijos! – Falou ela.
— Vou mesmo, beijos! – Falei dando tchau para a câmera.
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