Separados Pela Profecia

35 34- Poseidon e Possati


Notas iniciais
Bom, eu tive quatro cometários e uma recomendação. A salvação de vocês foi a recomendação então agradeçam ao lucian por isso. Mesmo que ele ainda não tenha chegado aqui, eu vou dedicar esse capítulo pra ele, porque eu nunca vi alguém tão empolgado. Sério, amo esse menino! Ele é o primeiro a recomendar *-* Vocês poderiam seguir o exemplo dele né? ♥.♥ Bom, tem personagem novo também... E sobre o andamento da história, eu decidi fazer os 100 capítulos em uma história só, é mais prático. E preparem-se porque a partir do 50, vão me odiar. Talvez mais do que agora, se já me odiarem.

P.O.V. Lucca

Sensação de que hoje vai ser um longo, longo, longo dia. Desde aquele dia da gruta, nada de mais aconteceu. Eu e a Rachel não nos encontramos, apesar de, algumas noites atrás, eu tê-la visto saindo do Acampamento. Marte não apareceu mais. Meg continua dando em cima de mim. E eu continuo a dispensando. Tudo normal.

Porém eu dormi muito pouco. E esse sono não contou como descanso. Estava inquieto. Algo dentro de mim dizia que aconteceria algo hoje.

Levantei da minha cama no Chalé 3. Ali tinha a cama dos meus irmãos, Tyson e Percy, apesar de agora eles pouco aparecerem por aqui. Fui ao banheiro e fiz minha higiene. Quando voltei ao Chalé, quase tive um infarto. Sentado na minha cama estava o meu pai. Poseidon, o deus poderoso dos mares, estava sentado ali.

Não que eu não dele, mas para ele, sempre foi somente Percy pra cá, Percy pra lá. “Finalmente se lembrou de mim?” pensei. Eu nunca o havia visto, ele só me assumiu como filho nada mais. Minha mãe disse que eu me parecia com ele. Bom, talvez.

–Filho... – ele suspirou ao perceber a minha presença. Tinha quase certeza que minha expressão não era nada amigável.

Poseidon tinha seus dotes para com as mulheres e isso era indiscutível. Ele havia mudado, não era mais como quando conheceu a mãe do Percy. Hoje ele era um homem... Um galã, acho mais correto. Estava a minha frente com seus olhos verdes, iguais aos do Percy e diferentes dos meus. Seu cabelo loiro semelhante ao meu e seu porte intimidador e poderoso que eu fiz questão de herdar uma parcela mínima.

–Pai. – saudei respeitoso.

–Você cresceu...

Soltei uma risada que era um misto de decepção, raiva e ironia.

–Como se você se importasse com isso. – falei.

Ele suspirou, baixou a cabeça e começou a andar nervoso pelo Chalé. Aquilo poderia ser uma cena muito comovente, mas eu não seria mais enganado por ele. Ele não merecia pena.

–Algo o preocupa? – perguntei curioso.

–Sim... – ele fez uma pausa. – Marte me preocupa.

–Como assim? – agora estava confuso. Por que um deus grego estaria preocupado com um deus romano?

–Lucca, meu filho, não quero que você treine com ele. – ele respondeu me olhando fundo nos olhos, como se me desafiasse a enfrenta-lo.

–O que?! – minha voz falhou e eu repeti: – Como não?

–Meu filho, eu não quero isso para você! Você imagina tudo que o pode te acontecer?

–Sim, eu sei tudo o que pode me acontecer! – gritei. – Eu sei que posso morrer. – fiz uma pausa para controlar ela. Continuei com uma voz ameaçadora e baixa. – Sabe o que é incrível? Quando eu precisei de um pai, você nunca apareceu, nem sequer me deu um sinal de que existia. Agora que eu posso finalmente mostrar o meu valor você quer me proibir? Você pode ser pai do Tyson e do Percy, – então eu voltei a gritar. – mas não é meu pai!

–Cale-se! – sua voz tornou-se forte e irritada ecoando em todo o Chalé.

–Entenda papai... – falei ironicamente. – O que você quer ou deixa de querer não me importa! Nunca me importou! E não vai ser agora que eu vou mudar de ideia! – ele me encarou, a cólera transbordando em seus olhos verdes, agora tormentos.

–Você não tem o direito de falar assim comigo! – ele gritou e a cada palavra eu sentia uma dor em algum local do corpo, até que, no fim da frase, meu corpo todo doesse muito. Eu gritei.

A porta explodiu e Tyson entrou. Ele era o irmão que eu mais me dava bem.

–Pai pare! – ele gritou ao ver-me de joelhos no chão. – O que você está fazendo?

A dor sumiu, Poseidon bufou, olhou com raiva para mim e sumiu.

–Obrigada, Tyson. – eu disse ofegante.

–O que estava acontecendo? – ele perguntou, piscando com seu único olho.

–Nada irmão. – lancei um sorriso fraco. – Vamos para o refeitório.

Ao passarmos pela porta, Tyson murmurou algo sobre arrumar aquilo. Eu fiquei com um pouco de pena dela, ela estava destruída. Completamente.

Quando chegamos ao refeitório, nos sentamos à mesa do nosso Chalé. Eu pensei no cereal que minha mãe faz todo dia de manhã quando estou em casa e ele surgiu no meu prato. Levantei o meu copo para frente e desejei o suco de laranja que a mãe da Sam fez. Sam... Aí que saudade dela...

Fiquei viajando em pensamentos até que Tyson colocou a mão no meu ombro. Hora das oferendas. E eu estava com raiva do meu pai ainda.

Chegou a minha vez a fogueira e eu ainda tinha raiva. “Dessa vez o sacrifício vai para Marte, papaizinho querido” pensei irônico. Senti um olhar sobre mim e encontrei Quíron me encarando com repreensão nos olhos.

Voltei a minha mesa e comecei a comer. O prato do Tyson era uma montanha de sanduíches de manteiga de amendoim. Enquanto me deliciava com o meu cereal, meus pensamentos voaram até a Sam. O que será que ela estava fazendo agora? Será que estaria comendo também? Dormindo talvez? Poderia estar pensando em mim? Sorri. Aquela garota iria me tirar do sério ainda.

Quando levantei para me dirigir a primeira tarefa do dia, Quíron me chamou. Saímos do refeitório e ele foi me levando para a floresta. Ele estava rígido quando parou e se voltou para mim.

–Criança, você fez a sua escolha. Decidiu se voltar contra seu pai para defender um amor. – ele suspirou. – Marte vai guiar seu treinamento, mas ele é romano então não pode visita-lo com frequência e você vai precisar confiar em alguém para contar a sua história e trazer para treiná-lo com você.

–Pra quando? – perguntei já pensando em um grande amigo para isso.

–Hoje. – ele falou. – À tarde Marte estará aqui, você tem o período para achar um companheiro de luta e convencê-lo a treinar. – assenti. – Após o almoço você se encontrará com Marte aqui. – ele fez uma pausa. – Quem eu devo liberar das atividades matutinas?

–Alessandro. – eu falei. – Libere o Possati e peça para me encontrar na praia.

Ele assentiu e seguiu para fora da floresta enquanto eu me dirigia para a praia. Precisava colocar os pés no meu refúgio para me tranquilizar. Era muito para uma manhã. Era muito para as minhas “férias”.

Sentando na beira da praia, cheguei e coloquei meus pés mais a frente, pedindo para a maré subir e molhá-los. Fiquei por um tempo encarando o mar e falei para a água, pensando no meu pai.

–Talvez você só queira o meu bem, mas eu preciso aprender sozinho, seja com meus erros ou com meus acertos. – suspirei. – Me deixe escolher sozinho. Tente me entender.

Voltei a encarar a água salgada que agora parecia fazer carinhos em meus pés molhados. Sorri ao pensar que talvez fosse um pedido de desculpas do meu pai. Talvez.

Ouvi passos e eu soube que Possati estava chegando, mas continuei fitando a água.

–Queria falar comigo? – ele me perguntou e eu o encarei.

Eu conhecia Alessandro Possati desde que entrei no acampamento. Ambos tínhamos a mesma idade. 16 anos. Iriamos completar 17 logo. Ele ainda nas “férias” e somente dois meses após seu término.

Alessandro, ou Possati como eu o chamava, era um garoto alto. Ele era forte e tinha seus músculos definidos, mas não era uma montanha deles. Enganava-se quem achava que ele era só um estorvo. Possati era esguio e veloz, ideal para corridas. Ele era moreno, com olhos escuros e cabelos pretos cortados bem curtos. Ele era um filho de Apolo bastante galanteador, além de muito divertido, mas ele e seu pai não tinham um relacionamento muito amigável. Ele preferia se envolver com qualquer um no acampamento, menos com os filhos do seu pai, os seus meios-irmãos. O sentimento era recíproco.

Isso e mais o fato de ele se dar muito bem com os filhos de Hades me fizeram escolher o meu melhor amigo para lutar junto comigo. Agora só faltava ele aceitar.

–Sim. – falei simplesmente. – Sente-se, temos muito que conversar.

Ele me olhou preocupado, mas se sentou. Enquanto eu encarava o mar, tentando descobrir como começaria ele não falou nada. Possati não era um cara chato e impaciente, era completamente o oposto, por isso o achei perfeito para treinar comigo, por eu ser um pouco nervoso. “O mar não pode ser contido” Tyson me disse uma vez quando fiz a fonte do nosso Chalé explodir e detonar com ele inteiro.

–Cara, eu não sei por onde começar. – suspirei, rindo ironicamente. Ainda encarando o mar, comecei a falar tentando soar confiante pra mim mesmo. – Lembra-se da Sam?

–A romana? – ele olhou pra mim confuso e eu assenti. – Cara, você está apaixonado por ela né? – eu ri.

–Só você, Possati. Só você para deduzir isso tão rápido. – nós dois rimos. – Agora sério. O avô dela veio me procurar...

–O quê? – ele perguntou incrédulo. – O deus da guerra romano veio falar com você? Tipo, o fodão veio falar com você e você ainda tá vivo?

–Eu não veio brigar comigo por gostar da neta dele. – eu ri. – Ao que parece, tem uma profecia envolvendo eu e ela. – ele me encarou. – É cara, uma profecia minha. – eu ri. – Eu tenho que proteger ela, segundo ele. Mas preciso treinar pra isso. – falei sério.

–Cara, você vai treinar com o deus romano fodão da guerra? – assenti com um sorriso nos lábios. – Cara! Você é demais! – ele me levantou. – Agora, me conta o que você quer de mim. – eu ri dele.

– Preciso que treine comigo. – falei sem rodeios, o encarando em pé.

–Sério? – ele me olhou eufórico. Eu sorri.

–Sim, mas vai ter que largar seus irmãos. Treinaremos na floresta o dia todo e...

–Cara, eu vou treinar com o mais guerreiro de todos os tempos e ainda vou me livrar daquelas coisas que dizem serem meus irmãos? – eu assenti, rindo da sua reação. – Então, quando começamos?

Notas finais
Então, eu amei o Possati e vocês? Feliz Páscoa, o capítulo também é presente, mas não se empolguem muito, ainda to com meta pra vocês... Cinco comentários e eu coloco o próximo Capítulo.