Separados pelo Destino, Reunidos pelo Acaso
6 Capítulo 5: Ameaça, revolta e estou sentindo uma treta.
Notas iniciais
— Já para a sala, os dois. — Jiraya ordenou com toda a precisão que tinha. Hinata abaixou a cabeça e saiu andando enquanto Sasuke andava inexpressivo ao seu lado.
Subiam lentamente as escadas e naquele momento nenhum dos dois tinha cabeça para assistir a aula de Biologia de Kurenai. Hinata só conseguia pensar na reação de seus tios ao receberem a ligação dos diretores e Sasuke só pensava em como estava com raiva de Hinata por ter lhe dado um tapa.
É gente parece que ninguém está ligando para os sentimentos da Sakura. Coitada.
No meio do corredor próximo a porta da sala de aula Sasuke segurou o pulso de Hinata com força. O coração da Hyuuga disparou, aquele era o segundo contato físico que tinham em onze anos, porque o primeiro fora o tapa que deu na face do moreno. Se lhe dissessem a duas semanas atrás que quando chegasse no Japão o primeiro contato que teria com seu ex-melhor amigo seria um tapa na cara ela não acreditaria. Dar um tapa em Sasuke? Jamais vou precisar fazer isso. Não podia estar mais enganada.
— Espero que esteja satisfeita. — A voz de Sasuke demonstrava toda a raiva que ele sentia naquele momento. — Esse tapa vai te custar caro Hyuuga, vou fazer você se arrepender de ter voltado e pegar o primeiro avião de volta para New York.
Aquelas palavras a atingiram como uma facada no peito. Ela sentia dor de verdade, era um incômodo muito grande no peito esquerdo uma sensação esquisita como se estivesse perdendo o ar aos poucos. Por que sentia-se assim? Aprendeu naqueles anos que não podia deixar as pessoas passarem por cima de si, que ela podia ser melhor do que o julgamento alheio. Venceu a própria timidez e não abaixava a cabeça para ninguém. Então por que as palavras de Sasuke a magoavam daquela forma? Será que sentia ainda algum carinho por ele devido aos bons momentos da infância? Não. Não podia, tinha colocado em sua cabeça que esse era outro Sasuke, e não o seu amigo de anos atrás.
Ela girou o pulso usando uma técnica simples para se soltar. Apesar de magoada ela dava o seu melhor para não transparecer e manter sua postura rígida.
— Eu não tenho medo de você, Uchiha. — Já que ele ia trata-la pelo sobrenome, também o faria.
Ela deu as costas para ele e entrou na primeira porta à direita onde ficava o banheiro feminino. Felizmente estava vazio, provavelmente por causa das aulas. Ela abriu a torneira e molhou as mãos, juntou um pouco de água e jogou sobre o rosto. Ela encarou a própria face no espelho e pode ver sua rigidez indo embora, estava desmoronando aos poucos. Entrou em uma das cabines e a fechou, abaixou a tampa do vaso e ficou sentada sobre ela abraçada com as próprias pernas e fazendo seu rosto desaparecer no meio dos joelhos. Seu rosto ficava mais molhado agora, mas dessa vez a torneira eram seus olhos.
No seu lugar também estaria chorando, Hina.
~~
Neji balançava as pernas inquieto em baixo da carteira. Kurenai falava algo na frente da classe, mas ele não prestava atenção. Não tirava os olhos de Sasuke desde quando ele entrou na sala, queria saber o que tinha acontecido entre ele e Hinata mais cedo. Falando em Hinata nada dela aparecer na aula, ele já estava começando a ficar preocupado.
Pra piorar Kurenai era tão chata que não permitia nenhum tipo de conversa paralela em suas aulas. Não tinha nem como ele perguntar para Gaara o que aconteceu.
Já deu pra perceber que Gaara é o point das informações não é?
Ele pegou de forma discreta o celular por baixo da mesa, iria mandar uma mensagem, só que ao invés de mandar para Gaara perguntaria direto na fonte. Sasuke.
Assim que ele enviou a mensagem o celular de Sasuke apitou e a expressão de susto misturada da raiva no rosto do moreno foi cômica. Neji tentava segurar o riso até que Kurenai se virou.
— Que barulho foi esse? Vocês estão usando celulares escondidos? Eu vou descobrir quem foi... — Ela resmungava enquanto se esticava para ver se enxergava quem estava usando o telefone.
Para a nossa alegria, Sasuke não pegou no telefone nesse momento. Ele esperou Kurenai voltar para a lousa para poder ver do que se tratava. Era uma sms de Neji perguntando o que aconteceu e onde estava Hinata.
Sasuke: Depois explico. Da última vez que a vi ela estava no banheiro.
Neji leu a mensagem e arqueou uma sobrancelha, ele fez barulho com a garganta e Kurenai virou-se novamente.
— Posso ir ao banheiro, por favor?
— Rápido.
Ele sorriu de leve e se levantou saindo da sala e caminhando depressa até a porta do banheiro das meninas. Ela estava aberta só que ele não podia entrar então ficou parado nela.
— Alguém? — Ele perguntou e não obteve resposta, deduziu que não deveria ter nenhuma garota no banheiro. — Hinata? Está aí? Sou eu, Neji.
— E-Eu estou ocupada agora. — A voz de Hinata veio de algum lugar do banheiro, um pouco trêmula no início até que ela tentou disfarçar. — Te vejo no intervalo.
— Está tudo bem? — Ele perguntou. Neji estava realmente preocupado com ela. Sempre teve um instinto protetor desde quando crianças, mas depois do que houve no cinema ele estava com tudo aquilo mais aflorado.
Na verdade seus sentimentos no geral estavam bem mais confusos.
Neji está apaixonado, Neji está apaixonado, Neji está apaixonado.
— Está. Eu te vejo depois.
— Hai. — Não iria insistir.
Ele deu meia volta caminhando rumo a sala de aula. Não sabia o que tinha acontecido, só tinha a certeza de que aquilo abalou Hinata. Ela não se isolaria no banheiro a toa. Não importava se Sasuke era seu melhor amigo, quem a machucasse iria pagar pelo ato.
Quero briga de senpais para ontem.
~~
O Sr. Inuzuka não esteve no hospital para ver o estado de Kiba. Provavelmente estava bêbado demais para isso. Agora acordado em seu leito no hospital, Kiba achava engraçado que correu risco de morrer de forma similar a de sua mãe, atropelada. Estava sóbrio e aquilo era muito estranho, desde que acordou tinha a sensação de que faltava algo e ele sabia muito bem o que estava faltando. Seu corpo estava pedindo álcool novamente, ele já havia consumido tanto que chegou ao estado de sofrer com a abstinência. O médico dissera que um amigo havia estado ali mas não lembrava o nome. Pelo menos alguém teve a gentileza de ir ver o estado de Kiba Inútil Inuzuka.
Olha pelo lado bom Kiba, Inuzuka e inútil ambos começam com "I", combina.
Ele queria sair da cama, mas tinha um braço e uma perna mobilizados, não iria aguentar ficar o tempo todo deitado ali.
Então Kiba gritou, ele gritou de forma mais alta que podia, alguém precisava ouvir seu desespero e tira-lo dali. Não iria mofar naquele leito de hospital nem fudendo.
O médico entrou no quarto rapidamente.
— O que houve? — Ele perguntava enquanto assistia Kiba utilizar seu único braço bom para arrancar tudo que estava ligado a ele. — Não faça isso. — O médico se apressava em tentar colocar tudo de volta no lugar, mas o garoto não deixava.
— Eu quero sair daqui, eu não vou ficar aqui. — Kiba continuava a gritar tentando lutar contra o médico. Uma luta em vão devido ao seu estado debilitado. — Eu quero ir pra rua, você não pode me deixar aqui.
Kiba gritava até sua garganta não aguentar mais, dava socos no médico com o único braço bom, se debatia o máximo que podia até que o suporte que deixava sua perna engessada suspensa arrebentou, e a gravidade fez a perna do garoto bater com força no canto da cama. Kiba gritou novamente, mas dessa vez era de dor.
O médico chamou dois enfermeiros para lhe ajudarem a imobilizar o Inuzuka e aplicou nele uma injeção que continha um calmante forte. Foi questão de tempo até que ele se acalmasse e por fim caísse no sono.
— Esse deu trabalho. — O primeiro enfermeiro dizia.
— Vou precisar checar e ver se aconteceu algo grave com os membros debilitados dele durante essa crise. — O médico dizia e os enfermeiros trataram logo de preparar Kiba para o deslocamento até onde tudo seria feito. — Pelo visto não vai ter jeito. Assim que os braços e pernas dele estiverem recuperados, vou ter que manda-lo para ela...
— Ela? Mas do jeito que ele gritava e se debatia, será que ela conseguirá? — Questionou o segundo enfermeiro.
— Ela é a melhor de todas, pode ter certeza que sim. — O médico dizia confiante.
Alguém que dê um jeito em Kiba? Nem se invocar Jesus, Buda e Maomé juntos resolveria.
~~
Ao final das atividades na escola os alunos se dividiam para realizar a tarefa mais emocionante do dia que era... Limpar a escola!
Falo logo que nasci para ser rainha, amada, idolatrada, e não pra limpar privada de colegial. Sabe-se lá que tipo de sujeira além de número um e número dois tem ali. O banheiro dos meninos chega a me dar pavor.
Mas nossa rosada tão amada era sortuda. Sua função era limpar as três primeiras salas do segundo andar, simples né? E dessa vez ela tinha Gaara e os primos Hyuuga com ela.
Sakura estava inquieta desde o incidente mais cedo com Sasuke e Hinata. Ela gostou da atitude de Hinata em defendê-la, Sasuke estava realmente agindo como um babaca, mas parando para analisar melhor os fatos, algo a incomodava.
Assim que ele chegou, Sasuke passou direto por ela e pelas meninas, ele já agia estranho a alguns dias. Desde quando Hinata voltou para ser mais precisa. Hinata estava no meio da roda das meninas quando ele passou, e depois ele ficou ainda mais nervoso quando ela se meteu. E a frase que ele soltou evidentemente irritado com o tempo que Hinata esteve fora não parava de rodar em sua cabeça.
Não, impossível o Sasuke não gosta da Hinata. Ou será que gosta? Não, eles não se viam desde crianças isso é quase impossível, uma paixão infantil não dura tantos anos ainda mais com um oceano inteiro de distância.
Nada nesse mundo é impossível, Sakura.
A rosada passava um pano úmido nas mesas e era auxiliada por Gaara.
— Ser filha dos diretores não te faz ficar imune das responsabilidades. É muito bom viver no nosso país não acha? — O ruivo dizia parando de limpar e se apoiando em uma das mesas.
— Eu gosto de limpeza, e do lugar onde vivemos se é isso que você quer saber. — Ela respondeu seca continuando o serviço.
— Aprender a ser seca assim com seu namorado? — Ele dizia indiferente. — Não sei como acredita que ele realmente gosta de você...
Sakura lançou seu melhor olhar mortal para Gaara naquele momento, mas aquilo pareceu não intimidar o ruivo. Ele apenas sorriu.
— Continua sendo iludida, você fica bem nesse papel. — Ele respondeu tentando parecer indiferente, mas dava para notar que algo ali incomodava o garoto. Sakura decidiu fazer a egípcia e simplesmente ignorar.
Hinata terminava de varrer o final da sala enquanto Neji organizava o armário da turma que também ficava no fundo. Eles falavam baixo para que os colegas não os ouvissem.
— Então quer dizer que você deu um tapa na cara do Sasuke? Você é foda demais, essa é minha prima. — Neji estava notavelmente surpreso, mas parecia ter achado a situação engraçada. — Nem eu fiz isso ainda.
— Ele acabou com os limites da minha paciência. E ainda teve a capacidade de me ameaçar...
— O que? — O tom de voz do Hyuuga aumentou e mudou totalmente do bom humor que estava antes por achar a situação engraçada, para um "estou começando a tremer de raiva".
— Shiu. Fala baixo...
— Ele te ameaçou? O que ele disse? — Ele dizia se aproximando dela e estava notavelmente irritado.
— Que vou... — Ela fez uma pausa lembrando da forma como Sasuke disse aquilo e como a atingiu em cheio. Era difícil reproduzir a situação novamente. — Me arrepender de ter voltado.
Os olhos cinzas de Neji pareciam que iam ficar vermelhos de tanta raiva. As mãos dele se fecharam com força, o Uchiha era seu amigo e não queria mais falar com Hinata por causa da ausência dela? Tudo bem, ele aceitava isso poderia conviver com os dois era só não deixá-los juntos no mesmo lugar.
Jura, Neji? Nossa a gente nem tinha percebido isso.
Mas ele não ia deixar que Sasuke ameaçasse Hinata, isso era demais para ele.
— Eu cuido do Sasuke, só te peço que não se envolva.
— O que você vai fazer? — Ela perguntou preocupada.
— Não importa, deixe que eu termino aqui você tem uma detenção pra cumprir. Eu vou te esperar no pátio da frente. — Ele aproximou os lábios do ouvido dela. — E quando estivermos longe da escola eu vou te dar outro beijo. — Sua voz saía como um sussurro, fazendo Hinata ter um leve arrepio.
Ela deu um pequeno sorriso malicioso e recolheu suas coisas para sair. Gaara observava os dois com curiosidade e lançou um olhar desconfiado para Neji. Assim que Hinata chegou na porta, Sakura a segurou.
— Hinata. — A voz de Sakura saía bem baixa, ainda estava nervosa com todos os acontecimentos. — Obrigada pela atitude que tomou de me defender, eu senti que tinha uma amiga.
— Não foi nada Sakura, fiz o que faria por qualquer amiga minha.
— Então se for minha amiga de verdade, faz uma coisa por mim... Fique longe do Sasuke. — A última parte saiu de forma meio sinistra da boca da rosada. Hinata teve a sensação de que Sakura tiraria a qualquer momento uma adaga de algum lugar e a mataria que nem aquelas yandere loucas dos animes.
Deixa só os cabelos de Sakura crescerem, ela pode se tornar a nova Gasai Yuno*.
— Isso não vai ser nenhum sacrifício. — Hinata encerrou a conversa ali e saiu.
A Hyuuga não entendeu o porque de Sakura lhe pedir aquilo, ela não entendia nem como alguém conseguia ficar perto de Sasuke. As pessoas mudam muito, e no caso do Uchiha foi para pior.
Falando no demônio ele já estava lá mais lindo do que nunca sentado na cadeira dentro da sala onde seria a tal da detenção.
Mais lindo do que nunca? Que porra é essa, Hinata?
Os olhos negros do garoto encaravam os seus cinzas, e ninguém ali estava recuando com medo, pelo contrario se desafiavam no olhar.
Sejam bem vindos a nova edição dos Jogos Vorazes, que a sorte sempre esteja ao seu favor.
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