Separados pelo Destino, Reunidos pelo Acaso
9 Capítulo 8: Mentiras, dor e estou sentindo uma nova treta
Notas iniciais
O dia amanheceu bonito, céu aberto com poucas nuvens e o sol trazia calor para o seu corpo depois dos dias frios. Penteava os longos cabelos molhados e procurava o secador pelo pequeno quarto bagunçado até que finalmente o encontra. Se ocupar secando os cabelos, porém, não fazia sua mente para de pensar.
Sentia-se melhor por finalmente ter feito as pazes com Sasuke, iria ter com ele em alguns minutos onde finalmente teriam a chance de conversar sobre tudo. Mas ela tinha medo, aquilo significaria revelar um podre grande envolvendo sua família e a família do amigo. Seu tio era um político influente, nada que pusesse em risco o nome dos Hyuuga poderia ir a público.
E dar uns amassos com o próprio primo não é um escândalo, Hinata?
Ela terminou de secar o cabelo e começou a se vestir, quando estava tentando colocar o sutiã — era complicado com seus seios fartos — a porta de seu quarto foi aberta.
— Hinata, eu acho melhor você... — Neji entrou no quarto falando, porém parou quando se deparou com a melhor cena que poderia ter nas últimas semanas. Os peitos de Hinata lindamente expostos.
O rosto de Hinata corou de vergonha, mas rapidamente foi ficando vermelho de raiva. Neji estava paralisado e evidentemente excitado até que o travesseiro voou na sua cara.
— SAI DAQUI! — Hinata gritou batendo a porta na cara do primo.
— D-Desculpa. — Neji pedia perdão totalmente sem graça.
A Hyuuga terminou de se vestir e abriu à porta, Neji ainda estava lá parado do lado de fora.
— Você tem mão, e adivinha? Ela serve para bater na porta, não só tocar punheta.
— Nossa quanta agressividade. Já pedi desculpa.
— Arg, tudo bem. — Ela se deu por vencida.
— A propósito. — Ele dizia aproximando os lábios do ouvido da prima. — Belos seios. — Sussurrou fazendo-a corar novamente.
— Baka! — Ela cruzou os braços fingindo estar com raiva. — Agora me diz o que você quer.
Neji arqueou uma sobrancelha e revirou os olhos. Ele balançava a perna evidentemente ansioso, algo o incomodava.
— Agora é assim? Mal fez as pazes com aquele idiota e vai me tratar mal?
— Está com ciúmes? — Hinata provocou.
Agora quem ficou corado de vergonha foi o garoto. Neji cruzou os braços imitando a pose de Hinata.
— Eu não sinto ciúmes de ninguém. — Mentiu, porque era óbvio que estava com ciúmes.
— Aham. — Hinata fingiu que acreditava nele. — Então o que é?
— Só não acho que você deva dar confiança.
— E o que você tem a ver com isso, Neji?
— Quer saber? Esquece! — Ele virou as costas indo em direção ao seu quarto. — É uma tonta, quando essa fase boazinha do Sasuke passar não venha chorar. Eu já assisti a essa novela antes. — Terminou entrando no quarto e batendo a porta.
Hinata ouviu o barulho da tranca. Neji trancou a porta que nem uma putinha irritada. Mas ela não ligava, vê-lo com ciúmes a divertiu naquele momento. A sensação de que era importante para alguém era muito boa. Mas não existiam motivos para Neji ter ciúmes de Sasuke.
Só para você Hina, porque nós achamos que tem sim.
Desceu as escadas e deu uma olhada na janela para o parque bem em frente, conseguiu enxergar a silhueta de Sasuke sentado no balanço como nos velhos tempos (não tão velhos assim).
Ela sorriu. Finalmente sentia-se em casa.
~~
Os olhos verdes captavam a parede branca logo à frente sem empolgação. O brilho daqueles olhos foram extraídos a força junto da sua “pureza”. Chegou ao hospital desacordada e quando acordou tudo estava confuso, sentia dores fortes na cabeça que agora estava enfaixada, sentia estranheza com relação ao seu corpo e as imagens do crime estavam embaçadas, mas estava claro o que ela passou.
Sempre se guardou, era a garotinha do papai que sonhava com o príncipe no cavalo branco, que seria amável, companheiro, amigo e acima de tudo respeitoso. Sonhou tanto com esse momento para ter tudo desconstruído de forma tão agressiva.
Por que aquilo aconteceu? Por que logo com ela? Será que era por causa das roupas que vestia? A saia do colégio podia estar curta e ela não percebeu, e a sua blusa estava um tanto mais justa, seu busto aumentou recentemente e precisava de roupas maiores. Aquilo pode ter provocado o agressor.
Sentia-se culpada. Se tivesse trocado de roupa no colégio aquilo não tinha acontecido. Se tivesse ido embora, no horário de costume aquilo não teria acontecido. Se tivesse ao menos aceitado o convite de Shikamaru para lhe acompanhar, talvez isso não tivesse acontecido.
O Nara há algum tempo mostrava-se próximo, amigo, atencioso. Talvez fosse o príncipe que ela tanto esperava. Quem sabe se tivesse sido mais maleável e dado uma chance ao garoto tudo teria sido diferente.
Ela se encolheu abraçando o próprio corpo. Lágrimas começaram a brotar em seus olhos opacos, elas eram a manifestação – ainda que triste – da vida que ainda restava ali dentro. Escorreram pelas suas bochechas e começaram a molhar a veste verde musgo que vestia do hospital. Tinha medo de voltar às ruas, medo de se relacionar com outro homem, sentia nojo e vergonha do próprio corpo. Agora que conseguia lembrar com mais clareza do que lhe aconteceu, tinha vontade de tomar um banho e esfregar sua pele o máximo que podia para tentar se sentir limpa novamente.
Seu mundo desabou em chamas, ela estava no seu fim, no fim da linha. Não queria escutar nada de ninguém, não queria ter que falar para ninguém, os outros não sabem como é.
Até isso acontecer com você, não saberá como ela se sente.
~~
— Sasuke?
Ouviu ser nome ser chamado por uma voz que conhecia bem. Olhou para a sua esquerda e viu Hinata sentar-se no outro balanço, abriu um pequeno sorriso com todas as lembranças que vieram a sua mente. Estava tranquilo de uma forma que há meses não sentia.
— Quer que eu te empurre um pouco? — Sugeriu rindo.
— Não, eu já sei me balançar sozinha. — Respondeu retribuindo o sorriso. Era uma criança tão fraca que nem conseguia se balançar, mas as coisas mudaram.
— Posso te fazer uma pergunta? — Disse após alguns segundos de silêncio.
— Quer saber por que fui embora?
Hinata esperava por aquela pergunta e tinha ido dormir na noite anterior pensando em como contar a verdade. Seria difícil para ele saber que aquilo também tinha algo a ver com sua família.
Sasuke assentiu com a cabeça e permaneceu em silêncio olhando para a areia sob seus pés, esperando que ela continuasse. Hinata tentou interpretar a expressão no rosto do amigo, porém não conseguiu.
— Eu era uma criança, não entendia porque tinha que ir. Na época nada me foi dito. Só compreendi conforme fui crescendo...
Ela parou de falar e olhou também para o chão. Ela conseguia sentir o olhar dele cair aos poucos sobre si, mas não conseguia dizer a verdade, teria que inventar algo rápido ou ele ficaria magoado. Talvez nunca mais fosse querer ser seu amigo, tê-lo fora da sua vida naquele momento não era mais opção.
O que tanto tem a esconder, Hinata?
— E... — O Uchiha exclamou esperando que ela continuasse e só assim percebeu que estava há muito tempo calada.
— Minha família trabalha com política. Meu tio é um grande político e meu pai também era. Vivemos em um país onde nossa imagem e atitudes são tudo o que importa, nossa disciplina diz tudo o que somos. Falhar, faltar com disciplina, com o que é certo, é fatal na vida de um japonês. — Ela começou a explicar e aos poucos foi erguendo a cabeça. Olhando sempre pra frente e nunca para ele.
— Quem falhou? — Sasuke perguntou com os olhos vidrados em Hinata.
— Meu pai falhou traindo minha mãe, permitindo que meu tio descobrisse e causando uma enorme confusão em nossa família.
Sasuke arregalou os olhos surpreso. Sentia-se desconfortável por Hinata não falar olhando para si. Quando começava a contar algo e principalmente quando era verdade, ele sempre falava olhando pra o outro sempre nos olhos. Acreditava que os globos oculares guardavam os mais profundos pensamentos, sentimentos e vivências das pessoas. Era o poço da sinceridade no corpo.
— Meu pai foi pego com a amante pelo meu tio, não sei detalhes dessa parte da história. — Hinata continuou. — Só sei que meu tio não aceitou a atitude e eles pararam de se falar, e isso estava sendo notado no trabalho e pelas demais pessoas. Meu pai achou melhor largar o trabalho, a vida aqui e ir para outro lugar, não aguentava mais a pressão, não queria manchar a honra da nossa família perante o povo. Queria recomeçar com a minha mãe também.
— Então ele decidiu se mudar. — Sasuke completou a história.
— Sim. Mudamos-nos pros Estados Unidos, Hanabi nasceu por lá mesmo. Eu tive que me adaptar ao novo ambiente, enfim... — Hinata virou o rosto de forma lenta olhando para ele. — Desculpa, mas eu não tenho culpa.
— Hina... Eu que preciso me desculpar, agi muito mal com você. Fui egoísta, só estava pensando em mim e nos meus sentimentos. Só nunca entendi uma coisa.
— O que?
— Por que nunca me procurou esses anos todos? Com a internet, a comunicação ficou mais fácil mesmo morando do outro lado do mundo...
Sasuke não faz pergunta difícil ou a Hinata vai ter que contar as partes da história que ela omitiu.
— Ah eu... — Vamos cérebro, age para pensar numa desculpa. — Achei que seria estranho depois de tanto tempo, ficaria um clima meio estranho... Minha timidez tomou conta de mim basicamente.
Hinata para de usar sua timidez como válvula de escape para seus problemas, ou vamos ter mais problemas.
— Poderia ter falado, eu não iria me importar.
— E você? Por que nunca entrou em contato?
— Tu nunca falavas ou perguntava sobre mim para o Neji. — Hinata fez uma cara de surpresa e Sasuke riu. — Sim, eu perguntava para ele pode rir. Achei que tivesse se esquecido de mim com o passar dos anos, e meu orgulho jamais permitiria que eu fosse atrás de alguma pessoa.
— Compreendo.
Sasuke levantou-se do balanço e ficou na frente da garota. Segurou ambas as mãos dela e a levantou também. Ficou alguns segundos segurando as mãos de Hinata e a observando, estava guardando todas as mudanças que os anos fizeram nela e vendo o quão bela havia se tornado. Percebeu que estava distraído demais quando o rosto da amiga começou a corar, então soltou as mãos rapidamente.
— Por que voltou? — Ele perguntou.
—- Estava com saudades de casa, e meu tio permitiu que eu ficasse com ele.
— Bem vinda de volta. — Sasuke a abraçou após dar as boas vindas decentemente, como devia ter feito desde o início.
Era um abraço bem forte, um abraço de saudade, um abraço de amigos que se amam e querem o bem um do outro, estar um com o outro. Um abraço do bem, que some com todas as inseguranças e sentimentos ruins trazendo aquela sensação calorosa do aperto e de que nada no mundo pode lhe fazer mal.
A única coisa que o abraço não faz sumir é a cara de preocupação de Hinata por trás dos ombros de Sasuke, por omitir que não manteve contato proibido por sua mãe, pois a mulher com quem seu pai teve um caso era, Mikoto Uchiha.
~~
A frieza, raiva, ciúmes e todo tipo de sentimento negativo possível era visível nos olhos cinza de Neji, que assistia aquele abraço lindo digno de série de drama pela janela. Não tinha uma visão privilegiada devido a posição da casa e de seu quarto, mas conseguia enxergar.
Revirou os olhos com os pensamentos que estava tendo. Ciúmes de Sasuke? Sério, Neji? Você é melhor que isso, era tudo que ele pensava. Hinata estava com ele, e até o momento só tinha olhos para si, as coisas estavam evoluindo e se tornariam mais profundas em breve se dependesse dele.
Cuidado, Neji. Existem coisas que você desconhece.
Tinha uma pilha de tarefas para fazer, e uma ficha de inscrição de uma gincana de orientação promovida pela escola. Precisava de alguém para fazer dupla, e obviamente seria Hinata. Estava completamente sem estruturas para tanto trabalho de casa e provas para estudar. Não participar da gincana acarretaria na perda de pontos preciosos que podem salvar sua média.
Estava no meio de um trabalho de história quando seu celular vibrou. Não queria parar de fazer o dever para ver o que era, mas estava tão cansado que achou que alguns minutinhos mexendo no celular não fariam mal.
Era uma mensagem de um número desconhecido. Ele arrastou a tela e digitou a senha pra poder abrir. Ao ver o conteúdo da mensagem seu coração praticamente parou no peito.
Era uma foto dele e Hinata se beijando no pátio de trás pouco antes da aula, e ainda clicaram a parte em que a mão dele estava por dentro da blusa dela.
Em baixo da foto havia uma frase.
"Eu amo um incesto, mas acho que seu pai e os amigos políticos gostam mais."
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