Sequester
3 Pesadelo
Notas iniciais
– Eles? Eles quem? — Kouta gritou. Estava sentindo raiva e desespero ao mesmo tempo.
– E-eu não sei... — Yuka chorava. — N-nem lembro...
– NÃO LEMBRA?! — Voltou a gritar. — Como diabos não lembra?!
– Kouta, escute — Lucy interrompeu. — Eu devo ir atrás deles. Não devem ter ido muito lon-
– Sabe onde eles foram?
– Não, eu-
– Então fique — ordenou.
– Não posso ficar. Diferente de mim, a Nana pode ter uma vida.
– Você também pode — Kouta disse também tentando se convencer de tal coisa. — Fique, durma um pouco. Você ainda não está bem.
– Kouta, eu não po-
Parou de falar. Kouta estava chorando, mas ainda a olhava intensamente.
– Fique — sussurrou. — Fique.
Lucy não podia dizer não. Ele parecia dizer a si mesmo algo que só ele compreendia.
– Só um pouco — o abraçou e rumaram para casa.
***
Estava escuro. Muito escuro. Lucy sentia o vento frio percorrer o local. O único som era o do vento.
Tola... O vento disse.
E era como se sentia. Uma tola por se achar especial.
Inútil... Voltou a sussurrar. Frágil...
Frágil! Ela odiava se sentir assim. Incapaz de proteger aqueles que ama.
E quem você ama? Ele provocou. Se ama, não deveria. Monstros não deveriam saber amar.
Mas ela sabia.
– Não sou um monstro... — Respondeu. — Não sou!
Tem razão; nem isso você é. O que você é, mesmo? Riu. Aliás, o que você é para Ele além de uma distração?
– Eu sou amiga dele! — Gritou. — Eu sou! Eu sou!
Amigos não mentem. Amigos não...
Mentiroso.
Não era a voz do vento. Era uma voz mais sombria que isso. Era a sua própria voz.
– Ele mentiu porque sabia o que iria acontecer caso não o fizesse! — Argumentou. — Não é?
Ele mentiu porque ela é bem melhor que você. Mas é só matá-la, não é? Você é a Madrasta má; ela é a Branca de Neve. Você é a segunda melhor. A Segunda na vida dele. Quer ser a primeira? Mate-a.
– Não! Ela foi boa comigo. Ela foi...
Chama aquilo de bom? Ela foi cruel. Devolva com o seu tipo de crueldade. O que Ele é pra você?
– Um sonho...
O que ele é pra você?
– Um sonho...
E você é pra ele...?
– Pesadelo. Pesadelo.
Isso.
Gritou:
– Pesadelo.
E tornou a gritar. E de novo, e de novo, e de novo.
***
– Lucy...- Kouta estava segurando firmemente os seus ombros, como se quisesse deixá-la quieta.
– Eu tenho que ir — foi só o que disse.
– Espere! O que vai fazer?
– Vou ser a Primeira. — Sorriu para ele. — Vou ser um sonho. Não importa qual for a consequência.
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