Notas iniciais
Boa leitura.

Sua vontade era de dar um chute naquele maldito. Oh, se ainda tivesse forças, mataria aquele filho da puta… Mas não tinha tempo a perder. Ouvia o homem a seus pés murmurar algo sobre “desejo de Degel” e sabia que o marido amava aquele verme. Então mata-lo estava fora de questão…

Sem querer pensar muito sobre aquilo, pegou Unity de qualquer modo e o arrastou para a entrada de Atlantis, jogando-o pela passagem. Se ele estava fazendo algo para Degel, não havia como ter certeza, mas preferiu acreditar no laço que os dois tinham e, como um presente final, quebrou uma de suas agulhas e entregou a ele, para que sobrevivesse ao frio que se espalhava . Não tinha como saber se o gelo passaria pela superfície, mas sua agulha o manteria aquecido por um tempo.

Com pressa, apesar da dor em seu corpo, voltou para o palácio, vendo o gelo se expandir de forma absurda. Tudo estava sendo engolido pelo gelo rapidamente. Tudo, menos ele.

Se houve um dia que agradeceu por aquele inferno em seu peito, aquele era esse dia.

Tropeçou diversas vezes enquanto seguia para o interior do palácio, seu calor corporal derretendo o gelo ao seu redor. Mas sabia que devia se apressar. Sentia que o fogo começara a diminuir e seu corpo começar a fraquejar. Estava morrendo e não podia negar aquela verdade.

“Um pouco mais… Só mais um pouco…”

Forçava seus pés a andar e seu corpo a continuar se movendo. Precisava vê-lo… Tentar impedir que ele se matasse… Era ele quem sempre esteve com a certeza de que morreria cedo… Degel devia ser como o mestre dele… Morrer idoso, tendo vivido sua vida.

Não podiam morrer os dois ali. Um deles tinha que voltar para casa. Ele se negava a admitir que os dois morreriam ali.

E foi com esse pensamento pulsando em sua mente que avistou as portas do salão de Poseidon, de onde vinha todo o gelo e o cosmo do aquariano.

“Degel…”– chamou-o com aflição ao ver que não conseguia se aproximar rápido o suficiente.

Kardia não era de sentir medo, mas não podia negar que estava assustado no momento em que ouviu o seu nome ser sussurrado pelo cosmo gelado que o cercava. Era como uma despedida…

Sabia que era egoismo, mas nunca esteve preparado para perdê-lo. Nunca passou por sua cabeça que Degel morreria antes. Entre os dois sempre houve um consenso silencioso. Kardia era aquele que morreria primeiro e Degel aquele que lutaria até a última batida de seu coração em chamas para salva-lo. Aquele cenário a sua frente era estranho e medonho.

Notas finais
Até o próximo capítulo! o/