Separados Pela Profecia
10 9- A última sexta
Notas iniciais
Sexta-feira! Não uma sexta qualquer, mas a última sexta antes das férias!
Levantei da cama literalmente pulando, tanto que a Sasha acordou e bufou. Nem me importei muito, afinal, era a última sexta! Fiz as mesmas coisas de sempre antes de ir para a cozinha.
–Bom dia, gata! – falei pra minha mãe.
–Tanto bom humor assim é? – ela perguntou.
–É a última sexta-feira! E eu nem fui expulsa! – ri.
Ela sorriu pra mim e colocou meu café da manhã na mesa, comi rápido, queria acabar logo com esse dia. No caminho da escola eu não conseguia ficar quieta por nenhum segundo. Minha mãe já estava ficando maluca comigo dentro do carro. Até cheguei a pensar que tinha colocado as mãos para o céu quando eu desci do carro, mas acho que só foi coisa da minha imaginação. Espero, pelo menos.
Praticamente corri para frente da minha sala, e quando cheguei lá é que me lembrei de um pequeno detalhe. Um detalhe que antes nem tinha chegado aos meus pensamentos. “Eu não vou ver o Lucca durante as minhas férias”.
E foi com esse pensamento na cabeça que, quando ele chegou, fez essa pergunta:
–Que merda de cara triste é essa? – ele falou um pouco alto de mais pro meu gosto, mas era o Lucca, menino que nada consegue disfarçar. – É a última sexta-feira!
–Eu sei disso e estava super feliz, até chegar à escola – dei um sorriso. – Só que, quando cheguei aqui, lembrei-me de um pequeno detalhe... Não vou ver você nas férias... Afinal você vai para aquele acampamento de pessoas como você e eu vou ficar em casa com a minha linda e graciosa cadela, vendo filmes, lendo livros até dar dor de cabeça. Muito divertido não acha?
Ele jogou a mochila no chão do meu lado, se sentando ao meu lado e colocando o braço por cima dos meus ombros.
–Pensando por esse lado, realmente não dá pra ficar feliz com essa ultima sexta-feira... – ele falou com a voz e com a expressão triste.
Ficamos ali conversando até tocar o sinal assustador da escola e entrarmos na sala. Hoje não seria um dia chato de aula, hoje era dia de brincadeiras, os alunos fariam o que queria, mas, antes, teriam que ouvir as baboseiras de sempre sobre o que fazer e o que não fazer.
A professora de geografia começou com a sua palestra de bons modos e atitudes de pessoas responsáveis, mas eu nem prestei atenção nela, estava escrevendo uma linda frase em uma folha que logo em seguida joguei para o Lucca. Nela estavam escritas simples palavras, que, para mim, estava cheias de significados.
“Vamos fazer desse dia, o melhor de todos!”
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