Separados ou Unidos? - Interativa
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Juno Pov's
Como imaginara, esta maldita semana passou voando e não teve uma única noite em que não fui atormentada por pesadelos. Odeio o fato de que terei de me separar de minha mãe...Mas não posso fazer nada contra isso, veio de uma autoridade maior.
Quando me dei conta, já tinha um carro me esperando na porta de casa com destino ao internato criado pelos governos no único lugar pacífico, o Reino da Luz. Minha mãe tinha entrado em desespero, não queria me perder como perdeu os outros.
— Calma, mãe...- sorri, abraçando-a.- Eu vou ficar bem. Ninguém irá me descobrir.- tranquilizei-a da melhor forma possível.
— M-Mas...- fungou me abraçando com muita força.
— Não se preocupe. Logo voltarei para te visitar.- dei-lhe um último abraço apertado e peguei minha mala pequena mais minha mochila antiga.- É uma promessa.- sorri, acenando para ela.
— E-Eu vou cobrar, v-viu?- sorriu, suas lágrimas escorrendo pela face. Não gostava de vê-la assim.
— Claro!- soltei uma risadinha baixa e curta, antes de entrar no carro, observando minha casa, junto de minha mãe, ficarem distantes.
No momento em que não pude ver mais a minha casa, senti um vazio no meu peito e um pânico na alma. Mas deveria manter minha pose...Isso era essencial para minha sobrevivência. E para a de minha amada mãe também.
Mantive-me quieta o percurso todo, observando as paisagens passando em alta velocidade, perdida em pensamentos sombrios e tenebrosos. Minha expressão na mais pura calma, porém, meu coração e mente estavam um caos.
A viagem deve ter durado, no máximo, três horas. Ficara surpresa quando vi o local por fora. Era enorme...Os muros também. Talvez para ter certeza de que ninguém iria tentar fugir. É, qualquer resquício de esperança que tinha de fugir pulando o muro se esvaiu.
— Senhorita, aqui estamos.- o motorista pronunciou depois de passar pelos portões, entrando num enorme espaço.
— Ah...- murmurei, sem a menor vontade de sair do carro. Minha vontade agora era a de fugir.- Obrigada...- sorri forçado para ele, saindo do automóvel. No mesmo segundo que fechei a porta, ele já deu meia volta com o carro, saindo rapidamente daqui.
Com um suspiro pesado, passei a seguir meu caminho até onde julgava ser os dormitórios, ou o que for. Não prestei atenção alguma no local, pois permaneci com a cabeça baixa, olhando para meus próprios pés.
Isso não foi uma boa ideia...Acabei esbarrando em alguém e quase caí, isto é, se não fosse pela pessoa que me segurou antes que isso acontecesse. Ouvi um rosnado e, depois, um resmungo feminino antes de levantar minha cabeça para olhar quem era.
— Cuidado, menina.- sorriu para mim, me soltando. O garoto era magro com os músculos dos braços um pouco definidos e alto, talvez 1,80 cm de altura, tinha a pele branca, olhos castanhos claros, cor de caramelo, e cabelos num loiro claro e meio acinzentado até metade de sua nuca, bagunçados e com vários fios espetados. Trajava uma camiseta sem mangas cinza com verde, calça moletom verde escuro e tênis brancos. Notei brincos de cruz de ferro nas orelhas e uma corrente de aço no pescoço.
— Hum...- murmurei me desaproximando dele, não gostava de aproximações, principalmente com garotos.- Obrigada.
— Mikhail...- uma garota se jogou nos braços dele, praticamente, abraçando-o. Ela era loira, mas o cabelo era pintado e não natural como o dele, alta, talvez 1,78 cm de altura, pele bronzeada, magra demais e com curvas meio exageradas, tinha os olhos rosas e unhas postiças num tom de vermelho. Trajava uma regata cinza claro meio decotada, calça legging branca bem colada ao corpo e sapatilhas de salto azul claro. Tinha brincos dourados de argola, várias pulseiras que pareciam caras e um colar com um diamante bem chamativo.
— Opa! Calma, Berry.- sorriu para ela.- Só quero me...
— Vamos embora!- interrompeu-o, me olhando de forma ameaçadora antes de sorrir para ele, puxando-o para longe.
— ...As pessoas dos outros reinos não sentem mais frio, não?- murmurei, olhando-os se afastarem.- Gente doida...- segui pelo caminho oposto ao deles, entrando na enorme construção.
Olhando em volta, me senti meio perdida...Tudo era tão igual. Nunca fui boa com direções e nunca gostei de lugares muito grandes e iguais. Me deixavam confusa e eu acabava me perdendo facilmente.
— VOCÊS DUAS! ESPEREM!!- ouvi uma voz um pouco longe, gritar, interrompendo meus passo e pensamentos.
— Duas?- olhei para o meu lado, notando uma menina com uma expressão fria. Ela tinha a pele levemente escura, cabelos negros lisos com cachos grandes nas pontas, olho castanho escuro, sendo que o outro esta coberto por um tapa-olho, magra, de altura normal para a idade, o corpo não é infantil e nem muito avantajado. Trajava um moletom verde com uma regata preta por baixo, calças jeans pretas e botas de combate.- Ah...- murmurei, mas acho que ela ouviu, pois olhou para mim rapidamente.
— Finalmente consegui alcançá-las!- exclamou, chamando minha atenção de volta para quem era. A moça parecia ser jovem, tinha a pele escura, olhos azuis elétricos, cabelos castanhos claros bem cacheados e meio levantados, talvez fosse por causa do frio, deveria ter 1,65 cm de altura e um pouco cheinha com curvas normais, no meio termo, por assim dizer. Usava uma camiseta social branca meio amassada com dois botões abertos e as mangas arregaçadas, saia social negra e sapatos de salto violetas. Carregava algumas pastas e folhas, usava uma pulseira dourada com vários corações e um anel de noivado.- Vocês foram...As últimas a chegarem. Estava...Procurando-as para orientá-las.- informou, recuperando o fôlego lentamente.
— Nos...Orientar?- pronunciou no meu lugar a menina ao meu lado.
— Sim. Vocês não podem perambular por aqui sem um mapa.- explicou, pegando umas folhas e nos entregando.- Juno e Kaenna, certo?- perguntou, mas nem esperou nossa resposta, já saiu correndo novamente.
Olhei para minha folha, mas...Estava escrito Kaenna, não Juno Westford. O nome da menina silenciosa, provavelmente. Olhei para onde ela deveria estar, mas já estava saindo.
— E-Ei.- pedi, me aproximando dela.- Desculpe, mas...Acho que estamos com as folhas trocadas...- informei, olhando para minhas mãos.
— Hum...- murmurou, olhando para a que estava em sua mão.- É...- concordou, me entregando sua folha enquanto eu fazia o mesmo.- ...- sem dizer mais nem uma única palavra, a morena saiu.
— ...- suspirei e segui o mapa até onde indicava ser meu quarto. Não estava com a miníma vontade de sair para dar uma volta, não me sentia confortável.
Conforme fui andando, várias fileiras de portas de madeira foram aparecendo, talvez as portas dos quartos. Ouvia conversas vindas de algumas delas. Deveriam ser as garotas que já tinham encontrado e se instalado em seus quartos. Só que, então, percebi algo...Tinha garotos aqui também.
Meio sem saber o que pensar, procurei no "Manual dos Estudantes" algo que explicasse isso. E a bomba veio...Cada cômodo tinha espaço para abrigar dois alunos e este andar com um um corredor extenso cheio de portas era o único local onde tinha os dormitórios, então garotos e garotas ficariam no mesmo corredor, mas não no mesmo dormitório. Até aí tudo bem, certo? Não...Eu fui a única que teria de dividir um cômodo com um garoto. Parece que tinha garotas demais e eu fiquei sobrando.
— Ω Θεέ μου (Tradução: Meu Deus)...- murmurei na minha língua natal, ensinada por minha mãe.- Por que um garoto?- choraminguei baixinho.
Não que eu tivesse problemas com garotos, só tinha um pouquinho de medo deles. Um trauma de infância...Nada demais ou muito grave. Só umas lembranças ruins.
Bocejei levemente, olhando em volta até parar meus olhos numa garota encostada à porta ao lado da do meu dormitório. Ela possui uma estatura baixa. Seus cabelos são castanhos escuros, ondulados e chegam a altura da metade de suas costas. Seus olhos são castanhos também. Seu nariz é fino e o rosto é redondo. O corpo inteiro é "na medida certa" em questão de peitos, coxas, etc. Porém, ela parecia ser mais magra do que deveria.
— ...- ela sorriu para mim quando me aproximei.- Olá.
— Hum...Olá.- sorri meio forçadamente, tentando ser simpática.
— O dormitório é seu?- apontou para a porta em que se escorava.
— Não, não...- neguei com a cabeça.- O-O meu é e-este.- me aproximei da porta ao lado.
— Ah...Certo.- sorriu.- É que este é meu, estava curiosa para saber quem será minha colega de quarto.- soltou uma risadinha baixa.- Sou Luna Martínez.- se apresentou.
— S-Sou Juno...Prazer.- murmurei.- Já vou entrar...- avisei, abrindo a porta do meu novo quarto. Cogitei a ideia de bater antes, mas...O lugar também era meu, certo?
Depois que entrei, fechei a porta lentamente e passei a olhar em volta. Fazia isso muito, era observadora e gostava de perceber o local onde me encontrava. O local não era nem pequeno demais e nem grande demais...Era confortável, por assim dizer. As paredes eram pintadas num tom bem bonito de azul, uma janela com grades de aço se encontrava no lado oposto ao da porta. Tinha uma outra porta, talvez um banheiro, de alumínio pintado em branco na parede à direita da porta. Tinha duas camas de solteiros, bem espaçosas, uma ao lado da outra, sendo separadas por um guarda-roupas de madeira escura. As roupas de cama eram cinzas com branco e os cobertores eram marrons bem escuros. Não era um lugar tão ruim.
— ...- em silêncio, aproximei-me da cama mais próxima à outra porta, sentando-me. Deixei minha mala pequena negra encostada na cama e depositei minha mochila ao meu lado na cama.
— Menina?- ouvi uma voz masculina atrás de mim e me virei rapidamente, deparando-me com o mesmo garoto de antes.- O que você faz aqui?
— A-Ah...- resmunguei.- E-Este é meu dormitório...- respondi meio hesitante.
— Seu?- ergueu uma sobrancelha.
— A-Aqui...- apontei para meu manual.- D-Dizia que eu era a única que teria de dividir espaço c-com um g-garoto.
— Hum...- murmurou.- Legal...- sorriu, sentando-se na outra cama, de frente para mim.- Sou Mikhail e você?
— J-Juno...- sussurrei com cautela.
— Certo.- soltou uma risadinha.- Filha de gregos?
— ...- assenti, olhando para minhas botas.
— Sou do antigo país denominado de Rússia.
— Legal...
O silêncio que inundou o local era bem constrangedor para mim. Eu sentia o olhar dele sobre mim, analisando-me. Não gostava da sensação que isso me dava. Meu estômago estava meio embrulhado pela ideia.
— Você não fala muito...- afirmou.- Tá com medo?
— ...- balancei a cabeça em negação de forma quase imperceptível.
— Então, por que?
— ...- aí ele me pegou...Não saberia explicar.
— ...- riu.- Não precisa dizer. E eu não irei te machucar.
— O-Obrigada.- murmurei.
— Não há motivo para me agradecer, mas...De nada.
— ...- bocejei novamente, estava meio cansada.
— Tá com sono?
— ...- afirmei com a cabeça, jogando minha mochila ao lado da mala.- Acho que vou dormir...- murmurei, deitando-me e cobrindo-me até o pescoço, me encolhendo.
— Boa noite, então...- riu.
Ele não parecia ser uma pessoa ruim, mas não conseguia confiar nele. Talvez, com o tempo, isso mude. Talvez possamos ser amigos, mas...Não tenho tanta certeza se quero me socializar com os outros. De qualquer forma, meus pensamentos foram interrompidos quando adormeci.
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