Será!?
16 Fortes
Notas iniciais
–Ian... — Amy não soube onde conseguira encontrar voz para gritar.
O ar batia neles com força. Seus ouvidos queriam explodir devido a pressão e a pele parecia ser arrancada do corpo.
Quanto tempo havia se passado? Quantos metros já haviam caído? Quantos ainda faltavam? Quantos faltavam para...
–Amy! — ele gritou.
–ME DESCULPE! — gritaram ao mesmo tempo.
Se olharam por um momento, o medo estampado não apenas nos olhos, mas em todo o rosto. E mesmo por trás daquele olhar aterrorisado, ambos souberam que a desculpa não foi pelas últimas brigas, por Ethan Nobre, pelo avião explodindo... Foi por terem se afastado.
Eles se apertaram um pouco mais, os rostos colados com força.
Não sentiram mais nada.
*****
–Ela está acordando! — ouviu um sussurro infantil.
Mila só conseguiu abrir um olho, e mesmo assim sentiu dor. Voltou a fechá-lo.
Tentou se concentrar: não estava sentada, seu corpo estava dobrado, alguém colocara-a naquela posição. Também não sentia mais o balanço do avião, portanto estava em terra firma. Mas aonde?
–Como se sente? — ela ouviu alguém dizer.
Um músculo de sua boca se mexeu, mas ela não a abriu. Tudo doía.
Forçou seu olho a abrir novamente. Alguns borrões laranjas se mexiam ao seu redor, paredes brancas... nenhuma porta. Estava presa, provavelmente na Namíbia, com os outros Cahills sequestrados.
Puxou o ar para dentro do corpo pelas narinas e soltou-o devagar.
Ela passou a língua nos dentes e uma fraca risada vibrou em sua garganta. Eles tinham esperanças: Ainda estava lá.
*****
Amy Cahill não tinha certeza se aquilo era um sonho ou a vida real. E, se fosse a vida real, aquilo... tudo aquilo seria a morte? E aquela claridade acima deles era "A" luz?
–Amy Cahill. — ouviu a voz grave de um homem.
–Senhor? — conseguiu responder, enquanto pensava "Droga, eu morri".
–Como se sente?
Ela fez uma careta.
–Dolorida. Ainda estou em meu corpo?
O homem gargalhou.
–Amy, você não está morta. Está na Base de Operações Químicas dos Lucian, na Angola.
Ela se levantou de repente e sua visão dançou. Esperou que ela voltasse ao normal, para sentar-se direito e observar onde estava. Em volta de sua cama, várias pessoas vestindo camisetas e calças brancas andavam de um lado para o outro, na pararede a suas costas havia grandes janelas que iam até o teto. Lá fora as ondas do mar quebravam na areia escura.
Então Amy achou que estivesse louca. Alguma coisa não se encaixava em tudo isso. Como ela poderia estar caindo há milhares de metros de altura em um momento e no outro, se encontrar em Angola, viva e vendo um mar incrivelmente azul? Ela ficara louca em um desses dois momentos, claro.
–Certo. — ela disse incerta, com o cenho franzido. — Fui transferida para um hospício na Angola? Meu estado é tão grave assim, doutor?
O homem fechou a cara.
–Não sou doutor, Cahill. Sou o responsável pelo controle desta Base. Avisaram-me que vocês estariam por perto. Vários dos meus melhores Coletores já estão preparados para invadir a Base Secreta dos Vespers. Como se sente? Está pronta para ir?
–Eu o que? Do que você está falando?
Ele bufou, enquanto puxava uma cadeira e sentava-se ao lado dela.
–Odeio dar explicações, mas vamos desde o começo.
Ela balançou a cabeça, concordando.
–Seu nome é Amy Cahill, partiu em uma missão com Mila...
–Não tão do começo! — ela protestou. — Desse começo eu sei muito melhor do que você.
O homem, se possível fez uma cara ainda mais brava.
–Então de que ponto deixou de saber?
–Da parte que eu caí... e não morri.
O homem estralou os dedos da própria mão.
–Ian Kabra informou a Base Madrigal (N:A://Isso ocorre no Capítulo 13) — sua careta se contorceu quando disse o nome, mas ele prosseguiu. — em uma ligação feita do Aeroporto Internacional da Alemanha, que estavam rumando para a Namíbia. A Base já colocou "soldados" dentro de um avião particular há quatro horas. Também comunicaram conosco. Disseram para interceptar-mos seu avião quando chegassem a An...
–Foram vocês que mandaram os mísseis! — ela gritou.
–Não me interrompa, garota. Não mandamos mísseis para parar o avião de vocês, foram os Vespers. Você devia nos agradecer por estarmos aqui quando vocês cairam. — depois da bronca ele desviou o olhar e continuou com a explicação. — Pelo celular que o Kabra ligou, os... madrigais conseguiram rastrear o paradeiro de vocês, assim soubemos onde estavam... e pegá-los antes que caíssem.
–Como fizeram isso?
–Já estávamos em um helicóptero, seguindo vocês, quando houve a explosão. Um de nossos homens, equipado com um paraquedas, pulou em queda livre. Alcançou vocês porque pularam mergulhando, o que garante maior velocidade. Enfim, ele acertou os dois com um dardo tranquilizante. — ele apontou para o braço dela. Ela o olhou e viu três pontos arroxeados. — É difícil ter precisão quando está caindo. — ele deu uma pausa, limpando a garganta, e continuou. — Outros dois pularam e engancharam vocês no paraquedas deles. Dessa forma, não morreram.
–Obrigada. — Amy achou necessário dizer. — Qual é o seu nome?
–General Bronkson.
–General Bronkson da Base de Operações Químicas da Angola? — ela perguntou e o homem confirmou com um aceno de cabeça. — Por que "Operações Químicas"?
–Em Angola há inúmeros casos de morte por envenenamento animal, serpentes, mosquitos... Já deve ter ouvido falar da mosca tsé-tsé. Essa área que nos encontramos, na qual se parece com uma enfermaria é realmente uma enfermaria. Como eu disse, há inúmeros casos de envenenamento. Vítimas desse problema vêm aqui para serem tratadas, acham que é unicamente um hospital, mas quando cuidamos delas, extraímos o veneno de seu corpo e usamos para nossas pesquisas. Você, com certeza, deve saber que os Lucian são especializados em venenos.
Amy riu.
–Como não pensei nisso antes? Ah, outra coisa, o que é um Coletor?
–São os homens responsáveis por capturar animais venenosos em seu habit natural e trazer seu veneno para essa Base. São os mais corajosos, tenha certeza que estão aptos para invadir a Base Vesper e resgatar os reféns. Agora, me conte sobre sua parceira, Mila Dragão, onde ela está?
–Onde está Ian?
–Na sala de comunicação, conversando com a Base Madrigal.
–Onde isso fica?
–No último andar.
Amy não teve a intenção de ser educada quando saiu correndo e subiu a primeira escada que encontrou. Quando chegou ao último andar, só bastou perguntar a uma pessoa que cruzava seu caminho qual era a sala.
–Ian! — ela gritou assim que abriu a porta e viu o rapaz ali dentro.
Depois que disse, imediatamente se arrependeu.
Mas ele não fez cara de vitorioso e esnobe, como era comum dos Lucian, apenas sorriu calmamente para ela e disse:
–Ei, você acordou. Como se sente?
Ela esfregou o próprio braço marcado por manchas roxas.
–Melhor dardos tranquilizantes que se esborrachar no chão.
Ele riu.
–Consegui me comunicar com Fiske. Ele disse para esperarmos as pessoas que eles mandaram para nos ajudar, para não invadirmos a Base sozinhos. — ele balançou os ombros. — Deve demorar algumas horas ainda. Provavelmente, chegarão amanhã.
Amy observou todo o íncrivel equipamento eletrônico na sala a sua volta, e lembrou-se do GPS. Suspirou quando percebeu que ele ficara no avião.
–Como vamos saber a localização da Base?
Ian enfiou as mãos no bolso.
–O General Bronkson mandou equipes para o mar. O chip do GPS demora até cinco dias para parar de funcionar quando cai na água, se eles o encontrarem podemos descobrir a localização.
–Qual é a probabilidade de encontrarmos esse chip? — ela perguntou.
–Muita. — Ian disse com um sorriso. — Eles têm ótimos equipamentos. Acredito que conseguem encontrar isso até o avião chegar.
Amy mordeu seu próprio lábio inferior, receosa com a pergunta que faria:
–E quanto a Mila?
Ficaram um segundo em silêncio, assustados devido a frieza dentro deles.
Então Ian deu algumas palmadinhas em uma arma de fogo estranha e complexa que estava pousada em cima da mesa de centro.
–Vamos vingá-la. — respondeu.
Amy ergueu o olhar para ele, confirmando a vingança.
Pela primeira vez em muito tempo, eles não se sentiam derrotados, como se tudo pudesse dar errado; eles estavam alimentados pela raiva, pelo vazio dentro deles, e por isso... estavam fortes.
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